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Banca de DEFESA: JOSADAQUE ALBUQUERQUE DA SILVA PIRES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JOSADAQUE ALBUQUERQUE DA SILVA PIRES
DATA : 27/08/2016
HORA: 15:00
LOCAL: Hospital Psiquiátrico Dr. João Machado
TÍTULO:

(LOU)CURE-SE!: CORPOS VIVIDOS EM INSTAURAÇÕES CÊNICAS NO HOSPITAL DR. JOÃO MACHADO


PALAVRAS-CHAVES:

corpo, loucura, espaço, tempo, instituição, vivência, arte, criatividade, processos criativos, subjetividade, instauração cênica.


PÁGINAS: 124
RESUMO:

Esta dissertação enfoca uma proposta de investigação com metodologia de pesquisa ação; sobre o denominado ser louco, sua corporeidade e as relações intersubjetivas que esses corpos travam e que se revelam na cena cotidiana de uma instituição psiquiátrica, quando em contato direto com processos artísticos de instaurações de cenas; lembrando sempre que, esses corpos sob o signo da loucura lidam com o estigma.  Trata-se de pesquisar o modo de ser corporalmente predominante por restrições e desorganização na relação que essas pessoas têm com o outro, com o tempo e com o espaço, para tanto observa-se o modo como esses corpos se estruturam e se movimentam nos espaços sociais que parecem estar impregnados por uma ideologia de valores,  crenças e preconceitos adquiridos no processo histórico-social.

O tratamento dado ao louco é definido historicamente por uma prática de exclusão e pela diferença que faz do louco um ser desprovido de razão e consciência, amoral e nocivo, e deste modo, a discriminação é efetivada pelo controle através do enclausuramento e/ou da medicação exacerbada; As marcas cruéis desta ideologia opressora que caracterizam a história da loucura, onde o louco ainda ocupa o lugar do oprimido, são visíveis neste recorte pesquisado e percebidas nas gestualidades e expressões orais e corporais; A história desses corpos são presentificadas em dramas narrados e pela carga emocional impregnada nos gestos, na tonalidade da voz em falas, cantos e gritos que se revelam na cena cotidiana. Deste modo, este trabalho se propõe a uma articulação entre loucura e arte e para isto, procura-se encontrar conexões entre conceitos e questões que permeiam o tema da loucura e os processos de criação, enfatizando a importância do contato e da vivência humana com a linguagem da arte através do contato dos internos no Hospital Psiquiátrico Dr. João Machado com a coligação Cruor Arte Contemporânea, grupo permanente de Arte e Cultura, residente no DEART/UFRN, grupo de prática cênica do Núcleo Transdisciplinar de Pesquisa em Artes Cênicas e Espetaculares. Articular arte e loucura neste estudo está vinculado a experiência vivida na interação desses corpos nos encontros. Trata-se da relação desses corpos rotulados e institucionalizados nomeados como doentes mentais, por terem um histórico de enclausuramento em internações hospitalares, denominadas de manicômio, que contém uma cultura de controle social coercitivo. Investiga-se o encontro os corpos de artistas que trazem em si a experiência da arte e a partir dai se pensa na possibilidade de uma estética existencial das relações entre corpo, espaço, tempo e movimento nas instituições totalitárias e em um sentido mais amplo, nas condições determinadas historicamente ao louco, marcadas pelo abandono e ausência desse corpo, como também pela desorientação temporal e espacial, para tanto tenho o aporte da Psicologia Corporal em uma leitura fenomenológica existencial e da Psicologia Analítica através do estudo do significado dos símbolos na relação do ser humano consigo mesmo e com o ambiente. Essas perspectivas teóricas apresentadas foram escolhidas por trazerem contribuições para o estudo do ser humano em seus aspectos simbólicos, corporais e existenciais sob a ótica da arte.  Estudos estes, essenciais para a construção da experiência fenomenológica do sujeito enquanto trajeto de vida, em sua relação consigo mesmo e com o outro através da vivência da loucura com a presença da arte.

No decorrer deste processo investigativo compreendemos que estudar as atuais cenas cotidianas protagonizadas no hospital Dr. João Machado por subjetividades diferenciadas como portadoras de transtorno mental ou pessoas em sofrimento psíquico perpassa pelo entendimento de que na sociedade atual temos novas formas de produção da loucura, novos modos de ser louco, e reafirmando pois que a fabricação dessas emergentes formas subjetivas de ser louco é social e histórica e a arte pode ser um caminho para esta compreensão. Pois, é possível permitir a plasticidade e estéticas para outras formas de vivências, e “ser” com abertura para ousar, criar e refletir suas questões, seus estranhamentos, suas posturas adotadas e lugares assumidos na coletividade. E neste sentido, pela arte, em um espaço de saúde e ciência produzir conhecimento sobre o real e o vivido, com a linguagem artística das artes cênicas, pois esta facilita ao ser humano expressar e perceber o mundo de uma forma mais intensa. Vislumbrou-se pensar pedagogias vivenciais e corporais para lidar com as cenas e os corpos que circulam e se fazem presentes naquela realidade institucionalizada, assim foi criada com alguns pacientes a instauração cênica (Lou)Cure-se!, apresentada ao público nos meses de julho e agosto de 2016, nas dependências do hospital psiquiátrico Dr. João Machado.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1288360 - NARA GRACA SALLES
Interno - 2200162 - TEODORA DE ARAUJO ALVES
Externo à Instituição - URÂNIA AUXILIADORA SANTOS MAIA DE OLIVEIRA - UFBA
Notícia cadastrada em: 31/07/2016 18:52
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