Projeto Pedagógico do Curso

.visão de seu papel social de educador e capacidade de se inserir em diversas realidades com sensibilidade para interpretar as ações dos educandos

. visão da contribuição que a aprendizagem da Física pode oferecer à formação dos indivíduos para o exercício de sua cidadania

. visão de que o conhecimento físico pode e deve ser acessível a todos, e consciência de seu papel na superação dos preconceitos, traduzidos pela angústia, inércia ou rejeição, que muitas vezes ainda estão presentes no ensino-aprendizagem da disciplina.

1. Utilizar a matemática como uma linguagem para a expressão dos fenômenos naturais;

2. resolver problemas experimentais, desde seu reconhecimento e a realização de medições, coleta e processamento dos dados, até a análise e interpretação de resultados;

3. propor, elaborar e utilizar modelos físicos, reconhecendo seus domínios de validade;

4. concentrar esforços e persistir na busca de soluções para problemas de solução elaborada e demorada;

5. utilizar a linguagem científica na expressão de conceitos físicos, na descrição de procedimentos de trabalhos científicos e na divulgação de seus resultados;

6. utilizar os diversos recursos da informática, dispondo de noções de linguagem computacional;

7. conhecer e absorver novas técnicas, métodos ou uso de instrumentos, seja em medições, seja em análise de dados (teóricos ou experimentais);

8. reconhecer as relações do desenvolvimento da Física com outras áreas do saber, tecnologias e instâncias sociais, especialmente contemporâneas;

9. apresentar resultados científicos em distintas formas de expressão, tais como relatórios, trabalhos para publicação, seminários e palestras.

Além dessas habilidades que são as desejáveis para aqueles que trabalham na área de Física, no caso da Licenciatura, espera-se que o licenciando apresente ainda as seguintes habilidades e competências específicas ;

1. o planejamento e o desenvolvimento de diferentes experiências didáticas em Física, reconhecendo os elementos relevantes às estratégias adequadas;

2. a elaboração ou adaptação de materiais didáticos de diferentes naturezas, identificando seus objetivos formativos, de aprendizagem e educacionais; A formação do Físico, mesmo através de Ensino a Distância, não pode prescindir de uma série de vivências que vão tornando o processo educacional mais integrado.

São vivências gerais essenciais ao graduado em Física, como por exemplo:

1. ter realizado experimentos em laboratórios, cobrindo toda a gama de conteúdos essenciais de física;

2. ter tido experiência com o uso de equipamento de informática;

3. ter feito pesquisas bibliográficas, sabendo identificar e localizar fontes de informação relevantes;

4. ter entrado em contato com idéias e conceitos fundamentais da Física e das Ciências, através da leitura de textos básicos;

5. ter tido a oportunidade de sistematizar seus conhecimentos e seus resultados em um dado assunto através de, pelo menos, a elaboração de um artigo, comunicação ou monografia;

6. ter participado da elaboração e desenvolvimento de atividades de ensino.

Além dos aspectos intrínsecos ao ensino à distância, existem quatro elementos inovadores, de ordem geral, que constituem as diretrizes que norteiam a proposta metodológica a ser implementada: tema gerador, que no caso da presente proposta será a seca e a problemática da região do semi- árido Nordestino; a abordagem problematizadora, no que se refere ao método pedagógico adotado; a noção de conceitos unificadores, para a parte instrucional do programa do curso; e a forma como conceitos de Física Moderna e Contemporânea são tratados, permeando praticamente todas as disciplinas e recebendo particular atenção na estruturação do curso como um todo.

Incluída nas práticas oferecidas, está a familiarização dos alunos com o uso de modernos recursos educacionais: áudio-visuais, uso de computadores (edição de textos, uso de planilhas, correio eletrônico, Internet, simulações, recursos didáticos etc). O elemento de partida serão conteúdos de Física do cotidiano, para concluirmos com conceitos e aplicações de Física Contemporânea.

Deste modo, não se dará ênfase exclusiva aos conteúdos nem ao enfoque compartimentalizador destes nas disciplinas, ambos procedimentos típicos das abordagens tradicionais, mas, ao contrário, se reforçará sobremaneira uma visão globalizante, buscando sempre que possível ampliar o contexto para os domínios da Física Moderna e Contemporânea. Pedagogicamente, essa visão considera conteúdo específico e metodologia interligados de uma forma orgânica e indissociáveis desde o primeiro contato do estudante com aqueles conteúdos.

A abordagem problematizadora 3 é uma expressão do princípio de que o conteúdo e o método são indissociáveis. Aplicaremos tal abordagem ao estudo de situações envolvendo a Física do cotidiano e que propiciem ressaltar tanto os aspectos contextualizados na Física Clássica quanto aqueles que são objeto da Física Moderna e Contemporânea. Partindo dos conhecimentos não formalizados, chamados concepções espontâneas, trazidos pelos alunos como bagagem assimilada de situações vivenciadas no cotidiano (tais como a observação de fenômenos naturais, o contato com aplicações tecnológicas etc.), e de exemplos tirados da história da Ciência, pretende-se levar o aluno a apropriar-se do conhecimento e consolidar dentro de si a estrutura formal da Física, do modo como ela é atualmente entendida.

Em cada disciplina o aluno é orientado a trabalhar segundo três momentos pedagógicos, a saber: problematização inicial, organização do conhecimento e aplicação do conhecimento. No primeiro momento, da problematização inicial, apresentam-se questões e/ou necessários à compreensão do tema central desta unidade e da problematização inicial são estudados de modo sistemático no segundo momento, o da organização do conhecimento. Os conceitos, definições e leis apresentados no texto introdutório são aprofundados nesta ocasião, quando também é introduzido o formalismo matemático necessário para analisar quantitativamente os fenômenos em questão. Isto deverá ser feito no nível compatível com os conhecimentos assimiláveis até aquele estágio de desenvolvimeto do curso. Nesta etapa, cabem atividades das mais diversas, tais como realização de experiências por parte dos alunos, demonstrações, atividades fora de casa, leituras específicas e discussão coletiva de textos especialmente escritos (nos sábados de visita do professor à localidade do aluno), aprofundamento de aspectos especiais de cada tópico, relação com a Física Moderna e Contemporânea, etc.

O terceiro momento, da aplicação do conhecimento, destina-se principalmente à abordagem sistemática do conhecimento que vem sendo incorporado pelo estudante ao longo daquela unidade do programa. O objetivo é analisar e interpretar as situações físicas às quais ele foi sendo exposto desde o texto introdutório e através dos dois momentos pedagógicos anteriores. Visa-se com isto que o aluno perceba de modo dinâmico e evolutivo que o conhecimento, além de ter sua construção historicamente determinada, é acessível a qualquer pessoa que se interesse. Desta forma, pode-se evitar dicotomizações ordinariamente encontradas como, por exemplo, aquela entre “Física de sala de aula” e “Física de pesquisa”. Como no segundo momento, esta etapa é aberta a uma grande variedade de atividades que deverão ser realizadas.

Os conceitos unificadores, que constituem a segunda diretriz a orientar a estruturação deste curso, são aqueles que encerram a característica de serem intrinsecamente supradisciplinares. Na proposta de Delizoicov & Angotti eles podem ser agrupados em quatro categorias: (i) processos de transformação, (ii) ciclos e regularidades, (iii) energia e (iv) escalas. Na presente proposta estes conceitos sairiam a partir do grande tema gerador que é a seca.

A idéia central é que a associação entre os conteúdos, sendo feita através de conceitos unificadores, evidencia a existência de invariantes e procedimentos comuns a toda a Física e reforça não só a potencialidade dos mesmos, como também as próprias vantagens em adotar-se tal enfoque unificador. Facilita também a desejável superação da compartimentalização por áreas (Mecânica, Eletricidade, Acústica, Termodinâmica etc.) normalmente presente nos enfoques tradicionais de ensino. De fato, a função dos conceitos unificadores é a de evidenciar o caráter supradisciplinar dos conteúdos, permitindo uma melhor ligação entre as partes e o todo. Esta ligação se manifesta no decorrer do curso em duas instâncias: uma de natureza didática, na relação entre as unidades de ensino (partes) e o programa (todo), e outra de natureza epistemológica, na relação dos campos – Mecânica , Ótica, Magnetismo, etc. – que constituem as partes de um conhecimento estruturado que é a Física como um todo.

A Física Moderna deverá ser referida sistematicamente em todas as disciplinas, porque é freqüentemente possível identificar fenômenos ou situações, muitas vezes tomados em aspectos microscópicos ou macroscópicos, ou nesses limites, em que o formalismo clássico não oferece uma descrição satisfatória. Aliás, justamente as diversas situações históricas de inadequação dos modelos clássicos constituem oportunidades singulares de introduzir precocemente as mudanças de paradigmas estabelecidos pelo desenvolvimento da Física Relativística e da Física Quântica. Em todas as disciplinas deverá haver um trabalho de identificação de possíveis tópicos relacionados à Física Moderna que possam ser abordados. A menção rotineira a fenômenos e aplicações tecnológicas constitui também uma motivação natural à inclusão tanto de conceitos de Física Moderna como de Física Contemporânea. Outro aspecto da disseminação destas áreas é a possibilidade de ampliação do leque de conceitos unificadores.

Claramente, essas diretrizes norteadoras implicam em conseqüências evidentes para a prática docente e para o material de apoio a ser produzido para o estudante, no entanto como garantia da viabilidade real dessas idéias temos que algumas disciplinas ministradas pelo DFTE já vêm sendo lecionadas segundo tais diretrizes, em especial aquelas do Curso de Especialização em Ensino de Física (entre 1995 e 1997), nas disciplinas do ciclo básico do Curso de Licenciatura em Física Noturno (desde 1996), e no Curso de Treinamento de Professores do PROCIÊNCIAS (1997 e 1999). Como conseqüência dessa prática, já foram produzidos vários guias de estudo, textos, roteiros de laboratório e materiais didáticos de um modo geral, todos fundamentados nessa filosofia metodológica.

O desafio será a transformação e adaptação dessa prática e desse material para um contexto de educação à distância. Da experiência acumulada e com o material já produzido, este passo não implicará em maiores dificuldades dentro do processo de implantação da nova Licenciatura.

Por fim, serão levados em conta resultados de pesquisas em ensino de Física na organização e estruturação do curso e das disciplinas. Serão tratadas as implicações, para a prática docente, da adoção de uma abordagem problematizadora. Estas são implicações relativas às mudanças, de postura, atitudes e práticas, que precisam ocorrer com o professor a nível pessoal, e às resistências a estas próprias mudanças que ele possivelmente encontrará tanto a nível pessoal como institucional. A aplicação a ser feita dos resultados de pesquisas em ensino, a utilização de abordagens problematizadoras, de conceitos unificadores e a disseminação precoce dos conceitos de Física Moderna e Contemporânea objetivam fazer com que estes procedimentos possam ser incorporados pelo professor-aluno na composição do planejamento e da sua prática na sala de aula e no laboratório, já durante o desenrolar do curso.

É importante ter em mente que, para a maioria dos estudantes, o ensino médio será a primeira e última vez que terão contato com atividades explícitas de ensino de Física. Se tal contato falhar em elevar seu nível cultural, em prover sua formação enquanto cidadão e em fornecer-lhe uma visão física do mundo que o cerca, terá falhado todo o investimento humano e material associado a este ensino. Ao darmos condições ao professor-aluno de começar a exercitar o mais cedo possível novas práticas educativas, amparadas por consistentes fundamentos pedagógicos e mais afinadas com o momento atual e com as necessidades do cidadão do futuro, visamos antecipar as tão esperadas mudanças no ensino de Física no nível médio e na concepção que os alunos têm dessa área do conhecimento humano.

A UFRN está, desde 1999, comprometida com do Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB). Desde então há uma prática constante de avaliar cursos, departamentos, programas. Este Projeto não poderia estar divorciado desta diretriz institucional. Um dos principais parâmetros utilizados pela avaliação dos cursos de graduação é a sua taxa de sucesso, onde se observa o numero de alunos que ingressa, em relação ao número que conclui, buscando entender os fatores que interferiram em sua trajetória. Do ponto de vista do Projeto como um todo, há que se observar, sobretudo, quatro itens: a garantia da infra-estrutura necessária para o desempenho das atividades; a aplicabilidade e eficiência do projeto pedagógico; a adequação dos materiais didáticos elaborados e a atuação das tutorias.

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