Projeto Pedagógico do Curso

O egresso do curso de graduação em Educação Física (Licenciatura) na modalidade a distância da Universidade Federal do Rio Grande do Norte deverá planejar, sistematizar, executar e avaliar as ações pedagógicas da Educação Física como componente curricular na Educação Básica e suas modalidades, pautando tais ações na cultura corporal como identificadora dos conhecimentos que serão transmitidos aos alunos.

A construção do perfil do licenciado em Educação Física tem como pressupostos: a compreensão da escola e do currículo como espaços dialógicos, em sintonia com o contexto social e existencial dos educandos; b) a concepção da escola como um espaço de formação do ser humano, portanto, lugar de vida, de corpo, de conhecimentos, de aprendizagens diferenciadas.

Para tanto, a construção desse perfil profissional será consolidada pela apropriação de conhecimentos vinculados ao ensino, à pesquisa e à extensão, os quais possibilitarão ao graduado um domínio de competências relacionadas à “cultura geral e profissional; conhecimento sobre crianças, jovens e adultos; conhecimento sobre a dimensão cultural, social e política da educação; conteúdos das áreas de ensino; conhecimento pedagógico; conhecimento advindo da experiência” (BRASIL, 2002, p. 37), todas articuladas entre si e não como parte exclusiva de uma única disciplina.

A ação do professor de Educação Física caracteriza-se pelo trabalho de natureza pedagógica, delineando-se sua ação na educação básica e em outros espaços sociais, como projetos sociais, culturais e outros de natureza pedagógica.

Esse profissional, portanto, deve atentar para a complexidade do mundo em que vivemos e compreender sua diversidade étnica, de classe ou cultural, além de se situar enquanto ser social no combate a todas as formas de discriminação em defesa da cidadania. Enquanto educador deve estar aberto a novas experiências, no que diz respeito ao campo de ensino e aprendizagem, estar apto a utilizar as novas tecnologias e recursos multimídias em suas múltiplas possibilidades, tais como: internet, cinema, produção de vídeo, dentre outros. E, acima de tudo, ter o compromisso com a formação de seu aluno na sua totalidade indissociável de ser intelectual e ser humano.

A formação do professor deve considerar aspectos que primam por uma atuação ética, crítica, autônoma e criativa; pelo respeito à pluralidade; por uma postura propositiva ante os desafios de problemas inerentes à sociedade.

O professor no seu cotidiano deve saber lidar com a organização e orientação de situações de aprendizagem, envolvendo os alunos em atividades individuais e coletivas; selecionar didáticas pertinentes à natureza do conteúdo; trabalhar em equipe participando da administração escolar e servir de elo, à escola, a família e a comunidade; conduzir processos de investigação e primar por uma formação continuada.

Ainda, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Física, sobre o perfil do egresso, preconiza-se que:

Art. 4º O curso de graduação em Educação Física deverá assegurar uma formação generalista, humanista e crítica, qualificadora da intervenção acadêmico-profissional, fundamentada no rigor científico, na reflexão filosófica e na conduta ética.

§ 1º O graduado em Educação Física deverá estar qualificado para analisar criticamente a realidade social, para nela intervir acadêmica e profissionalmente por meio das diferentes manifestações e expressões do movimento humano, visando a formação, a ampliação e o enriquecimento cultural das pessoas, para aumentar as possibilidades de adoção de um estilo de vida fisicamente ativo e saudável.

§ 2º O Professor da Educação Básica, licenciatura plena em Educação Física, deverá estar qualificado para a docência deste componente curricular na educação básica, tendo como referência a legislação própria do Conselho Nacional de Educação, bem como as orientações específicas para esta formação tratadas nesta Resolução.

Entende-se que o profissional formado por esse curso deve estar instrumentalizado teórica e metodologicamente para o ensino, a extensão e a pesquisa em Educação Física. Dessa forma, contribuindo para o cotidiano de um novo modo de ensinar aos que a Educação Física propõe, na Educação Básica.

Assim, para se delinear as competências e habilidades para os Licenciados em Educação Física, é necessária uma reflexão conceitual sobre o que seja competência e habilidades. Para tanto, são adotados os seguintes pressupostos:

a) A competência se constitui em um conjunto de recursos, que podem ser saberes ou conhecimentos, saber-fazer ou atitudes que o profissional utiliza dentro do seu contexto de ação (GUATHIER, 2000).

b) Por competência entende-se o conjunto de todas as capacidades e habilidades para executar uma atividade, pois “o conceito de competência profissional implica a capacidade para adquirir autonomamente saber, investigar, ser criativo, desenvolver-se profissionalmente” (MATOS, 1992, p. 467-469)

c) O conceito de habilidade refere-se ao componente automatizado da ação consciente, adquirida na realização de uma determinada atividade, contudo isso não significa uma visão tecnocrata ou mecanicista, mas sim a possibilidade de segurança e fluidez na ação. Considera-se ainda que as habilidades desencadeiam ou aceleram os fatores da competência, particularmente as questões do conhecimento e da ação profissional (RUBISTEIN apud MATOS, 1992).

Por esses argumentos consideram-se competências e habilidades conceitos indissociáveis. Desse modo, a profissionalização implica a mobilização de competências e habilidades que só se desenvolvem plenamente no contexto profissional real, em consonância com as competências definidas nas Diretrizes de Formação de Professores, nas Diretrizes Curriculares Nacionais específicas do curso de Educação Física, bem como considerando o eixo norteador do presente projeto pedagógico.

Para o licenciado, as competências devem ser direcionadas para os diferentes níveis de intervenção pedagógica da Educação Básica e suas modalidades, de acordo com as especificidades dos ciclos de escolarização:

a) Competências referentes ao domínio dos conteúdos a serem socializados pelo seu componente curricular, de seus significados nos diferentes ciclos de escolarização e de sua articulação interdisciplinar:

  • Elaborar raciocínios argumentativos coerentes com o eixo norteador que define sua área de conhecimento, a cultura de movimento, interpretando-a e relacionando-a com o seu contexto de intervenção pedagógica;
  • Conhecer e dominar os conhecimentos pedagógicos, conceituais, procedimentais e atitudinais específicos  da Educação Física como componente curricular  e aqueles advindos das ciências afins, adequando-os às necessidades e interesses dos alunos em conformidade com os diferentes níveis da educação básica;
  • Compartilhar saberes com os professores dos diferentes componentes curriculares, articulando sua ação pedagógica às contribuições mútuas destes componentes, como forma de promover a interdisciplinaridade.

b) Competências referentes ao comprometimento com os valores inspiradores da sociedade democrática:

  • Contextualizar os acontecimentos de sua área profissional com as mudanças estruturais da sociedade contemporânea, exercendo a crítica e apontando possibilidades para contribuir na resolução dos problemas;
  • Orientar suas escolhas e decisões metodológicas e didáticas por princípios e valores sociais, morais, éticos, políticos, estéticos e por pressupostos epistemológicos coerentes  próprios de uma sociedade plural e democrática.
  • Reconhecer e respeitar a diversidade da cultura de movimento manifestada por seus alunos, em seus aspectos sociais, culturais e físicos.

c) Competências referentes à compreensão do papel da escola:

  • Compreender o processo de ensino e aprendizagem na escola e nas suas relações com o contexto no qual se inserem as instituições de ensino e atuar sobre ele a partir das intervenções da Educação Física como componente curricular;
  • Participar coletiva e cooperativamente da elaboração, gestão, desenvolvimento e avaliação do projeto pedagógico da escola, situando e justificando claramente a presença da Educação Física neste contexto, bem como em outros diferentes contextos do campo profissional que requeiram sua atuação profissional.

 d) Competências referentes ao domínio do conhecimento pedagógico:

  • Criar, planejar, realizar, gerir e avaliar situações didáticas eficazes para a aprendizagem e para o desenvolvimento dos alunos, utilizando os conhecimentos da Educação Física a serem ensinados, das temáticas sociais transversais ao currículo escolar, dos contextos sociais considerados relevantes para a aprendizagem escolar, bem como as especificidades didáticas envolvidas;
  • Gerir a classe, a organização do trabalho, estabelecendo uma relação de autoridade e confiança com os alunos;
  • Utilizar estratégias diversificadas de avaliação da aprendizagem e, a partir de seus resultados, formular propostas de intervenção pedagógica, considerando o desenvolvimento de diferentes capacidades dos alunos.         

e) Competências referentes ao conhecimento de processos de investigação que possibilitem o aperfeiçoamento da prática pedagógica:

  • Reconhecer a dinâmica de produção, crítica e divulgação do conhecimento de sua área, assim como ser capaz de dialogar com outras áreas de conhecimento, de acordo com o pressuposto da interdisciplinaridade, ampliando o referencial teórico-metodológico da pesquisa, do ensino e da extensão referente ao conhecimento da cultura de movimento para apropriar-se, criticar e produzir tal cultura;
  • Analisar situações e relações interpessoais nas quais estejam envolvidos, com o distanciamento profissional necessário à sua compreensão;
  • Usar procedimentos de pesquisa para manter-se atualizado e tomar decisões em relação aos conteúdos de ensino.

f) Competências referentes ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional:

  • Buscar os meios de garantir sua formação contínua, de acordo com as exigências acadêmica e profissional da área e da sociedade;
  • Elaborar e desenvolver projetos pessoais de estudo e trabalho, empenhando-se em compartilhar a prática e produzir coletivamente. 

 

A proposta curricular para a graduação em Licenciatura em Educação Física na modalidade a distância prioriza os seguintes aspectos enquanto dimensão metodológica, levando em consideração os aspectos relacionados ao conteúdos que tematizem transversalmente em nossos componentes curriculares as questões ambientais, as questões étnico raciais, as questões relacionadas às diferenças e as necessidades educativas especiais, com as questões culturais, sociais, econômicas para o desenvolvimento humano na formação de docentes:

 a) Interdisciplinaridade: nesse contexto, a inter-relação das diferentes disciplinas passa a constituir-se como uma das bases metodológicas dessa formação e da busca de uma aproximação entre a formação teórica e a formação prática. Apesar de não ser possível negar as especificidades do conhecimento, caracterizado pelo conteúdo de cada disciplina, pode-se buscar, em cada área de conhecimento, o que lhe é próprio e o que é comum as outras áreas, de forma a se estabelecer um processo de inter-relação facilitador da formação do aluno;

b) Indissociabilidade entre teoria e prática: nesse sentido, consideramos a teoria como elemento sustentador do contexto programático das diversas disciplinas, adequando-se às necessidades específicas de cada uma delas, sendo este processo viabilizado através de oficinas, laboratórios, seminários, atividades de prática docente e aproveitamento das experiências vivenciadas pelo aluno, o que permite uma aplicação imediata dos conhecimentos construídos pelos mesmos ao longo do desenvolvimento do processo formativo.

c)Desenvolvimento do estágio curricular: pretendemos oportunizar o desenvolvimento de estágios que permitam levar o aluno, ao longo de todo o processo de formação, ao campo de atuação profissional. Este objetivo será cumprido através do Estágio Supervisionado I, II e III, oferecidos no 6º, 7º e 8º nível de formação, bem como através da utilização de práticas vivenciais, sob a orientação dos professores das diversas disciplinas, previstas na distribuição da carga horária da estrutura curricular em todos os níveis de formação. A coordenação geral do programa, a coordenação pedagógica e os professores envolvidos diretamente com as atividades do estágio definirão, em tempo oportuno, os procedimentos próprios da atividade.

d) Aproveitar a experiência dos alunos na área acadêmica, científica e cultural: pretendemos possibilitar o aproveitamento das experiências dos alunos e, para tanto, está previsto na estrutura curricular o aproveitamento (como horas de atividade, incluídas na carga horária total do curso de 50 (cinquenta) horas na área acadêmica, 100 (cem) horas na área científica e 50 (cinquenta) horas na área cultural. Essas 200 (duzentas) horas de atividades deverão ser incluídas na carga horária total da formação do aluno, ao longo do seu processo de formação, por requerimento do mesmo, tomando-se como referência regulamentação a ser definida pela coordenação geral do programa e pela coordenação pedagógica do curso.

e) Articular os pilares de ensino, pesquisa e extensão: promover a articulação, durante todo o processo formativo, dos pilares de ensino, de pesquisa e de extensão. Neste contexto, desde o início do curso, projetamos o envolvimento dos alunos nos projetos de pesquisa e de extensão desenvolvidos no âmbito da UFRN e, em particular, a criação de projetos que se ajustem às necessidades sociais da cidade polo onde o curso é desenvolvido, bem como à realidade e às necessidades das diferentes comunidades dos alunos do curso, observando-se sempre a relação entre o ensino, a pesquisa e a extensão.

f) Flexibilização dos componentes curriculares: os componentes curriculares do curso de licenciatura em Educação Física estão sendo reorganizados para darem maior flexibilidade e possibilidade de um percurso sem restrições para os/as estudantes do curso. Pensamos numa diminuição dos pré-requisitos, pois na dinâmica dos cursos a distância, principalmente, no tocante às suas entradas, é possível verificar que uma quantidade excessiva de pré-requisitos contribuem para as desistências e, também, para a finalização do curso, por conta dessas situações os componentes curriculares foram organizados para que os estudantes possam cursar as disciplinas e que esse fluxo curricular adquira uma maior flexibilidade.

A UFRN possui reconhecida estrutura de pesquisa e extensão, possibilitando que seus alunos de graduação atuem de modo inequívoco tanto com bolsas ou de forma voluntária nesses projetos. As possibilidades de atuação, desde o início do curso, em projetos e programas de extensão, levam, também, à participação dos alunos em diversos grupos de pesquisa da instituição e vinculados ao Departamento de Educação Física, entre eles, Grupo de Pesquisa Corpo e Cultura de Movimento (GEPEC), ESTESIA. Na extensão, o Laboratório de Estudos em Educação Física, Esporte e Mídia (LEFEM), como também a realização anual do Seminário de Educação Física, são espaços que evidenciam as práticas ligadas a extensão[1]. Deste modo, ao participar de um projeto de extensão, o acadêmico já se vê confrontado com problemas de pesquisa relacionados à prática profissional em Educação Física. Além desses projetos de referências, outro que se destaca e mais antigo no DEF, é o PAIDEIA, responsável pela formação continuada de professores e que tem atuado desde os anos 2000, além de participar ativamente na elaboração de material didático, destacando-se a revista Cotidiano Escolar.


ESTÁGIO OBRIGATÓRIO

Dando continuidade à formação dos graduandos, consideramos ainda as atividades de Estágio como uma parcela importante nessa formação. Tais atividades serão encaminhadas como práticas pedagógicas inerentes à Educação Física escolar, iniciando-se com o conhecimento da realidade escolar local, para então planejar a disciplina a ser ministrada.

O Estágio Supervisionado é um componente curricular obrigatório e indispensável para a integralização curricular e acontecerá do 6º ao 8º semestre do curso. O estágio deve ser cumprido em 400 (quatrocentas) horas de atividades. Considera-se, portanto, a particularidade dos alunos que já se encontram em exercício, fazendo sentido tomar a prática docente como a experiência a ser refletida e a prática pedagógica como campo do estágio, estabelecendo a prática profissional como campo de experiências reflexivas, a partir da elaboração de relatórios de práticas inovadoras na Educação Física escolar, apresentação de unidades temáticas produzidas na prática profissional, assim como a participação em atividades presenciais nos polos sobre a prática profissional e sua relação com o estágio supervisionado.

O Estágio Supervisionado Obrigatório do Curso de Licenciatura em Educação Física, segue as disposições da Lei Nº 11.788, de 25 de setembro de 2008, que dispõe sobre o estágio; da Resolução Nº 171/2013-CONSEPE, de 5 de novembro de 2013, a qual regulamenta os Cursos Regulares de Graduação da UFRN; da Resolução Nº 2/2015 – CNE/CP, de 1 de julho de 2015que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada, a qual institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior.

A supervisão do estágio consistirá nos seguintes procedimentos: supervisão presencial, por meio da tutoria e/ou professor da UFRN, será realizada de forma direta, respeitando os requisitos mínimos da legislação, sempre que as condições de infraestrutura possibilitarem; observação recíproca em aulas regidas, preferencialmente por professor da escola ou de uma escola próxima; registro e documentação das atividades por meio de seminários temáticos, relatórios de campo, registro fotográfico, entre outros. Para a avaliação, serão considerados os itens acima relacionados, como também a participação do aluno, considerando a pontualidade, a assiduidade, a preparação e o planejamento das atividades de regência e o domínio dos conteúdos pedagógicos e teóricos.


PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR E CONTEÚDOS LEGALMENTE OBRIGATÓRIOS

 Para este projeto pedagógico, a Prática como Componente Curricular (PCC) terá como referência a Resolução nº 2, de 1º de julho de 2015, no sentido de integralizar o currículo do curso. O Parecer CNE/CES nº 15/05, que considera a prática como componente curricular, define a Prática como Componente Curricular como o conjunto de atividades formativas que proporcionam experiências docentes.

Desse modo, conforme explicado no Parecer CNE/CP nº 2/2015, ratificando o escrito no Parecer CNE/CES nº 15/2005, a PCC, efetivada ao longo do curso se caracteriza como sendo “[...] o conjunto de atividades formativas que proporcionam experiências de aplicação de conhecimentos ou de desenvolvimento de procedimentos próprios ao exercício da docência” (p. 32). A proposição da PCC resulta da tentativa de solucionar o desafio de articular teoria e prática. O parecer nos deixa o desafio de pensar a respeito de questões, de como o estudante e o professor irão estabelecer uma relação, entre o que estão aprendendo na formação e o que irão ensinar nas suas ações, na educação básica. 

Outros desafios a serem superados é a de não computar a carga horária das disciplinas de caráter técnico-científico relativa à PCC. Nessa direção, o Parecer exemplifica:

 […] disciplinas de caráter prático em Química, cujo objetivo seja prover a formação básica em Química, não devem ser computadas como prática como componente curricular nos cursos de licenciatura. Para este fim, poderão ser criadas novas disciplinas ou adaptadas às já existentes, na medida das necessidades de cada instituição. (p. 32).

 Com base nas Resoluções do Conselho Nacional de Educação de 2002, o currículo apresenta uma estrutura interdisciplinar, possibilitando articular a teoria a diferentes práticas.

Quanto ao seu conceito prático, o Parecer CNE n° 15/2005, define claramente o que é a PCC, bem como qual seu intuito na formação do acadêmico, em especial o de Educação Física, acreditamos que:

 [...] por meio destas atividades, são colocadas em uso, no âmbito do ensino, os conhecimentos, as competências e as habilidades adquiridas nas diversas atividades formativas que compõem o currículo do curso. As atividades caracterizadas como prática como componente curricular podem ser desenvolvidas como núcleo ou como parte de disciplinas ou de outras atividades formativas. Isto inclui as disciplinas de caráter prático relacionadas à formação pedagógica, mas não aquelas relacionadas aos fundamentos técnico-científicos correspondentes a uma determinada área do conhecimento. (p. 03)

 A prática deverá permear toda a formação do aluno. Essa resolução propõe ainda que

 [...] a presença da prática profissional na formação do professor, que não prescinde da observação e ação direta, poderá ser enriquecida com tecnologias da informação, incluídos o computador e o vídeo, narrativas orais e escritas de professores, produções de alunos, situações simuladores e estudos de caso. (p. 06)

 No caso da PCC, definida para esse PPC, estará presente desde o terceiro período do curso até o oitavo, e permeará a formação do graduando transcendendo a sala de aula para o conjunto do ambiente escolar e da própria educação escolar, podendo fazer uma articulação com os órgãos normativos e com os órgãos executivos dos sistemas, como também indicar uma presença junto a agências educacionais não escolares, tal como está definida no Art. 1º da LDB (PARECER CNE/CP n.º 28/2001). Nessa direção, é importante salientar que a PCC é uma prática que produz algo sobre o ensino que se realiza em espaços educativos. Nesse sentido, visa a garantir uma sólida formação teórico-prática para os futuros professores, articulando-se às teorias ensinadas aos graduandos, ou seja, proporcionam pensar para que, como e o que fazer nos espaços educativos com o aprendido.

Nesse sentido, reforçamos que a “Prática” como “Componente Curricular”, não será a mesma coisa da Prática de Ensino/Estágio Supervisionado. Como sabemos e está posto na Resolução CNE/CP Nº 2/2015, a carga horária de 405 horas visa, também, favorecer a reflexão por parte do futuro profissional a propósito da organização das práticas que consubstanciam a cultura escolar, esportiva, artística, lúdica e tradição educacional.

De acordo com o Parecer CNE/CE 28/2001 (2001, p. 09):

 A prática como componente curricular é, pois, uma prática que produz algo no âmbito do ensino. Sendo a prática um trabalho consciente [...] ela terá que ser uma atividade tão flexível quantos outros pontos de apoio do processo formativo, a fim de dar conta dos múltiplos modos de ser da atividade acadêmico-científica. Assim, ela deve ser planejada quando da elaboração do projeto pedagógico e seu acontecer deve se dar desde o início da duração do processo formativo e se estender ao longo de todo o seu processo. Em articulação intrínseca com o estágio supervisionado e com as atividades de trabalho acadêmico, ela concorre conjuntamente para a formação da identidade do professor como educador.

 Para tanto, a organização das 405h da PCC está distribuída em uma perspectiva interdisciplinar, buscando uma prática que produza algo no âmbito do ensino e auxilie na formação da identidade do professor como educador.

A PCC será inserida de acordo com eixo norteador deste projeto devendo, portanto, ter carga horária própria. Neste PPC as práticas estão organizadas em 6 disciplinas com os seguintes temas: Diversidade étnica; gênero e sexualidade; deficiência; diversidade cultural; meio ambiente; diversidade religiosa, faixa geracional e direitos educacionais de adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas; projetos sociais e Educação Física. Sendo elas DEF0121 Práticas Curriculares I (60 horas), DEF0122 Práticas Curriculares II (60 horas), DEF0123 Práticas Curriculares III (60 horas), DEF0125 Práticas Curriculares IV (60 horas), DEF0126 Práticas Curriculares V (75 horas), DEF0127 Práticas Curriculares VI (90 horas).      

No que diz respeito a orientação do Parecer CNE/CP nº 2/2015 quanto a fundamentos da educação; formação na área de políticas públicas e gestão da educação, seus fundamentos e metodologias; direitos humanos; diversidades étnico-racial, de gênero, sexual, religiosa, de faixa geracional; Língua Brasileira de Sinais (Libras); educação especial; e direitos educacionais de adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas, o currículo de Educação Física a Distância organizou esses conteúdos em componentes curriculares, distribuídos no Quadro 07:

Quadro 07– Temáticas e Componentes Curriculares

Temática

Componentes Curriculares

Libras

Libras (FPD1023)

Relações Étnico-raciais

Práticas Curriculares I (DEF0121)

Meio Ambiente

Práticas Curriculares V (DEF0126)

Práticas Corporais, Lazer e Meio Ambiente (DEF0124)

Políticas Públicas e Gestão Escolar

Estágio Supervisionado I (DEF1011)

Gestão e Organização Escolar (FPD1003)

Educação Especial

Práticas Curriculares III (DEF0123)

Direitos Humanos

Práticas Corporais, Lazer e Meio Ambiente (DEF0124)

Direitos educacionais de adolescentes e jovens em medidas socioeducativas

Práticas Curriculares VI (DEF0127)

Diversidade de Gênero, Sexual, Religiosa, de Faixa Geracional

Práticas Curriculares II (DEF0122)

Práticas Curriculares IV (DEF0125)

 

ATIVIDADES TEÓRICO-PRÁTICAS (ATP)

 

Quanto as Atividades Teórico-Práticas (ATP) são destinadas 200 horas para serem cumpridas conforme resolução em anexo,  que visam integrar ensino, pesquisa e extensão, permitindo ao aluno uma maior inserção no meio acadêmico e na comunidade. A carga horária deverá ser cumprida ao longo do curso, e computada desde que seja requerida pelo aluno e comprovada oficialmente pelo mesmo. A avaliação das atividades se rege por resolução própria (ver anexo), aprovada no âmbito do colegiado do curso. 

 
 

[1] As atividades de extensão são atividades sazonais que dependem, também, das necessidades do curso e dos professores nas suas realizações.

 

AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

 

Os processos avaliativos nos componentes curriculares avaliarão os percursos de aprendizagem e ensino dos estudantes do curso, tendo como elemento dessa verificação o domínio dos conhecimentos, suas habilidades na relação dos conhecimentos aprendidos e suas atitudes ao longo dos componentes conforme é previsto no Regulamento dos Cursos de Graduação da UFRN que através do Art. 91 define o processo de avaliação da aprendizagem como um:

(...) processo formativo contínuo que compreende diagnóstico, acompanhamento e somatório da aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes pelo estudante, mediado pelo professor em situação de ensino, expressa em seu rendimento acadêmico e na assiduidade.

Assim, os processos avaliativos são importantes formas de diagnóstico das aprendizagens e do ensino ao longo dos semestreseacontecem de forma presencial e a distância.

Para tanto é necessário problematizarmos as noções mais hegemônicas dos procedimentos avaliativos, como argumenta Cambi (1999, p. 206):

(...) a escola ritualiza o momento do exame atribuindo-lhe o papel crucial no trabalho escolar. O exame é o momento em que o sujeito é submetido ao controle máximo, mas de modo impessoal: mediante o controle do seu saber. Na realidade, porém, o exame age sobretudo como instrumento disciplinar, de controle do sujeito, como instrumento de conformação.

Na universidade essas premissas não são diferentes, o que implica pensarmos em mudanças nas formas e compreensões dos processos de avaliação. Para Zabala (1998, p. 198):

o objeto da avaliação deixa de se centrar exclusivamente nos resultados obtidos e se situa prioritariamente no processo de ensino/aprendizagem, tanto do grupo/classe como de cada um dos alunos. Por outro lado, o sujeito da avaliação não apenas se centra no aluno, como também na equipe que intervém no processo.

O processo avaliativo na formação inicial abriga um compromisso diferente dos processos avaliativos escolares fundamentais, pois a formação inicial é o início da formação profissional, e os procedimentos avaliativos devem incorporar essa situação de ensinar e aprender em âmbito profissional. Compreendendo-se a avaliação do processo ensino-aprendizagem como uma “reflexão transformada em ação. Ação, essa, que nos impulsiona as novas reflexões. Reflexão permanente do educador sobre sua realidade, e acompanhamento, passo a passo, do educando, na sua trajetória de construção do conhecimento” (HOFFMANN, 1991 p. 18).

Necessário se faz repensar a avaliação desse processo no contexto deste projeto pedagógico, a qual tem sido materializada no contexto atual em provas objetivas e, muitas vezes, mais punitivas para os alunos do que para o redimensionar das ações docentes e expressão da interatividade que deve existir entre avaliador e avaliado. Assim, para atender as demandas teórico-metodológicas do presente Projeto Pedagógico sugere-se uma avaliação que leve os alunos à reflexão dos conhecimentos transmitidos, na qual os instrumentos avaliativos sejam diversificados e não apenas numa única prova com conteúdos fechados e de múltiplas escolhas.

Para tanto, o colegiado do curso em conjunto com o Departamento de Educação Física e demais Departamentos que ofertam disciplinas para o curso, pretendem planejar e desenvolver cursos específicos de avaliação e outras temáticas para os docentes, estimulando a mudança de mentalidade no exercício de avaliar e, principalmente, buscando consonância com as matrizes conceituais e metodológicos que norteiam o presente Projeto Pedagógico. Portanto, com o uso corrente de avaliação formativa, a preocupação não estará somente no produto, mas sim no processo de compreensão, apropriação e construção do conhecimento, em que seu resultado deve servir para o professor rever o processo, retomar os conteúdos e analisar sua própria prática, assumindo com os alunos a corresponsabilidade pela sua formação. Portanto, é fundamental articular ações em que cada modalidade do curso (licenciatura) e cada professor incorpore, de forma clara, o perfil de profissional que se almeja formar e a compreensão do papel da sua disciplina no contexto dessa formação.

Sobre as metodologias empregadas pelos professores, ao final do semestre há um questionário avaliativo que é preenchido por estudantes e professores, nesse sentido esse procedimento avaliativo poderá diagnosticar elementos relacionados ao ensino, ao acesso de metodologias que privilegiam o ensino e aprendizagem e equipamentos destinados a estrutura da universidade.

           

AVALIAÇÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO

 

A avaliação do projeto pedagógico do curso se dará numa perspectiva contínua, objetivando o seu redimensionamento em torno das potencialidades e fragilidades configuradas no seu processo de implementação, levando-se em consideração as reuniões administrativas e pedagógicas realizadas com alunos, professores, a avaliação institucional e as reflexões geradas no âmbito do Núcleo Docente Estruturante - NDE.

A criação de um curso e, consequente implantação do Projeto Pedagógico do Curso requer o desenvolvimento de um processo de avaliação, seja do próprio Projeto Político-Pedagógico, seja do processo de ensino-aprendizagem. Desta forma, a dinâmica curricular requer um acompanhamento constante para que se possa estabelecer uma relação entre os princípios norteadores do projeto e a prática desenvolvida, de modo a apontar para uma formação de qualidade.

O modelo de gestão prevê a avaliação do Projeto Pedagógico do Curso, que deve ocorrer de maneira contínua, de forma a possibilitar a concretização plena dos objetivos propostos, permitindo evidenciar a transmissão, a assimilação e a reelaboração do conhecimento a partir da melhoria da qualidade das atividades acadêmicas e da assimilação dos pressupostos teórico-metodológicos que norteiam o projeto.

O acompanhamento e a avaliação do Projeto Pedagógico do Curso deverá ser realizada a partir do princípio de acompanhamento da implantação da estrutura curricular, por representação dos diversos segmentos que envolvem a oferta de curso pela UFRN, através da SEDISe Diretoria de Desenvolvimento Pedagógico – DDPed/PROGRAD. Deverá permitir os ajustes necessários e o planejamento de ações que favoreçam uma implantação sustentável; a assessoria para a construção dos programas de disciplinas e das atividades acadêmicas, bem como a análise continuada dos mesmos; o desenvolvimento de pesquisas sobre o processo de formação, para que se tenha um ‘feedback’ constante do processo formativo.

Um Projeto Pedagógico que se propõe a formar profissionais voltados para um mundo marcado por mudanças tão aceleradas e desconcertantes, sob o ponto de vista da sociedade, das técnicas e da ciência, bem como das exigências profissionais, deve estabelecer instrumentos eficientes e ágeis que lhe permita avaliar, corrigir e reorientar objetivos, metas e estratégias.

Para que ele responda com eficiência a esses desafios, esses instrumentos devem ser aplicados de forma sistemática, permanente e regular, levando-se em conta a participação do corpo docente, do corpo discente e ainda de egressos do curso que estejam integrados ao mercado de trabalho. Uma estratégia adotada pela UFRN para a avaliação institucional dos seus cursos é feita de conformidade com o Sistema Nacional de Avaliação de Educação Superior, através de Comissão Própria de Avaliação (CPA).

Um dos principais parâmetros utilizados pela avaliação dos cursos de graduação é sua taxa de sucesso, onde se observa o número de alunos que ingressa em relação ao número que conclui, buscando entender os fatores que interferem em sua trajetória. Esse parâmetro não deve ser desconsiderado no momento de se avaliar o Projeto Pedagógico.

O projeto deverá ser analisado ao final de cada ano, tendo-se como parâmetro os itens definidos abaixo. Para a sua concretização, ficam previstas as seguintes atividades:

a) No início dos períodos letivos: discussão dos programas, conteúdos, metodologias, processo de avaliação entre os professores que irão ministrar as diferentes disciplinas e o(s) coordenador(es) pedagógico(s) do(s) curso(s), de modo a possibilitar a integração interpolos;

b) Reuniões intrapolos: com a finalidade de estreitar a integração entre as diferentes disciplinas, ressaltando o caráter interdisciplinar em cada polo, entre os professores, sob a articulação do coordenador pedagógico e/ou coordenador de cada polo;

c) Reuniões entre o coordenador pedagógico e os coordenadores de cada polo;

d) Reuniões com os alunos, no final de cada semestre letivo, para avaliar os procedimentos pedagógicos utilizados ao longo do semestre, sob a responsabilidade do coordenador pedagógico e/ou coordenador de cada polo;

e) Aplicação de diferentes instrumentos que possibilitem a caracterização do andamento das atividades pedagógicas, dos conteúdos estudados, da bibliografia adotada e de outros aspectos inerentes ao desenvolvimento de cada disciplina, bem como permitam a identificação de elementos que possibilitem uma melhoria de qualidade no desenvolvimento do processo acadêmico;

f) Visitas da coordenação geral do curso e/ou do(s) coordenador(es) pedagógico(s) aos polos para acompanhar o andamento do curso.

O curso organizou seu Plano de Ação Trienal que contribuirá para compreendermos os avanços e recuos na formação profissional de nossos estudantes, assim como os desafios que apontam para a formação de professores de Educação Física a distância.

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