Projeto Pedagógico do Curso

O profissional de Economia é um cientista social que se preocupa com as leis gerais da sociedade, relativas à gênese e evolução da produção, circulação e distribuição de riqueza. Está apto a atuar no planejamento econômico-financeiro e administrativo, na pesquisa e análise de mercados e preços, renda nacional, conjuntura econômica, custo de vida e salários, além de determinar o nível de produção, fixar preços, analisar custos, efetuar perícia e avaliações econômicas, prestar assessoria de economia e finanças, nos setores público ou privado (indústria, comércio e serviços).

          Desenvolver competências e habilidades significa estar dotado de capacidade cognitiva diferenciada e habilidades em estar permanentemente articulado com as transformações ocorridas na esfera da subjetividade em decorrência da mudança ocorrida na base material da sociedade. Para o Curso atingir os objetivos propostos pelo Curso será buscado o desenvolvimento das seguintes competências e habilidades, expressas na Resolução 04/2007 CNE/CES:
(a) Desenvolver raciocínio logicamente consistente;
(b) Saber ler e compreender os textos econômicos e de áreas afins;
(c) Elaborar pareceres, relatórios, trabalhos de natureza científica e textos na área de Economia;
(d) Aprender adequadamente, conceitos teóricos fundamentais da Ciência Econômica;
(e) Utilizar formulações matemáticas e estatísticas na análise de fenômenos econômicos;
(f) Diferenciar as diversas correntes do pensamento econômico e sua influência nas políticas econômicas;
(g) Saber atuar em equipes interdisciplinares, desenvolvendo projetos de interesse político, econômico e social.

        O Projeto Pedagógico (PP) parte da concepção de que a tarefa primordial das ciências sociais teóricas, nesse caso se inclui a Ciência Econômica, é identificar as repercussões sociais das ações dos agentes sociais, porém sem colocar em segundo plano as conseqüências das ações individuais. No caso específico do PP do Curso, a busca deve centrar-se no entendimento das relações de causa e efeito que, em última instância, são a base do processo de construção do conhecimento da Economia.
         Dessa forma, a investigação da intenção do agente social desemboca no objetivo por ele perseguido, ou seja, a Ciência Econômica move-se pela razão subjetiva, que se remete ao campo das decisões econômicas e pela razão objetiva, alcançada a partir da compreensão dos fatos e fenômenos econômicos, e busca chegar à razão absoluta que se dá no momento em que o agente social passa a refletir sobre o seu próprio papel social na história.
          A construção do núcleo teórico-prático do Curso deve, por conseguinte, assumir uma feição heterodoxa como sendo o princípio norteador das propostas a serem colocadas, com o intuito de aprimorar o processo de ensino e aprendizagem no Curso, produzindo um conhecimento de qualidade através da ligação, mas não unificação, das diversas correntes do pensamento econômico, considerando-as elementos dinamizadores e não “modeladores” do processo de disseminação da informação, do conhecimento e do saber.
         O PP deve solidificar a idéia de que um Curso pautado na heterodoxia e no pluralismo metodológico necessita da complementaridade das distintas esferas do conhecimento em Economia:
(a) A Economia Abstrata, onde o conhecimento em economia recebe contribuições de várias áreas do saber;
(b) A Arte da Economia, que se revela na experiência direta, na ação dentro das especificidades do ambiente, o que faz ressaltar a necessidade de conhecimento do processo em si;
            O Projeto Pedagógico do Curso se propõe a formar o cidadão e o profissional em economia, tendo em vista que o processo de conhecimento e informação ocorre articuladamente, norteando-se pelos seguintes princípios: Interdisciplinaridade,Flexibilização, Articulação entre Teoria e a Prática e Indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão.
1. Princípios norteadores do Projeto Político-Pedagógico
2. Interdisciplinaridade
          O PP do Curso de Ciências Econômicas concebe a interdisciplinaridade como a própria essência da estrutura curricular do Curso, na medida em que a organização dos “blocos de conhecimento” se dá a partir da percepção de que é necessário interagir com as diferentes correntes do pensamento econômico, a fim de que o aluno perceba as aproximações ou as divergências existentes entre essas correntes, a razão dessas divergências e suas conseqüências para o processo de aplicação de conhecimentos na realidade objetiva e concreta.
        A estrutura curricular do Curso está articulada entre o conhecer, visto como o momento em que os postulados teóricos são apresentados, e o aplicar, entendido como o momento em que as teorias expostas são reveladas nas análises dos diversos temas propostos ao longo do Curso, e como tais análises interferem nas proposições acerca da economia internacional, das relações de trabalho, da produção, das políticas econômicas e do desenvolvimento nacional, regional e local.
         A interdisciplinaridade está presente entre os blocos de conhecimento e entre as disciplinas integrantes destes blocos. A título de exemplo percebe-se a inter-relação existente entre o bloco de conhecimento das disciplinas aplicadas e o bloco das disciplinas de conteúdo histórico. Nesse caso, a inter-relação se dá a partir do suporte histórico para o entendimento do desenvolvimento do processo de formação das economias e como as estruturas atuais foram determinadas por esse processo. Um outro exemplo é a inter-relação existente dentro do bloco das aplicadas, na medida em que elas são expressões da aplicabilidade da teoria dentro das diversas áreas do conhecimento econômico e são complementares umas às outras. Assim sendo, as áreas de agrícola, setor público, regional, etc. estão inexoravelmente ligadas às disciplinas de conteúdo teórico. Além disso, o PP exige dos docentes uma permanente interação, considerando que nenhuma disciplina tem caráter de terminalidade. A complementaridade e articulação dos diferentes saberes estão em função dos objetivos do processo formativo e do perfil desejado para o egresso do Curso de Ciências Econômicas.

 Flexibilização
            O Projeto Pedagógico adota o princípio da flexibilidade em decorrência da necessidade de dinamizar o Curso e de dotá-lo de uma estrutura que permita o desenvolvimento cognitivo e epistemológico do aluno, proporcionando-lhe os elementos fundamentais à sua inserção num mercado de trabalho cada vez mais exigente.
O PP adota a concepção de que não se pode construir um Curso totalmente “adaptável” e “moldável” às necessidades do mercado, em que a idéia de competência e habilidade implica a capacidade de se adequar às suas formas de organização. Logo, o PP busca estar sintonizado com a dinamicidade das relações sociais que caracterizam o sistema capitalista e seus reflexos nas economias local, regional, nacional e mundial, o que significa articular os conteúdos programáticos à realidade, preservando a base científica das ciências econômicas.
          A heterodoxia que permeia o Curso de Ciências Econômicas é uma condição fundamental para que o profissional formado na graduação seja capaz de desenvolver um conjunto de habilidades que lhe permita desenvolver um nível de conhecimento (ação-reflexão-ação) adequado à dinamicidade da sociedade contemporânea.
       Dessa forma, o entendimento sobre a flexibilização deve nortear o Curso no desenvolvimento de procedimentos que auxiliem o aluno a construir sua capacidade cognitiva. Essa construção não pode ser feita nos marcos da tradição conservadora da concepção de Estrutura Curricular, que enrijece o processo de ensino-aprendizagem por conceber as disciplinas como elementos isolados.
            O PP deve ser o instrumento de flexibilização dessa concepção tradicional e conservadora de ver o processo de formação do aluno. Portanto, constitui-se imperativo que o Curso funcione efetivamente como um todo e não como um conjunto de disciplinas isoladas e isso só pode ser realizado com a implementação de um conjunto de ações que introduza nos professores a percepção de que é o conjunto de disciplinas inter-relacionadas e articuladas entre si que forma o Curso de Ciências Econômicas.
 Articulação entre Teoria e a Prática
            O Curso de Ciências Econômicas deve possibilitar ao aluno a capacidade de entender o processo de articulação existente entre cada disciplina ministrada e a realidade que o cerca, pois a relação entre teoria e prática, longe de ser dicotômica, é integradora do processo de elaboração do conhecimento.
  Dessa forma, no processo de planejamento pedagógico semestral, a distribuição das disciplinas e a construção dos seus conteúdos programáticos devem estar sintonizados com o avanço da literatura, do conhecimento e das tecnologias da informação. Logo, é importante propiciar ao aluno um acompanhamento do seu ritmo de aprendizado, de modo que ele seja estimulado a participar do processo de criação e de elevação do seu próprio conhecimento científico.
                 O Curso de Ciências Econômicas deve construir um ambiente acadêmico que permita ao aluno extrair da prática, fontes para repensar o conhecimento assim como buscar na teoria as bases para a sua orientação. Essa construção deve ser concebida como um processo que tem como norte o artigo 43 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, onde consta que a Educação superior tem por finalidade:
I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo;
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;
III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;
IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;
V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração;
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;
VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.
        Indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão
      No processo de formação do aluno é indispensável a inter-relação do Curso com a Pós-Graduação, com as atividades de extensão e pesquisa e com várias outras atividades que permitam o desenvolvimento de uma dinâmica acadêmica, onde o Curso de Ciências Econômicas e o Programa de Pós-Graduação em Economia estejam permanentemente integrados no processo de formação. A construção desse processo integrador deverá ser feito a partir de proposta oriunda do Colegiado de Curso e do Programa de Pós-Graduação, que atuarão de forma integrada, contemplando a participação dos alunos nas atividades acadêmicas em geral e deverá ser acompanhado por uma comissão mista, composta por docentes e discentes, com o propósito de acompanhar e sugerir o aperfeiçoamento do processo. A Empresa-Júnior de Economia (Econsul), criada em 08.08.1995, e que durante a maior parte da sua existência permaneceu sem função no Curso, está passando por um processo de reestruturação e, embora se trate de uma instituição autônoma, deverá ter as suas atividades desenvolvidas de modo a reforçar a formação dos alunos, sobretudo dos que optarem pela área de ênfase de estudos em Economia Empresarial.

              A avaliação do PP exigirá o acompanhamento sistemático, realizado de forma continuada, por uma comissão a ser designada pelo Colegiado de Curso. Os trabalhos dessa comissão, além de serem publicados, terão a participação de um representante discente.

             O processo de avaliação deverá ser construído por professores, alunos e funcionários do Curso e do Departamento de Economia (DEPEC), com o propósito de avaliar o desempenho do PP e o seu progresso, bem como o de propor os ajustes necessários e o planejamento das ações que possibilitem o aperfeiçoamento do PP e, por conseguinte, do Curso de Ciências Econômicas. Nas atividades de avaliação do PP será facultada a presença de profissionais vinculados às instituições representativas dos economistas.

             No processo de avaliação serão utilizados os seguintes instrumentos:

             (a) No início de cada período letivo, os conteúdos programáticos, que incluem a metodologia e os processos de avaliação a serem utilizados pelos professores de cada disciplina, serão publicados nos meios de comunicação em uso na UFRN, em conformidade com a legislação em vigor na instituição;

             (b) A Coordenação promoverá reuniões periódicas com os alunos, ao final de cada período letivo, para avaliar os procedimentos pedagógicos utilizados ao longo do semestre. Pode, a critério do Colegiado de Curso, utilizar questionários como instrumentos de avaliação;

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