Dissertações/Teses

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2014
Descrição
  • ALEXANDRO TEIXEIRA GOMES
  • A responsabilidade enunciativa na sentença judicial condenatória

  • Orientador : MARIA DAS GRACAS SOARES RODRIGUES
  • Data: 15/08/2014
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  • A Análise Textual dos Discursos tem sua origem no âmbito da Linguística Textual e se propõe a estudar a produção co(n)textual de sentido fundamentada na análise de textos concretos, oferecendo elementos para o entendimento do texto como uma prática discursiva analisado à luz de determinados planos ou níveis de análise linguística. Nesse sentido, é nosso propósito, nesta investigação, estudar o fenômeno da responsabilidade enunciativa na sentença judicial condenatória. Para tanto, seguimos os aportes teóricos da Análise Textual dos Discursos (ADAM, 2011) e da Linguística Enunciativa, a partir de vários autores, entre eles, Rabatel (2003, 2004, 2005, 2008, 2009, 2010), Nølke (2001, 2005, 2009, 2013), Nølke, Fløttum e Norén (2004), Guentchéva (1994, 1996, 2011) e Guentchéva et al. (1994). Nessa direção, investigamos a responsabilidade enunciativa, através de uma escala que compreende o fenômeno a partir de quatro gradações, cada uma com um tipo de ponto de vista (PdV) e com elos que podem marcar a assunção ou o distanciamento do ponto de vista. No que concerne à abordagem jurídica da tese, nossa ancoragem teórica segue vários autores, entre eles, Petri (1994), Soto (2001), Álvarez (2002), Alves (2003), Cornu (2005), Albi (2007), Bittar (2010), Asensio e Polanco (2011), López Samaniego (2006), Montolío e López Samaniego (2008), Montolío (2002, 2010, 2011, 2012, 2013), Colares (2010), Prieto (2013), Lourenço e Rodrigues (2013) e Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2014). Nosso corpus se constitui de 13 sentenças condenatórias provenientes de processos criminais oriundos da comarca de Currais Novos-RN, concluídos no ano de 2012. Os resultados revelam como o juiz, a partir de várias instâncias enunciativas, constrói a sentença judicial, o que nos permitiu compreender a configuração da (não) assunção da responsabilidade enunciativa no gênero discursivo / textual sentença judicial condenatória. Como conclusões, percebemos que as unidades discursivas são perspectivadas ora, a partir da assunção, ora, a partir da não assunção dos PdV pelas instâncias enunciativas, o que orienta a organização argumentativa do produtor do texto e seus propósitos comunicativos. Com isso, o juiz cria e/ou modifica valores e crenças, induz e/ou orienta seu interlocutor podendo demonstrar objetividade e/ou preservar sua face através de construções mediatizadas ou podendo engajar-se pelo dito através da assunção da responsabilidade enunciativa do conteúdo proposicional do enunciado.  Pelo exposto, reafirmamos nosso entendimento de que a (não) assunção da responsabilidade enunciativa se configura como mecanismo argumentativo fortemente marcado pelo produtor do texto com vistas a seus propósitos comunicativos. A sentença, portanto, constrói-se nesse jogo de assunção e/ou não assunção dos enunciados de acordo com a orientação argumentativa e com os objetivos do produtor do texto.

  • ANGELICA FERREIRA DA FONSECA
  • A RELAÇÃO RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA / EMOÇÃO NOS DISCURSOS POLÍTICOS DE POSSE DE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA E DILMA ROUSSEFF


  • Orientador : MARIA DAS GRACAS SOARES RODRIGUES
  • Data: 15/08/2014
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  • Esta dissertação insere-se nos estudos da Análise Textual dos Discursos, elaborada por Adam (2011) e desenvolvida no Brasil por estudiosos da Linguística do Texto, entre eles, Rodrigues (2010); Rodrigues; Passeggi; Silva Neto; Fernandes de Sousa; Soares (2010); Rodrigues; Fernandes (2013). Interessa-nos identificar, descrever, analisar e interpretar a responsabilidade enunciativa (RE) e a sua articulação com as emoções. Neste sentido, a partir da discussão sobre as modalidades linguísticas, dispomo-nos a compreender e relacionar esses fenômenos materializados nos discursos políticos de posse do ex-presidente Lula (2003, 2007) e da presidente Dilma Rousseff (2011). Para tanto, realizamos uma pesquisa qualitativa, de natureza interpretativista e utilizamos o método indutivo, bem como, subsidiamo-nos em noções advindas da Análise do Discurso de linha francesa, da Linguística Textual e da Linguística da Enunciação. Neste sentido, além de Adam (2011), nossa pesquisa é orientada pelos estudos de Rabatel (2006, 2008, 2009, 2010), Guentchéva (1994), Authier-Revuz (2004), Charaudeau (2007, 2011), Plantin (2010, 2012) e Micheli (2008, 2010). No que diz respeito à modalidade linguística, pontuamos as discussões propostas por Bessa Neves (2012) acerca dos valores modais. Os resultados caracterizam os discursos políticos de posse de presidentes do Partido dos Trabalhadores e apontam para a assunção da responsabilidade enunciativa, evidenciada pelos três valores modais, epistêmico, deôntico e apreciativo. As emoções são instauradas por unidades lexicais avaliativas e apreciativas. Por fim, a análise nos constatar que os enunciados marcados pela emoção são determinantes para assunção da RE.

  • TACICLEIDE DANTAS VIEIRA
  • CONSUMO C(L)IENTE : ABORDAGEM DO GÊNERO ANÚNCIO PUBLICITÁRIO EM LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA DO ENSINO MÉDIO

     

  • Orientador : MARIA DA PENHA CASADO ALVES
  • Data: 11/08/2014
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    Os livros didáticos de Língua Portuguesa, em audiência ao que se preconiza nos documentos oficiais para a educação, têm se configurado por gêneros discursivos importados de diversas esferas da atividade humana. O anúncio publicitário, gênero de ampla circulação social, espraiou-se da esfera publicitária para a escolar e passou a ser abordado por essas coletâneas como objeto e instrumento de ensino. Diante disso, esta pesquisa versa sobre a abordagem do anúncio em livros didáticos de português, com o objetivo de analisar como um gênero para anunciar se torna matéria para ensinar e aprender. Interessam essas práticas discursivas pelo impacto ou apelo que elas exercem sobre os (novos) consumidores, dentre os quais os alunos do Ensino Médio, pela sua representatividade no sistema capitalista, aquele que orienta nossas relações e práticas sociais, e pela combinação de linguagens que se encerram em sua composição, uma vez que condensa o “espírito” de nossa época, por excelência, a dos gêneros verbo-visuais. Para compreender o tratamento dado a essas peças publicitárias, a partir das questões/dos comentários a elas relacionados, bem como as suas atribuições para os multiletramentos (ROJO, 2012) do aluno cidadão, foram selecionadas duas coleções aprovadas pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD 2012) dentre as mais adotadas pelas escolas públicas de Natal/RN para o Ensino Médio. Da Linguística Aplicada, de identidade mestiça, nômade e in/transdisciplinar (MOITA LOPES, 2009), esse estudo se insere na cadeia discursiva da tradição interpretativista de abordagem histórico-cultural (FREITAS, 2010) e nomeia o Círculo de Bakhtin e sua concepção dialógica da linguagem como interlocutores indeclináveis. Os dados totais das coletâneas mostram que a abordagem do gênero pode se dá como enunciado concreto, como artefato linguístico e como híbrido, no trabalho com questões e sem questões, havendo a predominância de sua ocorrência na porção dos volumes dedicada ao estudo da gramática. Nos capítulos de literatura e de produção/interpretação de textos, a sua entrada é tímida ou não acontece nos volumes. Tal disposição tem implicações no letramento dos alunos, uma vez que a carência ou a abundância de propostas de leitura crítica para esse gênero, que solicitem do aluno o exercício de saberes necessários à construção de sentidos linguísticos e sociais, é reponsável por orientar um consumo (material e cultural) mais consciente pelos sumos clientes das obras em análise. A abordagem do gênero parece representar uma gradativa transição por que esses materiais vêm passando, ou seja, do polo da oração para o polo do enunciado, ou ainda, da abordagem do artefato linguístico para a híbrida e a do enunciado concreto, na busca por superar a tradicional tendência de se privilegiar os aspectos formais da língua, em detrimento dos enunciativos, e por entrar em harmonia com as diretrizes e os parâmetros do ensino na contemporaneidade, aproximando os deveres da escola dos direitos na vida. 

  • VERÔNICA FALCÃO DE OLIVEIRA VINAGRE
  • O SERTANEJO E O SEVILHANO NOS POEMAS DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO: O LUSCO-FUSCO BARROCO 

  • Orientador : FRANCISCO IVAN DA SILVA
  • Data: 11/08/2014
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  • Esta pesquisa tem o objetivo de, a partir de uma leitura barroca, desdobrar a compreensão dos poemas de João Cabral de Melo Neto no eixo Pernambuco – Espanha. Nessa perspectiva, a leitura da Obra Completa do poeta permite a aparição de dois sujeitos, o sevilhano e o sertanejo, que, curiosamente, pulsam e revelam-se desde seus locais de origem, Sertão e Sevilha, a um encontro labiríntico estabelecendo uma estreita e instigante relação de cidades alijadas, mas que assinalam um diálogo contíguo entre suas culturas. O esforço teórico desta investigação perpassa, aproxima ou contrapõe as orientações, entre outras, de Severo Sarduy (1999), Gilles Deleuze (2012) e Eugenio D’Ors (s.d). Não percorrendo um viés antropológico, este estudo observa o espaço espanhol e o espaço pernambucano congregando o regional ao universal e analisa o jogo Barroco na (re) construção da cultura do homem sertanejo e sevilhano. Esses elementos que se fundem, se aproximam e se distanciam provocam um jogo de alusões a Pernambuco e à Espanha que se mostram pelo viés cultural parecidos e ao mesmo tempo diferentes. Dessa apreensão, é possível compreender a síntese do sertanejo-sevilhano como uma atualização do Barroco do seiscentos a partir de índices que são evidenciados na escrita peculiar de João Cabral de Melo Neto, do cenário do Barroco ibérico e do Barroco americano.

     

  • JOAO PAULO LIMA CUNHA
  • IDENTIDADES COLETIVAS DE ESTUDIOSOS DA LINGUAGEM EM CURRÍCULOS LATTES: DOCÊNCIA, PERTENÇA SOCIAL E CAPITAL CULTURAL-ACADÊMICO

     


  • Orientador : CLEIDE EMILIA FAYE PEDROSA
  • Data: 04/08/2014
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  • A discussão envolvendo identidade de atores sociais ocorre já alguns anos, entretanto, ela se tornou significativa para os estudos discursivos nos últimos anos, devido à fragmentação dos atores pós-modernos. Entendendo as identidades como um conceito simbólico capaz de auxiliar na observação de realidades determinadas – uma espécie de mecanismo/uma lente (MERLUCCI, 1985) – é possível verificar a materialidade linguística do texto introdutório do currículo lattes como um espaço propício para constituição de identidades coletivas. O objetivo desta dissertação é refletir, como em tempos de pós-modernidade, através de textos introdutórios dos currículos lattes, as identidades coletivas de pesquisadores da linguagem são constituídas e retratadas em práticas discursivas e sociais, baseadas na acumulação de capital cultural-acadêmico. Para análise, em torno da postura indisciplinar em Linguística Aplicada (MOITA-LOPES, 2006), utiliza-se a metodologia descritiva/interpretativa (MAGALHÃES, 2001). Enquanto método de estudo e teoria social, para fundamentação da pesquisa, faz-se uso da Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso, corrente vinculada aos pressupostos da Análise Crítica do Discurso (PEDROSA, 2012a).   O corpus se constitui de vinte e sete textos introdutórios de currículos lattes de pesquisadores da linguagem, vinculados a três instituições de ensino superior em Sergipe. Após coleta, na Plataforma Lattes, e numeração dos currículos, a fim de alcançar o objetivo da pesquisa, realizou-se a análise em torno de três temáticas identitárias: docência, pertença social (BAJOIT, 2006; DESCHAMPS; MOLINER, 2009) e acumulação de capital cultural-acadêmico (BOURDIEU, 2004; HEY, 2008). Os dados evidenciam que os textos dos currículos lattes são baseadas em princípios hegemônicos-ideológicos, referentes à acumulação de bens acadêmicos, à valorização de atores e às posições hierárquicas, reconhecidos e ratificados pelos pares que se socializam entre eles. Nesse momento, a pesquisa nos permite inferir que, na pós-modernidade, alguns pressupostos identitários coletivos, contribuem para o entendimento da realidade acadêmica, em torno do currículo lattes.

  • GEISE KELLY TEIXEIRA DA SILVA
  • Nostalgia do Espaço e do Tempo: uma leitura da obra memorialística de Câmara Cascudo

  • Orientador : EDNA MARIA RANGEL DE SA
  • Data: 29/07/2014
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    Esta dissertação aborda a obra memorialística do escritor potiguar Luís da Câmara Cascudo (1898 - 1986) a partir de uma leitura integrada das quatro obras que a compõe: O Tempo e Eu (1968), Pequeno Manual do Doente Aprendiz (1969), Na Ronda do Tempo (1971) e Ontem (1972). Produzidas sob a contingência do moderno, do movimento e da reforma urbana, as memórias de Câmara Cascudo evocam as velhas paisagens de outrora, povoadas por aqueles que pertenceram à velha Natal romântica e provinciana que já não existe, mas que ainda sobrevive idealizada na memória do autor e que é (re)construída por ele a partir de uma escrita permeada de toques de imaginação e por um sentimento de nostalgia. Buscando analisar como se dá o processo de construção memorialista de Cascudo, bem como refletir sobre o papel que a memória exerce na (re)construção de um tempo e de um espaço perdidos, recorremos aos estudos de Maurice Halbwachs (2006) e Ecléa Bosi (1994). Dentro desse quadro teórico, buscamos, sobretudo, compreender não apenas o modo como as experiências vividas por Cascudo no presente irão trabalhar a matéria de sua memória, mas também como esta irá nortear uma escrita que toca na história e nos quadros sociais do passado.

     

     

     

  • WILLAME SANTOS DE SALES
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      DIALOGIZAÇÃO DE VOZES: o fio construtor do estilo de José Bezerra Gomes no romance A porta e o vento 

  • Orientador : MARIA DA PENHA CASADO ALVES
  • Data: 28/07/2014
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  • RESUMO

    A presente pesquisa tem por objetivo investigar o processo de construção estilística na prosa romanesca do escritor norte-rio-grandense José Bezerra Gomes, tomando, como corpus, o romance A porta e o vento. Os fundamentos teóricos sobre os quais se assenta esta empresa estão relacionados às ideias difundidas pelo chamado Círculo de Bakhtin, especialmente, as noções de linguagem dialógica, palavra literária, enunciado concreto, vozes sociais e estilo/estilística sociológica. Quanto à orientação metodológica, o trabalho caracteriza-se por adotar o paradigma interpretativista de base sócio-histórica, situando-se, ainda, no grande campo da Linguística Aplicada, área de investigação indisciplinar e fronteiriça cujo foco primordial é a linguagem concretamente situada. A análise dos discursos presentes na obra A porta e o vento possibilitou-me escutar diversas vozes sociais ali encarnadas, enxergar diversas formas de diálogo, inúmeras visões de mundo em embate constante que, em razão do gerenciamento e do acabamento dados pelo autor, acabam por conferir-lhe um tom, um estilo peculiar frente aos demais discursos e estilos circulantes em seu meio. Os embates ideológicos são evidentes: voz da tradição versus voz particular do personagem Santos, no que respeita à instituição do casamento; confronto entre imagens de sertão antagônicas – um sertão vivo (rico e diverso) em contraposição à noção estereotipada de sertão (pobre e estéril); e A porta e o vento como metáfora de uma arena de combate e indício de uma poetização da linguagem da prosa. A característica principal do estilo bezerriano, em A porta e o vento, está relacionada aos modos de dialogização das aludidas vozes presentes no romance. Nesse sentido, tem-se, com frequência, o uso de polêmicas veladas, réplicas dialógicas e diálogos velados, que são categorias já discutidas na teoria bakhtiniana, mas também outros modos de dialogização novos, alicerçados na dinâmica da linguagem viva e concreta.

  • LUIZ ALBERTO CELESTINO PESSOA PIMENTEL
  • O GAUCHE: POÉTICA DA TRAVESSIA ENTRE RENATO RUSSO E CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

  • Orientador : ILZA MATIAS DE SOUSA
  • Data: 17/07/2014
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  • Esta dissertação, intitulada “O gauche: poética da travessia entre Renato Russo e Carlos Drummond de Andrade”, discute a individuação problemática do gauche que traz a poesia drummondiana para o meio da singularização de Renato Russo, acentuando tal individuação e buscando nela encontrar a tensão que se inscreve entre ambos, localizando no poeta e no compositor musical os deslocamentos, as desterritorializações e a repetição da diferença. Assim, mobilizar-se-á o ato, a estética e a política da escrita, transpondo do caráter textual, intertextual, para um feixe de referências, percepções, deslocamentos, estabelecendo nestes espaços, elementos presentes em cartografias poéticas que relacionam os dois autores nesta travessia rizomática, pois a escrita destes é movida pelo desejo e pelas minorias. Para tanto, coloca-se como escopo uma pesquisa norteada por autores como Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Félix Guattari, Jacques Ranciére, Michel Foucault, Maurice Blanchot, Julia Kristeva, Linda Hutcheon, dentre outros que possam transitar pelas relações, neste estudo, estabelecidas, constituindo o corpus teórico e de discussão, atendendo ao caráter qualitativo implícito no desenvolvimento desta dissertação. Quanto ao corpus literário, este é composto pela seleção de letras de Renato Russo e poemas de Carlos Drummond, de maneira a constituírem corpos-subjetividade, envolvendo ideias, afectos, perceptos e imagens.

  • SILVANA MOURA DA COSTA
  • CARTÕES DE SAUDAÇÃO EM LÍNGUA INGLESA: UMA PRÁTICA DE LETRAMENTO EM ANÁLISE

  • Orientador : MARIA DO SOCORRO OLIVEIRA
  • Data: 06/06/2014
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  • Esta pesquisa tem como objeto de estudo os cartões de saudação, aqui entendidos como uma prática de letramento largamente utilizada na sociedade americana dos Estados Unidos. Esses cartões configuram-se, na cultura americana, como fontes de informação e de memória sobre os ciclos de vida das pessoas, suas experiências e seus laços de sociabilidade, ativadas por meio dos sentidos que a imagem e a palavra comportam. O principal propósito deste trabalho é descrever como essa prática de letramento se efetiva na cultura americana. Teoricamente, esta pesquisa se fundamenta nos estudos de letramento (BARTON; HAMILTON, 1998; BAYHAM, 1995; HAMILTON, 2000; STREET, 1984, 1985, 1993, 2003), nas contribuições da semiótica social, associadas à gramática sistêmico-funcional (HALLIDAY; HASAN, 1978, 1985; HALLIDAY, 1994; HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004), e na gramática do design visual (KRESS; LEITE-GARCIA; VAN LEEUWEN, 1997, 2000; KRESS; van LEEUWEN, 2006; HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004). Metodologicamente, trata-se de um estudo que se insere no paradigma qualitativo de caráter interpretativista, que adota instrumentos de natureza etnográfica na geração dos dados. Nessa perspectiva, lança mão das “técnicas do olhar e do perguntar” (ERICKSON, 1981 apud CANÇADO, 1994, p. 56), complementadas pela técnica do “registrar”, proposta por Paz (2008). O corpus compreende um contingente de 104 cartões impressos, fornecidos por usuários desse artefato, dos quais selecionamos 24, de 11 cartões eletrônicos, extraídos da internet, assim como de verbalizações obtidas mediante a aplicação de questionário elaborado com perguntas abertas, feitas no intuito de reunir informações acerca das percepções e ações dos usuários desses cartões. A análise dos dados revela aspectos culturais, econômicos e sociais dessa prática e a convicção de que a prática de letramento dos cartões de saudação impressos, a despeito dos virtuais, ainda é muito profícua na sociedade americana. O estudo permite também compreender que os usuários dos cartões se posicionam e constroem identidades que são manifestadas na interação verbo-visual, com vistas a alcançar o efeito pretendido. Em razão disso, entende-se que os cartões de saudação não são despretensiosos, mas carregados de ideologia e de relações de poder, dentre outros aspectos que lhes são constitutivos.

  • JOSENILDO SOARES BEZERRA
  • EXPERIÊNCIAS SUBJETIVADORAS NO LIMITE DA PELE: UMA ANÁLISE DE PRÁTICAS DISCURSIVAS INSCRITAS EM TATUAGENS

  • Orientador : MARLUCE PEREIRA DA SILVA
  • Data: 06/06/2014
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  • Esta pesquisa tem como objeto o estudo da constituição de subjetividades em práticas discursivas inscritas em textos imagéticos e verbais de tatuagens. Busca-se apreender efeitos de sentidos que traduzem emoções, experiências e desafetos que marcaram e/ou transformaram a vida de sujeitos tatuados. Esta tese foi ancorada em teorizações foucaultianas (1990, 2010, 2012) que abordam modos de subjetivação a partir das tecnologias da escrita de si, transgressão como ultrapassagem dos limites, abrindo novas possibilidades para o sujeito discursivo produzir o cuidado de si. Ainda se utilizam noções advindas da análise de discurso francesa (AD), como interdiscurso e memória discursiva. A pesquisa de natureza qualitativa tenciona contribuir para a compreensão do discurso enquanto prática social, constituidor de sentidos de maneiras de ser do sujeito, bem como produção de discursividades acerca de normas sociais. O corpus se constitui de depoimentos e textos imagéticos e verbais de cinco sujeitos, entre os dez entrevistados, que tatuaram experiências vivenciadas na pele. Os resultados apontam dados que demonstram a constituição de si por meio de experiências vividas e impressas na pele. Os sentidos gerados na pele constituem tipos de subjetividades que refletem felicidade, superação, proteção e imortalidade. Conclui-se que os sujeitos se posicionam discursivamente de forma a reconstruírem seus corpos e experiências o quanto for necessário e que as imagens e os enunciados registrados nos corpos produzem efeitos de sentidos em torno da reflexão sobre os modos de vida e sobre as escolhas de existência de cada um/a dos/ tatuados/as.

  • TITO MATIAS FERREIRA JUNIOR
  • ENTRE FRONTEIRAS: A ESCRITA IMIGRANTE DE JULIA ALVAREZ EM HOW THE GARCÍA GIRLS LOST THEIR ACCENTS

  • Data: 02/06/2014
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    A presente dissertação objetiva investigar a maneira em que sujeitos diaspóricos ficcionais da obra How the García Girls Lost their Accents (1992), de Julia Alvarez (1950 – ), negociam o embate entre duas culturas – a caribenha, oriunda da República Dominicana, no Caribe, e a estadunidense, proveniente dos Estados Unidos da América, já que aparentemente espelha “a dor daqueles que se encontram divididos entre terras natais e línguas maternas” (IYER, 1993, p. 46). As implicações desta negociação na vida do imigrante são questões relevantes na escrita de Alvarez. A autora leva em consideração o uso das memórias da esfera familiar como uma das estratégias essenciais empregadas por escritores imigrantes para rememorar sua(s) identidade(s). A significância da escrita das reminiscências do âmbito familiar é observada como um meio de apresentar a coletividade da escrita imigrante e, mais importante, como um meio que escritores imigrantes de diferentes lugares usam para se sentirem conectados uns com os outros. Do mesmo modo, leva-se também em consideração a questão da língua na construção da identidade imigrante para buscar entender onde as irmãs García se posicionam no mundo contemporâneo, visto que o bilinguismo é um fator chave na negociação que agencia entre suas porções caribenha e estadunidense. Dentre os autores estudados, citamos Homi K. Bhabha (1990, 1996, 2003, 2005), Stuart Hall (2001, 2003), Julia Kristeva (1994), Salman Rushdie (1990, 1994), Sonia Torres (2001, 2003) e outras contribuições que foram imprescindíveis para a finalização desta pesquisa.


  • LIDEMBERG ROCHA DE OLIVEIRA
  • A INJUNÇÃO EM LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA DO 4º E 5º ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL

  • Orientador : MARIA DAS GRACAS SOARES RODRIGUES
  • Data: 30/05/2014
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  • Com esta investigação, objetivamos identificar, descrever, analisar e interpretar como livros didáticos de Língua Portuguesa abordam, a partir da materialidade linguística, efeitos de sentido veiculados em textos predominantemente injuntivos. O corpus deste estudo é constituído por seis coleções de livros didáticos de Língua Portuguesa inscritas no PNLD 2010, adotadas por escolas públicas do município de Natal e objeto de estudo no âmbito do Projeto Ler/Contar do Observatório de Educação da UFRN. Foram analisados os livros dos 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, totalizando 12 exemplares, foram selecionadas vinte atividades para análise. Para fundamentar nosso estudo recorremos à discussão teórica de Adam (2001a, 2001b) no que diz respeito aos gêneros discursivos da incitação à ação. Ainda, acompanhamos Koch e Fávero (1987), Koch e Elias (2009), Marcuschi (2002, 2008), Pery-Woodly (2001), Rodrigues (2013), Travaglia (1991, 2007) e Rosa (2007), no que concerne à organização material dos textos injuntivos.  Referente às discussões sobre o livro didático amparamo-nos em Choppin (2004, 2009), Batista (2003, 2009), Rojo e Batista (2005), e quanto aos livros didático de Língua Portuguesa adotamos Soares (1998, 2001, 2004) e Buzen e Rojo (2005). Os dados mostram que o imperativo afirmativo é a categoria linguística mais explorada nas atividades de leitura, produção escrita e análise linguística, inexistindo, assim, um trabalho que explore outras formas linguísticas que veiculem o efeito de sentido da injunção. 

  • ANDREW YAN SOLANO MARINHO
  • DO CIENTISTA AO ATIVISTAOS PROBLEMAS DA CIÊNCIA DO TEXTO E UMA SOLUÇÃO REVOLUCIONÁRIA NA OBRA DE TERRY EAGLETON

  • Data: 28/05/2014
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  • O crítico literário Terry Eagleton obteve notoriedade no meio acadêmico ao ser reconhecido intelectualmente com seu livro best-seller Teoria da Literatura: uma introdução. Nesse livro, o autor inglês propõe, ousadamente, o fim da literatura e da crítica literária. Contudo, anos antes, Eagleton propôs um sistema científico de análise do texto literário, que parecia menos radical, tanto em teoria quanto no método, do que em sua proposta teórica posterior. Com base nisso, o objetivo dessa dissertação é apresentar o método inicial do crítico literário inglês, explicitar os motivos que o levaram a abandonar seu projeto inicial – de elaborar um método de análise do texto literário sobre uma ótica científica marxista – e a propor, nos anos seguintes, em seu livro mais famoso e em outros, uma visão revolucionária, que iria muito além de análises textuais e faria os textos literários terem uma intervenção prática na sociedade.  Por fim, explicitaremos qual seria sua ideia de crítica revolucionária.

  • PAULINE CHAMPAGNAT
  • A identidade crioula em Texaco de Patrick Chamoiseau

  • Data: 23/05/2014
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  • O presente trabalho propõe pesquisar a identidade crioula em Texaco (1992) do autor martinicano Patrick Chamoiseau. A obra faz uma retrospectiva da história martinicana, trazendo um olhar novo, influenciado pela cultura popular, ao invés de representações tradicionais moldadas nos modelos metropolitanos. A teoria principal usada na dissertação será a de Edouard Glissant, quando utilizou a noção do rizoma de Deleuze para adaptá-la à questão da cultura crioula. Nessa perspectiva, a raiz única, que simbolicamente representaria uma cultura única, mata as outras raízes ao seu redor, enquanto o rizoma, ou seja, a raiz múltipla vai ao encontro das outras raízes para formar um todo junto com elas, e estender-se ao infinito. A teoria presente no livro do autor, Escrever em país dominado (1997), terá uma importância fundamental na nossa dissertação, no que diz respeito ao questionamento sobre o uso da língua da antiga potência colonizadora numa antiga colônia. Essa reflexão permitirá abrir uma discussão sobre a influência da cultura metropolitana na cultura da antiga colônia, que se vê oprimida. Logo, veremos na primeira parte os mecanismos de opressão usados na negação da identidade crioula, através de sistemas de dominação linguísticos e literários. Na segunda parte, iremos analisar a emergência da identidade crioula em Texaco, graças a uma tentativa de reescrita de uma das possíveis histórias da Martinica.

  • JANAINA TOMAZ CAPISTRANO
  • O jogo das identidades como fator de mobilização político-eleitoral nas campanhas de Dilma Rousseff para Presidente da República e Rosalba Ciarline para Governadora do Rio Grande do Norte em 2010

  • Data: 23/05/2014
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  • Partimos da premissa de que se vive na sociedade do espetáculo, tal como proclamou Guy Debbord, e, nesse contexto, a mídia alimenta-se dessa espetacularização e constrói a cultura de imagens e produção de mercadorias, fornecendo modelos a partir dos quais o sujeito pode se identificar como sendo homem ou mulher, bem-sucedido ou fracassado, poderoso ou impotente. Em outras palavras, a cultura veiculada pela mídia produz material para a criação de identidades através das quais os indivíduos se inserem e se reconhecem na sociedade contemporânea. Ao observarmos as campanhas eleitorais, podemos perceber nitidamente que essa profusão de identidades é bastante explorada na propaganda publicitária dos candidatos, em especial na propaganda veiculada pela TV no Horário Eleitoral Gratuito. Instigados pela explícita relação entre mídia e política no âmbito da sociedade do espetáculo, este estudo tem por objetivo principal investigar as identidades que emergem nas práticas discursivas midiáticas das campanhas eleitorais de 2010 para presidente da República e governadora do estado do Rio Grande do Norte protagonizadas pelas então candidatas Dilma Rousseff (PT) para presidente e Rosalba Ciarline (DEM) para governadora. Para tanto, nos fundamentamos na teoria do Círculo de Bakhtin, que considera o enunciado como unidade da comunicação verbal e concebe a linguagem como fenômeno dialógico e prática discursiva e, ainda, nas concepções de relações dialógicas, vozes sociais e cronotopo formuladas pela referida teoria. Ainda do campo teórico, estabelecemos uma interconexão com as teorias advindas dos Estudos Culturais (Hall, Woodward) acerca da identidade, que a concebe como sendo múltipla, fragmentada, não-fixa, ou seja, o sujeito assume identidades diferentes, nem sempre coerentes, em diferentes momentos, conforme o contexto em que é interpelado. A pesquisa situa-se nos quadros da Linguística Aplicada (LA), a qual considera a linguagem como centro de seus estudos e se instala na fronteira de um número aberto de áreas de conhecimento, ampliando suas possibilidades de investigação por meio da indisciplinaridade. Nosso corpus constitui-se de 20 vídeos de propaganda eleitoral veiculados pela TV no Horário Eleitoral Gratuito da campanha de 2010; dentre estes, 14 vídeos são da propaganda da candidata Dilma Rousseff e 06 são da candidata Rosalba Ciarline. Buscamos para fins de análise identificar as identidades que emergem dos discursos sobre as candidatas nos vídeos de propaganda veiculados na referida campanha, bem como perceber as relações dialógicas que se estabelecem nesses discursos e ainda se a construção identitária desses sujeitos situa-se no mesmo eixo axiológico. A análise do corpus revelou que múltiplas identidades culturais das candidatas em campanha se constituem nos discursos que circulam na propaganda eleitoral veiculada pela TV durante a campanha e elas são cambiantes à medida que as demandas eleitorais, ou seja, a necessidade de se obter apoios e votos, esboçam um construto identitário a respeito do candidato ao cargo em questão. 

  • CAMILA MARIA GOMES
  • Modelos de realizações discursivas nos benditos populares

  • Orientador : LUCRECIO ARAUJO DE SA JUNIOR
  • Data: 16/05/2014
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  • Com o intuito de contribuir para o entendimento dos processos constitutivos dos textos orais, buscamos, com este trabalho, estabelecer como se estabelece os processos de formulaicidade no patrimônio imaterial religioso dos quais temos contato: os benditos populares e as novenas. Para isso, fizemos um apanhado geral sobre a realização das repetições que se estabelecem no corpus recolhido para o estudo, levando em consideração o processo das Tradições Discursivas nos textos a serem analisados. Vale salientar que o corpus é composto por benditos e novenas recolhidos no município de Lajes, no Rio Grande do Norte. Em relação ao arcabouço teórico utilizado para orientar a pesquisa, versamos nossas análises pelos pressupostos teóricos das Tradições Discursivas (TDs), com as ideias defendidas por Johannes Kabatek, além de levar em consideração os pressupostos de Paul Zumthor sobre a oralidade nos textos religiosos populares, entre outros autores citados ao longo do texto. Assim sendo, podemos dizer que, no âmbito das culturas populares, a existência dos textos orais serve para diversos objetivos interativos e isso não é diferente nos Benditos populares e nas novenas. Ainda nesse sentido, focalizando o olhar para a teoria das Tradições Discursivas (TDs), podemos verificar que os textos/discursos portam algumas tradições, o que significa que eles apresentam regularidades discursivas ou formas textuais já produzidas pela sociedade, em momentos anteriores, que permanecem ou se modifica ao longo de sua existência, assim como nos mostra Johannes Kabatek (2001, 2003, 2005 e 2006). Ainda nesse mesmo sentido, Paul Zumthor (1993) nos apresenta a ideia de que falar em “palavra”, no seu real sentido, implica em admiti-la como algo que possui um poder imensurável, que é capaz de decidir rumos no mundo e é daí que se estabelece a “riqueza das tradições orais”.

  • ANTÔNIO LÁZARO VIEIRA BARBOSA JUNIOR
  • ENTRE MILLÔR E DERRIDA: O HUMOR ENQUANTO EXPERIÊNCIA DA ALTERIDADE E DO IMPOSSÍVEL

  • Orientador : ALEX BEIGUI DE PAIVA CAVALCANTE
  • Data: 14/05/2014
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  • O humorista brasileiro Millôr Fernandes teve uma produção distribuída em vários campos, desde a literatura até as artes visuais e o jornalismo. Em qualquer delas, no entanto, havia a marca indelével do humor. Nesta dissertação, proponho uma leitura de sua obra a partir de Jacques Derrida, enfatizando como se dá a construção do outro. O foco recairá sobre Millôr Definitivo:A Bíblia do Caos, mas outros textos também serão contemplados. Para empreender a análise, farei uma exposição geral da obra milloriana (especialmente Millôr Definitivo:A Bíblia do Caos) e esboçarei, em linhas gerais, a filosofia derridiana, centrando-me em sua discussão sobre a filosofia ocidental, a literatura e a alteridade. No momento da análise propriamente dita, situarei o eixo metodológico no quase-conceito de invenção. A análise deverá fazer emergir a hipótese do humor enquanto experiência da alteridade e do impossível, situando o humorista enquanto totalmente outro. No texto milloriano, essa experiência é marcada pelo conflito, sem possibilidade de resolução.

  • ALAN EUGÊNIO DANTAS FREIRE
  • O CANTO DOS VESTIBULANDOS EM 140 CARACTERES: linguagem e construção de identidades no Twitter

  • Orientador : MARILIA VARELLA BEZERRA DE FARIA
  • Data: 16/04/2014
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  • A revolução causada pela internet e suas diversas redes sociais acabaram por trazer à tona fecundas reflexões sobre a Cibercultura e o seu poder de construção identitária. O que parecia puramente moda tornou-se modo de ser, representação do eu, criação de realidade (LÉVY, 1996). Considerando a linguagem enquanto um fenômeno social, que se processa por meio da interação, conforme nos explicita Bakhtin (2010a), o discurso veiculado nas redes sociais molda o perfil dos seus usuários, construindo identidades que, no dizer de Hall (2006), são múltiplas e não-permanentes. A presente pesquisa busca analisar o uso do Twitter, por vestibulandos, elaborando uma reflexão acerca da construção das suas próprias identidades no ciberespaço. Os sujeitos da pesquisa são alunos do Educandário Nossa Senhora das Vitórias, escola da rede privada do município de Assú/RN, todos eles concluintes do Ensino Médio. Entendendo o ano de vestibular como decisivo e motor de uma reflexão sempre presente acerca de sua condição de estudantes, os sujeitos acabam por externar suas angústias, medos e perspectivas no ambiente virtual, proporcionando-nos material suficiente para análise de como eles se constituem vestibulandos, suas expectativas para os devidos processos seletivos, além de diversas representações pertencentes ao âmbito escolar. A partir do discurso veiculado no Twitter, expresso nas postagens selecionadas, o presente estudo revela as identidades de vestibulandos que dele emergem, o que propiciou o elenco de algumas evidências. A análise das postagens nos possibilita conhecer as impressões dos estudantes quanto à escola, às disciplinas, o ritmo de estudos, o interesse com as práticas escolares e, a partir de tais indícios, a percepção de como o vestibular modifica o seu cotidiano e afeiçoa suas identidades enquanto vestibulandos.

  • RENATO KLEDSON FERREIRA
    1. Construções com Tópico Marcado em cartas pessoais brasileiras dos séculos XVIII, XIX e XX
  • Data: 16/04/2014
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  • Esta dissertação consiste em um estudo sobre as construções de tópico marcado (CT) em cartas pessoais brasileiras dos séculos XVIII, XIX e XX. O objetivo de nossa pesquisa é verificar que CT estão presentes na escrita de brasileiros nascidos nos séculos em questão. O nosso foco de investigação se fundamenta nos pressupostos da teoria gerativa (CHOMSKY 1981; 1986), a qual afirma que a gramática se encontra internalizada na mente/cérebro dos missivistas, tendo como ênfase os estudos acerca da mudança gramatical, conforme apontam os textos de Paixão de Sousa (2004); Carneiro (2005); Galves, Namiuti e Paixão de Sousa (2006); e Martins (2009). O nosso córpus foi extraído do Projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB) e de Cartas Brasileiras – coletânea de fontes para o estudo do português. Selecionamos quarenta e seis missivistas que deveriam estar inseridos nos dois critérios estipulados nesta pesquisa: ser brasileiro e ter nascido nos séculos mencionados, a fim de que pudéssemos encontrar as CT legítimas do PB. Este trabalho está ancorado nas pesquisas de Pontes (1987), Mateus et al. (2003), Araújo (2006; 2009), Berlinck, Duarte e Oliveira (2009), as quais nos respaldarão no estudo desse fenômeno linguístico na língua portuguesa. Os resultados mostram que as construções típicas do Português Brasileiro – tópico sujeito, tópico locativo e tópico cópia – aparecem na escrita de brasileiros desde a segunda metade do século XVIII, enquanto que a construção de tópico sujeito já se encontra refletida na língua-I dos missivistas nascidos na segunda metade do século XIX.

  • DANIEL DE HOLLANDA CAVALCANTI PIÑEIRO
  • Multiplicando Veredas entre Guimarães Rosa e Oswaldo Lamartine

  • Data: 01/04/2014
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  • A presente dissertação se propõe a estudar os elos entre a linha sertaneja rosiana, representada por Grande sertão: veredas (2011), e a seridoense do interior do estado do Rio Grande do Norte, nos ensaios de  Sertões do Seridó (1980) de Oswaldo Lamartine de Faria, como uma continuação da tradição iniciada por Guimarães Rosa. Para isso, consideramos as definições sobre regionalismo desde Antonio Candido (2000) até Chiappini (1995), que nos permitem ampliar a visão da tendência no Brasil, e mostramos as ligações iniciais entre as duas obras citadas. Dessa forma, ao conceito de regionalismo unimos o de tradição (CANDIDO, 2001) e nossa leitura de Lamartine é guiada para o ensaísmo como a fronteira entre escrita ideológica-literária (HARO, 2005), que se aproxima da ficção rosiana. É por esse caminho que analisamos os cinco ensaios de Sertões do Seridó,  e aproximamos as criações do escritor mineiro e do potiguar pelo que se evidencia na construção de seus sertões: a ficcionalidade no ato narrativo aproximado a Walter Benjamin (1987), pautado em “gatilhos da memória” (BOSI, 1979) e que nos leva às reconstruções da história, especialmente pela presença de narradores idosos. Com tais projetos, concluímos que o lastro entre Rosa e Lamartine nos leva para um regionalismo cuja força não se encontra no choque do exotismo, mas em sua aproximação aos leitores. Ambos os autores tornam os sertões universais pela apresentação do fator regional.

     

     

     

     

  • MARLY ROCHA MEDEIROS DE VARGAS
  • OS POSSESSIVOS DE SEGUNDA PESSOA EM CARTAS DE LEITORES DE JORNAIS BRASILEIROS DOS SÉCULOS XIX E XX

  • Orientador : MARCO ANTONIO MARTINS
  • Data: 31/03/2014
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  • Com base nos pressupostos teórico-metodológicos da teoria da variação e da mudança linguística (cf. WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006 [1968]), segundo os quais a heterogeneidade na/da língua lhe imprime um caráter intrínseca e eminentemente variável, nesta dissertação, descreve-se e analisa-se o processo de variação/mudança envolvendo o quadro dos pronomes possessivos de segunda pessoa em cartas de leitores de jornais brasileiros dos séculos XIX e XX. Essas cartas apresentam um retrato da impressa brasileira das regiões sul (Santa Catarina), sudeste (Rio de Janeiro) e nordeste (Bahia e Rio Grande do Norte) nos diferentes séculos e fazem parte do corpus mínimo comum impresso do Projeto para a História do Português Brasileiro (PHPB). Parte-se do pressuposto de que o uso das formas variantes para a expressão dos pronomes possessivos de segunda pessoa – teu/vosso/seu – resultam da interação que caracterizam os papéis sociais vários exercidos pelos interlocutores nas cartas. Configurando unidades comunicativas que reúnem elementos/traços denotadores de espaço e tempo condicionados e determinados por aspectos sócio-históricos e culturais, as cartas de leitores mostraram-se como universo promissor de pesquisa na perspectiva aqui eleita para estudo. Mais especificamente, na esteira de resultados apresentados em estudos sobre o sistema pronominal na diacronia do/no Português Brasileiro (PB), nos quais se inserem aqueles referentes aos possessivos (FARACO, 2002; LORENGIAN-PENKAL, 2007; CALLOU; LOPES, 2003; LOPES; DUARTE, 2003; MENON, 2005; ARDUIN; COELHO, 2005; LOPES, 2009; MARCOTULIO, 2010), os resultados obtidos na análise apontam para diferentes usos dos possessivos, registrando-se a coexistência das formas teu/tua, seu/sua e vosso/vossa fortemente condicionadas pela natureza sócio-discursiva das cartas de leitores no curso dos séculos e pela diferentes regiões.

     

  • MARIA HELISSA DE MEDEIROS
  • CARTILHA DO SILÊNCIO: SOB O SIGNO DA MODERNIDADE E DA MEMÓRIA

  • Orientador : DERIVALDO DOS SANTOS
  • Data: 26/03/2014
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    Esta pesquisa parte do pressuposto de que o romance Cartilha do silêncio, de Francisco Dantas, constitui-se de um duplo movimento, articulado um ao outro. Um voltado para a experiência moderna com a ideia de que a modernidade está impregnada de contrários, como nos lembra Nietzsche; outro vinculado a modos de vida baseados na experiência tradicional, que engloba a noção de memória como propriedade individual e coletiva. Interessa-nos, pois, analisar questões voltadas para o campo crítico-social que permeiam a vida e a história das personagens do romance, no que se refere à evocação do passado como instância de permanência da tradição em relação ao que apresenta como elementos constituintes da vida social moderna, o que dá à narrativa seu caráter paradoxal. Para subsidiar nossa análise, teremos como principal fundamentação teórica as reflexões de Marshall Berman constantes no livro Tudo que é sólido desmancha no ar e na obra Os cinco paradoxos da modernidade, de Antoine Compagnon. Tendo em vista que o romance de Francisco Dantas se configura como uma narrativa fragmentada decorrente da representação da memória social que remonta o tempo e as experiências individuais à margem de um processo social e de uma família patriarcal, a pesquisa se desenvolve à luz do conceito de memória de Jacques Le Goff, presente em História e Memória, e das reflexões de Ecléa Bosi, em Memória e Sociedade: lembranças de velhos. O método adotado em nossa investigação articula texto e contexto, o literário e a vida social, conforme a perspectiva de Antonio Candido, em Literatura e Sociedade, a fim de verificar como em Cartilha do silêncio  modos da vida social moderna se conjugam à ordem estética. Nesse sentido, ao ler o romance foi possível perceber como a identidade das personagens se constrói durante a narrativa e se mantém resistente à acomodação no seu contexto social na transição da tradição patriarcal para a modernidade, criando uma atmosfera de tensão entre os dois registros.

  • CYRO ROBERTO DE MELO NASCIMENTO
  • Homoafetividade e abertura política em contos de Caio Fernando Abreu

  • Data: 21/03/2014
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  • A presente dissertação busca estudar a representação literária da homoafetividade em contos de Caio Fernando Abreu no contexto de abertura política brasileira, especificamente nas narrativas publicadas entre 1982 e 1988. Para compreender como se dá a relação entre literatura e contexto histórico em seus contos, recorremos, principalmente, a uma noção de Literatura e Sociedade, conforme proposta por Antonio Candido. Relacionando as narrativas de Caio Fernando Abreu com a ditadura militar e o processo de abertura política, concomitante com o projeto de geração representado pela contracultura, buscamos verificar como a busca de afeto por homens que desejam outros homens pode estar condicionada por condições sócio-históricas específicas, compreendendo a obra literária como um espaço privilegiado de representação e compreensão da realidade. 

  • VALESKA LIMEIRA AZEVEDO GOMES
  • Expressões risíveis na obra de Graciliano Ramos: uma leitura de Angústia

  • Orientador : ROSANNE BEZERRA DE ARAUJO
  • Data: 17/03/2014
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  • Esta dissertação propõe a análise do romance Angústia (1936), de Graciliano Ramos (1892-1953), a partir da temática do riso. Estudos diversos evidenciam o caráter psicológico, social, filosófico e autobiográfico dessa obra, encaminhando-se para o pessimismo, para as desigualdades promovidas pela hierarquia social, para a crise, para a fragmentação do sujeito que atravessa tempos múltiplos ao tratar da narrativa do “eu” na Modernidade. Como explicar, então, a presença do riso em/na angústia? Como ele se caracteriza e como atua na construção do sentido dessa obra? Escolhemos essa abordagem teórica pelo fato de presenciarmos trechos com termos e situações denotativas do riso ao longo da narrativa. Para tanto, extraímos esses mesmos para compor a análise, respaldando-os em conceptualizações sobre os chistes, o grotesco, as leis gerais e a mecânica do riso, a mudança histórica e/ou evolução do riso, dos pensadores George Minois (2003), Henri Bergson (2001), Sigmund Freud (1905) e Mikhail Bakhtin (1987). Tratamos do sentido do romance, das associações entre os termos angústia e riso, de como o narrador protagonista Luís da Silva constrói a imagem do outro e de si mesmo, considerando o contexto nos qual a obra foi produzida, o autor em seu tempo, os dados biográficos relacionados à produção literária de Graciliano Ramos e o entrelaçamento das demais narrativas do autor com o tema do riso, a fim de deslindar o porquê do riso, de qual modo se dá o seu efeito, como ele coaduna e reforça a significação, desse romance, já contemplada pela crítica graciliânica.

  • AYRES CHARLES DE OLIVEIRA NOGUEIRA
  • MANUAL DO PROFESSOR, MUITO PRAZER EM (RE)CONHECÊ-LO!

    Uma análise sociorretórica do gênero

  • Data: 14/03/2014
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  • Esta pesquisa de natureza documental e etnográfica se insere no campo da Linguística Aplicada, tendo por objeto de estudo o Manual do Professor, que acompanha o livro didático de Língua Portuguesa, e por objetivo geral (re)conhecer os aspectos sociorretóricos do gênero Manual do Professor. O interesse desta tese está concentrado no uso situado desse gênero, a partir do qual se observam seus aspectos sociorretóricos, a saber: o que está posto no produto, o ambiente de interação onde é encontrado e como é visto por seus usuários em potencial. Em um primeiro momento, produzimos um quadro epistemológico que nos permitiu, dentre outros reparos, (i) compreender gênero textual como ação retórica tipificada baseada numa situação retórica recorrente e (ii) obter um panorama dos programas de governo voltados para a avaliação de coletâneas didáticas, nos quais encontramos aspectos indispensáveis a um Manual do Professor. Os aportes teóricos adotados neste estudo referem-se à concepção sociorretórica dos estudos de gênero textual à luz, sobretudo, de Johns et al. (2006), Bazerman (2011) e Miller (2011). Em um segundo momento, sob o viés da abordagem sociorretórica, procuramos definir o Manual do Professor como gênero textual e apresentamos os aspectos retóricos encontrados nas amostras que analisamos, considerando a organização constitutiva, o contexto de uso desse gênero e as percepções de seus usuários – autores e professores. A geração de dados deu-se inicialmente a partir da seleção de três exemplares de Manuais de coletâneas didáticas adotadas no IFRN; em seguida, no sentido de reconhecer as percepções dos usuários desse gênero, realizamos grupo focal com professores e entrevistamos o coautor de uma das coletâneas. Para análise dos dados, elegemos o método etnográfico de análise de gêneros postulado por Reiff (apud JOHNS et al, 2006), que nos permitiu analisar o objeto de estudo em contextos autênticos de uso do gênero. Nossos resultados mostram que o Manual do Professor está inserido num sistema de gêneros e no sistema de atividades profissionais de domínio do professor e não se limita apenas a explicar como está organizado o livro didático do aluno. Outros sete propósitos foram observados, dentre os quais se encontram: possibilitar ao docente uma reflexão sobre a sua prática de ensino e sugerir caminhos para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Acreditamos que esta pesquisa poderá estimular professores, em relação à importância (e não obrigatoriedade) de consultas periódicas aos Manuais; autores, no que se refere a estabelecer uma interlocução mais pessoalizada com seus leitores em potencial e no sentido de esclarecer ainda mais as facetas do livro didático; e editoras, sobretudo no que tange a recursos de editoração, para que o Manual do Professor se torne mais atrativo. 

  • CAMYLLA LIMA DE MEDEIROS
  • UNE HISTOIRE AMÉRICAINE: A CONSTRUÇÃO DE UMA PERSONAGEM EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO

  • Data: 12/03/2014
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  • A arte da linguagem possui um discurso legítimo e revelador de sua sociedade. Ela dá forma artística àquilo que nós compreendemos de nosso mundo. Partindo dessas ideias, nosso estudo pretende analisar como o fenômeno social da globalização e a identidade do homem moderno foram configurados à estrutura do romance Une Histoire Américaine (1986). Obra escrita pelo autor quebequense Jacques Godbout após o fracasso do famoso referendo da década de oitenta que pretendia a independência da província quebequense. Para tanto, nos valeremos da Critica Integrativa como suporte metodológico desenvolvido por Antônio Candido (1976) que busca aliar os elementos estéticos e sociais na compreensão da obra. Como suporte teórico utilizamos os estudos do sociólogo britânico Anthony Giddens (1991; 2002; 2005) para melhor compreendermos a globalização e seus efeitos transformadores sobre a identidade do homem moderno conforme configura a obra estudada. Igualmente, nos apropriaremos dos apontamentos de Yvon Bellemare (1984), Gaston Miron (1989), Louis Robitaille (2011) e Marc Durand (2011) para esclarecimentos acerca da dualidade cultural quebequense e dos aspectos específicos concernentes à literatura da província.  

  • FELIPE GARCIA DE MEDEIROS
  • O SER ELÁSTICO, MOLA, AGULHA, TREPIDAÇÃO: EXPRESSÕES DO HOMOEROTISMO EM FERNANDO PESSOA

  • Data: 07/03/2014
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  • Esta dissertação investiga e analisa as expressões do homoerotismo na poesia Fernando Pessoa e de seus principais heterônimos: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis. Elaborando estratégias de fingimento como uma forma de escapar às injúrias e interdições, o poeta – através de linhas de fuga criadoras – constitui uma poética homoerótica, diferente dos padrões estabelecidos e dos modelos representacionais da literatura. Nós podemos encontrar, tendo em vista uma sexualidade problematizada, que transborda na multiplicidade dos eus, das identidades fluidas e de fronteiras móveis, intensos jogos de máscaras. Estas se corporificam nos poemas, sobretudo, por meio das sensações, dando lugar à possibilidade do discurso queer e homoerótico emergir. O homoerotismo pessoano é, assim, descortinado em meio às relações estéticas da amizade, dos espaços lisos, das heterotopias da cidade, ou espaços do outro, e da estética do armário. Partindo disso, percebemos as articulações de um gênero de performance como escritura e inscrição do corpo, estabelecendo uma escrita-física, que pontua uma sexualidade transgressora, com múltiplas entradas e saídas, afirmações e negações, instauradoras de paradoxos. Neste âmbito, desenvolvemos correlações entre concepções de Foucault (2010a, 2010b, 2011) sobre a história da sexualidade, amizade e relações de “poder-saber”, com traços de significância e de subjetivação, em processos de rostidade e CsO (Corpo-sem-Órgãos), em Deleuze e Guattari (1996). Consideramos, ainda, os questionamentos ontológicos, voltados para a dimensão “Gay”, em Eribon (2008) e levantamos aspectos a respeito da construção da ideia de masculinidade em Bourdieu (2010). Finalmente, apoiamo-nos na abordagem da epistemologia do armário, de Sedgwick (1993), como na teoria de gênero e performance de Butler (2012), encaminhando, além disso passagens pelo erotismo, de Bataille (1987), redimensionadoras das imagens homoafetivas do poeta português. 

  • NADIER PEREIRA DOS SANTOS
  • MODOS DE LER, FORMAS DE ESCREVER.  A LITERATURA ENQUANTO OBJETO DA FICÇÃO DE ENRIQUE VILA-MATAS

  • Data: 27/02/2014
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  • Este trabalho busca analisar como alguns aspectos presentes na obra ficcional do escritor catalão Enrique Vila-Matas permitem pensar as práticas da escrita literária contemporânea. A partir de uma forma híbrida que reconsidera as relações tanto entre os gêneros quanto entre os discursos crítico e ficcional, a obra do autor propõe-se a refletir a respeito de suas próprias possibilidades no contexto sociocultural contemporâneo. Assim, por meio de uma ficção que em muitos momentos adquire os atributos do ensaio, Vila-Matas traz para o centro de seus enredos a discussão de questões relacionadas aos impasses de uma escrita que volta sua atenção para o destino de uma tradição literária desvinculada dos preceitos meramente mercadológicos contemporâneos. Sua maneira crítica de abordar a literatura e a experimentação em busca de novas possibilidades permitem associá-lo tanto a Laurence Sterne quanto ao projeto literário de Jorge Luis Borges. Esses autores possuem propostas que tentam ultrapassar os limites do texto, uma vez que nelas encontra-se o desejo de valer-se da ficção para demonstrar a instabilidade dos elementos de uma cultura, apropriando-se e desestabilizando os discursos e as claras distinções entre os saberes. Nesse sentido, as diversas maneiras por meio das quais Vila-Matas apropria-se do texto alheio e constrói uma obra de caráter fortemente intertextual denunciam hierarquizações e modos de circulação de textos que permitem aproximar-se da tensão existente entre temas como, influência, citação, práticas de leitura e de escrita.    

  • EDIVANIA DUARTE RODRIGUES
  • OS DISCURSOS SOBRE A EDUCOMUNICAÇÃO NA RÁDIO ESCOLAR:

    UM ESTUDO ETNOGRÁFICO EM UMA ESCOLA PÚBLICA

  • Orientador : ADRIANO LOPES GOMES
  • Data: 27/02/2014
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  • A pesquisa faz uma análise da construção discursiva sobre a Educomunicação, a partir

    de um curso de formação de educomunicadores, com professores e alunos de uma

    escola da Rede Pública Estadual, situada geograficamente na cidade do Natal(RN),

    estudando a constituição dos sentidos que a prática educomunicativa na Rádio Escolar

    adquire para formadores e cursistas (docentes e discentes). O contexto sócio-histórico

    que envolve essa investigação corresponde à nova realidade social, mediada pelas

    tecnologias da informação e da comunicação que, por sua vez, impulsionam a instituição

    escolar a capacitar os alunos na utilização de diferentes linguagens que permeiam a

    sociedade. Mas, para tanto, é necessário ter professores também habilitados para

    trabalharem as tecnologias da comunicação de forma a atenderem os anseios dos jovens e

    adultos que fazem parte da comunidade educativa. Assim, a investigação problematiza

    o contexto de produção discursiva sobre a Educomunicação na Rádio Escolar a partir do

    processo de formação de educomunicadores na instituição escolar focalizada, tendo

    como objetivos identificar as condições de produção discursiva em torno da prática

    educomunicativa na Rádio Escolar, analisar a construção discursiva que formadores e

    cursistas fazem sobre a Educomunicação e suas marcas dialógicas, além de verificar

    como os cursistas relacionam a prática educomunicativa aos seus contextos educativos,

    atribuindo sentido aos lugares de professores e alunos. Assim sendo, a pesquisa recorre

    à Etnografia aplicada ao contexto escolar como opção metodológica, à Análise do

    Discurso, de vertente pecheutiana, bem como aos princípios da Educomunicação, às

    reflexões de Paulo Freire e às concepções de Dialogismo em Bakhtin, como aportes

    teóricos. Enveredamos por três áreas do conhecimento: Linguística, Comunicação e

    Educação, como forma de produzirmos uma leitura comprometida com os aspectos que

    envolvem o uso do rádio no ambiente escolar para a promoção de uma prática que seja

    educomunicativa. Com esta pesquisa, pudemos construir uma teia de sentidos sobre a escola

    que estamos formando ou que queremos formar no século XXI, pois recorremos aos

    discursos de formadores e cursistas imersos em novos saberes e práticas na perspectiva de

    impulsioná-los a se assumirem enquanto sujeitos de comunicação no ambiente

    educativo em busca de uma transformação qualitativa do ser e do fazer no espaço

    escolar.

  • EDIVANIA DUARTE RODRIGUES
  • OS DISCURSOS SOBRE A EDUCOMUNICAÇÃO NA RÁDIO ESCOLAR:

    UM ESTUDO ETNOGRÁFICO EM UMA ESCOLA PÚBLICA

  • Orientador : ADRIANO LOPES GOMES
  • Data: 27/02/2014
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  • A pesquisa faz uma análise da construção discursiva sobre a Educomunicação, a partir

    de um curso de formação de educomunicadores, com professores e alunos de uma

    escola da Rede Pública Estadual, situada geograficamente na cidade do Natal(RN),

    estudando a constituição dos sentidos que a prática educomunicativa na Rádio Escolar

    adquire para formadores e cursistas (docentes e discentes). O contexto sócio-histórico

    que envolve essa investigação corresponde à nova realidade social, mediada pelas

    tecnologias da informação e da comunicação que, por sua vez, impulsionam a instituição

    escolar a capacitar os alunos na utilização de diferentes linguagens que permeiam a

    sociedade. Mas, para tanto, é necessário ter professores também habilitados para

    trabalharem as tecnologias da comunicação de forma a atenderem os anseios dos jovens e

    adultos que fazem parte da comunidade educativa. Assim, a investigação problematiza

    o contexto de produção discursiva sobre a Educomunicação na Rádio Escolar a partir do

    processo de formação de educomunicadores na instituição escolar focalizada, tendo

    como objetivos identificar as condições de produção discursiva em torno da prática

    educomunicativa na Rádio Escolar, analisar a construção discursiva que formadores e

    cursistas fazem sobre a Educomunicação e suas marcas dialógicas, além de verificar

    como os cursistas relacionam a prática educomunicativa aos seus contextos educativos,

    atribuindo sentido aos lugares de professores e alunos. Assim sendo, a pesquisa recorre

    à Etnografia aplicada ao contexto escolar como opção metodológica, à Análise do

    Discurso, de vertente pecheutiana, bem como aos princípios da Educomunicação, às

    reflexões de Paulo Freire e às concepções de Dialogismo em Bakhtin, como aportes

    teóricos. Enveredamos por três áreas do conhecimento: Linguística, Comunicação e

    Educação, como forma de produzirmos uma leitura comprometida com os aspectos que

    envolvem o uso do rádio no ambiente escolar para a promoção de uma prática que seja

    educomunicativa. Com esta pesquisa, pudemos construir uma teia de sentidos sobre a escola

    que estamos formando ou que queremos formar no século XXI, pois recorremos aos

    discursos de formadores e cursistas imersos em novos saberes e práticas na perspectiva de

    impulsioná-los a se assumirem enquanto sujeitos de comunicação no ambiente

    educativo em busca de uma transformação qualitativa do ser e do fazer no espaço

    escolar.

  • MARIA APARECIDA DA COSTA GONCALVES FERREIRA
  • A PAZ TENSA DA CHAMA FUGAZ: A CONFIGURAÇÃO DO AMOR NO ROMANCE CONTEMPORÂNEO, LYGIA FAGUNDES TELLES E LÍDIA JORGE

     

  • Data: 24/02/2014
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  • A tese A paz tensa da chama fugaz: a configuração do amor no romance contemporâneo, Lygia Fagundes Telles e Lídia Jorge tem por objetivo estudar a configuração do amor em romances contemporâneos. Como corpus de estudo selecionaram-se os romances As horas nuas (1989), da escritora brasileira Lygia Fagundes Telles; e O vento assobiando nas gruas (2002), da escritora portuguesa Lídia Jorge. O estudo busca entender como as personagens destes textos lidam com as questões amorosas no contexto da narrativa contemporânea, bem como compreender a expressão do amor que se constitui enquanto sentimento contraditoriamente fluido e insistentemente buscado, questões caras ao discurso amoroso da contemporaneidade. De cunho crítico-comparativo, esta pesquisa priorizará as problemáticas relativas ao amor como sinônimo de Eros, ou seja, a relação amorosa entre amantes, analisados por um viés social e filosófico. Objetiva-se, pois, com isso, ampliar os estudos de duas obras literárias atuais, assim como estabelecer relações entre as personagens dos textos estudados com o universo que os cercam, focalizando o contexto humano e social em que as histórias são representadas. Finaliza-se por observar nos textos das escritoras analisadas a dicotomia amor e morte, a imagem do amor que se alimenta da ausência, e do desejo de completude do homem, defendendo a hipótese de que as escritoras Lygia Fagundes Telles e Lídia Jorge atualizam e materializam em seus textos a pluralidade do conceito de amor contemporâneo, que continua contraditório, fragmentado e problemático.

     

  • FRANCISCO JOSÉ COSTA DOS SANTOS
  • PROCEDIMENTOS DE ABERTURA E FECHAMENTO DE TÓPICOS NA INTERAÇÃOEM SALA DE AULA

  • Data: 24/02/2014
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  • Este trabalho se insere em perspectivas interacionais, com  base nos pressupostos da Análise da Conversação, da Perspectiva Textual Interativa e da Linguística de Texto. A partir da questão norteadora que busca uma compreensão acerca da interação entre professor e alunos, no processo de construção do conhecimento, temos como objetivos: descrever, analisar e interpretar aspectos da organização tópica em sala de aula no Ensino Fundamental, observando os procedimentos de abertura e fechamento dos tópicos nesse espaço específico. Partindo da expectativa de que os procedimentos de abertura e fechamento dos tópicos discursivos ocorrem por meio de marcas linguísticas, buscamos identificar que marcas são usadas nas aberturas e fechamentos dos tópicos na sala de aula investigada, no transcurso das interações durante o processo colaborativo do discurso instaurado entre professora e alunos. Assim sendo, embasamo-nos em autores que analisam questões específicas do texto em situação concreta de uso da linguagem, entre estes, Koch (1993, 1999), Jubran et al (1991), Jubran (2006), Pinheiro (2005), Penhavel (2010), Galembeck (2012), Barros (1991), Marcuschi (1986, 1990, 1991, 1998, 1999, 2003, 2004a), Kerbrat-Orecchioni (2006), Fávero (1999, 2002) e Galvão (2004, 2010). Metodologicamente, orientamo-nos nos postulados da  pesquisa etnográfica, a fim de  realizar  a coleta dos dados, através de gravações em áudio e vídeo, os quais foram transcritos, em seguida, conforme a proposta do projeto NURC, com algumas adaptações. A análisedos dados revelou que os procedimentos de abertura e de fechamento dos tópicos ocorreram pelo uso de marcadores discursivos, em especial o marcador “então”, propiciando-nos à compreensão de que esses elementos são importantes na organização tópica, contribuindo para assegurar a coerência e a coesão textual. Concluímos que a organização do tópico discursivo em sala de aula ocorre mediante ocorrências que auxiliam a explicitação do conteúdo de ensino e aprendizagem , tendo em vista às diversas necessidades de um plano acadêmico institucional,  cujo objetivo principal é a construção do conhecimento.

  • HUDSON LIMA BEZERRA ROCHA
  • Matizes da Cultura de Massa na Obra de Caio Fernando Abreu

  • Orientador : ANTONIO EDUARDO DE OLIVEIRA
  • Data: 21/02/2014
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  • O escritor gaúcho Caio Fernando Abreu foi fortemente influenciado por um período de mudanças de valores e perspectivas. Ao ingressar no cenário literário brasileiro com uma escrita livre tanto em forma como no conteúdo, ele emprega em sua obra toda a angústia da busca de novos valores e sentidos na modernidade e incorpora o espírito de uma geração que, apesar do anseio pela liberdade, ainda vivia sufocada pela ditadura militar. Sua narrativa também revela um autor com extrema habilidade de transitar entre o erudito e o popular. Em seus contos e crônicas, ele emprega uma linguagem performática intercalada por referências que transformam seu texto em uma espécie de iconografia da Pop Art. Assim como os quadros da Pop Art, repletos de imagens da Coca-Cola, cigarro, pasta de dente ou latas de conserva, o discurso literário em Caio é pincelado por várias referências simbólicas ao consumismo moderno, bem como ao cinema, à música e ao culto das stars. Este traço do escritor exerce uma grande força atrativa sobre o leitor contemporâneo. Em nosso trabalho, buscamos analisar este recurso na obra de Caio sob a ótica dos estudos culturais, vislumbrando desta maneira, uma análise das diversas formas de expressão da cultura de massa em Caio, reconhecendo estas referências enquanto recurso estilístico de seus textos e ressaltando suas relevâncias no estudo da obra do autor. Para tanto, nos apoiamos basicamente nas reflexões críticas dos teóricos: Lipovetsky (1996) e Adorno (2011), que discutem cultura e formação social na modernidade. 

  • LORENA AZEVEDO DE SOUSA
  • A ferramenta VoiceThread em uma abordagem híbrida: o desenvolvimento da produção oral e da habilidade de noticing na aprendizagem de inglês como L2

  • Data: 17/02/2014
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  • O VoiceThread é uma ferramenta da web 2.0, colaborativa e assíncrona, que permite a criação de apresentações orais com auxílio de imagens, documentos, textos e voz, possibilitando que grupos de pessoas naveguem e contribuam com comentários de várias maneiras: utilizando a voz (com microfone ou telefone), texto e arquivo de áudio ou vídeo (webcam) (BOTTENTUIT JUNIOR, LISBÔA E COUTINHO, 2009). A experiência híbrida com o VoiceThread permite que o aprendiz planeje sua fala antes de gravá-la, sem a pressão geralmente existente em sala de aula. Além disso, as apresentações podem ser gravadas e regravadas várias vezes, possibilitando que ele se ouça, perceba as lacunas em sua produção oral (noticing) e a edite inúmeras vezes antes de publicá-la online. Nesta perspectiva, a produção oral é vista como um processo de aquisição de L2, e não apenas como prática do conhecimento já existente, por estimular o aprendiz a processar a língua sintaticamente (SWAIN, 1985; 1995). Neste contexto, o presente estudo visa verificar se existe uma relação entre as medidas de produção oral dos aprendizes - mais especificamente a acurácia gramatical e a nota global - e sua habilidade de noticing, de que forma a prática sistemática com a ferramenta VoiceThread, em uma abordagem híbrida, impacta o desenvolvimento oral global dos aprendizes, sua produção oral em termos de fluência (número de palavras por minuto), acurácia (quantidade de erros gramaticais a cada 100 palavras) e complexidade (número de orações subordinadas por minuto), e a sua habilidade de noticing (SCHMIDT, 1990; 1995; 2001), ou seja, a capacidade de o aprendiz perceber as lacunas existentes na sua produção oral. A fim de responder a essas questões, 49 aprendizes de inglês como L2 participaram da pesquisa, divididos em grupo experimental (25 alunos) e grupo controle (24 alunos). O grupo experimental foi exposto a uma experiência híbrida com o VT durante dois meses e, por meio de um pré e um pós-teste, verificamos se essa prática sistemática influenciaria positivamente a produção oral e a habilidade de noticing destes participantes. Esses resultados foram comparados aos escores do pré e do pós-teste de um grupo controle, que não foi exposto ao VT. Por fim, as impressões dos aprendizes a respeito da experiência com a ferramenta foram analisadas por meio de questionários aplicados após o pós-teste. Os resultados apontam que há uma correlação estatisticamente significativa entre as medidas de produção oral dos aprendizes (acurácia gramatical e a nota global) e sua habilidade de noticing. Além disso, verificou-se que há um impacto positivo da ferramenta VoiceThread sobre as variáveis da produção oral dos aprendizes e sua habilidade de noticing. Por fim, a parte qualitativa desse estudo revela uma reação positiva dos aprendizes em relação à experiência híbrida com esta ferramenta.

  • SAMARA FREITAS OLIVEIRA
  • O Impacto das tarefas de aprendizagem mediadas pela lousa digital interativa na motivação situacional de aprendizes de inglês

  • Data: 13/02/2014
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  • Alguns autores já sugeriram que as tarefas de aprendizagem conduzidas em salas de aula de L2 podem motivar os aprendizes de diferentes maneiras. Da mesma forma, as Lousas Digitais Interativas (LDI) já foram relacionadas como propulsoras de engajamento e entusiasmo em aulas de L2, podendo assim impactar variáveis afetivas que influenciam a aprendizagem, como a motivação, por exemplo. Este estudo transversal, de métodos mistos, objetiva compreender de que forma a motivação situacional ocasionada por tarefas de aprendizagem mediadas pela LDI impacta os participantes. Buscamos responder as seguintes perguntas de pesquisa: (1) como a motivação, vista como um traço da personalidade do aprendiz, se relaciona ao seu desempenho de aprendizagem da L2?, (2) de que maneira o tipo de tarefa de aprendizagem impacta na motivação do aprendiz?, (3) de que forma a motivação varia ao longo da tarefa de aprendizagem? e (4) qual a relação entre a motivação proveniente da tarefa de aprendizagem e a percepção do aprendiz sobre a tarefa mediada pela LDI? A coleta de dados durou quatro meses em um instituto privado de idiomas com 29 aprendizes de inglês e foi realizada por meio dos seguintes instrumentos: (a) um questionário inicial (adaptado da Attitudes/Motivation Test Battery de GARDNER, 2004); (b) escalas situacionais on-line para conhecermos a motivação dos aprendizes em três momentos: antes, durante e após a tarefa e analisarmos como a motivação varia ao longo da tarefa; (c) observações de aulas e as resultantes notas de campo dessas observações; (d) as notas globais dos participantes no semestre para entendermos a relação entre o desempenho acadêmico e o perfil motivacional deles e (e) um questionário final com o fim qualitativo de conhecer as percepções dos aprendizes sobre as tarefas mediadas pela LDI. Nossa fundamentação teórica baseia-se na Aprendizagem Baseada em Tarefas e nos aspectos cognitivos presentes nas tarefas (WILLIS, 1996; SKEHAN, 1996), em algumas teorias de motivação e aprendizagem de L2 (GARDNER, 2001; DÖRNYEI e OTTÓ, 1998; DÖRNYEI, 2000; 2002) e em concepções sobre a aprendizagem de L2 mediada por tecnologias (GIBSON, 2001; OLIVEIRA, 2001; MILLER et al, 2005). Nossos resultados não apontam uma correlação significativa entre as notas globais dos aprendizes e o seu perfil motivacional. Entretanto, indicam que há uma variabilidade da motivação situacional ao longo das tarefas, mesmo dentro de tarefas de aprendizagem do mesmo tipo. Além disso, mostram que os aprendizes relatam diferentes percepções para cada tarefa de aprendizagem e que o impacto da LDI na motivação dos participantes foi de pequena proporção.

  • CAETANA ARAUJO CARDOSO
  • NARRATIVAS HUMORÍSTICAS: O PAPEL DE ESQUEMAS E FRAMES NA COMPREENSÃO DO RISÍVEL

  • Orientador : MARCOS ANTONIO COSTA
  • Data: 07/02/2014
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  • A Linguística Cognitiva tem como um de seus principais objetivos descrever e analisar os processos de construção de sentido. Para isso, suas pesquisas pressupõem a existência de estruturas cognitivas oriundas das experiências sensório-motoras e socioculturais dos usuários da língua, que são acessadas pelo sujeito durante a compreensão textual. Fundamentada teoricamente nesta abordagem cognitiva da linguagem, esta dissertação tem como objetivo nuclear descrever e analisar como os domínios cognitivos - representados pelos esquemas imagéticos e frames - permitem ao leitor depreende o risível em textos humorísticos. Entende-se por esquemas imagéticos os domínios das informações construídas e armazenadas na mente do sujeito, oriundas de sua experiência corporal, por exemplo, ao movimentar-se ou manipular objetos; os frames, por sua vez, são os constructos que emergem a partir da interação, estabelecida de forma dinâmica e consensual, entre os sujeitos em contextos socioculturais específicos. Percorremos este caminho, pois acreditamos que o efeito de humor decorrente de um texto está subordinado à ativação e ao acionamento dos esquemas imagéticos e frames armazenados na mente no leitor, existindo, desta forma, níveis de compreensão, o que explica a recuperação ou não de trechos humorísticos em um texto. Para confirmar a nossa hipótese, utilizamo-nos da aplicação de um experimento (uma atividade, com textos humorísticos, para alunos do Ensino Fundamental e Médio registrarem sua compreensão) e, para a análise dos resultados dessa atividade, apropriamo-nos, metodologicamente, do processo da introspecção (entendida como a intuição do pesquisador, responsável pela produção de ideias e raciocínios ao manipular os dados). Durante a observação minuciosa do nosso experimento, chegamos à conclusão de que o humor é apreendido intelectualmente quando os esquemas imagéticos e frames são confrontados.

  • MARIA KASSIMATI MILANEZ
  • Histórias de professores universitários sobre ensinar Inglês para Fins Específicos

  • Data: 04/02/2014
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  • A presente pesquisa qualiquantitativa tem como pressupostos teórico-metodológicos (1) a Pesquisa Narrativa (PN – CLANDININ; CONNELY, 2000; CLANDININ, 2011), (2) a Gramática Sistêmico-Funcional (GSF – HALLIDAY, 1994; THOMPSON, 2002; EGGINS, 2003; HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004) e (3) a abordagem de ensino de Inglês para Fins Específicos (IFE – HUTCHINSON; WATERS, 1987; JORDAN, 1997; DUDLEY-EVANS; ST JOHN, 1998), com o objetivo geral de fazer um levantamento dos sentidos construídos pelos professores participantes sobre o IFE, a formação específica que receberam para ministrá-lo e a sua experiência em ensiná-lo no nível superior. Os textos de campo e, por conseguinte, as análises, foram organizados em dois grupos distintos: o primeiro com dados gerados a partir de um questionário aplicado a nove professores de uma instituição pública no nordeste brasileiro, contendo perguntas abertas e fechadas a respeito de sua formação e de suas experiências em ministrar a disciplina de Inglês Instrumental e o segundo grupo, a partir do enfoque nas experiências de três professoras do primeiro grupo que continuavam ensinando IFE, com dados gerados por entrevistas com essas participantes e suas autobiografias, além dos dados gerados pela autobiografia da própria pesquisadora, também participante da pesquisa. Foi usada a ferramenta computacional WordSmith Tools 5.0 (SCOTT, 2010) para selecionar, organizar e quantificar os dados a serem analisados no primeiro grupo de textos, identificando-se os tipos de processos e os participantes, pelo Sistema de Transitividade (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004), sendo que os processos mais usados pelos professores no questionário foram os materiais, seguidos dos relacionais e em terceiro lugar os mentais, indicando que a maioria relatou mais suas ações com relação ao ensino de IFE, classificou ou definiu a abordagem, sua formação e suas experiências do que demonstrou seus pensamentos e emoções a respeito de ensinar IFE. A maioria dos nove professores afirma fazer análise de necessidades, mas nem todos a fazem de acordo com o que estabelecem os autores por eles citados ou outros autores considerados referência nessa área, tais como Hutchinson e Waters (1987), Robinson (1991) e Dudley-Evans e St John (1998). Do mesmo modo, suas definições e concepções sobre IFE, na maioria das vezes, diferem das desses autores. Todos os professores participantes alegam não ter tido formação específica para ensinar IFE na licenciatura. Ao analisar os relatos das quatro professoras do segundo grupo, com base na composição de sentidos segundo Ely, Vinz, Downing e Anzul (2001), percebeu-se que o tipo de conhecimento que estas referem usar para ministrar IFE está relacionado ao conhecimento prático pessoal e ao conhecimento profissional (ELBAZ, 1983; CLANDININ, 1988). Em seus relatos, foram identificadas também imagens e metáforas (LAKOFF; JOHNSON, 1980) que representam suas concepções a respeito de aprender, ensinar e ser professor. Esperamos, com os resultados desta pesquisa, contribuir tanto para a compreensão do que pode significar ensinar IFE para os professores do contexto pesquisado, como para a formação continuada de professores de IFE, assim como para uma revisão nos currículos de Letras e do papel do IFE na formação do professor de língua inglesa.

  • JOSÉ MAURO SOUZA UCHÔA
  • Narrativas de professores em formação sobre a didatização de podcasts para o ensino de inglês na floresta

  • Data: 03/02/2014
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  • Em consonância com (1) as demandas de fluência dos participantes de um curso de Letras/Inglês da Amazônia; (2) com as necessidades da compreensão e da produção oral em língua inglesa dos professores de Inglês como Língua Estrangeira (ILE) em formação inicial (CONSOLO, 2002, PAIVA, 2006) e (3) com a minha formação continuada e o meu letramento acadêmico na condição de professor-pesquisador e formador de professores de ILE, neste estudo, com base na Pesquisa Narrativa (CLANDININ; CONNELLY, 1990, 2004; MELLO, 2005, 2013; CLANDININ, 2013), relato os procedimentos adotados durante a vivência em um processo de didatização de gêneros discursivos orais difundidos pela prática de podcasting, atividade oriunda do advento das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). Neste processo, dialogo com teóricos que advogam o ensino de ILE norteado por abordagem que preceitue uma visão de linguagem como prática social, compreendendo o ensino também como uma atividade construída na interação e mediada pela linguagem. Para isso, lanço mão das noções de contexto de cultura e de contexto de situação da Linguística Sistêmico-Funcional (HALLIDAY, 1978, HALLIDAY; HASAN, 1989), contemplando o conceito de gênero e de registro (EGGINS, 2004, MARTIN; ROSE, 2008). Como princípio e crença que defendo, os registros dos gêneros utilizados neste estudo possuem temáticas voltadas para o contexto da floresta Amazônica, oportunizando a construção de estratégias de ensino apropriadas ao contexto local (HOLLIDAY, [1994]2001; COYLE; HOOD; MARSH, 2010) para ensino da compreensão e da produção oral (NUNAN, 1999; RICHARDSON, 2008) pela elaboração de tarefas (NUNAN, 1999; FIELD, 2008). Durante a vivência, com base no paradigma reflexivo de formação de professores (SCHÖN, 1984, 1992; MAGALHÂES; 2004, 2011; CELANI, 2010, 2011), os participantes produziram narrativas sobre o processo. Analisei as narrativas conforme Ely, Vinz, Downing e Anzul (2001), que defendem a composição de sentidos na Pesquisa Narrativa. Ao reler e reescrever sobre as experiências vividas, elegi discutir sobre os seguintes temas revelados com maior ênfase pela escrita dos participantes: a pouca vivência em processos de didatização de gêneros orais; a relevância dos temas sobre o contexto para a formação do professor de ILE local; o trabalho colaborativo como estratégia para superar a deficiência de letramento digital, conhecimentos linguísticos e pedagógicos. Os sentidos que componho dessa vivência apontam para a mudança de paradigma que precisa ser estabelecida no ensino de ILE deste contexto e para o fazer pedagógico engajado com as questões histórico-sócio-culturais e o desenvolvimento das habilidades linguísticas de produção e de compreensão oral, sugerindo que as TICs devem ser implementadas progressivamente no contexto em questão durante a formação inicial do professor de ILE por meio de estratégias condizentes com as demandas de fluência e as deficiências ocasionadas pelo isolamento geográfico.

  • NARA JAQUELINE AVELAR BRITO
  • A expressão do condicionado contrafactual em construções ‘Se P, então Q’

  • Data: 03/02/2014
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  • Neste trabalho, tomamos como objeto de estudo a expressão da função contrafactual presente em construções do tipo ‘se p, então q’, com foco no uso alternado de formas verbais na estruturação da apódose/condicionado, cujo valor é canonicamente designado pelo futuro do pretérito. Trabalhamos com amostras de fala extraídas de reportagens televisivas veiculadas na televisão brasileira entre os anos de 2010 e 2013. A base teórico-metodológica para nossa discussão advém dos princípios do Sociofuncionalismo (cf. TAVARES, 2003, 2011, 2013; GORSKI; TAVARES, 2013; entre outros) que, por sua vez, trabalha na interface entre os pressupostos do Funcionalismo linguístico (cf. GIVÓN, 2001; BYBEE, 2010; entre outros) e da Sociolinguística (cf. WEINRICH; LABOV; HERZOG, 1968; LABOV, 2008 [1972], 2001, 2010; entre outros). Averiguamos contextos linguísticos e extralinguísticos passíveis de influenciar a escolha do falante pelo futuro do pretérito ou pelo pretérito imperfeito, tanto em suas formas simples quanto em locuções ou formas perifrásticas. Para tanto, partimos da hipótese de que fatores linguísticos como a ordem da sentença e o paralelismo, e de que fatores sociais como o sexo e o nível de escolaridade sejam relevantes para a explicação do uso alternado de formas verbais na codificação da indicação contrafactual. Os resultados obtidos em nossa análise (qualitativa e quantitativa) apontam a relevância de alguns desses fatores no uso efetivo das formas verbais futuro do pretérito e do pretérito imperfeito do indicativo nas apódoses contrafactuais, e ressaltam o papel de princípios funcionalistas (a exemplo do princípio da marcação e do princípio da iconicidade) sobre o uso variável das formas verbais sob enfoque.  

  • NARA JUSCELY MINERVINO DE CARVALHO MARCELINO
  • AS SENTENCAS COM "É RUIM QUE" NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

  • Data: 31/01/2014
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  • Ancorados em trabalhos sobre a estrutura das sentenças copulares no Português Brasileiro (PB), no quadro da teoria da gramática, analisamos nesta dissertação as sentenças copulares complexas encabeçadas pela estrutura “é ruim que” no PB, defendendo a hipótese de que elas podem ter uma leitura predicacional – PRED – ou especificacional – ESP. Nas estruturas com “é ruim que” PRED, o constituinte “ruim”, como em qualquer sentença copular comum, é o predicador de uma Small Clause e insere ampla predicação sobre todo o sujeito, que se realiza no CP encaixado; nas com “é ruim que” ESP há uma expressão cristalizada. Revela-se que, apesar de serem superficialmente idênticas, a estrutura dessas sentenças, para que as distintas leituras sejam acionadas, é distinta: nas PRED, o “ruim” nasce como predicador da Small Clause, sem passar por qualquer tipo de movimento; nas ESP, a expressão cristalizada é fruto do movimento sofrido de uma posição interna ao IP pleno da sentença neutra, que deu origem à versão copular, para a posição SpecCP. Além da forma como o constituinte “ruim” ou a expressão cristalizada “é ruim” são realizados nas diferentes estruturas com “é ruim que”, mostraremos que a relação interna entre os verbos cópula e principal também é fundamental para distinguir um e outro tipo de estrutura. Quando a estrutura é uma sentença copular comum, o modo da cópula deve ser o indicativo, enquanto o do verbo principal, o subjuntivo, impreterivelmente; o tempo de um e de outro pode, de acordo com a estrutura, ser variável. Sendo a sentença copular de negação, a exigência é de que ambos os verbos apareçam no modo indicativo, podendo o verbo principal ser flexionado em tempo, mas devendo a cópula ser realizada, unicamente, na terceira pessoa do presente do indicativo, o que confirma nossa análise de que “é ruim” dessa estrutura configura uma expressão cristalizada, e não dois constituintes distintos. Defendemos, portanto, que as sentenças com “é ruim que” no PB podem ser: (i) sentenças copulares comuns, de leitura PRED, quando o “ruim” estabelece predicação ampla sobre o CP sujeito e é concatenado à Small Clause; e (ii) sentenças copulares de negação, de leitura ESP, nas quais a expressão cristalizada “é ruim” tem escopo estreito sobre um vestígio que recai na semântica do IP. 

  • JANEIDE MAIA CAMPELO
  • ESPERANDO ULISSES: O MITO DE PENÉLOPE À LUZ DA COMPARAÇÃO DIFERENCIAL E DISCURSIVA

  • Data: 31/01/2014
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  • Das inúmeras tecelãs de que se tem notícia, a rainha de Ítaca está, certamente, entre as mais célebres. Muitos escritores ao longo dos séculos dedicaram-se a retomar o mito de Penélope em suas obras e recontá-lo a sua maneira.De acordo com Ute Heidmann, “a recorrência de escritores modernos aos mitos gregos para produzirem seus textos é uma prática discursiva ‘renovadora’, que dá ao mito ‘novas escritas e pertinência’(2003, p.47). Esse trabalho faz uma análise comparativo-diferencial e discursiva do mito de Penélope relacionando-o com dois contos de autores brasileiros: Penélope de João do Rio (1919) e Penélope de Dalton Trevisan (1959). Para tal, temos como embasamento teórico: obras de Ute Heidmann (2003, 2006, 2008) e de Dominique Maingueneau (2006). Debruçamo-nos ainda sobre o aspecto temporal presente tanto no mito clássico de Penélope como em suas reescritas modernas de forma a identificar como cada reconfiguração desenvolve um dos atos mais célebres desse mito: a espera. Para tal, nos baseamos nos estudos de Paul Ricoeur (2006), Hans Meyerhoff (1976) e Benedito Nunes (1988).

  • VALDIR MOREIRA DA SILVA
  • No céu da boca das gentes, tem estrela e maravilhas: atualização e permanência das narrativas populares nos Contos de enganar a morte

  • Data: 28/01/2014
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    O presente estudo consiste em análise comparativa – objetivando ressaltar a atualização e a permanência – entre narrativas populares tradicionais, próprias da tradição oral, em especial as coligidas por Luís da Câmara Cascudo, em Literatura oral no Brasil (1984), vinculadas à categoria dos Contos de Demônio Logrado e do Ciclo da Morte, e os Contos de enganar a morte (2004), do ficcionista, ilustrador e pesquisador de cultura popular Ricardo Azevedo. Nesta obra, traços e motivos recorrentes nas narrativas orais estão vivos e duradouros, evidenciando a permanência das narrativas tradicionais, difundidas na Idade Média (SARAIVA, 1996; DUBY, 1988; 1990), atualizadas na contemporaneidade especialmente pelo gênero literário conto. Defende-se que o caráter simbólico, lúdico e o humor inerentes a essas narrativas orais (ZUMTHOR, 1993; BURKE, 2010) são bens culturais próprios de uma tradição popular que se difunde, se atualiza e se mantém pela memória (BOSI, 2006; BRANDAO, 2008) de narradores artesanais anônimos (BENJAMIN, 1994), poetas e cantores de cordel (FERREIRA, 1979) ainda existentes nos recônditos dos sertões brasileiros, detentores de um saber tradicional não instituído, mas polifônico, dialógico e democrático em essência (COELHO, 1991, 2003; TURCHI, 2004; BAKHTIN, 1996). Boa parte dessas narrativas que têm se tornado clássicos catalogados como “Literatura Infantil” são maravilhas nascidas na boca do povo e muito após é que se popularizaram em adaptações do mercado literário (COELHO, 1991; BENJAMIN, 1994). Além disso, ao lado do povo que sabe e ainda conta estórias de Trancoso e de Fadas, o gênero literário conto tem podido manter em circulação os mesmos assuntos sucessivamente renovados (CASCUDO, 1984), possibilitando o resgate da narrativa oral tradicional, bem como a compreensão e valorização tanto da tradição popular oral quanto da renovação imposta por nosso tempo, perenizando-se a concepção estética filtrada por elementos sociais sincrônicos e diacrônicos (CÂNDIDO, 1976), sem perder de vista a singularidade e a autonomia da obra literária.

     

  • RODRIGO SLAMA RIBAS
  • OS ROSTOS DA POBREZA BRASILEIRA:

    Análise crítica dos discursos do governo federal, da Veja e da CUFA

  • Data: 22/01/2014
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  • A nossa constituição prega que todo brasileiro tem direitos básicos à sua sobrevivência, como educação, saneamento básico e comida, no entanto, este direito é um luxo para alguns. Pensando nisso, este trabalho se propõe a desenvolver uma análise crítica a respeito da (re)produção do discurso sobre a pobreza, e, consequentemente, sobre o pobre, proferido pelo governo federal, através do site oficial do plano Brasil Sem Miséria; pela mídia, representada pela revista Veja; e pelos que se afirmam os representantes do pobres; como a Central Única das Favelas – CUFA. Nosso objetivo é apresentar uma reflexão crítica acerca dos discursos sobre a pobreza na voz do governo, da Veja (representante da mídia) e do CUFA (representante do pobre) e suas contribuições para a construção das significações do tema na sociedade brasileira, para tanto, identificamos categorias, baseados em Bajoit (2006a), para classificar o que o autor chama de “rostos da pobreza”. Utilizamos, desta maneira, a Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso, ASCD, de acordo com Pedrosa (2012a, 2012b, 2012c), dentro do quadro da Análise Crítica do Discurso como aparato teórico, além dos estudos que fundamentam a ASCD como corrente da ACD, tal qual a Sociologia para a Mudança Social (BAJOIT, 2006b), os estudos culturais (HALL, 2005), e a Linguística Sistêmico-Funcional, sobretudo o Sistema de Avaliatividade (MARTIN & WHITE, 2005; VIAN JR et al, 2011). Deste modo, o discurso sobre a pobreza ou de combate à miséria, extraído de notícias, crônicas e demais gêneros dos referidos veículos, serve de objeto para a compreensão das identidades que se criaram e se renovam sobre a pobreza e sobre os pobres brasileiros, como a sua dependência do governo e da sociedade civil, da sua exploração pela economia, e, inclusive, pela mídia que o caracteriza, algumas vezes, como delinquente.

  • ELOISA ELENA PRATES BOEIRA
  • PELO ESCURO: a poesia afro-brasileira de Oliveira Silveira


  • Orientador : TANIA MARIA DE ARAUJO LIMA
  • Data: 10/01/2014
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  • RESUMO

     

    O presente estudo traz uma reflexão sobre os discursos culturais afro-brasileiros e o lugar ocupado pela poesia em meio a uma sociedade racista. A pesquisa tem como propósito fazer uma análise dentro das teorias culturalistas da poesia de Oliveira Silveira. Leva-se em consideração a relação do poema de Oliveira com as propostas do movimento da Negritude e o diálogo lúcido que o mesmo estabelece com poetas vinculados ao referido movimento. Analisa-se como Silveira sugere dentro da literatura a negritude como uma forma de interseção na poesia brasileira. A proposta aqui apresentada observa também a hibridez na poética de Oliveira Silveira ao se enfatizar um olhar sobre uma escrita comovida pelo traço do entre-lugar do discurso, destacando-se, sobretudo, na produção literária brasileira em seus recortes às condições sociais e culturais do lugar. Analisa-se a caracterização de uma literatura gerada pelo tom de denúncia ao desconstruir historicamente o que há muito se estabelece como “democracia racial”. Em cumplicidade com a poesia regional do Rio Grande do Sul, a poesia de Oliveira é como um tambor, pois vem permeada pela diversidade de ritmos que traduzem o legado da cultura negra mundo afora. Essa pesquisa sustenta-se nos estudos da Negritude e da Identidade na literatura afro-brasileira, que se caracteriza como um movimento de consciência pela reconstrução ou mesmo revisão histórica do que foi apagada no calabouço dos navios negreiros. As leituras de Eduardo de Assis Duarte fomentam novos questionamentos, põe em dúvidas a existência de uma identidade essencialista. Aponta-se nessa travessia para uma pluralidade de identidades, construídas por grupos culturais na encruzilhada dos diversos momentos históricos. Analisam-se, portanto, a crítica que Stuart Hall ao considerar as ideias diaspóricas, as fronteiras das margens no universo da pós-colonização. Por fim, uma encruzilhada de caminhos ao se pensar a partir de Kabengelê Munanga o discurso da negritude e da identidade negra nas relações sociais e culturais afrodescendentes.

     

     

     

     

     

     

     

2013
Descrição
  • IVONE RODRIGUES DINIZ MONTEIRO
  • AS PRÁTICAS EXITOSAS DE LEITURA NO ENSINO FUNDAMENTAL: VOZES SOCIAIS DE PROFESSORES E DE ESTUDANTES.

  • Data: 19/12/2013
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    A escola é o lugar social o qual deve propiciar a formação de leitores críticos. Nesse contexto, o papel do professor é fundamental no que se refere ao ensino de leitura. Assim sendo, esta pesquisa de doutorado visa explicitar as práticas de leitura a partir das vozes sociais de professores e de estudantes do Ensino Fundamental das escolas públicas estaduais do RN que apresentam resultados exitosos, conforme o IDEB 2009. Ademais, busca-se explicitar, por meio dos posicionamentos dos professores, as concepções de leitura subjacentes às suas atividades de leitura, bem como elucidar as vozes sociais sobre o ensino da leitura presentes nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 anos e nos Projetos Político-Pedagógicos das instituições educacionais investigadas. Para tanto, foram realizadas: observação em sala de aula, aplicação de questionários com professores e estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental, nas turmas de Língua Portuguesa, como também encontros dialógicos com as equipes de direção e pedagógicas das escolas. O aporte teórico que orienta a pesquisa advém do pensamento bakhtiniano (2009, 2010), que trata da perspectiva dialógica da linguagem e da compreensão responsiva ativa. Além disso, este trabalho ancora-se nas reflexões teóricas de Antunes (2005, 2009) e Geraldi (2003, 2006, 2010) acerca da leitura e da escrita no país, as quais contribuem para o redimensionamento do processo de ensino‑aprendizagem de Língua Portuguesa. Este estudo se insere no campo da Linguística Aplicada, a qual investiga a linguagem como prática social no contexto de aprendizagem de língua materna ou em contextos onde se evidenciem questões relevantes sobre o uso da linguagem. São adotados os parâmetros da pesquisa qualitativa de cunho sócio-histórico procurando compreender o contexto escolar por meio dos sujeitos envolvidos na investigação. O corpus da pesquisa é constituído por: (i) informações construídas por meio da aplicação de questionários com os professores e os estudantes; (ii) informações construídas a partir da aula observada e do diálogo com as equipes de direção e pedagógicas; (iii) um conjunto de informações selecionadas, ou seja, de empiria construída por meio da análise documental das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de nove anos (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2010) e dos Projetos Político‑Pedagógicos das escolas investigadas. A análise dos dizeres de professores e de estudantes apontam práticas de leitura a partir de textos diversos, em especial, os da esfera literária, em atividades envolvendo discussões, leitura e exercícios de compreensão textual, entrevistas, canções, organização de seminários, recitais, dramatizações, semanas literárias, dentre outras práticas. Ademais, tais análises revelam que ensinar Língua Portuguesa requer compromisso, responsabilidade e satisfação, além de princípios teóricos mais fundamentados, os quais tornam a prática pedagógica cada vez mais eficiente. A pesquisa revela, ainda, que o êxito do processo de ensino-aprendizagem ocorre em virtude do envolvimento dos segmentos da escola no processo educativo, criando-se, pois, uma rede de responsabilidades. Nesse sentido, esta pesquisa poderá contribuir para a produção de conhecimentos que possam orientar e enriquecer o processo de ensino-aprendizagem de leitura, vislumbrando um fazer pedagógico construído a partir da relação com o outro, ou seja, do dialogismo que proporcione a formação de jovens que exerçam sua cidadania.

  • JOCIANE DA SILVA LUCIANO
  • O DISCURSO HUMORÍSTICO NAS CHARGES DA TRIBUNA DO NORTE

  • Data: 17/12/2013
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  • Nesta dissertação, ocupamo-nos em analisar a constituição e o funcionamento do discurso humorístico no gênero discursivo charge a partir do reconhecimento e análise das técnicas de humor utilizadas para se chegar aos efeitos de sentido pretendidos. Para tanto, utilizamos os pressupostos teórico-metodológicos da Análise do Discurso Francesa, doravante (AD), para a realização da pesquisa. Especificamente sobre as técnicas de humor, apoiamo-nos em autores como Possenti (1998, 2010) e Propp (1992) para ver como esses procedimentos estão presentes nas charges e formam o discurso do humor. Com base nesse objetivo, 10 (dez) charges, que tratam de episódios referentes à gestão da prefeita Micarla de Souza na cidade do Natal-RN, publicadas no jornal Tribuna do Norte, durante o ano de 2012, foram analisadas. A pesquisa se inscreve na área de estudos da Linguística Aplicada e é qualitativa, de natureza interpretativa. Na primeira parte do trabalho, fizemos um resgate das fundamentações da Análise do Discurso, discutindo o conceito de interdiscurso; em seguida, discorremos sobre a noção de gênero do discurso na perspectiva da AD, e sobre o próprio gênero charge, uma vez que trabalhamos com a charge como sendo um gênero discursivo; por último, tratamos do discurso humorístico presentes nas charges. Posteriormente, desenvolvemos as análises, procurando ilustrar o postulado de que todo texto se constitui a partir de determinadas condições de enunciação; que a relação existente entre as charges e o interdiscurso é uma relação constitutiva, que faz emergir determinadas charges/discursos e não outros e, principalmente, que técnicas de humor são utilizadas estrategicamente pelo chargista orientando o discurso para possíveis efeitos de sentido. Os resultados desta dissertação constatam que as relações discursivas são relações de sujeitos e de sentidos, que o discurso chargístico é construído a partir de dizeres e discursos outros, e que determinados procedimentos/técnicas textuais e discursivas, como a paródia, a ironia, o rebaixamento do outro, a ambiguidade e o deslocamento são mobilizados no texto para gerar o possível efeito da comicidade, construindo assim o discurso humorístico das charges analisadas.  

  • MARIA APARECIDA DA SILVA MIRANDA
  • “Efeitos de sentidos das não-coincidências do dizer na escrita acadêmica”

  • Data: 16/12/2013
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  • Esta dissertação, cujo título é “Efeitos de sentidos das não-coincidências do dizer na escrita acadêmica”, originou-se de estudos e reflexões desenvolvidos no interior do Grupo de Pesquisa em Estudos do Texto e do Discurso – GETED - Departamento de Letras da UFRN. A temática da pesquisa surgiu a partir de trabalhos desenvolvidos pelo grupo, motivados por estudos realizados por Fabiano (2004; 2007). Tais pesquisas problematizam questões relativas à escrita como produção de conhecimento na Universidade e tem como base teórica a Análise do Discurso de linha francesa. Nesta pesquisa, partimos dos conceitos de heterogeneidade de Authier-Revuz (1998, 2004; 2000; 2011) no que concerne a heterogeneidade constitutiva e a heterogeneidade mostrada, marcada e não marcada na materialidade linguística do enunciado, representada linguisticamente por expressões em que o enunciador se desdobra em dois, um que diz e o outro que se pronuncia de algum modo sobre esse dizer, produzindo formas linguísticas “inventariáveis”, reveladoras da refletividade em torno da própria enunciação. Trata-se de momentos pontuais do enunciado, nos quais, normalmente, uma comunicação transparente dá lugar ao outro na materialidade do texto, faz revelar a não-coincidência do dizer, princípio constitutivo de todo discurso. A escrita acadêmica tomada como produção de conhecimento coloca naquele que escreve a necessidade de encontrar formas de se relacionar com o conhecimento culturalmente produzido. Nesse contexto, nos interrogamos: Como um pesquisador em formação se relaciona com a teoria ao mobilizar um conceito de área e colocá-lo em funcionamento?  Para tanto, propomos como objetivo geral, analisar marcas linguísticas que indiciem como um sujeito em formação se relaciona com a(s) teoria(s). Como objetivos específicos, propomos: a) verificar, por meio da análise de expressões linguísticas, o modo como o pesquisador interpreta conceitos bakhtinianos, organizando e reformulando-os em seu texto e, b) analisar como um conceito de área é mobilizado na análise dos dados.  O corpus é constituído por um conjunto de dez dissertações de mestrado da área de linguística que abordam conceitos bakhtinianos, defendidas no período de 2001 a 2009 em diferentes universidades do país, disponíveis no Portal de Domínio Público - CAPES. Para compor um recorte metodológico, selecionamos três dissertações entre as dez que denominamos por: D1 /2001; D2 /2006; D3/ 2008. Para a análise, os excertos foram transcritos das dissertações tendo como referência a comparação entre o texto fonte (textos de autores citados pelo pesquisador) e textos produzidos por estes. A hipótese é a de que, ao mobilizar um conceito teórico o pesquisador se utiliza de procedimentos linguísticos, nos quais, é possível identificar marcas linguísticas que podem demonstrar a relação que estabelece com as leituras realizadas ao longo de sua formação. Nos excertos analisados, observamos formas linguísticas (discurso direto e indireto, verbos, pronomes, conectores, nomes de autores, discurso segundo) que produzem diferentes efeitos no modo como o pesquisador se relaciona com a teoria. Essas expressões linguísticas “inventariáveis” revelam no fio do dizer a lida do sujeito com o legado cultural que o precedeu.

  • ADRIANO CÉSAR LIMA DE CARVALHO
  • O DISCURSO DO GROTESCO NA MÍDIA DIGITAL

  • Data: 16/12/2013
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  • Apresentamos, nesta dissertação, um estudo sobre o discurso do grotesco na mídia digital, especificamente em dois blogs. Apoiamo-nos sobre a base teórico-conceitual e metodológica da Análise do Discurso de Escola Francesa na leitura e interpretação de um conjunto de postagens dos blogs "Eu Sou Ryca" e "Cleycianne", partindo das proposições sobre o grotesco segundo Mikhail Bakhtin (1999a), Muniz Sodré e Raquel Paiva (2002), Wolfgang Kayser (2003) e Mary Russo (2000). O grotesco surge, inicialmente, como uma característica expressiva das pinturas ornamentais encontradas nas grutas romanas, no final do século XV, e hoje pode ser visto permeando desde esculturas, quadros, obras literárias, programas de auditório para a televisão, a vídeos hospedados no ciberespaço, no coletivo domínio dos weblogs. As expressões discursivas do grotesco analisadas nos blogs em questão resultam, predominantemente, em efeito humorístico, obtido, sobretudo, por meio de ironias e parodização, em que se apela para a ridicularização e para o rebaixamento, através de uma forte tensão entre o "belo" e o "feio", o socialmente aceitável e a aberração, o gosto pelo estranho e pelo esteticamente chocante. Este trabalho busca analisar como o discurso do grotesco constitui o processo humorístico, a partir da sua inserção no ciberespaço.

  • YANE DE ANDRADE RAMALHO
  • O EXÍLIO NO ROMANCE PRIMAVERA COM UNA ESQUINA ROTA DE MARIO BENEDETTI

  • Data: 12/12/2013
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  • A presente dissertação analisa as vozes discursivas e as representações do exílio no romance Primavera con una esquina rota (1983) do escritor uruguaio Mario Benedetti (1920-2009). Pretendemos mostrar que a obra estudada traz uma reflexão histórica sobre a sociedade uruguaia da época da ditadura militar do início dos anos 70. Observamos que esse contexto histórico, presente no enredo, fortalece a sua verossimilhança, o que contribui para localizar o tempo e o espaço da obra, possibilitando-nos verificar a predominância da temática do exílio e seu impacto na vida das personagens. Buscando estabelecer um eixo condutor da obra de Mario Benedetti, tratamos inicialmente das considerações biográficas e observamos que o tema do exílio é reiterado em outras obras do autor. Por fim, analisamos a obra sob um aspecto histórico, no sentido de observar as relações entre literatura e sociedade junto às teses de Candido (2000), trabalhando a temática do exílio com ajuda de Said (2005a; 2005b), verificando as estruturas discursivas com Bakhtin (1988) e estabelecendo os vínculos com as conjunturas literárias que Benedetti viveu participando da geração de 45 da literatura uruguaia (MONEGAL, 1966; RAMA, 1972; 2008).

  • ELZA MARIA SILVA DE ARAÚJO ALVES
  • MODALIZAÇÃO AUTONÍMICA: UM ESTUDO DE UTILIZAÇÃO E APROPRIAÇÃO DO DISCURSO SOBRE OS CONCEITOS DE VARIAÇÃO E DE MUDANÇA NA ESCRITA DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DE 1970 - 2011

  • Data: 05/12/2013
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  • Esta pesquisa parte de reflexões desenvolvidas no interior do Grupo de Pesquisa do Texto e do Discurso – GETED do Departamento de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e insere-se no campo da Teoria da Enunciação. Refletimos sobre a produção escrita no ensino superior, mais especificamente, tomando como objeto de análise as formas reflexivas da língua utilizadas na escrita de dissertações de mestrado. Centramos este estudo nos pressupostos teóricos de Authier-Revuz (1998, 2004), no que se refere à heterogeneidade enunciativa e nos seus exteriores teóricos. Nesse sentido, fizemos um recorte no corpus, inicialmente constituído por 8 (oito) dissertações de mestrado e selecionamos 4 (quatro) defendidas nos anos de 1979, 1989, 2000 e 2011, para representar o que pretendemos analisar. Essas dissertações foram selecionadas do acervo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – USP e dos programas de Pós-Graduação, disponíveis no Portal Domínio Público – CAPES. Nosso intuito é analisar marcas da “modalização autonímica” na utilização e apropriação do discurso outro sobre os conceitos de variação e de mudança na escrita dos pesquisadores em formação. Para tanto, empregamos o termo “utilização” com o sentido de fazer uso do discurso do outro na escrita do trabalho de pesquisa e relacionamos ao conjunto de formas marcadas, que tem na cadeia discursiva um estatuto outro que justifica a autonímia. Já o termo “apropriação”, usamos com o sentido de tomar como seu, uma vez que no processo de modalização do discurso, o enunciador se vale de palavras porosas, ou seja, palavras que aparecem no discurso de um, carregadas do discurso do outro. Buscamos responder à seguinte questão: quais as marcas de ‘utilização’ e de ‘apropriação’ do discurso do outro na escrita do pesquisador em formação? Dessa forma, temos como objetivos: a) verificar, no corpus selecionado, como o discurso sobre os conceitos de variação e de mudança são utilizados na escrita das quatro dissertações já mencionadas; b) analisar como o pesquisador em formação mostra, em sua escrita, os diferentes modos de se apropriar desses conceitos. Por meio da análise, foi possível observar que quando o pesquisador se utiliza dos conceitos, a escrita se apresenta marcada por estratégias linguísticas que demonstram o discurso do pesquisador se constituindo a partir da teoria e do objeto investigado. E, na apropriação, esse processo se apresenta de duas formas: como processo dialógico e como processo reflexivo. No primeiro, tem-se a constituição do discurso do pesquisador se realizando, como forma de diálogo entre os interlocutores, e no segundo como forma de reflexão, realizada por meio de um comentário, de uma “metaenunciação”. Nessa última, o pesquisador pode ou não transmudar seu discurso.  Acreditamos, portanto, haver três processos de escrita: aquela traduz algo já dito, aquela que experimenta algo já dito e aquela que transmuda - que produz um novo, que cria, que inventaria - .

  • MARLYTON DA SILVA PEREIRA
  • OS YOUTUBERS E A REPRESENTAÇÃO DO CERTO, ERRADO, ADEQUADO E INADEQUADO NO TRABALHO COM A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA EM SALA DE AULA

  • Orientador : MARIA HOZANETE ALVES DE LIMA
  • Data: 02/12/2013
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  • Algumas das atuais discussões no ensino de Língua Portuguesa (LP) dizem respeito a como se deve lidar na escola com o fenômeno da variação linguística em sala de aula. No ano de 2010, por exemplo, houve uma explosão de falares fora dos círculos acadêmicos que envolveu a população no que respeita à viabilidade e as consequências no trato com a variação linguística no espaço escolar. O estopim dessa explosão foi o fato de que se considerava que o MEC (Ministério da Educação e Cultura) adotara um livro didático destinado à EJA (Educação de Jovens e Adultos) que parecia – aos  olhos de muitos, acadêmicos e leigos – anunciar ser “certo” ensinar “errado”, bastando o “erro” ser recorrente e estar sedimento em alguma comunidade linguística. O livro, titulado “Por uma vida melhor”, 2º volume da coleção “Viver, Aprender”, dos autores Heloísa Ramos et. al., reservou um capítulo específico para problematizar a questão da variação linguística e das relações entre a oralidade e escrita. Para tanto, concentrou as discussões em torno das  noções de variedade culta, padrão popular mensurando-as à possibilidades de adequabilidade linguística.  Neste sentido, um falante da língua, de acordo com o LD, poderia fazer certas “escolhas linguísticas” para fazer uso delas em contextos interacionais diferentes: assim, eleger entre “os menino bonito” ou “os meninos bonitos” dependeria da necessidade contextual em que o sujeito estaria inserido. A comunidade surpreendeu-se com a defesa do “poder” usar, uma vez que seria a escola o espaço de ensinar uma norma “padrão”, e não legitimar a possibilidade de uso de padrões gramaticais que destoavam daquelas preconizados nas gramáticas tradicionais. A imprensa televisiva foi uma das grandes responsáveis em alardear que o MEC havia endossado a utilização, nas escolas, de um livro que legitimava tais padrões linguísticos – mesmo que fosse recorrente na “boca” do povo. A querela foi lançada no Youtube e, nesse espaço, internautas  manifestavam-se a favor ou contra a proposta do LD, muitas vezes direcionando as discussões para questões de ordem exclusivamente políticas. Observamos que, de um lado, erguiam-se argumentos relacionados à Sociolinguística (BAGNO, 2003, 2005, 2007; BAGNO, M.; STUBBS, M.; GAGNÉ, G., 2006; BORTONI-RICARDO, S. M., 2008; TARALLO, F., 1982; WEINREICH U., MARVIN I. HERZOG, LABOV, W., 1968; LABOV, 1972; etc); de outro, argumentos concentravam-se em defender que a escola é o espaço de ensino de língua padrão e não caberia trazer determinadas discussões no interior de um LD. Foi, a partir dessas falas, que nasceu esta pesquisa. Interessou-nos o modo particular como a comunidade midiática, que parecia não ter formação em Linguística, entendia as noções de certo, erradas, adequadas e inadequadas, tão íntimas nos círculos acadêmicos. Nossas reflexões tomam como referência teórica os estudos sociolinguísticos sobre a questão da variação e ensino, documentos oficiais que orientam o “trabalho” com a língua portuguesa em sala de aula, a exemplo dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) e da Proposta Curricular para a Educação de Jovens e Adultos (PCEJA). Em nossa análise, observamos que o LD “Por uma vida melhor” não faz apologia ao ensino do “erro”, mas levanta discussões sobre a possibilidade da “variação”, ligada a fatores e ordem diversa. Anda assim, não pudemos deixar de lado um fato significativo: o LD “cria” dados de “fala”, quando seria mais interessante fazer uso de dados “reais” – no Brasil, é possível encontrar projetos que têm como objetivo a coleta de dados de fala, a exemplo do Projeto NURC (Projeto de Estudo da Norma Linguística Urbana Culta no Brasil) e do Projeto  “A língua falada e escrita na cidade do Natal”, corpus organizado pelo Grupo de Pesquisa “Discurso & Gramática” (UFRN). Percebemos o quão significativo é observar como falantes de uma língua se posicionam em relação ao ensino da língua da qual são eles falantes e não estudiosos. Nosso estudo mostrou, ainda, que certas questões no tocante ao ensino da língua portuguesa, como é o caso da variação linguística, estão longe de ser pontos resolvidos, seja para linguistas, seja para falantes da língua.

  • AUCINEIDE MARQUES DE OLIVEIRA
  • VESTÍGIOS DE PERMANÊNCIA E MUDANÇA DOS CLASSIFICADOS DO JORNAL TRIBUNA DO NORTE ( 1951-2010)

  • Data: 14/11/2013
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  • O texto, ao se realizar em diferentes esferas linguísticas, em muitos aspectos absorve os processos mutáveis pelos quais a língua passa em decorrência das mudanças sócio-históricas. Nesse sentido, esta pesquisa propõe um estudo sobre o gênero classificados, motivada pelo desejo de compreender como o texto incorpora os vestígios de mudança e como mantém os seus elementos constitutivos ao longo do tempo, a fim de apontar quais são os seus traços característicos. Nossa análise está centrada nos classificados do Jornal Tribuna do Norte, do estado do Rio Grande do Norte, entre os séculos XX e XXI. A partir do levantamento dos dados foi realizada uma análise descritiva e analítica com um corpus constituído de 200 classificados, divididos entre os anos de 1951 a 2010. Baseando-nos em uma análise diacrônica, também buscamos investigar os aspectos macroestruturais do gênero e os elementos microestruturais composicionais da seção Oportunidades que originou o Caderno dos Classificados. Para isso, esta abordagem centrou-se especialmente na Filologia Românica alemã, principalmente nos trabalhos de Coseriu (1980) e Kabatek (2006). A análise revelou que desde o seu surgimento no Brasil, os classificados apresentam elementos constitutivos fixos, como o uso do “vende-se” e “aluga-se” no título ou na introdução do texto, mas também apresenta vestígios de mudança no fechamento do texto, e, especialmente com relação à divisão dos classificados por área de interesse, que no jornal Tribuna do Norte iniciou na seção Oportunidades.

  • RUDSON EDSON GOMES DE SOUZA
  • Didática do Plurilinguismo: efeitos da intercompreensão de línguas românicas na compreensão de textos escritos em português

  • Data: 04/11/2013
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  • Neste estudo exploratório, apresentamos algumas leituras como em Doyé (2003), Carrasco Perea (2003), Melo, Araújo e Sá (2004), Chavagne (2009) e Alas-Martins (2010; 2011) com o objetivo de verificarmos alguns traços de como a abordagem plurilíngue pode constituir-se em uma tendência na melhoria da compreensão da escrita de textos em língua materna, e quanto pode colaborar para uma melhor percepção do sujeito quanto ao mundo ao seu redor com todas as suas diferentes nuances. Consiste em descrever a metodologia e alguns resultados de pesquisa que proporcionaram a inserção experimental da disciplina denominada de Intercompreensão de Línguas Românicas (ILR) na matriz curricular no município de Natal/RN/Brasil tendo como justificativa o elevado grau de analfabetismo funcional observado entre jovens de até 15 anos, segundo dados do IBGE de 2010. Os resultados foram verificados por meio de pesquisa-ação experimental mista caracterizada por Lewin (1946), Nunan (1992), Thiollent (1994) e Trip (2005) na Escola Municipal Professora Terezinha Paulino de Lima e Escola Estadual Professora Ana Julia de Carvalho Mousinho, com 95 alunos dos anos finais do ensino fundamental. O corpus decorrente desta investigação foi submetido a uma série de técnicas condensadas, como o teste não paramétrico de Kruskal e Wallis (1952) e o teste paramétrico ANOVA, em esforço para conferir um maior rigor à análise dos resultados apontados pelo caderno de atividades de ILR. O estudo possibilitou a investigação de estratégias de compreensão de línguas sob a perspectiva de autores como Ringbow (1987), Giacobbe (1990), Alarcão (1991; 2009a e 2009b), Corder (1992), Castellotti (2001) e Degache (2005), além da transferência dessas competências para a aprendizagem do português como apontado por Meissner, Klein e Stegmann (2004).

  • ROBSON TEOTÔNIO DA SILVA
  • A prisão sem muros da Queer Theory nos contos Dama da noite e O rapaz mais triste do mundo de Caio F. Abreu

  • Data: 31/10/2013
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    RESUMO
     
    Nesta dissertação, analisa-se, sob uma perspectiva comparatista, a relação entre os contos: ‘A Dama da noite’ e ‘O rapaz mais triste do mundo’, de Caio Fernando Abreu. Com intuito de revelar, analisar, estabelecer diálogos sígnicos com a Queer Theory, busca-se, acima de tudo, fazer uma desleitura pautada na contextualidade discursiva da literatura contemporânea. Objetivando, assim, justificar e esclarecer às inúmeras questões que surgem nas relações emblemáticas de personagens que estão presentes no texto e contexto cultural, histórico e social. Destaca-se, ainda, que os enunciados de valor comparativo identificados nas obras, dadas às singularidades de cada uma delas, não possibilitam classificá-las apenas como ‘figuras de retórica’ das quais a comparação pode ser citada como exemplo. Neste caso, elas servem para nortear os caminhos que possam nos levar a compreender melhor o paralelismo criado entre o mundo de valores e adjetivos binários sugeridos pela sociedade e tão bem retratados nas ideias e textos de Caio Fernando Abreu.
  • REGINA LÚCIA DE MEDEIROS
  • Entre mortos e vivos: a escrita ensaística de Prelúdio e fuga do real

  • Data: 30/10/2013
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  • O presente trabalho consiste numa análise integrativa do Prelúdio e fuga do real, do norte-rio-grandense Luís da Câmara Cascudo. Editado pela primeira vez em 1974, esse livro é fruto da maturidade do escritor, e sua escrita revela, como procuramos demonstrar, traços recorrentes na produção cascudiana, apresentando diálogos entre um “eu-ficcionalizado” do próprio autor, que atende ao vocativo de “professor”, e escritores e personagens da literatura ocidental, figuras religiosas e míticas, assim como personalidades políticas. Tendo em vista a própria natureza do seu texto, nossa pesquisa tem como objetivo principal analisar as relações dialógicas que caracterizam a tessitura do livro, a fim de compreender em que medida elas contribuem para definir o posicionamento de seu autor frente à tradição ocidental e sua reflexão sobre a experiência do homem na modernidade. Entre essas relações, ressalta, no Prelúdio, o diálogo literário que a escrita cascudiana trava com a escrita ensaística do pensador francês Michel de Montaigne. Embora o corpus desta dissertação seja composto pelo Prelúdio e fuga do real, acrescentamos a ele dados secundários coletados em outros lugares da obra cascudiana, necessários para o cruzamento de informações e para o esclarecimento de alguns pontos obscuros. No tocante à fundamentação teórico-metodológica desta pesquisa, recorremos à análise integrativa (CANDIDO, 1971; 2002), à concepção bakhtiniana da linguagem (BAKHTIN, 1988, 1992, 2002) e às contribuições de Gómez-Martínez (1992) acerca do gênero “ensaio”. 

     

     

  • FRANCISCO WILDSON CONFESSOR
  • , , ALI e AQUI: gramaticalização de um paradigma emergente no domínio funcional da especificação nominal

  • Data: 25/10/2013
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  • Este trabalho tem como objetivo geral mostrar, com base em propriedades morfossintáticas e semântico-pragmáticas, que AQUI, AÍ, ALI e LÁ integram, no português brasileiro contemporâneo, um paradigma emergente – de constituição recente e ainda em andamento – de formas indicadoras de especificidade em sintagmas nominais indefinidos. Os dados que constituem o corpus desta pesquisa foram coletados em grandes corpora orais brasileiros, a saber: o Corpus Discurso & Gramática: a língua falada e escrita na cidade de Natal (FURTADO DA CUNHA, 1998), o Banco Conversacional de Natal (FURTADO DA CUNHA, 2011), o Projeto Variação Linguística no Estado da Paraíba – VALPB (HORA, 2005) e o Projeto Variação Linguística Urbana na Região Sul do Brasil – VARSUL (VANDRESEN, 2002). Sob a perspectiva teórica da Linguística Funcional, em sua vertente norte-americana (HOPPER, 1987, 1991, 1998, 2008, 2010; GIVÓN, 2001; LEHMANN, 2002; HOPPER; TRAUGOTT, 2003; FURTADO DA CUNHA; OLIVEIRA; MARTELOTTA, 2003, dentre outros), descreveu-se o comportamento de AQUI, AÍ, ALI e LÁ marcadores de especificidade no que diz respeito a fatores de natureza morfossintática e semântico-pragmática. Os fatores considerados foram os seguintes: tipo de construção em que os marcadores apareceram; existência ou não de material interveniente entre o item marcador de especificidade e o nome nuclear do SN; natureza do substantivo ao qual AQUI, AÍ, ALI e LÁ se cliticizam; função sintática  do SN especificado e status informacional do SN adjungido a AQUI, AÍ, ALI e LÁ marcadores de especificidade. Buscou-se, ainda, verificar a ocorrência de implicaturas conversacionais (GRICE, 1982) nos contextos de uso de AQUI, AÍ, ALI e LÁ marcadores de especificidade. Em seguida, procurou-se esboçar uma possível trajetória de gramaticalização por que AQUI, AÍ, ALI e LÁ marcadores de especificidade passaram, a partir de sua função fonte de dêiticos espaciais, até virem a integrar o SN indefinido.

  • ELDIO PINTO DA SILVA
  • Experiência, Memória e Humor: Representações Sociais em As Filhas do Arco-íris e em Primeiras Estórias 

  • Data: 14/10/2013
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  • Este trabalho analisa As Filhas do Arco-Íris, de Eulício Farias de Lacerda, destacando relações entre personagens como o padre, o coronel, o cego, o louco, o bêbado, o menino, o velho. Verificou-se a configuração de problemas, conflitos, condições de vida e transformações da sociedade. A preocupação desta pesquisa deriva do tratamento narrativo em torno dessas personagens de representação social na literatura. Assim, as condições sociais são interpretadas para evidenciar e confrontar: discriminação, amizade, conflito, respeito, marginalização, memória social. Também são estabelecidas comparações entre personagens de Guimarães Rosa em Primeiras Estórias com As Filhas do Arco-Íris, enfatizando considerações sobre o narrador, as inter-relações, organização da sociedade, regionalismo e relações entre literatura e processo social. Esta pesquisa tem por base o conceito de sistema literário consolidado idealizado por Antonio Candido e os postulados de estudiosos e teóricos da literatura e da representação social, entre eles: Walter Benjamin, Jacqueline Held, Mikhail Bakhtin, Roland Barthes, Ana Paula Pacheco, Serge Moscovici, François Laplantine, Liane Trindade.  

  • CARLOS HENRIQUE DA SILVA
  • Ô DE CASA, COM LICENÇA, POSSO ENTRAR? SÃO OS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE E SUAS PRÁTICAS DE LETRAMENTO NO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA

  • Data: 30/09/2013
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  • Os estudos sobre as atividades de linguagem no âmbito do trabalho têm despertado o interesse da academia no sentido de compreender sua importância na vida dos sujeitos e do mundo que o cerca, assim, não é exagero caracterizar a relação entre linguagem e trabalho como “visceral” (DUARTE; FEITOSA, 1998). Nesse sentido, este trabalho objetiva descrever práticas de letramentos efetivadas por Agentes Comunitários de Saúde (ACS) em serviço no Programa Saúde da Família (PSF) no intuito de compreender como se desenvolve a escrita nessa área. Para tanto, utilizaremos algumas categorias basilares dos estudos de letramento propostas por Hamilton (2000), as quais compreendem elementos como participantes, domínio, artefatos e atividades. Como pressupostos complementares, lançaremos mão de aspectos da teoria das representações sociais (MOSCOVICI, 1984; 2003; JODELET,1994;2001), dos estudos que versam sobre linguagem e trabalho (DUARTE; FEITOSA, 1998; NOUROUDINE, 2002), assim como da teoria dos gêneros (BAKHTIN, 2011; BRAKLING, 2012), dentre outras. Trata-se de pesquisa de caráter qualitativo na medida em que resulta da interação entre pesquisador e colaboradores (STAKE, 2011), por meio da utilização de técnicas do perguntar e do registrar com vista a depreender melhor as práticas de letramento em estudo. As descrições realizadas revelam que as práticas de escritas implementadas pelos ACS constituem-se registros que atendem ao cumprimento dos objetivos estabelecidos pelo PSF no tocante à assistência básica de saúde. A relevância da pesquisa situa-se na observância de uso de práticas de letramentos que ultrapassam as já propostas pelo Ministério da Saúde, que é o caso dos relatórios de monitoramento. Outro aspecto importante diz respeito à possibilidade deste trabalho expandir as discussões sobre letramentos, direcionando o foco para as atividades laborais, mais especificamente para a esfera das políticas públicas em saúde, já que o foco nos trabalhos sobre letramento ainda está direcionado ao domínio escolar.

  • LUCIA CHAVES DE OLIVEIRA LIMA
  •  A transitividade na conversação: uma abordagem funcional centrada no uso

  • Data: 30/09/2013
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  • Esta dissertação toma como objeto de estudo o fenômeno da transitividade na conversação. O objetivo é examinar como os predicados se comportam no discurso do português brasileiro e, em seguida, comparar com as pesquisas realizadas na língua inglesa por Thompson e Hopper (2001) e na língua espanhola por Vázques (2004). No Brasil, não há pesquisas que contemplem esse fenômeno no padrão discursivo conversação, o que justifica e revela a necessidade desta pesquisa direcionada a elucidar questões que envolvem a transitividade em conversas espontâneas do dia-a-dia. Isso posto, este trabalho busca descrever, explicar e compreender a transitividade com base em dados linguísticos concretos, produzidos por falantes nativos da língua portuguesa.  Utilizamos os pressupostos teóricos da Linguística Funcional Centrada no Uso, inspirada em Hopper e Thompson (1980), Thompson e Hopper (2001), Givón (2001), Chafe (1979), Bybee (2010), . O material de análise foi constituído por conversas extraídas do corpus Banco Conversacional de Natal. (FURTADO DA CUNHA, 2011). Esperamos, através deste trabalho, contribuir de algum modo para compreensão do fenômeno linguístico pesquisado, bem como para a constituição de um quadro mais refinado acerca do fenômeno da transitividade no português contemporâneo.

  • JOSÉ ANTÔNIO VIEIRA
  • A ESCRITA DO TEXTO ACADÊMICO NA GRADUAÇÃO: MODOS DE UTILIZAÇÃO DE CONCEITOS TEÓRICOS DE UMA ÁREA DE CONHECIMENTO

  • Data: 27/09/2013
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    Neste trabalho realizamos uma discussão sobre a produção de textos acadêmicos de alunos do curso de Letras. Especificamente, analisaremos a escrita do texto monográfico, com o intuito de verificar os efeitos de sentido criados a partir das formas de marcação de outros discursos que constituem uma produção escrita. Para tanto, buscamos responder o seguinte questionamento: Como um jovem pesquisador utiliza uma teoria para se inserir em uma dada comunidade científica? Temos como objetivos: 1) analisar os recursos linguísticos, como citações, ilhas textuais e conectivos que marcam a presença da voz do outro na escrita acadêmica; e 2) observar os efeitos de sentido produzidos pelos modos que aquele que escreve marca a voz do outro na escrita. Selecionamos, inicialmente, 23 (vinte e três) monografias produzidas nos últimos cinco anos por alunos de um curso de Letras de uma dada universidade pública, mas, neste trabalho, analisamos 02 (dois) diferentes textos monográficos. Para o desenvolvimento desta investigação, nos valemos do conceito de ciência de Kuhn (2011), que aponta a existência de diferentes significados da produção de ciência no decorrer dos séculos, o que permite definir a escrita acadêmica como produção científica que desenvolve e contribui com a produção de conhecimento. Com o intuito de delimitar uma concepção de escrita que possibilite nossa investigação, nos baseamos em Coracini (2010), que apresenta a ideia de que toda escrita é a inscrição do si, ou seja, a produção escrita parte de uma intervenção do sujeito que escreve, sendo que, apenas uma imposição do “eu” o garante como autor do que escreve. Utilizamos como fundamentação teórica os seguintes conceitos: 1-) de heterogeneidade enunciativa de Authier-Revuz (2004), que nos possibilitou analisar as marcações do outro na escrita monográfica; 2-) reformulação-paráfrase de Pêcheux (1997) e polissemia e paráfrase de Orlandi (2007), conceitos que apresentam as noções de produtividade e criatividade como formas de produção de sentidos, e nos permite observar como se estabelece o processo de produção da linguagem na escrita acadêmica; 3-) conceito de valor de troca e valor de uso de Rossi-Landi (1985) que considera a linguagem como trabalho linguístico, nos possibilitando verificar as diferenças de uso e a funcionalidade social de uma teoria; e 4-) a noção de indícios de autoria apresentada por Possenti (2002), com a qual identificamos atitudes que fazem com que quem escreva se assuma como autor do seu próprio texto. Verificamos que a escrita caracterizada pela repetição e reprodução pode desenvolver um efeito de sentido que constrói a ideia de que a produção da escrita promove um autor, um conceito ou uma teoria. Também percebemos que, mesmo a escrita limitando-se a reproduzir os discursos de outros autores e não articulando uma teoria com uma análise de dados ou com a metodologia do trabalho, quando avaliada, obtém aprovação e legitima-se como produção científica. Isso demonstra a existência de produções acadêmicas que não desenvolvem uma funcionalidade da teoria empregada. O texto funciona como meio de promover sua fundamentação teórica, e esta, que normalmente configura-se como forma de argumentação e sustentação da produção científica, não exerce função no trabalho realizado. Assim, consideramos que as marcações do outro na escrita acadêmica podem funcionar de modo a destacar aquilo que o outro afirma em detrimento do dizer do pesquisador. O que nos permitiu compreender, que um modo de escrita pode evidenciar um efeito de sentido de promoção de um autor, de uma teoria ou de conceitos teóricos.

  • MARIA BETANIA DANTAS DE SOUZA
  • A ORGANIZAÇÃO DA INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNO EM SALA DE AULA: TURNOS E O PAR PERGUNTA RESPOSTA

  • Data: 02/09/2013
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  • Este trabalho se insere em um quadro de pesquisas no âmbito dos estudos interacionais (Análise da Conversação, Perspectiva Textual-Interativa e Etnografia) e tem como foco principal a interação em sala de aula, especificando aspectos de organização linguístico-discursiva partilhada entre professora e alunos, materializada em turnos, ressaltando o par pergunta-resposta na aula de língua portuguesa. Nessa direção, inspiramo-nos em alguns trabalhos acerca da organização da interação, que adotaram a perspectiva dos estudos interacionais e a abordagem etnográfica para explicitar o conhecimento real nos locais de ensino e de aprendizagem. Entre eles, citamos Galvão (1996 e 2004),  cujas discussões focalizam, respectivamente, a organização tópica em sala de aula de Língua Inglesa no ensino universitário e as digressões observadas no discurso de professor e alunos em aulas na pós-graduação. Descrevemos o processo de interação em sala de aula de Língua Portuguesa em escola pública, analisamos e interpretamos as ações do professor e do aluno, do ponto de vista linguístico-discursivo. Teoricamente, embasamo-nos na Análise da Conversação, ancorada nos postulados de Marcuschi, ([1986] 2007), Kerbrat-Orecchioni (2006), além dos estudos pioneiros de Sacks, Schegloff e Jefferson ([1974]2003); analisamos a organização da tomada de turno, seguida de uma investigação mais detalhada sobre perguntas e respostas, no discurso desenvolvido face a face. Na tentativa de compreendermos o cotidiano dos envolvidos no cenário de sala de aula, adotamos a abordagem etnográfica e o método indutivo interpretativista, na perspectiva de André (2010) e Chizzotti (2006), uma vez que utilizamos com um modelo de investigação adequado às nossas pretensões de pesquisa. A coleta dos dados se deu através de pesquisa de campo, por meio das gravações, em áudio, de aulas de Língua Portuguesa, posteriormente transcritas e transformadas em dados de pesquisa. As análises demonstram que a interação professor-aluno se organiza em trocas de turnos, concretizados, geralmente, no par adjacente pergunta- resposta. Dessa forma, os dados nos possibilitaram descrever uma tipologia de perguntas e respostas quanto à sua forma e função,  conforme os postulados teóricos de Stubbs (1983), Fávero, Andrade e Aquino (2006), além de Silva, 2006.

  • MAGDA RENATA MARQUES DINIZ
  • (SANTA) RITA DE CÁSSIA NA BOCA DO POVO DE SANTA CRUZ/RN: identidades culturais em construção

  • Orientador : MARILIA VARELLA BEZERRA DE FARIA
  • Data: 30/08/2013
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  • Objetiva investigar as identidades culturais de Santa Rita de Cássia construídas a partir das representações contidas no discurso dos moradores da área urbana do município de Santa Cruz, localizado na Mesorregião Agreste do Estado do Rio Grande do Norte. Esses moradores tornam a história da Santa plena de significação tanto para eles mesmos, em suas vidas diariamente, quanto para a sociedade. Isso é percebido pela narração da história da vida de Rita de Cássia que é contada há mais de cento e oitenta anos na cidade, aliada à quantidade de nomes de mulheres e de estabelecimentos comerciais de nome fantasia com o qualificador “Santa Rita”. No ano de 2010, com a inauguração do Alto de Santa Rita – um espaço destinado ao culto ritiano –, cresceu a quantidade de visitantes nesse município, em virtude da construção e inauguração de um monumento colossal representando a imagem de Rita de Cássia. A partir disso, novos aspectos sociais, culturais, religiosos e políticos passaram a fazer parte da realidade santa-cruzense, fazendo com que os moradores tivessem um assunto em comum para conversar na cidade. Na perspectiva da Linguística Aplicada de enfoque interdisciplinar, nossa referência teórica baseia-se no modelo sócio-histórico da linguagem, entendendo-a como prática discursiva. Ainda no campo teórico, estabelece-se uma interconexão com os estudos culturais, utilizando o conceito de identidade cultural na pós-modernidade. A análise dos discursos revelou-se plural, com uma multiplicidade de identidades culturais que vão de filha muito obediente à esposa que sofria por causa do marido, de mulher muito religiosa à viúva que entrou para o convento, passando pela Santa dos milagres e das curas que intercede hoje na vida de quem pede seu auxílio. Também se constatou no referido percurso investigativo que essas identidades podem ser construídas e reconstruídas se estiverem imersas em outro conjunto de práticas sociais determinadas historicamente.

  • MARIA ELIETE DE QUEIROZ
  • REPRESENTAÇÕES DISCURSIVAS NO DISCURSO POLÍTICO. “Não me fiz sigla e legenda por acaso”: o discurso de renúncia do senador Antonio Carlos Magalhães (30/05/2001)

  • Data: 28/08/2013
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  • O objetivo deste trabalho é investigar como as representações discursivas do locutor e dos alocutários são construídas no discurso de renúncia ao mandato de senador, proferido por Antonio Carlos Magalhães (ACM), na 62ª sessão deliberativa ordinária, em 30/5/2001. A perspectiva teórica que adotamos situa-se no campo da Linguística do Texto, com foco na abordagem da Análise Textual dos Discursos – ATD (Adam, 2011). A noção de representação discursiva apresentada pela ATD constitui um dos aspectos da dimensão semântica do texto e baseia-se parcialmente nos trabalhos de Grize sobre a esquematização (1990, 1996). Complementamos as categorias de análise com contribuições que nos permitem detalhar a expressão linguística, textual, e discursiva das representações discursivas (Neves, 2006; Castilho 2010; Rodrigues, Passeggi, Silva Neto, 2010; Rodrigues et al. 2012; Passeggi, 2012). O enfoque metodológico é qualitativo, descritivo e interpretativista (Minayo, 1994; Trivinõs; 1987; Gil, 2002).

    Os procedimentos de análise utilizam as categorias semânticas de referenciação, predicação, modificação (de referentes e predicações), localização espacial e temporal, conexão e comparação. A representação discursiva do locutor (ACM) é constituída pelo conjunto de representações mais específicas, expressas nas referenciações e nas suas modificações: vítima; político; sigla; baiano, nordestino; presidente do senado; senador confiante; condenado. ACM, como protagonista, assume sempre a sua voz no discurso, manifesta seus pontos de vista e posiciona-se como sujeito ativo, consciente da importância do seu papel político e social, que o torna alvo e vítima das ações dos adversários. Complementando essa referenciação, as predicações e suas modificações se expressam através de verbos de ação, em especial, verbos na 1ª pessoa do singular que marcam o tempo presente, real e conclusivo de ações que constroem um cenário positivo para si mesmo. A localização temporal e espacial, indica as ações realizadas pelos participantes nas diversas etapas temporais selecionadas pelo texto, articuladas a três espaços principais: o Senado Federal, o Brasil e, naturalmente, a Bahia. Por sua vez, conectores adversativos (sobretudo, “mas”), explicativos e condicionais acompanham e estruturam o ritmo argumentativo do discurso de renúncia de ACM.

  • HENRIQUE EDUARDO DE SOUSA
  • Letramento literário na escola: o poema na aula de Língua Portuguesa no Ensino Médio

  • Data: 26/08/2013
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  • Esta pesquisa se insere na discussão sobre as relações entre literatura e ensino,

    recortando o lugar das escritas poéticas na aula de Língua Portuguesa no Ensino Médio.

    Em termos epistemológicos, o percurso da nossa reflexão problematiza, dentre outras questões,

    o deslocamento que ocorre quando as manifestações literárias se apartam de seus suportes originais e adentram as cenas de aula de língua materna, transformando-se em objeto de ensino e conteúdo didático. Em relação ao modelo consagrado do ensino de literatura no Ensino Médio,

    apoiado na descrição da história da literatura brasileira através de esquemas cronológicos de movimentos estético-culturais, pretendemos operacionalizar um deslocamento relativo a essa abordagem e situar o letramento literário a partir das formas líricas recorrentes na produção literária no Brasil, na perspectiva do ensino da língua mediado pelo estudo do texto. Para tanto,

    utilizaremos como fundamentação teórica as seguintes áreas do conhecimento: a teoria literária, a linguística aplicada e a didática do ensino de língua materna.

  • ESTER CAVALCANTI DA SILVA ARAUJO
  • A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DE LEITOR EM MEMÓRIAS DE LEITURA

  • Data: 23/08/2013
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  • Nesse trabalho, analisamos o gênero discursivo “memórias de leitura” de alunos que participaram de um curso de formação continuada na UFRN. Temos como objetivo compreender a construção da imagem de si no discurso desses alunos no entrecruzamento do olhar exotópico (de si e do outro). Para realizar a análise, adotamos como pressuposto teórico base os estudos de Bakhtin (1997, 2003, 2010) sobre gêneros discursivos, enunciado, vozes sociais e exotopia. Para compreender a noção de ethos discursivo nos ancoramos nos estudos realizados por Maingueneau (2008) e Charaudeau (2005). No que concerne à concepção de leitura, adotamos os referenciais teóricos de Garcez (2002), Freire (2008) os quais compartilham da mesma visão de que a leitura é um processo interacional/dialógico que ocorre entre as subjetividades dos participantes da atividade leitora; Silva Neto (2007) faz uma reflexão sobre a leitura literária na escola; e Rojo (2009) que trata a leitura como um processo de inclusão social. Pelo fato do gênero discursivo “memórias de leitura” fazer remissão à temática “memória” e estar relacionada ao contexto de formação de professores, nos respaldamos teoricamente em Nóvoa (2005), que trata dos dispositivos que procuram favorecer a rememoração das práticas dos professores.  Situada na área da Linguística Aplicada, a pesquisa se alinha à abordagem qualitativo-interpretativista de base sócio-histórica. A partir da análise dos dados, concluímos que, em conjunto, os aspectos composicionais, temáticos e estilísticos do gênero em questão e as vozes sociais que emergiram do enunciado foram fundamentais para a categorização das imagens de leitor que os alunos construíram no discurso. 

  • ANA PRISCILA GRINER
  • A LINGUAGEM DO BLOG ESCOLAR EM UM TRABALHO COM MULTILETRAMENTOS:COMPARTILHANDO SENTIDOS

  • Data: 23/08/2013
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  • Esta pesquisa, inserida no campo da Linguística Aplicada, tem por objetivo analisar a linguagem de um blog escolar, desenvolvido com a participação de alunos, resultante de um trabalho ancorado na concepção dos multiletramentos, com foco na construção de sentidos. A pesquisa se desenvolve a partir da confecção e manutenção de um blog escolar, o Ieceblog, com alunos do Ensino Fundamental II, desde 2008, em uma escola da rede privada de Natal. Justifica-se a investigação das manifestações de linguagem produzidas em um blog escolar mediante a demanda das concepções interativas de leitura e escrita no meio digital. Dada a constatação de que as novas tecnologias são uma realidade dentro das escolas que se abrem para as práticas dos multiletramentos, pressupõe-se que texto, imagem, vídeo, áudio, signos não gráficos e hipertexto potencializam a interação produzida, em que alunos se tornam autores reais. Nessa perspectiva, destacam-se as vozes pertencentes aos enunciados que se formam através das postagens e dos comentários escolhidos para análise e reflexão sobre o espaço do blog como locus de produção de sentidos, inserido no ambiente escolar e no mundo, assim como para a identificação dos recursos de linguagem usados para potencializar os sentidos que emergem. A partir da visão de dialogismo conceitualizada pelo Círculo de Bakhtin, a pesquisa de cunho qualitativo-interpretativista se aprofunda na experiência de um blog escolar com foco na linguagem digital em sintonia com a visão de letramento digital. A partir das postagens do blog, elege-se um corpus que favoreça a exposição das diferentes manifestações de linguagem na concepção dos multiletramentos digitais. O estudo aponta para a tensão existente entre as vozes atuantes em várias direções, revelando a unidade falseada das postagens, que, sob o olhar analítico, faz surgir múltiplos significados de maneira responsiva. A análise do diálogo que entremeia a interação no meio digital torna mais visível que os eventos dos multiletramentos mediados pela linguagem estão para além da estrutura da língua e faz repensar as práticas escolares.

  • DAVI TINTINO FILHO
  •  Cartografias do desejo em Asfalto selvagem: Engraçadinha, seus pecados e seus amores: humor, erotismo e o pornógrafo no romance rodrigueano

  • Data: 16/08/2013
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  • Trata-se nesta dissertação de estabelecer, partindo do pensamento contemporâneo francês da linha deleuziana e guattariana, sobretudo, uma analítica do desejo capaz de reconfigurar o romance de Nelson Rodrigues, Asfalto selvagem: Engraçadinha, seus amores e seus pecados, desterritorializá-lo em relação à tradição crítica e estética, fundada no paradigma realista-naturalista enraizado no pensamento literário brasileiro, especificamente no século XX.  Movemo-nos por discussões sobre o autor e sobre o romance, empreendidas por Rolnik, interlocutora de Guattari, o qual está ligado aos novos paradigmas estéticos, à questão da produção de subjetividades, à micropolítica, às multiplicidades e às minorias. Buscamos contribuir para esse redimensionamento, colocando-nos na perspectiva cartográfica e rizomática para surpreender, em Asfalto, seus processos de subjetivação, incidindo sobre as singularidades selvagens, considerando os conceitos de Foucault, aplicados à construção literária enquanto espaço heterotópico, configurando a experiência do fora, como princípios estéticos. Veremos que as personagens, com foco em Engraçadinha, funcionam, como pequenas máquinas desejantes, Corpos sem Órgãos, moléculas desestabilizando as formações molares. Destarte, Nelson Rodrigues, na perspectiva da produção autoral, torna-se o pornógrafo, o literato iterador, como agenciador de uma palavra perversa, para além dos dogmas, da cena romantizada, originando, em sua poética, a revelação da obs-cena, a obscenidade, como crítica às instituições falidas. Trazemos, nesse sentido, referências de Bataille, quanto ao que na atividade estética se relaciona com o excedente da visão, relacionados ao espaço tático-ótico, concepção deleuziana referentes ao corpo-linguagem, pornografia, pornógrafo, narrativas abomináveis. Acompanhamo-nos, pois, dos conceitos da problemática da diferença e da alteridade, repercutindo na larvaridade, nas afecções, que abrem vias comunicantes com fenômenos extremos, atuantes em torno do mesmo e do outro, trazendo a rizomaticidade do mal e da monstruosidade para a construção estética de Asfalto selvagem, vistos sob a ótica de Bataille, Deleuze, Baudrillard, em ensaios que rompem o olhar estrutural em torno da obra e oferecem subsídios para a construção de uma cartografia outra, o território do imaginário, habitado por um povo por vir, na perspectiva de Blanchot e de Deleuze.

     

  • ALEXANDRE BEZERRA ALVES
  • Poesia submersa: poetas e poemas no Rio Grande do Norte 1900-1990

  • Data: 05/08/2013
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  • O presente trabalho busca situar a produção poética do Estado do Rio Grande do Norte diante do contexto da poesia contemporânea brasileira, apresentando dados sobre a produção potiguar na primeira metade do século XX mais precisamente do período compreendido entre 1900 e 1950. Todavia, o foco mais preciso será sobre o período compreendido entre 1950 e 1990. O intuito aqui é o de apontar nomes e obras que vem em uma publicação contínua desde o advento do Modernismo no estado, cujo marco inicial é o Livro de poemas de Jorge Fernandes, publicado no ano de 1927. Dali em diante, a poesia produzida por norte-rio-grandenses passa por um vácuo criativo entre as décadas de 1930 e 1940, indo ressurgir em uma perspectiva pós-Segunda Guerra Mundial, combinada com uma série de fatores sociais e culturais, sejam eles locais e nacionais (urbanização, conscientização gradativa sobre a literatura nacional, a Geração de 45, entre outras). Serão utilizados os conceitos apresentados por Antonio Candido (2000) em torno da expressão “dialética do local e do cosmopolitismo” na literatura brasileira, além das considerações teóricas de Iumna Maria Simon (1999, 1982), Benedito Nunes (2009), Heloísa Buarque de Hollanda (2006, 1982), Teresa Cabañas (2000) e outros referenciais teóricos essenciais para a leitura do gênero lírico na contemporaneidade. O período assinalado entre 1900 e 1990 compõe uma época de evidente produção poética no estado e ainda pouco estudada no âmbito acadêmico, talvez pelo ainda relativo desconhecimento desta produção no campo da literatura nacional, incluindo representantes de várias correntes da poesia contemporânea (caso do Poema-Processo e da Poesia Marginal). A partir da assertiva da existência de uma considerável quantidade de nomes da poesia norte-rio-grandense a partir de 1950, para delimitar um corpus escolhido como padrão, além de uma introdução para cada década, na maior parte da tese são analisados três poetas que podem ser considerados como exemplares de cada decênio compreendido entre 1950 e 1990, no intuito de ilustrar e aplicar as teorias acerca da poesia brasileira. Quando se fizer necessário, devido à  complexidade de determinados movimentos literários, caso da Geração 61, do Poema-processo e da Poesia Marginal, o foco irá alcançar também questões acerca do poema por conta das peculiaridades de cada uma destas produções literárias. Além de contextualizar a poesia potiguar diante da produção contemporânea e universal, quando isto se fizer possível e necessário, objetiva-se encontrar dados comuns entre a produção poética local e nomes expressivos da poesia nacional do século XX no intuito de legitimar a produção poética norte-rio-grandense em um contexto mais amplo no âmbito da poesia brasileira moderna/contemporânea, e que, evidentemente, ainda carece de estudos para ser melhor compreendida, sendo este um esforço a mais no seu entendimento enquanto forma de expressão cultural.

     

  • WASHINTIANE PATRÍCIA BARBOSA DA SILVA
  • Conectores sequenciadores E e em contos e narrativas de experiência pessoal escritos por alunos de ensino fundamental: uma abordagem sociofuncionalista

  • Data: 02/08/2013
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  • Nesta dissertação, apoiando-me em dois referenciais teóricos, o do funcionalismo linguístico de vertente norte-americana e o da sociolinguística variacionista, tomo como objeto de estudo os conectores sequenciadores E e AÍ, que atuam na função gramatical de indicação de sequenciação retroativo-propulsora de informações. Analiso o uso variável desses conectores em textos escritos produzidos por alunos de duas escolas da rede pública da cidade de Natal-RN, que cursavam, à época da coleta de dados (o ano de 2012), duas séries distintas do ensino fundamental: o sexto e o nono ano. Os alunos que contribuíram para a realização desta pesquisa escreveram, como parte de suas atividades em sala de aula, textos de dois gêneros da esfera narrativa: narrativa de experiência pessoal (de caráter não ficcional) e conto (de caráter ficcional). Além disso, esses alunos e seus professores de língua portuguesa responderam a um teste de atitude linguística em que opinaram sobre a adequação do uso dos conectores sob enfoque em contextos de fala e de escrita mais e menos formais. Os resultados, obtidos por meio de análise quantitativa, revelaram padrões de distribuição linguística, social e estilística dos conectores E e AÍ nos textos narrativos produzidos pelos alunos. Relacionei tais resultados à ação de dois princípios: o princípio da persistência, vinculado ao processo de mudança por gramaticalização, e o princípio da marcação estilística. Além disso, levei em conta as respostas fornecidas ao teste de atitude linguística para o refinamento da interpretação dos resultados. Por fim, apresentei sugestões para a abordagem a conectores sequenciadores nos níveis fundamental e médio de ensino, visando tecer contribuições para um ensino de língua portuguesa produtivo, que busque o aprimoramento da competência comunicativa dos alunos.

  • DENY DE SOUZA GANDOUR
  • ENTRE SABERES E PRÁTICAS: A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DE PROFESSOR DE LÍNGUA INGLESA NA FORMAÇÃO INICIAL

  • Data: 09/07/2013
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  • 1.      Esta pesquisa se insere no âmbito dos estudos que abordam questões relacionadas aos saberes docentes e a construção da identidade profissional no contexto da formação inicial de professores de língua inglesa. Tem como sujeitos investigados os alunos-professores concluintes do curso de Letras com habilitação em língua inglesa, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, do campus da cidade de Assu. Tomaram-se como referencial teórico os conceitos de Identidades Sociais propostos por S. Hall e A. Giddens, os conceitos de Identidade Profissional de C. Dubar, assim como os estudos sobre a formação do profissional reflexivo, conforme proposto por D. Schön, enveredando pala perspectiva crítica de reflexão e atuação profissional, a partir dos estudos de P. Freire, H. Giroux, S Kemmis, entre outros. O objetivo geral consiste em investigar o processo de construção da identidade profissional nos alunos-professores, buscando compreender o modo como esse processo se relaciona com a construção dos saberes e competências necessários à formação do profissional crítico-reflexivo. Optou-se por uma abordagem qualitativa-interpretativista para a análise de um corpus empírico construído por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas em meio virtual on line com os sujeitos-informantes. A análise dos dados mostrou que as marcas identitárias profissionais, embora possam ter sua origem em vivências anteriores ao processo de formação inicial, elas são predominantemente constituídas e expressas a partir de experiências vividas nos espaços de socialização relativos tanto aos processos construção dos saberes da profissão quanto aos processos de reflexão sobre o ensino. Aponta-se a existência de uma relação tridimensional entre a reflexão sobre o ensino, a construção da identidade profissional e a construção dos saberes docentes, e que essa relação é indissociável, já que esses processos se apoiam e se impulsionam mutuamente na formação inicial dos professores de línguas.

  • MARIA DAS VITORIAS NUNES SILVA LOURENCO
  • ANÁLISE TEXTUAL DOS DISCURSOS: A RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA NO TEXTO JURÍDICO

  • Data: 21/06/2013
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  • Esta investigação objetiva descrever, analisar, e interpretar a Responsabilidade Enunciativa (RE) em petições iniciais, gênero discursivo circunscrito ao domínio jurídico.  Para tanto, elegemos como objeto o estudo das seções “Dos fatos” e da “Fundamentação jurídica”, da petição, compreendendo, assim, respectivamente, a narração dos eventos que deu margem à propositura da ação judicial e à exposição do direito que ampara a pretensão da parte autora. Ancoramos a discussão no campo da Linguística, mais precisamente, na Análise Textual dos Discursos (ATD), cujas bases teóricas decorrem da Linguística Textual (LT) e da Linguística Enunciativa.  Colocamos em relevo, particularmente, o modo como o autor dos textos, objeto de análise, faz uso das estratégias discursivas que indicam a RE.  Dessa forma, a relevância deste estudo reside na construção da crítica ao texto jurídico, pois empreende uma abordagem dialógica do ponto de vista, suscitando, não apenas, questionamentos sobre a maneira como uma instância linguística concebe um objeto de discurso, mas também discutindo as questões de linguagem inerentes à escrita especializada, e nesse aspecto, contribuindo com o trabalho dos operadores do Direito, acerca das várias maneiras de construção da RE no corpo do texto peticional. Selecionamos duas categorias de análise que, segundo Adam (2011), caracterizam na materialidade textual o grau de RE dos enunciados proposicionais: os diferentes tipos de representação da fala e as indicações de quadros mediadores. Nesse sentido, objetivando tal tarefa, baseamo-nos nos estudos acerca do ponto de vista realizados por Rabatel (2003, 2009a, 2010) no que concerne à abordagem enunciativa, inserindo o estudo do PDV no arcabouço das teorias polifônicas e dialógicas para estudar a RE, a partir dos diferentes tipos de representação da fala que compreendem as formas de transmissão do discurso e o papel do sujeito enunciador no tocante à responsabilidade e à imputação pelos conteúdos proposicionais. Da mesma forma, tencionando estudar as indicações de quadros mediadores, observamos os postulados de Guentchéva (1994, 1996) que desenvolve a noção de categoria gramatical do mediativo (MED), que permite marcar linguisticamente o distanciamento ou engajamento do enunciador diante das informações expressas. No que concerne à Metodologia, adotamos a pesquisa de base qualitativa, de natureza interpretativista e introspectiva, haja vista que este estudo focaliza processos e estratégias subjacentes ao uso da linguagem.  O corpus da pesquisa é constituído por Petições Iniciais, que ensejaram ações oriundas na Vara Cível da Comarca de Currais Novos (RN). A análise dos dados mostra que um objeto de discurso é sempre perspectivado e manifesta o ponto de vista de um ou mais enunciadores. Como consequência, o produtor do texto ao utilizar-se dos PDV de outros enunciadores, influencia e estabelece a orientação argumentativa do texto. Da mesma forma, evidencia a relevância do uso das construções mediatizadas no texto jurídico, pois funcionam como estratégia atenuante da responsabilidade do produtor do texto com o que é dito e ao mesmo tempo visa um discurso de autoridade pela entrada das fontes do direito. Ainda, revela a importância documental e interacional dessa prática, ao mesmo tempo que expõe dificuldades de natureza composicional e normativa no que concerne aos aspectos legais e linguísticos.  

     

  • LEONOR DE ARAUJO BEZERRA OLIVEIRA
  • Marcadores da organização do padrão discursivo narrativo: uma abordagem funcional centrada no uso

  • Data: 21/06/2013
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  • Marcadores da organização do padrão discursivo narrativo: uma abordagem funcional centrada no uso

  • LUÍS FERDINANDO DA SILVA PATRIOTA
  • O PAPEL DA ATIVIDADE LÚDICA COMO MOTIVADORA DA APRENDIZAGEM DA LÍNGUA INGLESA: ANÁLISE DE UM LIVRO DIDÁTICO 

  • Data: 20/06/2013
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  • Esta pesquisa tem como objetivo analisar as atividades propostas pelo livro On Stage selecionado pelo IFRN, como também verificar o interesse dos alunos por atividades lúdicas. Partimos da premissa que as atividades lúdicas podem contribuir para o aumento da motivação pelo ensino da língua inglesa (BROUGERE, 1999; WRIGHT et al, 2006; LANGRAN e PURCELL, 1994). Nossa pesquisa se caracteriza em um primeiro momento por uma análise documental e em outro por uma pesquisa-ação. Propusemos dois questionários aos participantes da pesquisa, alunos do ensino médio do IFRN- Campus Zona Norte, a fim de verificar o interesse  e o grau de motivação pela aprendizagem da língua inglesa, antes e depois da realização de atividades lúdicas. A análise dos questionário mostrou que os alunos ficaram mais motivados e interessados nas aulas depois da realização de atividades lúdicas. Os dados apontam também que a  maioria dos alunos foi favorável à inclusão desse tipo de atividade no livro didático selecionado pela escola.. O resultado da nossa pesquisa comprovou o uso benéfico dessas atividades, dados corroborados por outros estudos (NOGUEIRA,2007;, SILVEIRA,2007; SILVA,2003; OLIVEIRA ,2008 e 2009; VALÉRIO et al. (2012), COSTA (2008), RODRIGUES (2007), , YOLAGELDILI e ARIKAN (2011). Os dados conclusivos deste estudo, nos levam a sugerir a inclusão de  atividades lúdicas nos livros didáticos, mesmo nos direcionados ao ensino médio, a fim de ajudar no aumento da motivação pela aprendizagem de língua estrangeira

  • ALYANNE DE FREITAS CHACON
  • A RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA EM ITINÉRAIRE D´UN VOYAGE EN ALLEMAGNE

     

  • Data: 19/06/2013
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  • Nossa pesquisa se circunscreve nos estudos da Análise Textual dos Discursos, proposta pelo linguista Jean-Michel Adam. Nosso foco principal está voltado para o fenômeno da Responsabilidade Enunciativa (doravante RE). Além das categorias de análise para se estudar a RE, conforme Adam (2008, 2010, 2011), também seguiremos outros estudiosos no assunto, como Oswald Ducrot (1984), os teóricos Teoria Escandinava da Polifonia Linguística, (2004), Zlatka Guentchéva (1994), Jean-Pierre Desclés (2009) e Jacqueline Authier-Revuz (1998, 2004).  Utilizaremos os pressupostos apresentados por Alain Rabatel (2004, 2008, 2009, 2010), sobretudo, no que concerne às noções de locutor/enunciador, ponto de vista ou vozes que podem ser encontradas em um texto. Para tanto, analisaremos um relato de viagem, Itinéraire d’un Voyage en Allemagne (doravante Itinéraire), escrito no século XIX por Nísia Floresta, uma norte-rio-grandense que fez residência na França e ficou conhecida como uma das primeiras feministas do Brasil. O relato de viagem é um gênero diferenciado para se analisar a RE, sobretudo o Itinéraire, pois nele também podemos encontrar a presença de outros gêneros, quais sejam: epistolar e autobiográfico. Assim, percorreremos, primeiramente, algumas abordagens sobre gêneros de discurso, utilizando-nos, principalmente, dos pressupostos de Mikhail Bakhtin (1992, 2003), Geneviève Bordet (2011), Jean Michel Adam (2011) e Luiz Antônio Marcuschi (2008) e, posteriormente, apresentaremos algumas características que envolvem os gêneros citados. Por fim, para análise dos dados, estamos seguindo a abordagem qualitativa de natureza interpretativista.

  • ELISÂNGELA TAVARES DIAS
  • EM CANTOS DE REIS: A TRADIÇÃO DISCURSIVA NOS AUTOS DE NATAL

  • Data: 10/06/2013
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  • Este estudo incorpora diversas áreas do conhecimento ao campo da linguística, uma vez que centra a historicidade social dos autos brasileiros e potiguares, a partir de duas propostas analíticas: a presença das fórmulas linguísticas, em sua macroestrutura, dentro do paradigma das tradições discursivas, seguindo Kabatek (2006), Koch e Oesterreicher (2007), e a teoria dos atos de fala, em sua microestrutura, propostos por Austin (1990) e Searle (1995). Com Zumthor (1993; 1997; 2000; 2005; 2010), aludimos a ideia de movência textual, evidenciando que o texto sempre sofre mudanças considerando a performance e recepção nos usos da linguagem. A partir desse arcabouço teórico, centramo-nos no trinômio fórmulas linguísticas, oralidade e performance a fim de descrever as dinâmicas de permanência, variação e mudança que se estabelecem nesses textos e evidenciamos ainda como as relações extralinguísticas socio-históricas e culturais influenciam em sua composição. Tal discussão, mais precisamente, instala-se na Análise do Texto, ao realçarmos a tradição da oralidade como suporte linguístico. O texto, por sua vez, efetiva-se como evocação, motivados pela transmissão, recepção, e movência, a partir de sua conservação e reiteração. Naturalmente, optamos por um suporte metodológico baseado na pesquisa quali-quantitativa, evidenciado por Flick (2009), que respalda o corpus composto por cantos de Folias de Reis brasileiras e de Bois de Reis potiguares. Desse modo, observamos as dinâmicas da linguagem subjacente à tradicionalidade que se efetiva pelo uso de uma memória social partilhada. Na cosmovisão da religiosidade popular, em que as atividades mnêmicas têm um caráter didático, a memória é “partilhada, reelaborada, e, ressignificada em um constante processo de movência e nomadismo” (SÁ JÚNIOR, 2009) a partir de duas dimensões: na primeira, evoca a sacralização (religiosa), em que erige a devoção à histórica bíblica; na segunda, a dessacralização com valores identitários e ideológicos, constituintes culturais de um povo. O canto demonstra, nesse impulso lúdico, uma atividade contextualizada, que resulta na seguinte conclusão: os processos de mudança e permanência nas macro e microestruturas textuais dos cantos ocorrem, ao mesmo tempo, pelo ajustamento ao uso do texto cumprindo uma função político-social e outra ético-pedagógica; em tese, são as relações sociais que avivam a tradicionalidade e esta, por sua vez, evoca a movência e o nomadismo no texto.

  • JOAQUIM ADELINO DANTAS DE OLIVEIRA
  • O império do desentendimento humano: representações da realidade em textos de Dalton Trevisan

  • Data: 07/06/2013
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  • O presente trabalho tem como proposta geral estudar a composição do universo ficcional trevisaniano, a expressão estética engendrada para formular esse universo, e, em última instância, as representações da realidade que emanam dessa construção estético-narrativa. Pareceu-nos, no entanto, que seria impossível dar conta, mesmo que superficialmente, de tão vasto e volumoso conjunto de textos como o é o trevisaniano. Portanto, para que pudéssemos realizar tal tarefa, e ainda fazê-lo de um modo que fosse, a um só tempo, plausível e mais aprofundado, fez-se necessário um recorte objetivo dentro dessa biblioteca. Selecionamos então um livro, representativo de toda a obra trevisaniana, que nos serviu como objeto de estudo: Cemitério de elefantes, de 1964, um dos primeiros livros de contos desse autor. Dentro desse, ainda focalizamos mais o nosso olhar, voltando-nos então para o que denominamos de uma realidade bifurcada em “mundo paralítico” e “mundo em violência”. Amparados pelas teorias e metodologias de Auerbach (2011), Candido (2002, 2006), Adorno (2003), Gennete (1995), Friedman (2002), e ainda movidos pelo espírito do Formalismo russo (1973), construímos nossa crítica. Nossa abordagem fundamentou-se, então, em três passos: primeiramente nos dedicamos a comentar o contexto geral da obra trevisaniana, suportados fortemente pela leitura de dois dos maiores críticos da literatura desse autor, Miguel Sanches Neto e Berta Waldman; em segundo lugar, voltamo-nos ao comentário minucioso sobre a construção formal da linguagem e dos elementos narrativos da prosa trevisaniana; por fim, alçamos nossa crítica ao nível da leitura das representações da realidade, e passamos a comentar a construção do universo ficcional trevisaniano, focando na bipartição desse universo em “mundo paralítico” e “mundo em violência”.

  • ARETHUSA ANDREA FERNANDES DE OLIVEIRA
  • ACIONAMENTO DE FRAMES E ESQUEMAS NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS NO PADRÃO DISCURSIVO CHARGE POR ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

  • Data: 17/05/2013
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  • Nossa pesquisa tem por meta principal descrever e analisar os processos relacionados ao acionamento de domínios conceptuais subjacentes à compreensão do Padrão Discursivo charge por parte dos alunos da terceira série do Ensino Médio, na Escola Estadual Professor Antônio Basílio Filho, em Parnamirim. Teoricamente, estamos ancorados nos pressupostos da Linguística Cognitiva, cujo interesse está em analisar nosso aparato cognitivo em correlação com as nossas experiências socioculturais e corporais. Pretendemos verificar como ocorre o processo de construção de sentidos e a integração dos diversos domínios conceptuais que são acionados durante a atividade de leitura. Para isso, tomamos o conceito de domínios conceptuais como equivalente às estruturas que são armazenadas em nossa memória a partir de nossas experiências socioculturais e corpóreas e se estabilizam, respectivamente, a partir dos frames e esquemas. O acionamento desses domínios conceptuais, evidenciado nos dados sob análise, corrobora o pressuposto de que os conhecimentos prévios oriundos de nossa inserção em contextos socioculturais específicos, concomitantemente com o funcionamento de nosso sistema sensório-motor, são determinantes durante a atividade de construção de sentido. Com esta pesquisa, intentamos ainda confrontar as expectativas de respostas produzidas pelos alunos, a partir do acionamento dos frames e esquemas, com as nossas predições.

  • JAMES ARAUJO DE VASCONCELOS
  • As apreciações de alunos de Inglês como Língua Estrangeira sobre sua produção oral: um estudo com base no sistema de avaliatividade

  • Data: 16/05/2013
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  • O vasto número de pesquisas sobre produção oral no ensino de  Inglês como Língua Estrangeira (ILE) ao redor do mundo (p.ex. LITTLEWOOD, 1981; BROWN E YULE, 1983; ALMEIDA FILHO, 1993; BROWN, 1994, UR, 1996, CARTER E MCCARTHY, 1997; BROWN, 1994,2004; ELLIS, 2008), assim como estudos sobre aspectos cognitivos e de aquisição da produção oral (SWAIN, 1985, 1995; LEVELT, 1989; SWAIN E LAPKIN, 1995; SKEHAN E FOSTER 1997, 1999; ROBINSON, 2001; BYGATE, 2001, dentre outros) têm revelado  aspectos para um ensino de ILE mais eficaz e motivador. Com a proposta de contribuir para esse avanço, o presente estudo está inserido no paradigma qualiquantitativo de pesquisa no campo da Linguística Aplicada (LA), primordialmente com base nos estudos de Moita Lopes (1996, 2006), para quem a LA está centrada na resolução de problemas de uso da linguagem, cujo foco está na linguagem de natureza processual. O estudo tem como objetivo verificar as percepções de 34 alunos de quatro turmas distintas de um curso de ILE em uma escola privada de línguas acerca de sua produção oral ao participarem de atividades orais. O corpus da pesquisa foi gerado pelas respostas dos alunos a questionamentos sobre sua produção oral, em duas fases, no início e no meio do curso, além de  uma entrevista semiestruturada  realizada com dez dos alunos, ao final do curso, com o intuito de verificar suas percepções sobre sua produção oral. As discussões relacionadas à produção oral em sala de aula de ILE tem respaldo teórico nos trabalhos de Littlewood (1981), Brown e Yule (1983), Almeida Filho (1993), Brown (1994), Ur (1996), Carter e McCarthy (1997), Nunan (1999), Brown (2004) e Ellis (2008), que explicam fenômenos que exercem influência na produção oral, tais como afeto, interação, características de atividades orais, dentre outras variáveis em relação a aspectos cognitivos da produção oral analisadas pelos estudos de Swain (1985, 1995), Levelt (1989), Swain e Lapkin (1995), Skehan e Foster (1997, 1999), Robinson (2001) e Bygate (2001). A análise e discussão dos dados tem como base a Gramática Sistêmico-Funcional de Halliday (1985, 1994) e posteriormente desenvolvida por Halliday e Hasan (1989), Halliday e Mathiessen (2004) e Eggins (2004), dentre outros. O foco desta pesquisa são os mecanismos de Apreciação, um dos domínios avaliativos do subsistema de Atitude, que por sua vez, é parte integrante do Sistema de Avaliatividade, desenvolvido por Martin (2000), Martin e Rose (2003) e Martin e White (2005). Para análise das  escolhas linguísticas feitas pelos alunos, utilizamos a ferramenta computacional WordSmith Tools 6.0 (SCOTT, 2010), cuja função Wordlist (lista de palavras) foi  utilizada na busca pelos tipos de processos, assim como epítetos entre outras marcas linguísticas mais recorrentes que caracterizassem suas percepções. Os resultados revelam que nas percepções dos alunos acerca de sua produção oral ao longo das três fases da geração dos dados para a pesquisa, eles gradativamente deixaram de mencionar aspectos afetivos quanto ao desenvolvimento de sua produção oral e passaram a perceber aspectos mais estruturais de composição da língua.

  • ALBÉRIS ERON FLÁVIO DE OLIVEIRA
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    A Letra Escarlate como Romance Histórico:

    uma história de fragilidade humana e tristeza.

     


  • Data: 07/05/2013
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    O objetivo deste trabalho é analisar a obra do escritor americano Nathaniel Hawthorne (1804 – 1864), A Letra Escarlate (1850), à luz das contribuições da Literatura e da História do povo americano no contexto da Nova Inglaterra – dos primeiros séculos de sua existência até o período em que viveu o seu autor. Nesse sentido, buscaremos evidenciar aspectos que justificam a inserção da obra como um romance histórico, especialmente a partir da leitura de O Romance Histórico (1936-37) de Georg Lukács. A diversidade das vozes sociais e os inter-relacionamentos que se depreenderam dos personagens principais do enredo do romance, assim como as suas construções contextuais, se constituíram como elementos importantes para a compreensão do romance como sendo de valor Histórico. Durante o nosso estudo, verificamos que é nos enredos dos romances que as personagens refletem, ao mesmo tempo, as condições específicas de suas singularidades, as tendências gerais do processo histórico e as condições sociais das quais eles surgem. Pudemos verificar também que é em suas singularidades que se concentram tendências próprias do ser humano. Para fundamentar este estudo buscamos referências em teóricos da literatura mundial como Howard (1964), Bakhtin (1998), Eagleton (2006), Todorov (2009), em historiadores como Zabel (1947), Sellers (1985) e Cunlife (1986), bem como nas repercussões da obra no Brasil, notadamente a partir de leituras realizadas por Candido (1993) e Schwarz (1981).

     

  • TAYSA MÉRCIA DOS SANTOS SOUZA DAMACENO
  • SUJEITOS E ATORES SOCIAIS NAS REPRESENTAÇÕES DISCURSIVAS DE DOCENTES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO EM SERGIPE: uma análise crítica em tempos de Ideb

  • Data: 29/04/2013
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  • Situada nos estudos de Linguística Aplicada (MOITA LOPES, 2002, 2006; CELANI, 2000,2005; PENYCOOK, 2006; RAJAGOPALAN, 2006), esta tese se apresenta numa perspectiva interdisciplinar (Análise Crítica do Discurso, Sociologia para Mudança Social, Estudos Culturais e Linguística Sistêmico-Funcional). O objetivo geral da pesquisa foi analisar os discursos de professores do Ensino Fundamental em Sergipe, a partir das representações discursivas dos atores sociais, os processos de subjetivações e suas identidades fragmentadas, no contexto de avaliações estandardizadas, ante os requerimentos de práticas pedagógicas globalistas, pautadas pela gestão de resultados.  A análise crítica desses discursos foi motivada pela rapidez com que as exigências da inovação adentram na sala de aula, visando ao alcance de metas nos índices dos rankings que configuram o discurso globalista da gestão nacional da educação, a exemplo do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), fazendo com que os docentes modifiquem seus discursos, silenciem ou resistam. O trabalho foi endossado inicialmente pelas linhas teóricas da Análise Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH, 2001, 2006) e traz uma proposta para esse fim: a ASCD – Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso (PEDROSA, 2012, 2013). O estudo é de cunho qualitativo-interpretativo da Análise Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH, 2001, 2003; RAMALHO E RESENDE, 2011), e para tal, foram utilizadas entrevistas semiabertas como instrumento de geração dos dados (BAUER e GASKELL, 2011; GILL, 2011). O corpus compõe-se de treze relatos de docentes de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental, que atuam nas quinze escolas elencadas como recorte para a pesquisa na Diretoria Regional de Ensino (02) - estado de Sergipe. As narrativas desses professores tratam das impressões, expectativas e ações destes em prol da gestão de resultados que os mesmos estão submetidos. O panorama analítico de linha sociológica e discursiva parte das categorias pan-semióticas (Inclusão e Exclusão) constantes teoria da Representação dos Atores Sociais (VAN LEEUWEN, 1997). Para apresentação dos processos de subjetivação desses professores, o trabalho se vale da proposta socioanalítica de classificação dos sujeitos, fruto do trabalho do indivíduo na “Gestão Relacional de Si”, oriunda da Sociologia para Mudança Social (BAJOIT, 2006, 2009). As análises discursivas foram textualmente orientadas, em sua maioria, pelo aporte da Gramática Sistêmico Funcional, especificamente pelos processos do Sistema de Transitividade postulado por Halliday, (1985); Halliday e Mathiessen, (2004); Eggins (2004); Cunha e Souza (2011). O trabalho trouxe o campo dos Estudos Culturais para o diálogo e apresentação das identidades fragmentadas dos docentes no contexto da modernidade tardia (GIDDENS, 2002; HALL, 2011). A tese proporcionou uma reflexão sobre a condição do docente, imerso nesse contexto de construção de saberes do atual sistema educacional brasileiro, as avaliações estandardizadas, os índices de desenvolvimento, as metas e os rankings. As considerações e desdobramentos desta pesquisa versaram sobre as emergentes práticas sociais dos professores e a necessidade de formação docente inicial e continuada planejadas para o novo momento que se delineia.

     

  • ELIANE CRISTINA ALVES DE SOUZA
  • O GÊNERO REQUERIMENTO NA PERSPECTIVA SOCIORRETÓRICA: análise da produção de graduandos no ambiente acadêmico-administrativo da UFRN

     

  • Data: 22/04/2013
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  • No ambiente administrativo das instituições públicas, muitas atividades são realizadas através de práticas de escrita. Nesse domínio, a escrita está sempre ligada a uma atividade que se deseja realizar. Dentre essas práticas, o gênero requerimento consiste em um instrumento através do qual o requerente se dirige a uma instituição, a fim de solicitar algo sob o amparo de uma legislação. Considerando nossa experiência de trabalho em uma instituição pública de ensino superior, elegemos como objeto de nossa pesquisa o gênero requerimento produzido por graduandos no domínio administrativo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte devido à sua importância nesse contexto. Para tanto, os aportes teóricos adotados referem-se à concepção sociorretórica dos estudos de gênero textual, que compreende o gênero textual como forma de ação retoricamente tipificada (MILLER, 2009a; BAZERMAN 2009). Quanto à metodologia, trata-se de uma pesquisa associada à abordagem qualitativa (BODGAN; BIKLEN, 1994; CHIZZOTTI, 2010) cuja discussão se insere no campo da Linguística Aplicada. A geração dos dados deu-se a partir de exemplares de requerimentos e dos dizeres dos usuários do gênero em questionários, entrevistas e protocolos verbais de escrita. A análise dos dados se apoia nos métodos etnográficos de análise de gênero postulados por Devitt, Reiff e Bawarshi (apud JOHNS et al., 2006) e indicou que os requerimentos nem sempre se realizam plenamente devido à falta de compreensão do gênero e de sua situação retórica por parte dos produtores. Provavelmente, entre outras razões, isso deve acontecer porque esses alunos não internalizaram a consciência de que vários fatores afetam a produção de textos, como o contexto, a audiência e o propósito. Acreditamos que uma possibilidade de tornar a prática desse gênero textual mais eficiente seja desenvolver um modo de elaboração dos requerimentos mais prático e simples, tomando como base as necessidades impostas pela situação retórica.

  • PAULO RODRIGO PINHEIRO DE CAMPOS
  • O gênero joke em atividades de inglês: uma proposta intercultural de ensino-aprendizagem no ensino médio.

  • Data: 18/04/2013
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  • RESUMO

     

    Nossa pesquisa surgiu do interesse de alinhar a prática de sala de aula de Inglês como Língua Estrangeira (ILE) a discussões atuais no âmbito do processo de ensino-aprendizagem de Línguas Estrangeiras (LEs). Tendo em vista a necessidade de integrar o desenvolvimento linguístico ao desenvolvimento de noções atreladas à prática da cidadania, adotamos uma perspectiva cultural. Percebemos as jokes como um solo fértil para a discussão de aspectos culturais em sala de aula. Com base nesses fatores, nosso problema de pesquisa é como explorar os aspectos culturais desse gênero textual com vistas à elaboração de atividades em ILE numa turma com, em média, 30 (trinta) alunos em que o professor é o pesquisador. Portanto, nosso objetivo geral é explorar os aspectos culturais no uso de jokes em atividades de ensino-aprendizagem de ILE e nossos objetivos específicos são: (I) selecionar e analisar 05 (cinco) desses textos enfocando seus aspectos culturais, (II) identificar e descrever possíveis interpretações das jokes e, com base nesses dados, (III) elaborar atividades que privilegiam os referidos aspectos culturais. Esta investigação é descritiva e documental e apoia-se no paradigma qualitativo (CHIZZOTTI, 2010; FLICK, 2009; CHAROUX, 2006; BOGDAN; BIKLEN, 1994; 1992), em que o corpus, a partir de procedimentos indutivos, informou a teoria adotada. O corpus é constituído por jokes provenientes de sítios da Internet e por documentos oficiais (LDB, 1996; PCNEM, 1998; PCN+EM, 2000; OCEM, 2006), que sugerem direcionamentos aos professores de LE quanto à dimensão cultural. Para a elaboração das atividades, privilegiamos a abordagem por conteúdos (Content-based approach – CBI), em uma versão mais fraca, em que os conteúdos são aspectos culturais nas jokes e empreendemos uma reflexão mais geral sobre métodos, abordagens e perspectivas, em que se incluem noções sobre o pós-método e sobre o CBI, que falam ao ensino-aprendizagem de ILE. Temos por aporte teórico discussões sobre alguns métodos e abordagens de ensino-aprendizagem de LE (BELL, 2003; KUMARAVADIVELU, 2003; WESCHE; SKEHAN, 2002; PRABHU, 1990), a perspectiva cultural (KRAMSCH, 1998, 1996, 1991; BYRAM; FENG, 2004), alguns trabalhos em Linguística sobre piadas (CHIARO, 1992; POSSENTI, 1998, 2010); noções sobre implícitos (MAINGUENEAU, 1996, 2004; CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2012) e sobre ambiguidade (KEMPSON, 1977; TRASK, 2011; CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2012), tendo a adoção de tais categorias em emergido da análise de algumas jokes.

     

     

  • RHENA RAIZE PEIXOTO DE LIMA
  • VOZES SOCIAIS EM DIÁLOGO: UMA ANÁLISE BAKHTINIANA DOS POSICIONAMENTOS DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DO IFRN

  • Data: 17/04/2013
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  • O trabalho tem como objetivo principal analisar enunciados produzidos por alunos do Ensino Médio, no gênero discursivo diário de leituras, partindo da concepção de linguagem proposta pelo Círculo de Bakhtin. O gênero em questão possui características peculiares que justificam sua escolha para este trabalho. Primeiramente, trata-se de um gênero advindo da esfera privada, íntima, e que passa a ser utilizado na esfera escolar. Por isso, podemos encontrar nos textos nele produzidos consideráveis marcas de subjetividade. Para Machado (1998), essa característica proporciona “uma presença forte do diálogo interior” que marca exatamente “a emergência de diferentes vozes, de diferentes representações internalizadas” (MACHADO, 1998, p. 29). Em segundo lugar, apontamos a priorização dessa atividade didática pelo processo de interpretação (dúvidas, questionamentos, passos para a compreensão) e não com o acabamento. Esse aspecto nos proporciona o contato com os embates ideológicos ocorrentes nos processos de interpretação, compreensão e avaliação que, neste caso, consistem no confronto entre posicionamentos do enunciador e os posicionamentos presentes nos textos com os quais os alunos têm contato durante a produção do diário. A partir dessas características, consideramos para essa análise os conceitos bakhtinianos de enunciado ― sobretudo sua essência responsiva-ativa (Bakhtin, 2010) ―, de gênero discursivo, de dialogismo e de vozes sociais. O trabalho se enquadra na pesquisa qualitativa de cunho interpretativista, pois visa a conhecer a perspectiva dos participantes da situação estudada e se apoiar na riqueza e no detalhamento das amostras (FREITAS, 2007). Além disso, durante a análise dos enunciados que compõem o corpus da pesquisa, utilizamos os conceitos de “polêmicas discursivas” (BAKHTIN, 2010a) e enquadramento (BAKHTIN, 2010c) para embasar nossa análise.

  • MARIA LÚCIA BARBOSA ALVES
  • Ana Cristina Cesar: um corpo de crítica

  • Data: 15/04/2013
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  • A presente tese consiste numa abordagem crítica acerca da produção literária da escritora carioca Ana Cristina Cesar. Tanto na poesia quanto na obra crítica, Ana Cristina Cesar evidenciou a questão do escrever como o principal dilema do seu projeto como escritora. Diante de tantos registros, seja em forma de poema, texto crítico ou carta, a questão do escrever é, no conjunto de sua obra, formulada a partir de uma interpenetração entre a literatura e a vida. Considerado o problema do escrever como parte de um projeto do ser escritora para Ana Cristina Cesar, afirmamos que o nosso interesse de pesquisa se pauta em analisar os modos como esse problema percorre sua escrita e torna-se uma questão metalinguística dentro da sua criação. Partimos da reflexão sobre o escrever em sua obra para levantar a questão principal da nossa proposta de trabalho com o seu texto: o que é, afinal, escrever para Ana Cristina Cesar e como isso se formula na produção dos papéis que exerce como poeta, crítica e professora? Entre os principais objetivos que norteiam esta pesquisa estão: promover um diálogo com os textos da autora, no qual se apresente o problema do escrever, através de uma reflexão sobre o percurso da sua atividade intelectual, para ela permeada por indagações quanto à escrita feminina e à produção marginal; e investigar os modos como essa reflexão se articula nas funções que ela desenvolve como poeta, crítica e professora e as relações que estabelece com a literatura da sua geração. Além disso, discutiremos a importância da sua obra dentro da literatura marginal, o que possibilita também uma avaliação dessa produção no âmbito da literatura brasileira. 

  • DERLI MACHADO DE OLIVEIRA
  •  ENTRE A FÉ, A OBRA SOCIAL E A PUBLICIDADE: uma análise crítica do discurso da responsabilidade social da Igreja Universal do Reino de Deus

  • Data: 08/04/2013
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  • Situada na Linguística Aplicada (PENNYCOOK, 1998; MOITA LOPES, 2003, 2006, 2008, 2009), esta tese, que se inscreve em uma abordagem qualitativo-interpretativista de perspectiva analista critico, se debruça sobre o discurso da responsabilidade social e a forma como este é empregado na busca por legitimação e prestígio dentro do campo religioso neopentecostal brasileiro, mais especificamente da Igreja Universal do Reino de Deus. O objetivo geral desta pesquisa é refletir sobre os discursos de responsabilidade social e a retórica da auto-promoção da Igreja Universal através do papel dos atores sociais na construção de sua(s) identidade(s), materializados   no jornal Folha Universal. Para isso, conjugamos, nesta pesquisa qualitativa/documental, análises sociais e discursivas. Na faceta linguístico-discursiva, a pesquisa se baseou na Análise Crítica do Discurso (ACD), principalmente em Fairclough (2001, 2003, 2006), uma proposta que fornece ferramentas teórico-metodológicas para investigar a linguagem além das estruturas linguísticas, ou seja, o discurso, as práticas sociais nas quais ele ocorre e as estruturas sociais mais amplas. Também foram utilizados pressupostos teóricos da Linguística Sistêmico-Funcional (LSF), combinando categorias do Sistema de Transitividade de Halliday (1994, 2004), das formas de representação de atores sociais na perspectiva sócio-semântica de van Leeuwen (1997, 2008) e do Sistema de Avaliatividade de Martin e White (2005). Ao desenvolvermos a argumentação sobre a função social da religião nesta tese, servimo-nos de autores como Freston (1994), Oro (1997, 2003), Campos (1997), Mariano (1999), Meneses (2008), entre outros. A pesquisa também se orientou pelos trabalhos de Hall (2006, 2008) acerca da natureza constitutiva do discurso na construção das identidades; de Thompson (2001) sobre discurso da mídia, modernidade e ideologia; de Carvalho (2002) e Coelho (2007) sobre o jornalismo e a publicidade, de Giddens (1991, 2001) sobre a globalização, e de Bauman (1998, 1999) sobre a religião e a pós-modernidade. Para abordar a noção de religião e mercado/economia, nos apoiamos nas formulações de Berger (2004) e Weber (2004). Utilizaremos também uma série de conceitos e categorias advindas do campo da comunicação e marketing sobre a responsabilidade social empresarial e o marketing social. Nesta área, tomamos como referências as contribuições de Bueno (2003) e Sartoretto e Fossá (2003), que concebem a “responsabilidade social” como um exercício planejado de ações e estratégias de relacionamento entre uma organização e seus públicos de interesse que visa à sobrevivência da empresa. Foi importante também a abordagem de Zenone (2006), que destaca a relação entre ação social empresarial e o retorno financeiro, e ainda das reflexões de Bonotto e Peruzzolo (2003), que propõem uma relação indissociável entre a “responsabilidade social”, a “imagem/identidade” e a “competição”. O corpus do trabalho é constituído por notícias veiculadas no jornal Folha Universal, nas quais são noticiadas as “ações de responsabilidade social” da igreja. O recorte temporal estabelecido ficou sobre as edições dos anos de 2010 a 2012. Os resultados encontrados na análise das notícias sinalizam que os traços semânticos de Avaliatividade do tipo Afeto, Julgamento e Apreciação, muitas vezes acompanhados de Gradação, e a Atribuição, um dos subsistemas do Engajamento, evidenciam avaliações positivas para a Igreja Universal e seus agentes e constituem elementos retóricos estruturadores do discurso da Igreja Universal no jornal Folha Universal constitutivos da sua imagem (estilo) de responsabilidade social. Os resultados mostram que os atores sociais mais frequentes no discurso são, de um lado, a própria Igreja Universal e seus voluntários, os famosos (atores, atrizes, apresentadores, participantes de Reallity Shows da Rede Record), políticos e autoridades, e de outro, a população assistida pelos projetos sociais da Igreja. O primeiro grupo aparece sempre ativado, já esse último, na maioria das vezes, passivado. Estes também são representados por assimilação em boa parte das ocorrências, já aqueles por individualização, com exceção dos voluntários que ora são representados de forma individualizada, ora como grupo (muito mais desse último modo).

  • SAMUEL ANDERSON DE OLIVEIRA LIMA
  • GREGÓRIO DE MATOS: DO BARROCO À ANTROPOFAGIA

  • Data: 05/04/2013
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  • A figura exponencial de Gregório de Matos e Guerra tem sido motivo de muitas discussões teóricas ao longo dos anos, desde o seu aparecimento em praça pública, no século XIX, e ainda mais, no século XX, quando foi resgatado pela vanguarda modernista. Resultado disso, ainda existem dois lados antagônicos quando se trata de Gregório de Matos, os que o defendem e os que o acusam. Os primeiros defendem a posição de que o poeta baiano foi a primeira voz literária no Brasil, alçada sob as bases do Barroco, e os outros o acusam de ser ele um mero imitador dos poetas espanhóis do século XVII, sem, portanto, ter contribuído significativamente para a formação da Literatura Brasileira. Esta tese, por sua vez, segue o pensamento daqueles que defendem o poeta como barroco-antropofágico, devorador de culturas, com participação ativa no processo de formação da nossa identidade cultural e literária. Para esse fim, foi feito um rastreamento das biografias do poeta a fim de que muitas das descrições românticas ali presentes fossem desromantizadas dando ênfase aos aspectos biográficos mais científicos que contribuíssem para compor o perfil do poeta barroco. Nesse mesmo sentido, foi discutido o olhar da História da Literatura sobre o poeta mazombo, especificamente observando a posição dos historiadores sobre a poesia gregoriana no cenário da formação da Literatura Brasileira. A fim de defender a hipótese de que Gregório de Matos foi nosso primeiro antropófago, este trabalho procurou observar como seus poemas revelam as características intrínsecas do Barroco e da Antropofagia, com evidência na sua vertente carnavalizante, expondo ao mundo, satiricamente, os interstícios da vida humana. E nesse percurso, a análise do corpus em espanhol é um dos pontos altos da tese porque, além de ser inédita, contribui para a compreensão da antropofagia como mecanismo teórico que explica a formação da nossa identidade literário-cultural. Assim, são convidados para compor a cena teórica Augusto de Campos (1968; 1978; 1984; 1986; 1988), Haroldo de Campos (1976; 2010a; 2010b; 2011), Severo Sarduy ([1988?]), Oswald de Andrade (1945; 1978; 2006), Mikhail Bakhtin (2010), Octavio Paz (1979), Segismundo Spina (1980; 1995; 2008), Afrânio Coutinho (1986a; 1986b; 1994), Affonso Ávila (1994; 1997; 2004; 2008), entre outros.  A poesia gregoriana, sob esse aspecto, contribuiu para a composição do cenário barroco-antropofágico em solo brasileiro, com sentido especial para o caráter transtemporal que lhe é dado, uma vez que não está só no Seiscentos, nas amarras da historiografia, mas também está presente hoje na atualidade de seus temas, ancorados pela eterna dúvida do homem barroco.

  • FERNANDA DE MOURA FERREIRA
  • A CONSTRUÇÃO AXIOLÓGICA DO RISO NA CHARGE: UMA PERSPECTIVA BARKHTINIANA

  • Data: 03/04/2013
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  • Este trabalho tem como objeto de investigação a construção axiológica do riso na charge. Para tanto, abordamos a construção do riso nesse gênero discursivo, partindo da hipótese de que o riso constitutivo das relações dialógicas na charge é construído axiologicamente, ou seja,  é por meio dele que são construídos os posicionamentos e a visão ideológica.  Para tanto, nos detemos na investigação dos elementos verbo-visuais presentes na forma composicional, como também,  analisamos o projeto de dizer constituidor/constituinte da forma arquitetônica. Tomamos como fundamento teórico-metodológico as formulações sobre linguagem advindas do Círculo de Bakhtin (2010, 2011, 1998) e outras contribuições advindas de Faraco (2009), Brait (2009, 2006), Ponzio (2009) que comungam da concepção dialógica de linguagem e de reflexões atinentes à analise dialógica do discurso. Especificamente sobre o gênero discursivo charge, nos reportamos a Ramos (2009, 2010, 2011) e Vergueiro (2009, 2010). Quanto ao riso, apoiamo-nos em autores como Possenti (2010), Minois (2003), Propp (1992), Bergson (2001), Skinner (2002), no entanto, a principal referência é a obra de Bakhtin (1997, 2010) sobre a cosmovisão carnavalesca e o riso. Este trabalho se insere na área da Linguística Aplicada de perspectiva sócio-histórica e tem como tema linguagem, axiologia e riso. 

  • ELISABETH SILVA DE VIEIRA MOURA
  • SE INICIA ORAÇÃO COM PRONOME CLÍTICO? ATITUDES LINGUÍSTICAS, NA ESCOLA, EM RELAÇÃO AOS PADRÕES BRASILEIROS DE COLOCAÇÃO PRONOMINAL

  • Data: 15/03/2013
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  • Com foco no problema empírico de avaliação, proposto pela teoria da Variação e Mudança (cf. cf. WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006; LABOV, [1972] 2008), esta pesquisa contribui para o esclarecimento das atitudes do professor de Língua Portuguesa, em Natal – RN, em relação (a) à próclise em três contextos específicos: em início de oração/período (V1), depois de sujeitos (SV) e a próclise ao segundo verbo dos complexos verbais (V1V2); (b) aos alunos que usam tais padrões de colocações. Os contextos em tela foram selecionados porque, como muitos estudos têm evidenciado (MARTINS, 2012; SCHEI, 2003; BIAZZOLI, 2010, 2012), constituem a norma culta do Português Brasileiro. A pesquisa teve por objetivos: (i) verificar, por meio de um teste de correção de sala de aula, se professores de Português corrigem a próclise nos referidos contextos; (ii) identificar, por meio de um teste de atitude, que atitudes os professores têm em relação aos padrões de colocação citados, assim como aos alunos que utilizam tais padrões. Vinte professores de Língua Portuguesa, escolhidos aleatoriamente em escolas públicas diversas de Natal-RN, responderam a um teste de correção de sala de aula e a dois testes de atitude. Os resultados obtidos mostram que o índice de correção da próclise em início de oração/período ainda é alto (50%), embora essa variante linguística esteja implementada na gramática do Português Brasileiro. Esse contexto de colocação foi avaliado, em geral, de forma negativa, porém não houve correspondência entre essa avaliação e a avaliação – neutra – do aluno que a utiliza. Diferentemente do contexto anterior, a próclise depois de sujeito não recebeu nenhuma correção por parte dos vinte professores, o que foi coerente com a avaliação positiva que a variante e os estudantes que a utilizam obtiveram. A correção da próclise ao segundo verbo dos complexos verbais não apresentou resultados únicos, porém foram muito próximos, com índices de correção de 20% (complexo de infinitivo), 10% (complexo de gerúndio) e 25% (complexo de particípio). A avaliação desses contextos de próclise oscilou entre positiva e neutra, assim como a avaliação dos estudantes que a utilizam. Isso significa que a próclise em início de oração/período parecer ser ainda marcada no contexto escolar escrito, provavelmente, devido à avaliação negativa dos professores, que não coincide com a avaliação dos estudantes que a utilizam. Depois de sujeitos e antes do segundo verbo dos complexos, a próclise parecer ser aceita em textos escolares escritos, o que se reflete na avaliação dos professores em relação aos estudantes que usam a próclise nesses contextos; avaliação essa que foi, em geral, positiva ou neutra.

  • LIDIANE DE MORAIS DIÓGENES BEZERRA
  • O uso de operações linguístico-discursivas da Crítica Genética na reescritura de textos.

  • Data: 15/03/2013
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  • Enquanto professora do Curso de Licenciatura em Letras, do Campus Avançado “Profª. Maria Elisa de Albuquerque Maia” (CAMEAM), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), na cidade de Pau dos Ferros, RN, tivemos a oportunidade de encaminhar diversas atividades de produção de texto, bem como orientar atividades de reescritura para os textos produzidos. A partir dessa experiência, despertamos para a necessidade de refletir sobre a produção de texto no ensino superior. Assim, pretendemos analisar, nesta pesquisa, a metodologia adotada na orientação de atividades de produção de texto no ensino superior, buscando investigar, particularmente, o trabalho com a reescritura, no que se refere às operações utilizadas para a realização dessa atividade, bem como aos sentidos produzidos a partir das alterações executadas nos textos. Nossa discussão teórica está fundamentada em uma concepção de produção de texto enquanto “atividade verbal”, o que revela uma visão sociointeracional da linguagem (MARCUSCHI, 2008; SAUTCHUK, 2003). Quanto à produção de textos escritos, nosso foco de pesquisa, partimos do pressuposto de que, para esta atividade, lidamos com duas figuras distintas (Escritor Ativo e Leitor Interno), para que possamos, além de escrever, refletir sobre nossa escrita e, assim, decidir sobre as operações que serão realizadas para promover as alterações necessárias à reescritura de nossos textos (SAUTCHUK, 2003). Ainda no que diz respeito aos conceitos teóricos abordados nesta pesquisa, recorremos aos postulados da Análise Textual dos Discursos (ATD) que discute a crença na evidência da existência dos textos, sendo, pois, contra a visão fixista da textualidade que acredita que o texto existe em si mesmo (ADAM, 2008; [2005]2010). Nesta perspectiva, adotamos, também, os conceitos advindos da Crítica Genética que se ocupa da relação entre texto e gênese, tomando por objeto os documentos que trazem o traço do texto em progresso, uma vez que considera o texto como resultado de um trabalho de elaboração progressiva, e a escrita, por sua vez, como uma atividade em constante movimento (HAY, [1975]2002; DE BIASI, [2000]2010; GRÉSILLON, 1989; [1990]2008; [1992]2002; SALLES, 2008a). A metodologia desta pesquisa é de natureza etnográfica, uma abordagem que enfatiza o processo, como também se preocupa com o significado. Para atender aos objetivos propostos por nossa pesquisa, fizemos uso de diferentes procedimentos de coleta de dados que contemplam um estudo de tipo etnográfico, tais como: observação, anotações de campo e análise de documentos. Os dados analisados foram coletados no decorrer do semestre 2008.2, em uma sala de aula do 1º período do curso Letras, do CAMEAM/UERN, oportunidade na qual pudemos coletar vinte e um textos escritos, sendo que todos foram reelaborados a partir
    de atividades de reescritura, o que constitui um corpus de quarenta e dois textos que serão analisados a partir das operações linguísticas identificadas pela gramática gerativa e retomadas por Lebrave e Grésillon (2009). A partir da análise, podemos confirmar que a escrita é um processo, e a reescritura vem mostrar-se como uma atividade de extrema importância para esse processo. Ainda em decorrência da análise, observamos que a substituição foi a operação mais utilizada pelos autores dos textos. Acreditamos que esse resultado justifica-se pelo fato de a substituição, de acordo com o que propõe a Crítica Genética, constituir a origem de toda rasura, a partir da qual se pode facilmente efetuar uma mudança na escrita. Quanto às operações de acréscimo e supressão, verificamos que foram empregadas, em termos quantitativos, quase de forma equivalente, o que pode ser explicado quando verificamos que as duas operações exigem, por parte do autor do texto, estratégias distintas daquelas usadas para a substituição, pois implicam, respectivamente, a inclusão ou eliminação de um segmento. Por fim, constatamos que a operação de deslocamento foi a menos utilizada, uma vez que trabalha com um segmento que não será substituído, acrescido nem eliminado, mas transferido para outro lugar do texto, o que requer uma maior habilidade do autor em realizar essa operação e não comprometer o sentido de sua escrita. Com isso, esperamos contribuir para a reflexão sobre o ensino da escrita, considerando-se, de maneira particular, a formação do licenciado em Letras. Nossa análise trará contribuições ao ensino de Língua Portuguesa, especificamente, para as atividades que encaminham a produção textual, no sentido de explorar, junto aos alunos, a capacidade de reescrever seus próprios textos.

  • KASSIA KAMILLA DE MOURA
  • A IMPLEMENTAÇÃO DO VOCÊ EM CARTAS PESSOAIS NORTE-RIOGRANDENSES DO SÉCULO XX

  • Data: 14/03/2013
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  • Tendo em vista os pressupostos teóricos metodológicos da Sociolinguística Variacionista (cf. WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006; LABOV, [1972] 2008), nesta dissertação, descrevemos e analisamos o processo de variação/mudança envolvendo os pronomes pessoais tu e você, e sua extensão no paradigma pronominal no Português Brasileiro (PB), em três conjuntos de cartas pessoais escritas por norte-riograndenses no curso do século XX. O universo discursivo dessas cartas é basicamente notícias da cidade em que viviam os informantes e assuntos do cotidiano (comércio, trabalho, viagens, família e política). Parte das cartas analisadas integram o córpus mínimo manuscrito do Projeto de História do Português Brasileiro no Rio Grande do Norte (PHPB-RN). Tomamos por base estudos anteriores sobre o sistema pronominal no PB – Menon (1995), Faraco (1996), Lopes e Machado (2005), Rumeu (2008), Lopes (2009), Lopes, Rumeu e Marcotulio (2011), Lopes e Marcotulio (2011) e Martins e Moura (2012), os quais registram que a forma você suplanta o tu a partir do fim da primeira metade do século XX e atestam o seguinte quadro: enquanto (a) as formas verbais imperativas, (b) os sujeitos plenos e (c) os pronomes complementos preposicionados são contextos favorecedores do você, as (d) formas verbais não imperativas (com sujeito nulo), (e) os pronomes complementos não preposicionados e (f) os pronomes possessivos são contextos de resistência do tu. Os resultados obtidos nesta dissertação confirmam, em parte, as asserções defendidas pelos estudos anteriores sobre os contextos favoráveis à implementação do você no PB: (i) há nas cartas das duas primeiras décadas do século XX (1916 a 1925) alta frequência de uso de formas do você (98%); (ii) Nas cartas pessoais do RN, especialmente nas cartas de amor em que há maior recorrência de assuntos íntimos, o universo discursivo mostrou-se bastante relevante no condicionamento das formas de tu; (iii) a única informante do sexo feminino da nossa amostra faz uso, quase categórico, das formas de tu – em cartas do período que corresponde aos anos de 1946 a 1972; (iv) as cartas correspondentes ao período de 1992 a 1994 apresentam um uso significativo das formas associadas ao inovador você, deixando transparecer que a mudança já está implementada no sistema do PB e há, nesse conjunto de cartas, fortes evidências que nos possibilitam afirmar que as formas pronominais de complemento não preposicionadas (acusativo/dativo) associadas ao tu estão implementadas em um sistema com uso quase categórico de você.

  • ANA CRISTINA PINTO BEZERRA
  • A tessitura da memória em O vendedor de passados de José Eduardo Agualusa

  • Data: 11/03/2013
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  • No estudo das literaturas africanas de língua portuguesa, a importância da temática memorial se faz pelo contato que aquelas escrituras literárias possuem com o contexto no qual se inserem. Neste estudo, pretende-se refletir como a memória, enquanto elemento social, torna-se um agente de composição da estrutura literária em O vendedor de passados (2004), de José Eduardo Agualusa. Para tanto, tem-se como referencial o método crítico desenvolvido por Antonio Candido (1976), no tocante à crítica dialética, a fim de se perceber de que maneira tal reminiscência atua na estruturação do romance em uma relação com elementos tanto estruturais quanto temáticos. Em um primeiro momento, apresenta-se uma leitura panorâmica do cenário literário angolano no pós-independência, relacionando esse contexto com o percurso da escrita de José Eduardo Agualusa. Em seguida, realiza-se a análise das relações tecidas entre as categorias narrativas – narrador, personagens, espaço, tempo – e o elemento memorial com o qual aquelas interagem. Tendo em vista que, as referidas categorias seriam construídas no diálogo com a memória. Por fim, destaca-se a reflexão sobre a dinâmica entre a ficção e a realidade apreendida no discurso romanesco no qual figura um vendedor de passados. Uma análise que se realiza a partir de um olhar cético presente na obra. Como aporte teórico utilizado, destacam-se, principalmente, as leituras de: Hampaté-Bâ (1970), Laura Padilha (2007), Tania Macêdo (2008) para a observação das especificidades do contexto africano vivificado no romance; Tedesco (2004), Halbwachs (2006), Le Goff (2003) no tocante à conceptualização da memória; além de Landesman (2006), Krause (2004), Gai (1997) no recorte do panorama cético com o qual o romance dialoga.

  • KARLA GEANE DE OLIVEIRA
  • A representação discursiva da figura feminina no jornal O PORVIR (Currais Novos/Rio Grande do Norte - 1926/1929): um sexo que ironicamente se intitula de frágil

  • Data: 08/03/2013
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  • A representação discursiva da figura feminina no jornal O PORVIR (Currais Novos/Rio Grande do Norte - 1926/1929)

  • LAIS KARLA DA SILVA BARRETO
  • MICROFILME: LITERATURA E MÍDIA NO CORREIO FEMININO DE CLARICE LISPECTOR

  • Data: 19/02/2013
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  • No contexto da modernidade brasileira, surge a obra de Clarice Lispector, revelando a mulher que opta conscientemente pelo labor intelectual, pela especulação jornalística e pelo ato de escrever. Ao analisarmos a relação existente entre literatura e mídia disseminada pela autora, é possível estabelecer a construção de um espaço da escrita voltado para a mulher. Nas colunas escritas para tablóides e jornais, situados na coletânea Correio Feminino, percebemos a contribuição da mulher literata, utilizando da correspondência para se comunicar. Deste modo, averiguamos as particularidades que o tecido da linguagem clariciana trouxe para a obra literária e para os meios de comunicação, desenhando um modo de criação, de estética e de estilo no fazer do gênero que se desenvolveu com base no estreitamento entre jornalista e leitor. A pesquisa compreende a análise dos textos e as relações geradoras da abertura para a mudança do discurso da mulher a partir da década de 50. Destacamos também os conflitos das leitoras para com o convívio com o jornalismo e sua linguagem e as correlações do trabalho midiático para a atividade literária. Visualizamos na linguagem da autora um texto inconformado com modelos culturais preestabelecidos que encarceram um padrão de feminilidade proposto para a época. Desmistifica padrões de total subserviência, com a essência inclinada para a dependência. Faz florescer a divulgação da cultura dos países em que viveu. Produz e germina no espaço do jornal uma crônica que relaciona conteúdos considerados subsidiários como essenciais.

  • LIGIA DE SOUZA LEITE
  •  O Desenvolvimento da Interlíngua na Aprendizagem da Escrita em Inglês em uma Escola Bilíngue: um estudo exploratório

  • Data: 05/02/2013
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  • Este estudo visa a investigar o desenvolvimento da Interlíngua na escrita em Inglês como Língua Adicional (LA) por alunos do 2º Ano do Ensino Fundamental I em uma Escola Bilíngue da cidade de Natal-RN. Para tanto, duas perguntas de pesquisa nortearam este trabalho: (a) quais hipóteses podem ser inferidas no desenvolvimento da escrita dos aprendizes bilíngues de Inglês como LA? e, (b) qual o impacto do tipo de input - monomodal e multimodal - no desenvolvimento da Interlíngua na LA por aprendizes bilíngues? Sendo assim, os participantes foram divididos em grupo controle (exposto ao input monomodal) e em grupo experimental (exposto ao input multimodal),e foram aplicados pré e pós-testes em ambos os grupos. Realizamos uma pesquisa de métodos mistos para envolver a coleta e análise tanto de dados qualitativos quanto quantitativos. O aspecto qualitativo incluiu características essencialmente descritivas que buscaram interpretar as etapas do processo de escrita em LA dos aprendizes. Através dessas interpretações foi possível compreender a constituição da Interlíngua na escrita de acordo com as hipóteses geradas pelos aprendizes. Os dados quantitativos foram apresentados como os resultados gerados a partir do design experimental. Deste modo, eles estreitaram as relações entre a variável dependente (o desenvolvimento da escrita, ou seja, o quanto ela se aproxima da forma alvo) que foi modificada ao longo do processo pela variável independente (a qualidade do input), que sendo mono ou multimodal, sua função consistia em possivelmente alterar o curso da aquisição. Os resultados quantitativos apontaram para ganhos mais significativos no grupo em que a multimodalidade esteve presente.

     

     

     

  • WILKA CATARINA DA SILVA SOARES
  • A aprendizagem de inglês como língua adicional mediada por jogos eletrônicos do tipo MMORPG

  • Data: 01/02/2013
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  •    Os Massively Multiplayer Online Role-Playing Games (MMORPGs) são jogos de interpretação de personagem que, através da Internet, podem integrar milhares de jogadores interagindo ao mesmo tempo em pelo menos um mundo virtual. Desta forma, esses jogos podem proporcionar, além de diversão, um maior convívio com a língua adicional e a oportunidade de aprimorar a proficiência linguística dentro de um contexto real. Por isso, o que se propõe neste estudo é um maior conhecimento sobre a aprendizagem de língua adicional mediada por MMORPGs para que os professores saibam como, se relevante, apresentar, utilizar ou incentivar essa prática junto a seus alunos. Com base neste objetivo principal, procuramos responder às seguintes perguntas de perquisa: (a) o que distingue o perfil de aprendizagem de língua inglesa dos gamers e non-gamers; (b) se os MMORPGs podem, por meio de uma prática híbrida e sistemática, auxiliar no desenvolvimento da proficiência na língua adicional e (c) o que os protocolos think-aloud evidenciam acerca da aprendizagem mediada pelo MMORPG Allods Online. Seguindo o método experimental (NUNAN, 1997), 16 alunos do componente curricular Práticas de Leitura e Produção Escrita em Língua Inglesa fizeram parte do grupo controle e 17 alunos da mesma turma compuseram o grupo experimental e foram submetidos a um pré e pós-teste adaptados do Key English Test (KET) da Universidade de Cambridge (2008). Os testes foram administrados antes e depois de um período de 3 horas por semana durante 5 semanas de experimento com o game Allods Online (grupo experimental), e de aulas do componente curricular (ambos os grupos). Uma análise quantitativa dos questionários sobre os perfis de aprendizagem de língua inglesa dos participantes, uma análise quantitativa das notas dos testes e uma análise qualitativa de protocolos think-aloud coletados durante o experimento foram feitas com base nas teorias de (a) motivação (GARDNER, 1985, WILLIAMS & BURDEN, 1997, BROWN, 2007, HERCULANO-HOUZEL, 2005); (b) aprendizagem ativa (GASS, 1997, GEE, 2008, MATTAR, 2010); (c) interação e aprendizagem colaborativa (KRASHEN, 1991, GASS, 1997, VYGOTSKY, 1978); (d) aprendizagem situada (DAMASIO, 1994; 1999; 2003, BROWN, 2007, GEE, 2003) e (e), aprendizagem tangencial (PORTNOW, 2008 E MATTAR, 2010). Os resultados indicam que os participantes do grupo experimental (gamers) são mais engajados em atividades tangenciais de aprendizagem de língua inglesa, como jogar games, ouvir música em inglês, comunicar-se com estrangeiros e ler em inglês. Também concluímos que o período de experimento pode ter gerado resultados positivos nas notas dos testes dos gamers, principalmente nas partes relacionadas ao desenvolvimento ortográfico, leitura e interpretação, escrita com foco no conteúdo, e acurácia ortográfica. Por fim, os protocolos think-aloud apresentam evidências de que os gamers engajaram-se na aprendizagem ativa de língua inglesa, interagiram em inglês com outros jogadores e aprenderam aspectos linguísticos através da experiência com o MMORPG Allods Online.

  • LOUIZE LIDIANE LIMA DE MOURA CÂMARA
  • Práticas de letramento digital de professores em formação: demandas, saberes e impactos

  • Data: 31/01/2013
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  • 1.      Nas últimas décadas, as políticas públicas de inclusão digital têm investido significativamente na aquisição de hardwares e softwares com o intuito de oferecer tecnologia às instituições públicas de ensino brasileiras, especificamente, computadores e internet banda larga. A formação dos professores para lidar com esses artefatos, todavia, é posta em segundo plano, apesar de se mostrar uma exigência da sociedade da informação. Tendo isso em vista, esta dissertação elege como objeto de estudo as práticas de letramento digital efetivadas por 38 (trinta e oito) professores em formação inicial e continuada, por meio do curso de extensão Letramentos e tecnologias: ensino de língua portuguesa e demandas da cibercultura. Nessa direção, objetivamos investigar as práticas de letramento digital dos professores em formação, em três momentos específicos: antes, durante a após a realização desta ação de extensão, com o propósito de (i) delinear as práticas de letramento digital efetivadas pelos colaboradores antes da ação formativa; (ii) narrar os eventos de letramento viabilizados pelo curso de extensão; e (iii) investigar as contribuições do curso de formação para a prática docente dos colaboradores. Teoricamente, buscamos contribuições nos estudos do letramento (BAYNHAM, 1995; KLEIMAN, 1995; HAMILTON; BARTON; IVANIC, 2000), especificamente, no que diz respeito ao conceito de letramento digital (COPE, KALANTZIS, 2000; BUZATO, 2001, 2007, 2009; SNYDER, 2002, 2008; LANKSHEAR E KNOBEL, 2002, 2008) e à formação de professores (PERRENOUD, 2000; SILVA, 2001). Metodologicamente, este estudo etnográfico-virtual (KOZINETS, 1997; HINE, 2000), se insere no campo da Linguística Aplicada e adota a abordagem quali-quantitativa da pesquisa (NUNAN, 1992; DÖRNYEI, 2006). A análise dos dados permitiu evidenciar que (i) antes do curso, as práticas de letramento digital dos professores concentravam-se nas dimensões pessoal e acadêmica de suas realidades, em detrimento da dimensão profissional; (ii) durante a ação de extensão, os professores participaram, de modo colaborativo, das sessões de estudo semipresenciais com foco no uso pedagógico das TIC, efetivando práticas de letramento digital até então desconhecidas; (iii) após o curso, a postura dos professores colaboradores diante da utilização das TIC no seu cotidiano profissional sofreu modificações, uma vez que esses docentes passaram a utilizá-las efetivamente, dando visibilidade social ao que é produzido na escola. Observamos, ainda, que os professores em formação inicial atuaram como pares mais experientes no processo de aprendizagem colaborativa, oferecendo apoio – scaffolding (VYGOTSKY, 1978; BRUNER, 1985) – aos professores em formação continuada. Isso ocorreu em razão de os graduandos efetivarem práticas de letramento digital mais sofisticadas, por integrarem a chamada geração Y (PRENSKY, 2001).

  • TAYNA CAVALCANTI DE PAIVA
  • Práticas de Leitura e Escrita na Formação em Ciências e Tecnologia

  • Data: 30/01/2013
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  • O debate em torno da necessidade de aprimoramento das práticas de leitura e escrita de profissionais das mais diferentes áreas do conhecimento vem ocasionando, em instituições brasileiras e estrangeiras de ensino superior, um movimento de inserção de componentes curriculares cujo foco é a leitura e a escrita na formação acadêmica. Para contribuir com a reflexão em torno desse debate esta dissertação tem como objeto de estudo a formação linguística situada. O nosso objetivo geral é analisar uma proposta de formação linguística voltada para graduandos do Bacharelado em Ciências e Tecnologia (BCT) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Para construir essa análise, estabelecemos quatro objetivos específicos: a) verificar se as dez Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras que oferecem o BCT contam com componentes curriculares de leitura e escrita voltados para essa formação; b) descrever como se apresentam os componentes curriculares de leitura e escrita desses bacharelados; c) examinar diferenças e semelhanças que, no geral, existem entre os componentes curriculares voltados para a leitura e a escrita em cada uma das instituições pesquisadas; d) explicitar que categorias delineiam a formação linguística desenvolvida no BCT da UFRN. A fim de alcançarmos os nossos objetivos, fundamentamo-nos na concepção dialógica da linguagem (BAKHTIN [1952-1953] 2010), nos estudos de letramento (KLEIMAN [1995] 2008; TINOCO, 2008) e na pedagogia crítica (FREIRE, 1980; 2007). Metodologicamente, esta pesquisa qualitativa de vertente etnográfica crítica (THOMAS, 1993) ancora-se na Linguística Aplicada (PEREIRA; ROCA, 2009; PASCHOAL; CELANI (Orgs.), 1992). Colaboram nesta pesquisa professores, bolsistas e monitores da área de Práticas de Leitura e Escrita (PLE) e também graduandos do BCT da UFRN que já cursaram PLE-I e/ou PLE-II. Os instrumentos utilizados para a coleta/geração de dados foram: programas dos componentes curriculares voltados para a leitura e a escrita nos BCT nas IES pesquisadas, questionários, entrevistas semi-estruturadas e perfis. Os dados gerados nos permitiram estabelecer as seguintes categorias de análise: situacionalidade (situação real, contemporaneidade temática e focalização temática) e projetos de letramento (comunidade de aprendizagem). Os resultados alcançados salientam que a maioria das IES que oferece o BCT já se preocupa em aprimorar as competências de leitura e escrita de seus graduandos; entretanto, ainda há muito a ser feito (ampliação de carga horária, revisão de conteúdos e de aspectos metodológicos, refinamento de referencial teórico) para que os componentes curriculares venham a se configurar como uma formação linguística situada e significativa. Por fim, tecemos algumas sugestões para o aprimoramento do trabalho que já vem se desenvolvendo no BCT da UFRN, fortalecendo assim o ensino de língua materna em cursos da área de ciências exatas e tecnológicas.

  • MARIA DA GUIA SILVA
  • O LEITOR UNIVERSITÁRIO E A CONSTRUÇÃO DAS PRÁTICAS DE LER E ESCREVER TEXTOS IMPRESSOS E DIGITAIS

  • Data: 29/01/2013
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  • A construção de um mapeamento das práticas de ler e escrever textos impressos e digitais, declaradas por graduandos do Bacharelado em Ciências e Tecnologia (BCT), propiciou-nos a análise do percurso que eles estão fazendo em um momento sócio-histórico caracterizado pela revolução do pós-papel. Nesse sentido, o objetivo geral desta pesquisa é compreender como se dá essa construção sob o ponto de vista desses graduandos. Para tanto, norteou nossa reflexão a busca por respostas a algumas questões que se nos apresentaram: quais as concepções de leitura e escrita dos graduandos do BCT; quais as práticas de leitura e escrita que esses colaboradores desenvolvem; quais os acervos a que eles declaram ter acesso; que diferenças eles declaram existir entre a leitura e a escrita impressa e a digital no exercício dos diferentes papéis sociais que desenvolvem; quais as relações identitárias de leitor/escrevente desses colaboradores. Para chegarmos a respostas plausíveis, reunimos um corpus constituído de textos de três gêneros da ordem do argumentar: perfis acadêmicos (ou autorretratos), artigos  de opinião e cartas argumentativas. Além disso, realizamos entrevista semiestruturada e questionário na ferramenta online do Google Docs. A metodologia que sustenta este trabalho acadêmico é a de pesquisa qualitativa (SIGNORINI; CAVALCANTI, 1998) de vertente etnográfica (THOMAS, 1993; ANDRÉ, 1995) em Linguística Aplicada (CELANI, 2000; MOITA-LOPES, 2006) e o aporte teórico vem da concepção de língua(gem) de perspectiva bakhtiniana (BAKHTIN [1929] 1981); da construção sócio-histórica da escrita (LÉVY, 1996; CHARTIER, R., 1998, 2002, 2007; COSCARELLI, 2006; CHARTIER, A., 2007; ARAÚJO, 2007; COSCARELLI; RIBEIRO, 2007; XAVIER, 2009; MARCUSCHI; XAVIER, 2010); dos estudos da pedagogia da escrita (GIROUX, 1997); dos estudos do letramento entendido como prática sociocultural, plural e situada (TFOUNI, 1988; KLEIMAN, 1995; TINOCO, 2003, 2008; OLIVEIRA; KLEIMAN, 2008), dos estudos sobre identidade na pós-modernidade (HALL, 2003; BAUMAN, 2005). Os resultados da análise empreendida apontam-nos para uma multiplicidade de práticas de leitura/escrita de textos impressos e digitais devido à coexistência da modalidade impressa e da que decorre dos novos dispositivos móveis. Nessa multiplicidade, a ideia que prevalece é a de um continuum entre textos impressos e textos digitais (não uma dicotomia), uma vez que a opção por ler/escrever textos impressos ou textos digitais está sempre atrelada a situações de comunicação específicas, que envolvem participantes, objetivos, estratégias, valores, (des)vantagens, além da (re)criação de gêneros discursivos em função dos dispositivos móveis a que esses colaboradores têm acesso nas diferentes esferas de atividade de que participam. Tudo isso tem ocasionado uma profunda intersecção nos traços de identidade de leitores/escreventes universitários do século XXI que não pode ser ignorada pela formação acadêmica.

  • JANIMA BERNARDES
  • PROPOSTAS DE ESCRITA DOS LIVROS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS: MECANISMOS DE CONTROLE

     

  • Data: 25/01/2013
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    Esta dissertação tem como objeto de investigação as propostas de escrita dos Livros Didáticos de Português (LDP) do Ensino Fundamental (EF), do (6 ̊ ao 9 ̊ ano), da década de 1970 até o ano de 2009. Tem o intuito de verificar pelo discurso relatado no Livro Didático de Português o controle direcionado à prática do professor e ao fazer do aluno em situações de ensino. Teoricamente, buscamos contribuições que advém da Análise do Discurso de filiação francesa, para que possamos analisar as construções ideológicas presentes no discurso dos LDP, mais especificamente, o controle direcionado ao professor e ao aluno, usuários do livro, nas atividades de escrita. Compartilhamos da proposta de Althusser (1918-1985), autor que considera a escola como parte dos Aparelhos Ideológicos do Estado (AIE) que busca assegurar, por meio do ensino, uma submissão à ideologia dominante ou ao domínio de sua prática. Tendo em vista que o livro didático (LD) se insere em um contexto mais amplo que transcende o sistema educacional - o mercado ao qual serve e seus usuários, professores e alunos – confirma-se que uma análise crítica do Livro Didático não pode ser feita de forma isolada. Para entender o LD e seu funcionamento, é necessário um mapeamento sobre o seu contexto. O foco de nossa análise são as propostas de escrita apresentadas nos referidos LDP publicados nas respectivas décadas, tendo como referência as modificações nas políticas educacionais do Brasil feitas a partir da década de 1970, devido à presença cada vez mais constante do Livro Didático na organização dos saberes e das práticas de sala de aula. Por meio das análises, foi possível demonstrar que, na Escola Básica, no geral, a prática de escrita concentra-se, prioritariamente, em atividades de cópia, reprodução, reescritura e, em estágios mais avançados, em atividades que partem de modelos preestabelecidos, solicitando aos alunos que produzam textos com temas similares, seguindo a estrutura sugerida. Trata-se de supostos ideais a serem seguidos e imitados pelos alunos, privando-os de assumir sua autoria. Dessa forma, acreditamos que, para inserir o aluno no mundo da escrita, é preciso ir além de modelos canônicos de texto, prática que distancia os alunos da possibilidade de serem “autores”. Em contrapartida a essa tendência, nos deparamos, na contemporaneidade, com propostas que priorizam a autoria, a criação de um estilo. Desse modo, partimos da premissa de que escrever implica em um trabalho específico que se realiza com a linguagem (RIOLFI, 2003). Assim sendo, o trabalho de escrita vai além da mera tarefa escolar, como a solicitada pela grande maioria dos LDP, por meio de modelos canônicos de textos, mas pode permitir um trabalho específico com a linguagem que se realiza por aqueles que se dispõem a criar e sustentar uma discursividade, por meio da qual possa se instalar um estilo de escrever.

2012
Descrição
  • KLEBIA RIBEIRO DA COSTA
  • LETRAMENTO E POLÍTICAS PÚBLICAS: UM ESTUDO SOBRE A FORMAÇÃO DE CONDUTORES DE VEÍCULOS

  • Data: 18/12/2012
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  • Na sociedade contemporânea a linguagem se presentifica em todos os espaços sociais e assume as mais diversas finalidades para atender às necessidades que emergem de cada um desses domínios e/ou de situações comunicativas.  No trânsito essa realidade não é diferente. Para guiar veículos faz-se necessário conhecer, por meio de artefatos de leitura, o que estabelece a legislação quanto à forma de agir nesse domínio. Desta feita, o presente trabalho tem como objetivos descrever as atividades de leitura e de escrita realizadas em eventos de formação de condutores de veículos, conhecer as expectativas geradas pelos condutores/aprendentes a partir dessa formação, bem como, assinalar a dimensão reflexiva desses eventos. Em termos teóricos, ancora-se nos Estudos de Letramento, entendidos aqui como práticas sociais que se inserem nos diversos domínios sociais (BARTON; HAMILTON, 1993, 1998; KLEIMAN, 1995; 2008; MORTATTI, 2004; STREET, 1984; OLIVEIRA, 2008, 2010; ROJO, 2009; PAZ, 2008). Na Teoria dos gêneros (BRONCKART, 2004, 2006; OLIVEIRA, 2010) e na sua instância multimodal (KRESS e VAN LEUWEN, 1996; DIONÍSIO, 2006). Em termos metodológicos, segue o viés da abordagem qualitativa de pesquisa, em virtude da sua natureza etnográfica (BOGDAN & BIKLEN, 1994; MINAYO, 2010, CANÇADO, 1994; CHIZZOTTI, 2005). O corpus da pesquisa foi gerado por meio da leitura do Código de Trânsito Brasileiro, da observação de eventos de letramento realizados em Centros de Formação de Condutores da cidade do Natal, da análise das cartilhas utilizadas nesses eventos, além de questionários com questões abertas e fechadas e entrevistas semiestruturadas. Os colaboradores se constituem de condutores em formação, além de instrutores que atuam nesse domínio. As análises apontam para contribuições significativas no tocante a posicionamentos mais comprometidos dos futuros condutores com o bem estar e segurança daqueles que utilizam as vias públicas, a partir das práticas de leitura e de escrita realizadas no decorrer da formação para o trânsito. A contribuição deste trabalho reside na possibilidade de ampliar as discussões acerca dos usos das práticas de linguagem no âmbito da formação para o trânsito, mais especificamente, da formação de condutores de veículos.

  • CRIGINA CIBELLE PEREIRA
  • A produção do gênero monografia em discursos de professores e alunos
    do Curso de Letras

  • Data: 17/12/2012
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  • Uma das preocupações mais recorrentes de professores no Ensino Superior
    atual é a produção dos gêneros elaborados nesse âmbito, especialmente os que
    se configuram como trabalho de conclusão de curso, como monografia,
    dissertação e tese. Partindo dessa perspectiva, e com vista a compreender os
    processos discursivos envolvidos na produção do gênero monografia no âmbito
    universitário, objetivamos, na presente tese, analisar discursos de
    professores e de alunos sobre o processo de produção da monografia no Curso
    de Letras, considerando a orientação, a escritura e as especificidades deste
    gênero. Para alcançarmos esse objetivo, tomamos por fundamentação teórica os
    estudos bakhtinianos em interface com a Linguística da Enunciação, com os
    fundamentos da Análise Textual dos Discursos de Adam (2010) e, por fim, com
    os estudos sobre a produção textual no ensino superior. A pesquisa pauta-se
    em uma abordagem qualitativa, com base em procedimentos etnográficos de
    geração de dados, a saber: a realização de observações in loco, assim como a
    aplicação de questionários com perguntas abertas para 10 (dez) alunos e 06
    (seis) professores do Curso de Letras. A análise dos discursos dos sujeitos
    selecionados revela que: (i) a produção e a orientação da monografia são
    formas de ação pela linguagem que precisam ter em conta, quando de sua
    execução, a liberdade de escolha do aluno como princípio da produção da
    monografia, bem como o maior envolvimento de orientador-orientando com vista
    a melhorar a qualidade da produção, dentre outros; (ii) há a necessidade de
    uma articulação entre o projeto de pesquisa e a monografia, considerando-se
    o trabalho de orientação, que deve partir no nascimento do projeto de
    pesquisa; (iii) são muitos os papeis atribuídos em discursos de professores
    e alunos para as funções de orientador e de orientando, de maneira que ambos
    veem atribuições comuns tanto nos discursos de alunos quanto nos discursos
    dos professores; (iv) os discursos de professores e alunos indicam ainda
    assumirem, em alguns casos, a responsabilidade enunciativa pelo conteúdo das
    proposições-enunciados, bem como mostram que as vozes dos manuais de
    metodologia e das normas institucionais estão intrinsecamente subjacentes ao
    processo de produção da monografia. Portanto, concluímos que essa
    investigação tem muito a contribuir com o ensino de produção textual na
    universidade, especialmente da monografia de final de curso, bem como para o
    desenvolvimento de pesquisa nesse âmbito, principalmente como foco na
    questão da orientação de trabalho no ensino superior.
  • JENNIFER SARAH COOPER
  • O macrogênero “drama norte-riograndense”: uma análise de gênero e de discurso pela perspectiva sistêmico-funcional

  • Data: 14/12/2012
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  • O fenômeno que denominamos “dramas norte-riograndenses”, objeto desta pesquisa quali-quantitativa, compreende textos em versos curtos, da tradição oral, cantados e apresentados em palco por mulheres em comunidades no litoral do Rio Grande do Norte, uma produção que remonta ao romance da península ibérica medieval (CAMARA CASCUDO, 2001; GURGEL, 1999; GALVÃO, 1993; MAGALHÃES, 1973; ROMERO,1977). A pesquisa objetiva caracterizar este gênero discursivo, investigar as relações interpessoais, avaliações feitas pelas mulheres nos textos e as negociações de poder nestes textos/contextos. A teoria de Gênero e de Registro de Martin e Rose (2008), que tem como base a Linguística Sistêmico-Funcional de Halliday e Matthiessen (2004), Eggins (1994) dentre outros, fornece o arcabouço teórico para a caracterização do gênero pela identificação de estágios e fases configurando sua tipologia — a estrutura esquemática individual — e sua topologia — a sua relação com os demais fenômenos da tradição oral. Ademais, outros agrupamentos foram feitos do ‘macrogênero’ a partir do modelo de Martin e Rose (2008), num contínuo entre dois eixos: os polos de circulação oral x escrita e declamado/individual x encenado/coletivo, bem como um mapeamento dos exemplares a respeito de poder utilizando o mesmo modelo com os polos de voz individual x voz coletiva num eixo entre poder acentuado e poder  reduzido no outro. Onze textos de dramas do tipo narrativo  e uma anedota  foram selecionados para a análise das atitudes e negociações de poder. Pela quantificação de recursos semântico-discursivos nos sistemas discursivos de Avaliatividade (MARTIN; WHITE, 2005) e de Negociação  (MARTIN;  ROSE, 2007), bem como  reflexões sobre o humor  (EGGINS;  SLADE, 1997), identificamos as atitudes e as negociações de papeis interpessoais. A quantificação está embasada nas teorias da Linguística de Corpus (BERBER-SARDINHA, 2010), utilizando a ferramenta computacional  WordSmith Tools 5.0 (SCOTT, 2010). Como resultados, caracterizamos o “drama norte-riograndense” como um macrogênero na Comunidade de Estórias Orais, na Família de Brincadeiras/Teatro da Rua, composto por cinco tipos de gêneros: narrativo, elogio, reclamação, anedota, exemplo. O macrogênero caracteriza-se pela circulação oral, encenação coletiva, e os textos analisados  configuram-se em graus de poder variados. Sintetizamos que, pelo viés do humor, o drama norte-riograndense funciona como um espaço que permite a voz feminina dizer, comentar, julgar e orientar sobre problemas sociais nas comunidades em que são encenados, tais como alcoolismo, violência doméstica, desigualdades perante a lei, etc., além de circularem apreciações positivas da cultura rural/litoral e julgamentos sobre comportamentos dos membros da comunidade de fala, o papel das mulheres sendo o de estabelecer e reforçar normas. Antecipamos possíveis benefícios da inserção do gênero analisado em projetos de letramento nas escolas do Rio Grande do Norte.

  • MARCOS VINÍCIUS FERNANDES
  • “As Noite” mussetianas na lírica castroalvina

  • Data: 12/12/2012
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  • Esta dissertação de mestrado se propõe a estudar a influência da série “As Noites” de Alfred de Musset na poesia de Castro Alves. Nosso objetivo concerne na análise textual dos poemas “A volta da primavera”, “Murmúrios da tarde” e “Adeus” a partir da transposição dos temas do poeta francês em seus respectivos poemas, também objeto de nosso estudo: “A noite de agosto”, “A noite de maio” e “A noite de outubro”. Através da intertextualidade manifesta por epígrafes destes poemas mussetianos, encontramos semelhanças e eventuais dessemelhanças que possibilitam um diálogo significativo entre os dois autores. O lirismo romântico de orientação melancólica estreita os laços dos poetas que apresentam uma concepção cíclica do sentimento amoroso: do nascimento à morte, e desta à ressurreição. A mulher associada aos fenômenos naturais transforma a paisagem, sendo sua presença motivo de alegria e sua ausência de sofrimento. A natureza evocada com suas estações serve de cenário vivo às disposições de ânimo entre os amantes. Logo, veremos no primeiro poema castroalvino a euforia das núpcias primaveris; a melancolia prelibada com o entardecer e seus suspiros evanescentes no segundo poema; e o último poema, o luto fechado de um amante renitente em aceitar a perda do objeto de amor.

  • GILMARA VIVIANE CASTOR DE ANDRADE
  • A natureza como simbolo do narcisismo Noailliano

  • Data: 10/12/2012
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  • Neste trabalho de pesquisa nos propomos a estudar a obra de Anna de Noailles, poetisa e romancista francesa que começou a publicar seus primeiros poemas no final do século XIX. Escolhemos para o corpus do nosso trabalho os poemas: Jeunesse, Les plaintes d’Ariane, J’écris pour que le jour où je ne serai plus e Renaissance, pertencentes à coletânea L’Ombre des Jours, publicada em 1902. A nossa motivação em estudar a poesia de Noailles foi verificar que seus poemas guardam uma forte expressão do lirismo romântico e também por essa poetisa preferir o cenário bucólico à modernização das cidades, valor que os poetas do seu tempo buscavam ressaltar em suas obras. Durante o nosso estudo, os poemas noaillianos nos chamaram a atenção pelo ineditismo do tema, de modo que nos motivou a aprofundar nossa pesquisa sobre sua poética. Além do eu lírico inspirado na natureza, encontramos também na poética de Noailles heranças do simbolismo. Observamos que a sinestesia é uma constante em seus poemas. Para nós esse refúgio na natureza é uma forma de libertação dos códigos artísticos e sociais da época. Nosso trabalho divide-se em três capítulos no primeiro fizemos uma breve contextualização sócio-cultural da poetisa, através de um estudo comparativo entre sua poética e o contexto cultural da época. No capítulo seguinte falamos do espaço interno da obra noailliana, isto é, a natureza e como esta afeta a inspiração do eu lírico. O último capítulo se constitui da análise de quatro poemas que escolhemos como corpus da nossa pesquisa. 

     

  • DACIO TAVARES FREITAS GALVAO
  • O poeta Câmara Cascudo: um livro no inferno da biblioteca

  • Orientador : HUMBERTO HERMENEGILDO DE ARAUJO
  • Data: 10/12/2012
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  • Estudo sobre a produção poética de Luís da Câmara Cascudo, além de traduções de poemas realizadas por ele. Para se pensar as especificidades dessa produção poética, no contexto da moderna literatura brasileira, consideram-se os denominadores do sistema literário apontados por Candido (1975): um conjunto de produtores mais ou menos conscientes de seu papel, os diversos públicos, obras interligadas por linguagem ou estilo. Considerando esses denominadores, foi possível investigar as especificidades dos textos analisados, antes que as tendências centralizadoras da época viessem impor as formas decisivas do cânone, uma vez que o poeta em questão enveredou por outros gêneros da criação literária e cultural. A leitura dos poemas estabeleceu pontos de interesse comuns entre o poeta e outros que estavam situados historicamente em realidades consideradas periféricas do complexo cultural ocidental, cujos sistemas literários também podem ser estudados do ponto de vista adotado. Tais considerações têm como princípio a leitura do texto literário como fonte primordial de questionamentos. Neste sentido, todos os capítulos têm como eixo central a análise, dos poemas selecionados para o corpus. O primeiro capítulo analisa poemas em que se percebe como recorrente a tematização do espaço sertanejo e que formam um conjunto de textos plenos de “brasilidade”, produzidos na perspectiva estética de modernidade desencadeada àquela época, no seu aspecto de experimentação formal. O segundo capítulo realiza uma leitura de poemas cuja temática gira em torno de aspectos da colonização do Brasil, estabelecendo um diálogo com as vozes que construíram essa história. No terceiro capítulo, a pesquisa analisa a perspectiva do poeta em relação à sua contemporaneidade, quando se depara com uma modernidade em que a cultura norte-americana exerce forte influência. No último capítulo, são analisados os exercícios poéticos de Câmara Cascudo, seja na produção mesma de poemas, seja em torno da questão da poesia como tema filosófico ou como atividade de tradução. Verificou-se a contribuição do poeta ao movimento modernista brasileiro e foi demonstrada a força da poesia como polo atrativo da percepção de mundo do intelectual que produziu uma das mais importantes obras da cultura brasileira. 

  • SANDRA MARIA ALVES DE LIMA
  • A transposição didática dos gêneros do domínio discursivo publicitário nos livros didáticos de Língua Portuguesa: antes e pós PCN

  • Data: 10/12/2012
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  • O texto publicitário tem sido objeto de muitas investigações, dado o seu universo multimodal que lhe constitui. Consubstanciado por meio de uma materialidade linguística e discursiva que coloca em cena a persuasão, a argumentação e a potência imagética de elementos multissemióticos, o texto publicitário atua como instrumento de poder, criando e destruindo, prometendo e negando (CARVALHO, 2007). A publicidade não só nos convida a agir por ela, mas nos direciona a olhar para ela. E fora sob esse movimento de olhar – de encanto e de interrogações – que nasceram as discussões levantadas nesta pesquisa. As investigações são direcionadas para o espaço escolar, em especial, para os gêneros do domínio discursivo publicitário no Livro Didático de Língua Portuguesa.  É a partir desse ambiente que nasceu nossa pesquisa, cujo objetivo central é analisar como se realiza a transposição didática dos gêneros textuais, descritos por Marcuschi (2008), como pertencentes ao domínio discursivo “publicitário” (as propagandas em suas diversas manifestações), em livros didáticos de ensino de Língua Portuguesa antes e depois do advento dos PCN.  Os livros didáticos tomados como referência para o estudo situam-se, historicamente, nos anos 90 do século XX e 10 do século XXI. Dos livros pertencentes a essa temporalidade, foram eleitos aqueles referentes às 7ª e 8ª séries, atualmente correspondentes aos 8º e 9 º anos. A escolha se justifica pelo fato de ser nos LDP dessas séries de ensino que a presença do domínio publicitário é recorrente e “didatizado”. Além desse recorte, ocupamo-nos  em analisar livros que circularam próximo de nós e de nossa realidade regional. Daí, elegermos livros que foram utilizados por duas escolas de ensino público: Escola Municipal Ana Clementina da Conceição (EMACC) do Município da cidade de Jaçanã no Estado do Rio Grande do Norte; Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Carlota Barreira (EEFMCB) da cidade de Areia, Estado da Paraíba. Foram destaque, em nossa análise, as seguintes categorias de análise: (1) Presença da propaganda nos LD; (2) Flutuação terminológica: conceitos e nomenclaturas; (3) A complexidade da facilitação de conceitos; (4) O que propagam e de que natureza são as propagandas exploradas. A partir de nossa análise, observamos como o tratamento do gêneros textuais “publicitários” vem sendo inserido no LD e como ocorre, de modo geral, sua transposição didática. Para efetivar nossos estudos, foi necessário um diálogo profundo e sistemático com teorias relativas ao conceito de “Transposição Didática”, do teórico Yves Chevallard (1991), pesquisas sobre os gêneros textuais (e.g., Bezerra (2005), Marcuschi (2008), dentre outros) e estudos que envolvem o campo da “Publicidade e Propaganda” (Sandmann (2002), Carvalho (2007) e outros).

  • LETICIA BEATRIZ GAMBETTA ABELLA
  • O DISCURSO DOS TUITEIROS: UMA ANÁLISE CRÍTICA DA CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA COLETIVA E DO EMPODERAMENTO CIDADÃO. 

  • Data: 07/12/2012
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  • As mudanças sociais e culturais que caracterizam o mundo contemporâneo surpreenderam estudiosos de todas as áreas. Os avanços tecnológicos, principalmente na área da transmissão de informações, revolucionaram as noções de tempo e espaço. Novas mídias, favorecidas grandemente pela chegada da internet, abriram espaços de expressão para cidadãos desejosos de ser ouvidos. Ainda coexistindo com as mídias tradicionais, os novos espaços representam uma oportunidade de liberdade de expressão, de interação sem mediações e de construção de conteúdos independentes. Movimentos sociais se organizam por meio dessas novas mídias e desenvolvem um ativismo que começa de modo virtual e se estende a mobilizações presenciais. Castells (2009) chama de “autocomunicação de massas” a esse processo de produzir e divulgar informações que antes era propriedade exclusiva das mídias tradicionais. Natal foi cenário da gestação e articulação virtual de um movimento denominado Fora Micarla cujo objetivo foi conseguir o impeachment da prefeita da cidade, Micarla de Souza. Ainda que o objetivo principal não tenha sido alcançado na época, o movimento fez parte dos processos de mudança social que levaram os cidadãos ao ciberativismo. O Fora Micarla constitui-se também como uma mudança social em si mesmo ao colaborar na consolidação da identidade coletiva de um grupo de jovens universitários em busca de justiça social. O Twitter foi o principal canal de expressão do grupo e o responsável pela rápida expansão das mobilizações. A Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso (ASCD) tem aportado o marco teórico de referência utilizado nesta pesquisa. A Comunicação para a Mudança Social (GUMUCIO, 2008) e a Sociologia Aplicada à Mudança Social (SACO, 2006), assim como os estudos do sujeito e das identidades, (BAJOIT, 2008) formam a base da ASCD para um estudo mais aprofundado das práticas discursivas. Considerando que o objeto de estudo são as manifestações discursivas dos tuiteiros simpatizantes do Movimento Fora Micarla, e que a ASCD é um braço da Análise Crítica do Discurso, se faz necessária uma análise linguística dos textos. A Gramática Sistêmica Funcional, através do Sistema de Avaliatividade desenvolvido por Martin e White (2004), oferece os recursos para avaliar as manifestações via tuites dos integrantes do movimento. A representação dos atores sociais (Van Leuween, 1998) complementa a análise discursiva crítica da ASCD. O empoderamento cidadão, como resultado desta investigação, materializou-se por meio das mudanças conquistadas através das novas mídias.

  • MARIA MARLUCE DE PAULA ARAÚJO
  • PROVA BRASIL: QUE SABERES SÃO EXIGIDOS DO ALUNO

  • Data: 04/12/2012
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  • Esta pesquisa ocupa-se da investigação a respeito da concepção de leitura que subjaz à Matriz de Referência da Prova Brasil e, a partir da análise da prova, compreender que leitor é presumido para responder às questões da referida prova.  Para tanto, analisou-se o modelo de 2009 da referida prova. O estudo toma como aporte teórico os estudos bakhtinianos a respeito da concepção dialógica de linguagem (BAKHTIN, 2003, 2008; VOLOCHINOV/BAKHTIN, 1993) e da concepção de leitura defendida por Geraldi (2007), Larossa (2001) e De Certeau (1994). A pesquisa caracteriza-se como qualitativo-interpretativista, com abordagem sócio-histórica e se situa no campo da Linguística Aplicada, campo esse que, nas últimas décadas, vem oferecendo contribuições para a área do ensino de línguas e para a formação de professores. Ao analisar a Matriz de Referência da Prova Brasil, compreendemos que a mesma está em consonância com os Parâmetros Curriculares de Língua Portuguesa. Assim, a concepção de leitura que a subjaz é a de que a leitura é uma atividade que depende do processamento individual, mas se insere num contexto social e envolve capacidades relativas à compreensão e à produção de sentido. Pela análise da prova, reitera-se que o leitor presumido para responder as questões é aquele que desenvolveu atitudes favoráveis à leitura. Ou seja: (i) reconhece globalmente as palavras; (ii) identifica finalidades e funções da leitura, em função do reconhecimento do suporte do gênero e da contextualização do texto; (iii) antecipa conteúdos de textos a serem lidos em função de seu suporte, seu gênero e sua contextualização; (iv) levanta hipóteses relativas ao conteúdo do texto que está sendo lido; (v) é capaz de buscar pistas textuais e intertextuais. Ou seja, faz inferências, ampliando a compreensão, associando elementos diversos presentes no texto e que fazem parte das suas próprias vivências; (vi) constrói compreensão global do texto lido, unificando informações explícitas e implícitas; (vii) possui capacidade de avaliar ética e afetivamente o texto lido ou faz extrapolações pertinentes sem perder o texto de vista.

  • GIEZI ALVES DE OLIVEIRA
  • PROCESSOS COGNITIVOS QUE OPERAM NA CONSTRUÇÃO DE SENTIDO DE NARRATIVAS FANTÁSTICAS: UMA ANÁLISE EXPERIMENTAL DO PADRÃO DISCURSIVO ROMANCE

  • Data: 30/11/2012
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  • Este trabalho investiga os processos cognitivos que operam na compreensão de narrativas fantásticas, a partir do romance Macunaíma, de Mário de Andrade. Insere-se no campo da Linguística Cognitiva de base Corporificada e, devido à sua natureza interdisciplinar, dialoga com alguns referenciais teóricos e metodológicos da Psicolinguística, da Psicologia Cognitiva e das Neurociências. Nesse sentido, adotamos a pesquisa do tipo introspectivo-experimental, realizando testes do tipo recall e cloze com estudantes de nível superior, todos falantes nativos. A escolha do romance Macunaíma como motivação inicial da proposta deu-se por se tratar de uma narrativa fantástica, cuja principal característica está no fato de o romance apresentar eventos, circunstâncias e personagens que, de forma nítida, se distanciam dos tipos experienciados no cotidiano, o que constitui dados adequados a uma análise que pretende investigar a construção do sentido, num modelo baseado-em-compreensão. Buscamos, assim, responder a questões que ainda são, de maneira geral, pouco explorada no campo da Linguística Cognitiva, tais como: em que medida o acionamento de modelos mentais (esquemas e frames) está relacionado ao processo de compreensão de narrativas? Como construímos o sentido, mesmo diante de termos ou expressões que não integram o nosso repertório linguístico? Por que nos envolvemos emocionalmente durante a leitura de um determinado texto, mesmo sabendo que se trata de obra de ficção? Para respondê-las, partimos do pressuposto teórico de que o significado não está no texto, ele é construído por meio da linguagem, concebida como resultado da integração entre o aparato biológico (que resulta na criação de esquemas imagéticos abstratos) e sociocultural (resultando na criação de frames). Nesse sentido, a percepção, o processamento cognitivo, a recepção e a retransmissão das informações descritas estão diretamente relacionadas ao modo como ocorre a compreensão da linguagem. Acreditamos que os resultados encontrados em nossa pesquisa possam contribuir para os estudos cognitivos da linguagem e para o desenvolvimento de metodologia de ensino-aprendizagem de línguas.

  • VANILTON PEREIRA DA SILVA
  • O Padrão Discursivo Provérbio numa perspectiva cognitivo-experimental: expressões idiomáticas em Grande Sertão: veredas.

  • Data: 30/11/2012
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  • Este trabalho objetiva elucidar as motivações que levam os leitores do romance Grande Sertão: Veredas (ROSA, 2001) a categorizar determinadas construções gramaticais encontradas na obra como sendo proverbiais. Para isso, se volta para a investigação dos processos cognitivos envolvidos na configuração do padrão discursivo provérbio, tomando como suporte teórico a Linguística Cognitiva. Nessa empreitada, ancoramo-nos nas noções de construções corporificadas (BERGEN; CHANG, 2005), simulação mental (BARSALOU, 1999, BERGEN, 2010), frequência (BYBEE, 2001), padrão discursivo (ÖSTMAN; FRIED, 2005, DUQUE; COSTA, 2012) e idiomaticidade (FILLMORE; KAY; O’CONNOR, 1988). Partimos do pressuposto de que os provérbios constituem um padrão discursivo cristalizado a partir da recorrência de uso e, em face disso, indagamos: que mecanismos cognitivos são ativados pelos leitores no processo de categorização das expressões ditas proverbiais? Motivados pela situação-problema apresentada, formulamos alguns experimentos com a intenção de lançar luz às questões investigadas e concluímos que os leitores recorrem a constituições construcionais subjacentes aos provérbios conhecidos através das interações realizadas em seu entorno sociocultural, para darem conta da semantização de construções inéditas. Nesse processo, são ativados esquemas e frames através de simulações mentais instanciadas pelas experiências corporais e culturais, decisivas para a efetivação dos processos de categorização e de construção de sentidos das construções proverbiais.

  • RODRIGO NASCIMENTO DE QUEIROZ
  • "Eu pensei que ia sair daqui falando inglês" – Um estudo Sistêmico-Funcional sobre papéis sociais atribuídos por alunos de um curso de Letras/Inglês

  • Data: 30/11/2012
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  • Pesquisas na área de formação de professores de inglês como língua estrangeira (CELANI, 2001, 2004, 2010; PAIVA, 2000, 2003, 2005; VIEIRA-ABRAHÃO, 2010) dimensionam a complexidade de contextos da sala de aula de formação inicial em aliar o ensino da língua com a prática social e profissional do futuro professor. Como forma de fornecer subsídios para a compreensão dessa relação, a presente pesquisa baseia-se em um corpus composto de entrevistas transcritas de 28 alunos de um Curso de Letras/Inglês (CLI) de uma universidade pública localizada no interior da Amazônia Ocidental e suas opiniões acerca da reformulação do currículo do curso. Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram entrevistas e questionários para traçar o perfil dos alunos do CLI concentrados em Grupo 1, com os alunos do 1º e 3º períodos do currículo de 2009, e o Grupo 2, com os alunos do 5º e 7º períodos do currículo de 2006. O objetivo principal é identificar os tipos de pronomes, os papéis e os atores sociais representados nas opiniões dos alunos em relação ao currículo de sua formação inicial. O aporte teórico enfoca os desafios do percurso histórico e contemporâneo dos programas de formação inicial de professores de línguas (MAGALHÃES E LIBERALLI, 2009; PAVAN E SILVA, 2010; ALVAREZ, 2010; VIANA, 2011 e PAVAN, 2012). Para a perspectiva teórica e analítica, apoiamo-nos na Gramática Sistêmico-Funcional (GSF) de Halliday (1994), Halliday e Hasan (1989), Halliday e Matthiessen (2004), Eggins (1994; 2004) e Thompson (2004). Focamos no conceito da Interpessoalidade, especificamente acerca dos papéis abordados por Delu (1991), Thompson e Thetela (1995), e trabalhos em língua portuguesa como os de Ramos (1997), Silva (2006) e Cabral (2009). A Teoria da Representação dos Atores Sociais de van Leeuwen (1997; 2003) é parte complementar para identificarmos o caráter sociológico dos atores sociais representados no discurso dos alunos. Com este panorama, o percurso proposto para análise percorre três níveis principais: os pronomes (nível gramatical), os papéis (nível semântico) e os atores sociais (nível discursivo). Para a análise das marcas interpessoais presentes nas opiniões dos alunos, utilizamos o programa computacional WordSmith Tools (SCOTT, 2010), e suas ferramentas Wordlist (Lista de Palavras) e Concord (Concordanciador) para quantificar as ocorrências dos pronomes Eu, Você e Eles que permitam caracterizar os papéis e os atores sociais no corpus. Os resultados demonstram que os alunos atribuem a si mesmos os papéis de (i) aprendiz, para expressar o processo inicial de seu aprendizado com o inglês; de (ii) ingressante na licenciatura, para expor suas escolhas em cursar Letras/Inglês e de (iii) futuro professor, para relacionar suas expectativas com a prática profissional. Para atribuir os papéis aos professores e ao curso os alunos utilizam a metáfora de modalidade Eu acho que para marcar as relações da formação inicial como aluno e como futuro professor. Destas evidências emergem os atores sociais representados pelos alunos em (i) papéis ativos; (ii) papéis passivos e (iii) papéis personificados. Esses atores sociais representados nas opiniões dos alunos refletem a inclusão dos papéis atribuídos para as ações expressas acerca das experiências e expectativas oriundas da sala de aula de sua formação.

  • JOSILETE ALVES MOREIRA DE AZEVEDO
  • ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: DA FORMAÇÃO DO PROFESSOR À SALA DE AULA

  • Data: 30/11/2012
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  • A reflexão crítica sobre a escola e os fazeres docentes tem favorecido a produção e a sistematização de novos saberes alicerçados em fundamentos científicos, notadamente sobre as práticas pedagógicas. No ensino de Língua Portuguesa, as pesquisas buscam compreender o que e como se ensina e se aprende durante a escolarização. Nessa perspectiva, realizamos um estudo sobre a formação do professor de Língua Portuguesa e suas implicações na sala de aula, procurando observar a atuação dos alunos-mestres no contexto escolar, durante a realização dos Estágios Supervisionados. Para tanto, elegemos como objetivo geral, investigar como o curso de licenciatura em Letras da UFRN / CERES / Campus de Currais promovia a formação de futuros professores para atender às expectativas das políticas públicas para o ensino de Língua Materna. Tomamos como referencial os PCN, o projeto político pedagógico do curso e autores da área de ensino de Língua Portuguesa e de Educação, dentre eles, Geraldi (1996), Travaglia (1996, 2003), Antunes (2003, 2007, 2009 e 2010), Lomas (2003), Figueiredo (2005), Marcuschi (2001, 2008), Riolfi et al. (2008), Possenti (2003), Alarcão (1996, 2001) Imbernón (2011), Pimenta (2010) e Shön (1993). O estudo está situado no âmbito da Linguística Aplicada e caracteriza-se como pesquisa qualitativa de natureza interpretativista, a partir de uma abordagem de inspiração etnográfica do ambiente do estágio supervisionado. Nos resultados constatamos que os alunos-mestres privilegiam o ensino prescritivo, fundamentado numa concepção de língua como sistema, direcionando o ensino de língua na contramão da abordagem funcionalista (língua / uso), distanciando-se consideravelmente da proposta de formar um aluno crítico e agente de transformação. No que diz respeito à visão dos alunos-mestres sobre o curso, foram elencadas algumas questões relevantes, dentre elas, o caráter conteudístico do curso, a distribuição da carga horária dos componentes curriculares, a revisão das ementas, a oferta de disciplinas de inclusão social, a reorganização das atividades de estágio em relação ao acompanhamento e orientação aos alunos-mestres e, especialmente, a desarticulação teoria / prática que foi considerada como responsável por muitas das dificuldades encontradas pelos referidos alunos na fase de regência de classe nos níveis de ensino fundamental e médio. Desse modo, a partir da análise destes significados construídos pelos alunos-mestres sobre o processo de formação nessa licenciatura de Letras, constatamos a necessidade de uma reestruturação do projeto do curso, em virtude do mesmo apresentar estas fragilidades que precisam ser revistas em função da melhoria da qualidade do ensino de graduação.

     

  • MARINEIDE FURTADO CAMPOS
  • AMBIENTE DE TEXTUALIZAÇÃO NO ENSINO A DISTÂNCIA: O CASO DO FÓRUM EDUCACIONAL

  • Data: 29/11/2012
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  • Esta pesquisa tem como tema o ambiente de textualização no ensino a distância, com foco o fórum educacional, e tem como objetivo geral analisar essa textualização pelo viés da comunicação entre tutor e cursistas. Outros objetivos, mais específicos, são também considerados, quais sejam: verificar a pertinência do fórum educacional para a construção do conhecimento no ensino a distância, buscando entender as funções dos papéis desses sujeitos no e-Proinfo e, ainda, compreender a dinâmica das técnicas de ensino-aprendizagem utilizadas, em sua relação com o material impresso e o ambiente do fórum educacional, atentando-se para a construção discursiva dos sujeitos frente às tarefas agendadas nesse ambiente. Para explorar a temática, tomamos por base uma problemática que interroga, sobretudo, em relação aos modos de interação no fórum, como os temas  são postos na discussão, como os atores sociais dialogam entre si e como ocorre o debate no ambiente virtual. Sendo o fórum educacional utilizado por uma instituição de ensino superior do Rio Grande do Norte, o foco do nosso interesse. O corpus compõe-se de mensagens postadas no fórum durante o módulo “Material Informática”, último dos seis que integram o Ciclo Básico do Programa de Formação Mídias na Educação, promovido pelo Núcleo de Educação a Distância (NEAD), em uma universidade pública do Rio Grande do Norte. A pesquisa está inserida numa abordagem qualitativa, na perspectiva de Merriam (1988), Cresswell (1994) e Minayo (1996).  Para a análise, recorremos a aspectos teóricos referentes ao ensino a distância (Silva, 2008; Brait, 1993; Sperbe e Wilson, 1986; Marquesi e Elias 2008; Xavier, 2005, entre outros), às mídias e às perspectivas das tecnologias aplicadas com relação ao fórum (Baranov, 1989; Neuner, 1981; Kearsley e Moore, 1996), ao ambiente de textualização (Marcuschi, 2008; Costa Val, 2004), às concepções e funções do tutor (Salgado, 2002). Nas conclusões e recomendações, verifica-se que as discussões transcendem o universo prático da interação por meio eletrônico e trazem em si contribuições fundamentais ao ensino a distância. Nas considerações finais, ressaltamos a relevância da pesquisa para os estudos da linguística aplicada e encaminhamos orientações necessárias aos profissionais envolvidos nessa formação continuada, com vistas a uma aprendizagem significativa e coerente com a prática docente em EaD.

  • JOSE FERNANDES CAMPOS JUNIOR
  • OS EXERCÍCIOS DE COMPREENSÃO NA COLEÇÃO PORTUGUÊS LINGUAGENS SOB UM OLHAR BAKHTINIANO: ATIVIDADES DE COPIAÇÃO E RECONHECIMENTO OU ORIENTADAS PARA A CIDADANIA? 

  • Data: 29/11/2012
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  • OS EXERCÍCIOS DE COMPREENSÃO NA COLEÇÃO PORTUGUÊS LINGUAGENS SOB UM OLHAR BAKHTINIANO: ATIVIDADES DE COPIAÇÃO E RECONHECIMENTO OU ORIENTADAS PARA A CIDADANIA? 

  • MARIA DAS GRAÇAS DA SILVA
  • Histórias orais de ribeirinhos do Rio Juruá: um estudo de gênero e discurso de base sistêmico-funcional

  • Data: 26/11/2012
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  • Esta pesquisa, sobre histórias orais de ribeirinhos do vale do Rio Juruá, em municípios do Acre e do Amazonas, teve como objetivo principal investigar, por meio do estudo do gênero discursivo, aspectos linguísticos que caracterizam os participantes e o contexto sociocultural em que tais histórias ocorrem. Os textos foram analisados observando-se os estágios e fases que compõem a sua estrutura esquemática, como forma de configuração do gênero discursivo, e ainda as ocorrências léxico-gramaticais mais frequentes, na busca dos sentidos que guiam as histórias, assim como foi verificado o fluxo de informação em sua estrutura linguística para a compreensão das mensagens. Para atingir os objetivos propostos, foi adotado o arcabouço teórico da Linguística Sistêmico-Funcional, proposta por Halliday (1978, 1985, 1994) e posteriormente desenvolvido e ampliado por seguidores, tais como Eggins (1994, 2002) e Martin e Rose (2007, 2008). A análise quantitativa foi realizada com o apoio do instrumental metodológico da Linguística de Corpus (BERBER-SARDINHA, 2004), utilizando o programa computacional WordSmith Tools (SCOTT, 2009) por meio das ferramentas WordList e Concordance. Na análise qualitativa para a caracterização do gênero foram considerados os estágios obrigatórios de Complicação e Resolução (MARTIN; ROSE, 2008). Nela foram  analisadas treze narrativas e uma anedota, tomando também por base o estudo da Literatura Oral de Cascudo (2004), o que possibilitou, por meio de sistematização, a identificação tipológica (estrutura esquemática do gênero em estágios e fases) e topológica (a relação entre vários gêneros da mesma categoria). O corpus do estudo composto por quatorze textos orais, representados pelas exemplares da lenda do Mapinguari, foi caracterizado como microgênero Histórias Orais, e têm como finalidade entreter, cuidar, orientar, alertar ouvintes sobre os perigos da floresta; o tipo conto, representado pelas histórias da floresta, e categorizado por doze lendas, foi caracterizado como macrogênero Histórias. A análise pelo sistema discursivo de Periodicidade (MARTIN; ROSE, 2007) permitiu compreender a regularidade do fluxo de informação nos textos por meio de itens como os nomes, referenciadores, conjuntivos, continuativos e verbos. As escolhas lexicais representadas por elementos da língua falada retratam os participantes (ribeirinhos) e o contexto sociocultural (floresta) e caracterizam o discurso ribeirinho. A partir desses resultados,  abrem-se possibilidades para outros estudos, tais como o registro dessas histórias para projetos e usos na sala de aula, nos contextos escolares da região, como forma de divulgação, valorização e preservação da cultura de ribeirinhos.

  • ELIZABETE MARIA ALVARES DOS SANTOS
  • INFÂNCIA- MEMÓRIAS: CENÁRIOS-PERSONAS

  • Data: 05/11/2012
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  • Infância é, sem dúvida, memória, literatura, de grande qualidade, respeitável, à medida que a história contada transita entre ficção e realidade. História social e pessoal, com tamanho senso de realidade, fazendo com que o leitor lucre com a honestidade e a sinceridade que produziu, nessa obra, resultados marcantes em sua constância de recortes quadro-a-quadro.

     

    Lembrança e esquecimento são, portanto, os guiadores deste trabalho, tendo como propósito a denúncia do encontro da criança com a violência e, sendo o texto memorialístico, vê-se a importância da ficção para que esse tipo de narrativa se sustente.  Busco, com isso, mostrar no tom humanizador deste relato de memórias, o seu significado profundo e decisivo, através dos conceitos de memória de Le Goff, de Seligmann-Silva e de Ecléa Bosi. É, também, através das teorias de Jeanne Marie Ganegbin que justifico o conceito de lembrança e esquecimento e que, me utilizando dos conceitos de Eliane Zagury, acrescento e amparo a relação da autobiografia como meio de expressão do relato de memórias.

     

    Por último, em Infância, não há espaço para a fantasia. O lirismo que se avassala, no decorrer de cada capítulo, comanda a imaginação do autor. A necessidade de inventar cede espaço à necessidade de depor, de denunciar. E essa transição ocorre de forma lenta e gradual, assim como lenta é a vida do menino Graciliano, diante de tanta humilhação e submissão.

  • FELIPE MORAIS DE MELO
  • Cartas oficiais norte-rio-grandenses dos séculos XVIII, XIX e XX: constituição e caracterização de um corpus diacrônico

  • Data: 17/10/2012
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  • Os estudos diacrônicos marcaram as primeiras décadas do século XX na linguística brasileira, passando por um período de ostracismo após a década de 50. Principalmente a partir da década de 90 – com ênfase na criação, em 1997, do projeto Para a história do português brasileiro (PHPB), que tem sistematizado, em âmbito nacional, os planos de trabalho relacionados à área da diacronia– os estudos históricos da língua retomam força e vêm aumentando paulatinamente desde então. Nosso trabalho situa-se neste novo cenário da linguística histórica brasileira e está relacionado a dois programas de pesquisa: i) a organização de um corpus diacrônico e ii) a diacronia do texto e do discurso. No que respeita ao primeiro programa, empenhamo-nos na constituição de um corpus diacrônico de cartas oficiais relacionadas ao Rio Grande do Norte, a que chamamos cartas oficiais norte-rio-grandenses, escritas nos séculos XVIII, XIX e XX. A escolha por cartas burocráticas se deu por elas representarem uma categoria textual bastante produtiva em ambientes históricos, principalmente dos séculos XVIII e XIX, em que o domínio da escrita era mínimo e também por trazerem, quase sempre explicitamente, informações do tipo onde, quando, para quem e por quem, conforme relembra Fonseca (2003). Os critérios para a constituição do corpus tomaram por base, embora não estritamente, as orientações do PHPB. Com relação ao segundo programa, partimos das ideias de base coseriana advindas dos estudos sobre as tradições discursivas (TD) (Koch, 1997; Kabatek, 2006), dentre as quais a de que os textos se configuram de modo a seguirem suas próprias tradições (Coseriu, 2007), e recorremos à Diplomática (Belloto, 2002), a fim de proceder a uma caracterização desse corpus pela aplicação de conceitos tanto da Diplomática quanto das TD e por meio da apresentação das estruturas que conformam essas cartas: seus gêneros textuais, uma modalidade de TD, com suas macroestruturas; e algumas de suas expressões formulaicas (microestruturas), outra modalidade de TD. Essa etapa da caracterização atentará, sempre que possível, para a dinâmica entre conservadorismo e inovação que se processa na atualização dessas estruturas textuais ao largo dos séculos. Este trabalho pretende contribuir com as investigações ligadas à Linguística Histórica no Rio Grande do Norte, de modo mais pontual as atinentes à constituição de corpora diacrônicos e às TD; e com o estudo dos documentos oficiais, categoria de gêneros textuais sobre a qual praticamente inexistem estudos (cf. Silveira, 2007).

  • JOAO ANTONIO BEZERRA NETO
  • “Sinto uma infinita nostalgia do Oculto”: Vida e Poesia, Silêncio e Morte de Walflan de Queiroz 

  • Data: 05/10/2012
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  • Esta Tese tem por objeto de investigação literária a vida e a obra do poeta potiguar Walflan de Queiroz (1930-1995). Passados mais de 17 anos da sua morte, a sua poesia clama por uma fortuna crítica capaz de identificar suas características formais e estéticas. Nesse sentido, o nosso estudo realiza o resgate da produção poética de Walflan de Queiroz com o objetivo de fornecer os elementos que motivam o seu discurso, o seu lirismo. Apresentamos os seus principais temas, por exemplo, o teor metafísico, a angústia existencial, as paixões platônicas, a morte, a solidão, o silêncio, a influência dos poetas estrangeiros, especialmente, da tradição romântica e simbolista, assim como a manifestação da religiosidade, do sagrado desde sempre atrelada a diversas tradições religiosas do mundo. Sendo assim, a nossa Tese tem como base teórica os fundamentos sobre a tradição poética e sobre o imaginário religioso diluídos ao longo do estudo. 

  • ALISSON DIEGO DIAS DE MEDEIROS
  • O IMAGINÁRIO DO DISCURSO DA MEDIUNIDADE NO PROCESSO DE ESCRITURA EM FERNANDO PESSOA

  • Data: 27/09/2012
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  • A que responde a criação de um mundo fictício? Repulsa ou forma de reação a um mundo exterior? Doença psíquica, cuja marca simbólica pode ser a simulação ou a despersonalização? Difícil assumir uma posição quando é a escritura de um poeta como Fernando Pessoa que está em jogo. Anota Léo Schlafman (1998) que, na idade de 20 anos, Fernando Pessoa escrevera em inglês, no seu diário, “Uma de minhas complicações mentais é o medo da loucura, que em si próprio já é loucura." O que o livrou da loucura, constata Robert Bréchon (1986), era o gosto do jogo e jogo era para ele a sua escrita. Mesmo que isto o tenha livrado da loucura, o poeta não deixou de buscar explicações – ou de fornecê-las – para os fenômenos que tanto o incomodavam, ou o definiam. É aí que vamos nos deparar com o alinhamento de Fernando Pessoa no seio de  correntes filosóficas como o ocultismo e na leitura sobre tratados psicológicos e distúrbios mentais. Eram caminhos buscados por ele para explicar a existência de seus heterônimos e de seu processo escritural. Este trabalho apresenta, assim, como objetivo principal: analisar documentos pessoais de Fernando Pessoa, cuja característica marcante é a presença do ocultismo e da suposta mediunidade defendida como resposta a manifestações não-literárias e heteronímicas. Para tanto, concentrei-me em objetivos específicos, quais sejam: a)estudar o discurso de Fernando Pessoa sobre sua mediunidade/ocultismo; b) analisar específicos textos que são, para o poeta, manifestações mediúnicas; c) estudar excertos de um conjunto de cartas pessoais em que Fernando Pessoa sugeria ser médium. É certo que essa dissertação tocará em muitas discussões já postas por estudiosos e especialistas de Fernando Pessoa, mas consideramos a possibilidade de aprofundar questões e contribuir para a fortuna crítica do poeta. Assumimos o  que anuncia o estudioso português Jerônimo Pizarro (2006), um dos maiores estudiosos da obra pessoana: quem se interessa por Fernando Pessoa se perderá no labirinto criado por ele. Fica a imagem de um Pessoa-Minotauro, senão devorando a todos, prendendo-nos em sua tessitura labiríntica, porquanto marcada pelo mistério. Recorreremos, em nossa análise,  a uma teoria alinhada aos próprios objetos da pesquisa, cujos principais autores são Sigmund Freud (1908) Carl Jung (1991,1996). Helena Blavatsky (2008), Philipe Willemart ( 2005) etc.

  • CÉLIA MARÍLIA SILVA
  • O riso irônico na obra poética de Cruz e Sousa.

  • Data: 25/09/2012
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  • O presente trabalho apresenta uma discussão sobre a poesia de Cruz e Sousa, poeta brasileiro do século XIX. Para este fim, toma-se o riso como categoria analítica por se tratar de um tema pertinente que possibilita uma melhor compreensão do teor lírico de sua obra poética. O riso nos versos de Cruz e Sousa é visto como mecanismo de contrapeso à normatividade e ao princípio de seriedade estabelecidos, além de colocar pelo avesso o que a sociedade institui como sendo verdade natural ou absoluta. No conjunto poético, interessa-nos analisar os poemas que expressam o teor lírico na dupla vertente do riso e da ironia, visto que são usados como meios de crítica à sociedade, em especial à sociedade brasileira do final do século XIX e início do século XX. Para tanto, utilizamos como suporte teórico as teorias sobre o riso elaboradas por Minois (2003), Bakhtin (1993) e Bergson (2007), bem como as teorias referentes à lírica e à sociedade de Adorno (2003), e Antonio Candido (2010).

  • RODOLFO LUIZ BRITO TORRES
  • A Doença que não Ousa Dizer o Nome: Metáfora da AIDS na Obra Caio Fernando Abreu

  • Orientador : ANTONIO EDUARDO DE OLIVEIRA
  • Data: 20/09/2012
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  • Um dos elementos constituintes da obra do escrito brasileiro Caio Fernando Abreu é a problematização da temática da AIDS. A partir da publicação do conto “Pela Noite”, presente no volume Triângulo das Águas (1983), a abordagem da questão da doença passa a ser recorrente na obra do autor, podendo ser destacados diversos exemplos de seus livros seguintes. Guiado por uma poética do silêncio que oculta na narrativa as referências à doença por trás de imagens, principalmente metáforas, Caio constrói seu discurso sobre a AIDS, que apesar do silêncio aparente possui uma reverberação que perpassa com maior ou menos intensidade os textos do autor. A leitura dessas metáforas da AIDS revela um discurso crítico do autor que constrói uma nova perspectiva de leitura sobre a doença. Partindo das perspectivas teóricas de Eve Kosofsky Sedgwick em seu Epistemologia do Armário (1990), em que trata da metáfora do armário como um lugar de ocultação sistemática da identidade homoerótica, e de Susan Sontag em seus ensaios A Doença como Metáfora (1977) e AIDS e suas Metáforas (1988) em que a autora analisa os processos de formação de metáforas em torno de certas doenças, problematizaremos como se dá a criação de imagens sobre a doença na narrativa abreana, mostrando que ela se torna um componente fundamental para a compreensão dessas.

  • IVONETE BUENO DOS SANTOS
  • FOUCAULT E A ARTE DO CUIDADO DE SI: uma nova possibilidade de discussão para a formação continuada de professores de Inglesa

  • Data: 14/09/2012
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  • A presente tese propõe pensar diferente o professor de Língua Inglesa em sua formação continuada, deixando emergir a figura de um novo profissional, que está se produzindo e sendo produzido, na contemporaneidade. Nessa perspectiva, apresento uma análise das escritas si de treze alunos-professores, sobre como estes docentes se posicionam discursivamente ao se constituírem como sujeitos, num contexto de formação continuada. No âmbito da Linguística Aplicada, a trama do tecido teórico metodológico que sustenta a análise dos dados constituídos articulam elementos principais das noções foucaultianas, tais como: o cuidado de si, buscando sua conexão com um cuidado do outro e escrita de si. Nas noções teóricas destes elementos estão implicado as noções de outros, a saber: discurso, ética, tecnologia do eu, e sujeito e verdade. (FOUCAULT, 1984, 1985a, 1995, 2004, 2006), ainda a problematização da ética do sujeito. Proponho-me analisar recortes discursivos selecionados a partir das escritas com alunos-professores de um curso de especialização em Ensino e Aprendizagem de Língua Inglesa, buscando na materialidade linguística os processos de produção de subjetividades. Com o propósito de analisar o processo de subjetivação, examinam-se enunciados dos recortes discursivos selecionados, objetivando apreender, mais especificamente, os pontos de identificação e fragmentos da singularidade dos professores, demonstrando como eles cuidam de si e refletem sobre si na construção de suas subjetividades a partir das tecnologias do eu, ao ocuparem a posição de professores de Língua Inglesa. Os resultados apontam que, no exercício da escrita de si, o sujeito se inscreve, e, numa prática de ascese (exercício), constroem discursivamente suas subjetividades.

  • ADA LIMA FERREIRA DE SOUSA
  • A construção de modelos situacionais no padrão discursivo narrativa em quadrinhos

  • Data: 06/09/2012
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  • Este trabalho tem como objeto de estudo a construção dos modelos situacionais no padrão discursivo narrativa em quadrinhos e insere-se no campo da Linguística Cognitiva, tomando por base, principalmente, as noções de mente corporificada (LAKOFF; JOHNSON, 1999), simulação mental (BARSALOU, 1999), padrão discursivo (DUQUE; COSTA, 2012) e modelos situacionais (ZWAAN, 1999). Parto da hipótese de que o processo de construção de sentidos para as narrativas está atrelado à simulação do espaço, do tempo, dos objetivos e das ações dos personagens do mundo da história, dimensões essas que constituem os modelos situacionais elaborados pelo leitor. A simulação dessas experiências durante o processamento discursivo advém do fato de este ter base corporificada e cultural, ou seja, diante das pistas apresentadas na narrativa, as estruturas cognitivas que compõem as memórias pessoal e social do leitor são ativadas e permitem o acionamento de informações que remetem às suas experiências físicas e sociais, construídas no ambiente em que ele vive. No tocante às narrativas em quadrinhos, a construção dos modelos situacionais está intimamente ligada à ativação recorrente de certas estruturas cognitivas a partir de recursos gráficos típicos daquele padrão discursivo. Essas conclusões foram obtidas a partir da análise de dados retirados da obra Palestina (SACCO, 2003; 2004; 2011).  

  • MIRIAM MOEMA FILGUEIRA PINHEIRO
  • A TV como objeto de leitura da imagem  no contexto escolar: uma pesquisa-ação com alunos do ensino médio

  • Orientador : ADRIANO LOPES GOMES
  • Data: 17/08/2012
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  • Esta pesquisa procura refletir sobre a dinâmica da recepção televisiva, estudando a microsserie Hoje é dia de Maria, produzida pela Rede Globo de Televisão e tem por objetivo geral, promover inferências no processo de leitura da imagem, principalmente à leitura estética no contexto escolar, visando à formação de leitores visuais proficientes. A pesquisa foi desenvolvida com alunos da 3ª série do ensino médio em uma escola pública do Estado, situada geograficamente na cidade do Natal, RN. O enquadre teórico parte dos pressupostos do sociointeracionismo cognitivista para entender a linguagem, ancorada nas idéias de Bakhtin (1992) e Vygotsky (1998) que nos possibilitaram entender a interação social e a Teoria da Recepção Estética e do Efeito Estético com Jauss (1979) e Iser (1999), que proporcionaram a compreensão sobre a experiência estética, efeito estético e produção de sentido. A abordagem metodológica assume um viés qualitativo de caráter interpretativista, dada pelos momentos de entrevistas, observação, questionário e de aplicação de um conjunto de atividades investigativas, como exposição de temas introdutórios, veiculação de imagens e processo de mediação. O trabalho é o resultado de uma investigação-ação, num processo de intervenção pedagógica na escola. Os resultados verificaram que os recursos lingüísticos interacionais mobilizados pelos interlocutores demonstrou a falta de repertório e conhecimento prévio sobre leitura de imagem, o que os levou a fazer inicialmente uma leitura superficial. Ficou evidente que os participantes da pesquisa desconheciam a proposta apresentada, mas, no decorrer dos encontros, foi possível, perceber as suas transformações, pois os conceitos pré-estabelecidos foram com o auxílio da mediação, reflexionados de forma que, ao final, o grupo se sentiu mais autônomo e seguro ao ler as imagens. A pesquisa ainda apontou dados significativos para a escola desenvolver novas metodologias de ensino da leitura televisual. 

  • VITORIA MARIA AVELINO DA SILVA PAIVA
  • AVALIANDO A APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA EM UMA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO A PARTIR DE CONTRIBUIÇÕES DISCENTES. 

  • Data: 31/07/2012
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  • Este trabalho é fruto de uma pesquisa ação qualitativa de base etnográfica (NUNAN, 2007; BOGDAN; BIKLEN, 1994)  desenvolvida em uma escola pública de ensino médio da rede estadual de ensino na cidade de Lajes, RN, em 2011. Constituiu-se como objetivo principal da pesquisa oportunizar a contribuição dos educandos no seu processo de avaliação de língua inglesa, a partir de uma análise das representações (SANTAELLA; NÖTH, 2008; PROSSER,1998) que esses estudantes constroem sobre os instrumentos avaliativos (SANT’ANNA, 2002). Ao discorrer sobre a avaliação da aprendizagem de língua inglesa (SCARAMUCCI, 2009; DEMO, 2008; CANAN, 1996) praticada antes e depois das contribuições feitas pelos estudantes da segunda série do ensino médio da referida escola, o estudo apresenta possibilidades para a realização do ato avaliativo que considerem a participação dos estudantes nas decisões que concernem a este processo, por entender que, ao dividir as responsabilidades inerentes aos resultados advindos do ato de avaliar, o professor não mais será tido como o único responsável pela aprovação ou reprovação de seus educandos. 

  • JANAINA MORENO MATIAS
  • Um ser (tão) de vozes: o estilo e o acabamento estético na poesia de Patativa do Assaré

  • Data: 30/07/2012
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  • A produção artística Cante lá que eu canto cá (2004) do poeta cearense Patativa do Assaré se constitui em corpus de nossa pesquisa, que tem como objeto de estudo o estilo na lira patativiana. Enveredar pelo caminho do estilo e nos lançarmos nesse sertão da escritura patativiana, deve-se ao fato de a obra do poeta de Assaré estar prenhe de sentidos de identidades próprias de sua região como também das diferentes vozes constituidoras de sua vocalidade poética. Pretendemos investigar, em sua materialidade linguístico-discursiva, como o poeta constrói o seu estilo. Em outras palavras, verificar de que forma ele dá acabamento estético ao seu dizer poético (sua voz e a voz alheia), ao seu canto patativiano. Nossa análise será alicerçada pela concepção de sujeito e de relações dialógicas entre textos, conforme concebe Bakhtin (1992, 2003, 1995). Para esse teórico, o reconhecimento do sujeito e do sentido é imprescindível para a constituição de ambos. Com o intento de discorrer sobre as diferentes vozes constituidoras da linguagem do poeta, teremos como paradigma a LA e a perspectiva dialógica da linguagem segundo Bakhtin (2003), pois acreditamos que, por meio dessas abordagens, seja possível relacionar o mundo da ciência ao mundo da vida. Elegemos, para análise, as concepções de estilo, de vozes e de relações dialógicas. Devido à pesquisa apresentar interface entre a LA e a Literatura, adotamos como abordagem metodológica a pesquisa documental tendo como base o modelo sócio-histórico da linguagem, entendendo esta compreendida como uma prática discursiva. Nesse tipo de investigação, o conhecimento é reconhecido como algo construído na interpretação da linguagem. Dessa forma, o procedimento não poderá excluir nem as relações sociais nas quais a linguagem é produzida, nem o mundo social que (in) determina, interfere, representa, interpenetra, ou até reformula essa linguagem, nem tampouco o caráter indisciplinar que a pesquisa exige. 

  • MARCOS CÉSAR TINDO BARBOSA
  • ANÁLISE COMPARATIVA DE TRADUÇÕES DO CANTICO DOS CANTICOS

  • Data: 19/07/2012
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  • Esta dissertação estuda duas traduções do Cântico dos Cânticos ( שיר השירים [ˈʃiʁ haʃiˈʁim], conhecido também em português como os Cantares de Salomao), efetuadas em diferentes conjunturas sociais, quais sejam uma de diretriz religiosa (GORODOVITS & FRIDLIN, 2006) e outra de pretensões predominantemente literárias (CAMPOS, 2004). Observam-se especialmente as divergências entre as duas, no que diz respeito ao erotismo presente no poema, e analisando as suas prováveis razões discursivas. Não se visa aqui a produção de uma nova tradução, mas a comparação e o comentário das escolhas tradutórias em determinados excertos das obras selecionadas. A argumentação desenvolve-se através dos seguintes encaminhamentos: após a apresentação do objeto de estudo com o debate que sempre o acompanha acerca das polêmicas de datação e autoria, passa-se à exposição do problema do qual se ocupa a hipótese, assim como os objetivos e os parâmetros metodológicos que regeram a elaboração desta dissertação. Consecutivamente,

    elencam-se os pressupostos teóricos que emolduram as análises propostas, aborda-se também a sexualidade segundo a religião contemporânea (por se tratar de um livro ao qual se agregou valor religioso) nas instituições que adotaram o Cântico dos Cânticos, a saber: o judaísmo e o cristianismo católico e protestante, assim como o processo possivelmente efetuado durante essa adoção quanto ao enviesamento interpretativo e à atribuição autoral: visa-se compreender as razões da incongruência causada pelo sexo que permeia o texto em questão em relação à religiosidade contemporânea, e especula-se sobre a sua canonização, considerando como esse desencaixe pode ter mudado o curso da sua exegese tradicional para a alegoria que se tornou a sua leitura majoritária, inclusive engendrando a atribuição tradicional da sua suposta origem. Somente então se dá início à análise comparativa das traduções, a fim de se constatar a provável existência dum viés discursivo transparecente das formas como cada uma destas obras verteu as porções do texto-fonte, para o português, que continham marcas de erotismo, observando se respeitaram ou não as leituras tradicionais que insuflaram no texto o seu pendor alegórico de caráter religioso. O estudo segue um encaminhamento teórico que leva em conta: a) teorias da tradução – ALLOUCH (1995), ANDERMAN (2007), BASSNETT (2001), etc.; b) questões de autoria – apoiando-se nas recentes discussões da Análise do Discurso – (MAINGUENEAU (2008, 2010), POSSENTI (2009), etc.; e, c) problematização do erotismo em textos sagrados – GONÇALVES (2010), GOMES, (2008), SILBERMAN (2006), etc..

  • IVONEIDE BEZERRA DE ARAUJO SANTOS
  • PROJETOS DE LETRAMENTO NA EDUCAÇÃODE JOVENS E ADULTOS: o ensino da escrita numa perspectiva emancipatória. 

  • Data: 28/06/2012
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  • Esta pesquisa-ação de vertente etnográfica se insere no campo da Linguística Aplicada, tendo por objeto de estudo os projetos de letramento (KLEIMAN, 2000), por imprimirem um novo sentido às práticas de letramento escolarizadas, pondo em relevo o caráter agentivo da escrita e o papel dos gêneros discursivos na formação de agentes de letramento que visam à ação e à mudança social. Considerando o potencial emancipatório que assumem essas organizações didáticas no letramento cívico de educandos que vivem em situação de risco e vulnerabilidade social, objetivamos nesta investigação: refletir sobre o papel dos projetos na ressignificação das práticas de letramento escolar e investigar como se dá a ação de professores e alunos como agentes de letramento. De forma mais específica, elegemos como objetivos: Ademais, elegemos como objetivos específicos: promover eventos de letramento que oportunizem a prática da escrita para a ação e mudança social; compreender como se dá a construção identitária de alunos-agentes de letramento, refletindo sobre seu processo de agência nos projetos de letramento; identificar estratégias e procedimentos de ensino que possibilitam o desenvolvimento de práticas de linguagem emancipatórias; investigar valores axiológicos construídos pelos educandos no e sobre o trabalho com a escrita em projetos de letramento. A nossa discussão está ancorada na concepção de linguagem de base bakhtiniana (BAKHTIN/VOLOSHINOV, 2000; BAKHTIN, 1990, 2003); nos estudos de letramento (KLEIMAN, 1995; BAYNHAM, 1995; BARTON; HAMILTON; IVANIC, 2000, LAZERE, 2005); nos estudos críticos defensores da ideia de que os textos se constituem em instrumentos ideológicos capazes de conferir poder aos indivíduos (MCLAREN, 1988, 1991, 1997, 1999, 2000, 2001; FREIRE, 1971, 1978, 1979, 1982, 1992, 1996, 2001a, 2001b, 2009; GIROUX, 1983, 1986, 1990, 1992, 1997, 1999, 2003; APPLE, 1989); na abordagem social de gênero inspirada na Nova Retórica (BAZERMAN, 2005, 2006, 2007; MILLER, 1984, 2009). Os dados foram gerados no período de 2006 a 2010 na Educação de Jovens e Adultos (EJA), em escolas da rede pública de ensino de Natal-RN. A pesquisa permitiu-nos depreender, em primeiro lugar, que a ressignificação do trabalho com os gêneros discursivos abre a possibilidade para que o educando leia e escreva para agir discursivamente no mundo social, ganhando, assim, empoderamento, autonomia e emancipação; em segundo lugar, que envolver alunos em projetos de letramento vai além de uma competência didática vinculada a especificidades e ao domínio de conteúdos. É preciso que o professor tenha clareza de para quem, o que, por que e como ensinar e assuma uma postura reflexiva, tornando-se também um aprendiz; em terceiro lugar, que a partir das práticas de letramento desenvolvidas, os colaboradores da pesquisa construíram uma visão mais consciente e crítica em relação à língua e ao mundo no qual atuaram, mediante a escrita sociopolítica, como cidadãos interventivos e politizados.

  • LISBETH LIMA DE OLIVEIRA
  • Les lauriers sont coupés: a exibição do pensamento e da linguagem

  • Orientador : FRANCISCO IVAN DA SILVA
  • Data: 14/06/2012
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  • O presente trabalho tem como ponto de partida a  obra Les lauriers sont coupés, do escritor francês Édouard Dujardin. O livro, escrito em 1887, tornou-se conhecido somente em 1924, quando o escritor James Joyce declarou ter sido influenciado por essa obra para escrever o monólogo de Molly Bloom, personagem de Ulisses, usando uma técnica chamada monólogo interior, até então não utilizada por outro escritor. Neste sentido o autor é situado como parte integrante do seu tempo no contexto do final do século XIX, sofrendo também a influência de Mallarmé e Wagner  na construção do livro. A Canção dos Loureiros, título adotado na tradução de Élide Valarini (1989) para a obra Les lauriers sont coupés, foi analisado identificando-se elementos do Simbolismo.

  • MARIA NIVIA DANTAS
  • Mundos de letramento e agência na formação da identidade do seminarista

  • Data: 12/06/2012
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  • Atualmente, os conceitos de mundos de letramentos e agência social nos permitem observar o desenvolvimento de competências relacionadas às práticas sociais e às ações transformadoras que influenciam, de forma decisiva, a vida de jovens seminaristas e a vida das comunidades das quais fazem parte. Este trabalho objetiva contextualizar social e culturalmente os letramentos na esfera do lar e a influência da família na formação do seminarista bem como evidenciar o papel do grupo de jovens na formação pessoal e o fortalecimento do sentimento de autoestima produzido pela relação de confiança e pela delegação de responsabilidades. Procura-se, por fim, descrever os principais pilares formadores do Seminário, como agência de letramento, e sua importância na formação identitária do seminarista. Trata-se de pesquisa qualitativa de cunho etnográfico cuja metodologia baseia-se em análise de narrativas semiestruturadas e questionários sócio avaliativos. Os fundamentos teóricos que sustentam nossa pesquisa estão ancorados nos estudos de letramento (BARTON, HAMILTON, & IVANI, 2000; STREET, 2003; OLIVEIRA, 2010), na Análise do Discurso (FAIRCLOUGH, 2001), no Realismo Crítico (ARCHER, 2000; AHEARN, 2001), na Sociologia (GIDDENS, 2003, 2005); (SZTOMPKA, 2005), no Interacionismo Simbólico (BERGER, P. L. e LUCKMANN, 2009). A análise dos dados nos permitiu: 1) (re)afirmar o papel da instituição família como a principal guardiã do conjunto de ideias e valores, os quais fortalecem as representações sociais associadas a essa instituição, sendo responsáveis pela formação identitária de nossos colaboradores; 2) reconhecer o importante papel social desempenhado por instituições sociais informais que, com o objetivo de promover ações evangelizadoras e solidárias, proporcionam aos seus catequizados o desenvolvimento de múltiplas competências direcionadas à agência pessoal e social, dentre as quais destacamos as Pastorais como fortes aliadas nesse processo formador de identidades sociais positivas, porque os indivíduos que delas participam adquirem competências agentivas que são responsáveis por transformações de ordem pessoal e social; 3) descrever os processos formadores que permitem a manutenção da tradição dentro de uma instituição religiosa. Nossos achados apontam para a necessidade de compreendermos a sociedade como constituída e constituinte de muitos e diversos mundos de letramento, os quais estão a serviço de todo aquele que consegue se perceber como ser atuante no mundo.

  • MASSIMO PINNA
  • VEREDAS INFINITAS: RECEPÇÃO ITALIANA DE GRANDE SERTÃO: VEREDAS

  • Data: 04/06/2012
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  •  

    O objetivo principal deste trabalho é avaliar as dificuldades de compreensão e de
    identificação na recepção pela cultura italiana da obra Grande sertão: veredas,
    desde as encontradas de modo inaugural pelo tradutor italiano, como também as que
    foram sentidas e indicadas no momento de sua leitura pelos críticos, acadêmicos, o
    autor desta pesquisa, e, sobretudo, pelos leitores comuns, mostrando, por outro
    lado, que os problemas encontrados pelos italianos na tradução existem, sob certos
    aspectos, para os brasileiros urbanos, pois a dimensão linguístico-geográfica
    presente no romance é tão peculiar que até mesmo muitos leitores de língua
    portuguesa desconhecem o mundo moldado pela linguagem de Guimarães Rosa – o que
    revela um acirramento da questão universal expressa na fórmula "traduttori,
    traditori".  A partir daí tentamos evidenciar que, embora a tradução de Edoardo
    Bizzarri tenha alcançado excelente resultado, a obra rosiana, assim como na poesia e
    mais que em qualquer outra narrativa, impõe na passagem de um idioma para outro
    perdas incontornáveis, seja da harmonia musical e rítmica, seja da riqueza semântica
    que se oculta no texto original.


  • JOSE WANDERSON LIMA TORRES
  • O Aleph e seus duplos: mímesis e auto-reflexividade na obra de Jorge Luis Borges

  • Data: 02/06/2012
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  • Este estudo aborda a prosa de ficção de Jorge Luis Borges sob a ótica
    da mímesis e da auto-reflexividade. Parte-se da hipótese de que o Aleph é o símbolo
    central do universo ficcional de Borges, e que sua retomada e reescrita ao longo de
    toda a obra borgeana vincula-se a uma reflexão sobre as possibilidades e os limites
    da mímesis. Divide-se o trabalho em três partes, cada uma contendo dois capítulos.
    A primeira parte – Revisão bibliográfica e fundamentos conceituais da pesquisa –
    discute a fortuna crítica do autor (Capítulo 1) e os conceitos que dão sustentação
    à pesquisa (Capítulo 2). A segunda parte – Sobre o projeto estético de Jorge Luis
    Borges – delineia o projeto literário defendido por Borges: sua concepção de literatura
    e suas matrizes ideológicas (capítulo 3); seu antipsicologismo e sua nostalgia do epos
    (capítulo 4). A terceira e última parte intitula-se O Aleph e seus duplos; no capítulo
    5, analisa-se o conto “El Aleph”, considerando sua centralidade na obra borgeana
    e como nele se elabora uma reflexão sobre a mímesis; no capítulo 6, sob a mesma
    perspectiva, analisam-se quatro contos de diferentes obras do autor – “Funes el
    memorioso”; “El Libro de Arena”; “El evangelio según Marcos” e “Del rigor en la
    ciencia”. Constata-se que a literatura de Borges, autoconsciente de seus processos,
    como o demonstram seu senso paródico e sua procedência livresca, exaspera a crise
    mimética da linguagem e tensiona os liames que unem ficção e realidade, porém não
    sucumbe à perspectiva niilista de fechamento da literatura ao mundo.

  • PETERSON MARTINS ALVES ARAUJO
  • OS SERTÕES INFINITOS DA ESTÉTICA HIPER-REGIONAL DE JOÃO GUIMARÃES ROSA E ARIANO SUASSUNA

  • Data: 01/06/2012
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  • O espaço liso do Sertão (na perspectiva deleuzeana) condensa a própria construção imagética da identidade nordestina, na perspectiva de boa parte dos habitantes sulistas (isto é, das regiões Sul e Sudeste) do Brasil, homogeneizando as diversas referências heterogênicas culturais do Nordeste. Daí, porque ao longo da nossa construção literária, esse espaço será sempre retomado em diversas estéticas com nuances estereotipadas. Assim, tendo em vista o exposto, este trabalho pretende dirimir essa visão preconceituosa em torno do nordestinoatravés de uma reconfiguração universal desse espaço identitário e cultural denominado Sertão (que se tornou síntese desta região). A reconfiguração universal desse espaço foi observada a partir de uma estética artística original que denominamos de hiper-regional constatada a partir de um estudo comparativo entre os romances “Grande Sertão: veredas” de João Guimarães Rosa e “Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta” de Ariano Vilar Suassuna. Para tal intento, partimos do ensaio “Literatura e Subdesenvolvimento” de Antonio Candido, no qual traça uma linha histórica nas transformações da estética regional fundamentando-se em uma visão econômica-ideológica de cada período literário a partir do Romantismo brasileiro (séc.XIX). No entanto, apesar de nos utilizarmos de várias linhas teóricas para traçar essa nova estética, a linha-mestra de nossa análise estará, essencialmente, em Bakhtin (1998; 2003; 2008; 2009) onde se debruçando sobre a categoria do narrador e de seu discurso (na estética hiper-regional), observaremos o intenso hibridismo da forma romanesca. Para explicar essa intensa diluição da forma estabelecemos dois processos de análise que denominamos de redemoinho narrativo efeito matrioshka (explicados nos capítulos centrais da tese). Por fim, chegando à análise do “cronotopo” do Sertão (cronotopia principal da estética hiper-regional que articula os cronotopos do “Romance Autobiográfico” e do “Romance de Cavalaria” apontados por Bakhtin em sua obra “Questões de literatura e estética: a teoria do romance”, 1998) atingiremos o conceito identitário do “enraizamento dinâmico” proposto por Michel Maffesoli. 

  • LANAIZA DO DO NASCIMENTO SILVA ARAUJO
  • A complexidade do ser fictício: a construção da personagem Marcela no romance A Ostra e o Vento.

  • Data: 04/05/2012
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  • Observa-se na narrativa moderna uma busca cada vez mais frequente por atribuir aos personagens uma natureza ampla, complexa, distanciada dos seres definidos e bem delimitados da narrativa tradicional. Com este trabalho, objetivamos desenvolver um estudo em torno da personagem Marcela no romance A Ostra e o Vento (1964), do escritor Moacir Costa Lopes, considerando a constituição da complexidade do ser fictício por meio da análise de elementos estruturais, semânticos e temáticos. Em um primeiro momento, apresentamos uma breve discussão teórica em torno da categoria personagem romanesca, partindo, em seguida, para uma análise detida do universo diegético da obra, apresentando a trajetória complicada de Marcela. Posteriormente, concentramos nosso olhar no exame da estruturação da narrativa que edifica a imagem complexa da personagem, por meio da técnica dos pontos de vista cruzados e da fragmentação temporal. Por fim, analisamos as relações sociais conflitantes que caracterizam o interior conturbado de Marcela e a linguagem simbólica e metafórica que oferecem um grande número de representações distintas da personagem, impossibilitando a construção de uma imagem coerente e bem estruturada. Para tanto, partimos de estudos de teóricos como Antonio Candido, Anatol Rosenfeld, Vitor Manuel de Aguiar e Silva, Fernando Segolin, Gérard Genette, Michel Zéraffa, entre outros autores pertinentes.

  • DANIEL DANTAS
  • A argumentação como elemento discursivo na mídia digital: um estudo sobre o Blog “Fatos e Dados”

  • Data: 27/04/2012
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  • Esta tese estuda a utilização da argumentação como elemento discursivo em mídias digitais, em particular os blogs. Analisamos o Blog "Fatos e Dados", criado pela Petrobras no contexto de denúncias de corrupção que culminaram na instalação de uma CPI para investigar a empresa no âmbito do Congresso Nacional. Pretendemos compreender a influência que os elementos discursivos acionados pela argumentação exercem em blogs e sobre o agendamento de temas. Para tanto, trabalhamos com noções de argumentação em diálogo com questões de linguagem e discurso a partir da obra de Charaudeau (2006), Citelli (2007), Perelman & Olbrechts-Tyteca (2005). Foucault (2007, 2008a), Bakhtin (2006) e Breton (2003). Observamos, também, nosso objeto a partir das perspectivas das representações sociais, de onde procuramos esclarecer conceitos como imagem pública e o uso das representações como elementos argumentativos, tomando em consideração a obra de Moscovici (2007). Consideramos,também, as reflexões acerca de hipertexto e do contexto da cibercultura, com autores como Lévy (1993, 1999, 2003), Castells (2003) e Chartier (1999 e 2002), e de questões de análise do discurso, principalmente em Orlandi (1988, 1989, 1996 e 2001), como também em Foucault (2008b). Aproximamo-nos de nosso objeto a partir de uma perspectiva de estudo de caso para coleta de dados, realizando um recorte de 118 posts publicados nos primeiros 30 dias de existência do Blog "Fatos e Dados" (entre 2 de junho e 1 de julho de 2009), sendo analisados detalhadamente os dez primeiros.

    Um blog corporativo tem como objetivo explícito defender pontos de vista e imagem pública da organização, e, por isso mesmo, utiliza elementos das representações sociais para construir seus argumentos. Perpassa a todo o Blog, como principal critério de noticiabilidade, inclusive nos posts que analisamos, a credibilidade da Petrobras como fonte das informações. Surgem, também, nos posts analisados os valores-notícia da inovação e relevância. A polêmica que o Blog travou com a imprensa resultou de uma inadequação e falta de preparação da mídia para lidar com um blog corporativo que soube explorar as características de liberação do polo da emissão na cibercultura. O Blog é uma manifestação discursiva falada em uma situação histórica concreta, cuja compreensão e atribuição de sentido se realiza a partir das relações sociais estabelecidas entre sujeitos que, boa parte das vezes, se colocam em formações discursivas e posições ideológicas disputa entre si – essa disputa interfere também nos movimentos de leitura e na produção de leitura. Concluímos que as relações intersubjetivas que ocorrem nos blogs alteram, na forma das técnicas argumentativas utilizadas, as noções de noticiabilidade, interferindo no agendamento de notícias e na organização das informações em veículos da mídia digital. Restou claro, também, a influência que os elementos discursivos acionados pela argumentação exercem, na mídia digital, procurando redimensionar e ressignificar quadros da realidade por ela veiculados em relação aos sujeitos-leitores. Os blogs passaram a fazer parte do cenário informativo com a emergência da Internet e conseguem interferir de um modo mais efetivo na organização do agendamento da mídia a partir da utilização consciente de elementos argumentativos nos seus posts. 

  • KASSIOS CLEY COSTA DE ARAÚJO
  • Práticas discursivas e relações afetivas na contemporaneidade: o caso dos verbos ficar e namorar

  • Data: 26/04/2012
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  • Este trabalho insere-se na área de investigação da Linguística Aplicada, circunscrevendo-se na compreensão da linguagem e sua constituição nas práticas sociais e configura-se como uma pesquisa qualitativa, a qual privilegia aspectos essenciais que envolvem o sujeito em sua prática discursiva, o sentido e valor, numa abordagem da teoria dialógica dos autores do Círculo de Bakhtin. Em face disso, tem-se como objeto de estudo os sentidos e valores atribuídos aos verbos ficar e namorar, partindo da questão da redação do Processo Seletivo Vestibular 2005 da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), cuja instrução é a seguinte: “Em um relacionamento a dois, qual a melhor opção a ser feita? Deve-se apenas ‘ficar’, somente namorar, ou, alternadamente, ‘ficar’ e namorar?”. As redações elaboradas pelos candidatos permitem questionar que sentidos e valores ficar e namorar assumem hoje, enquanto expressão de relações afetivas e como essas relações podem interferir na tomada de posição dos sujeitos (VOLOSHINOV, 1995) em uma situação formal como é o vestibular, bem como verificar as diversas formas de apropriação do discurso alheio presente nesses textos. As produções textuais refletem sobre as relações afetivas na contemporaneidade, assumindo um posicionamento contrário às relações de natureza temporária, o que margeia todos os textos analisados e ratificam não só a fluidez dos relacionamentos afetivos (BAUMAN, 2009), mas ainda a multiplicidade do sujeito contemporâneo (HALL, 1997).

  • MAYARA COSTA PINHEIRO
  • TERRA NATAL, DE FERREIRA ITAJUBÁ, E A PERMANÊNCIA DO ROMANTISMO

  • Data: 23/04/2012
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  • Nesta dissertação, desenvolvemos a tese de que a obra Terra Natal, produzida pelo poeta norte-rio-grandense Ferreira Itajubá, apresenta, predominantemente, temas e formas do Romantismo, mesmo tendo sido publicada em 1914, ano em que a estética romântica não estava mais em alta voga na Literatura Brasileira. Inicialmente, traçamos considerações sobre Ferreira Itajubá, incluído a sua biografia, sua produção bibliográfica e a fortuna de crítica acerca da sua obra. Em seguida, delineamos o percurso do Romantismo desde seu surgimento na Europa, passando por sua difusão no Brasil, até chegar à sua repercussão no Rio Grande do Norte. Por fim, desenvolvemos uma análise de Terra Natal, na qual tanto ressaltamos aspectos contextuais e estruturais, como temáticos. Elegemos para uma leitura mais detalhada os cantos VIII, IX, XVIII, XXI, bem como a canção “Viola”, presente no canto VIII. Durante a análise, destacamos os seguintes temas românticos: o exílio, a evasão para ao passado, a exaltação do solo natal, a visão romântica da figura feminina, projeção do estado d’alma na natureza e a religiosidade; sempre tentando estabelecer diálogos entre Terra Natal e a obra de autores consagrados do romantismo brasileiro, a exemplo de Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, José de Alencar, Visconde de Taunay e Castro Alves, com o fim de mostrar a filiação de Terra Natal aos ideais de uma tradição romântica.

  • BRUNO FERREIRA DE LIMA
  • Título: O ENSINO DE INGLÊS NO IFRN: Entre as recomendações do currículo proposto e as ações do currículo ensinado

     

     

     

     

  • Data: 16/04/2012
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    RESUMO

     

    Este trabalho tem como objetivo compreender o ensino de Inglês no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RN (IFRN) considerando as recomendações dos documentos oficiais e técnicos para o Ensino Médio Integrado e a perspectiva dos professores da disciplina lotados em um dos campi do referido Instituto. Também constitui objetivo desta pesquisa depreender até que ponto a perspectiva dos professores se articula com as recomendações documentais. Para isso, realizamos um levantamento de vários documentos oficiais e técnicos (LÜDKE; ANDRÉ, 1986), tais como os PCNEMs (BRASIL, 2000), as OCNEMs (BRASIL, 2006) e o Projeto Político-Pedagógico do IFRN (IFRN, no prelo), e aplicamos um questionário por via eletrônica a seis professores de Inglês de um dos campi da instituição. O referencial teórico da pesquisa apoia-se, entre outros, em Bakhtin (1997; 1999), Widdowson (1978), Almeida Filho (2011; 2004), Celani (1988; 2009), Hutchinson e Waters (1987) e Dudley-Evans e St. John (1998). Os resultados mostram que o ensino de Inglês segundo os documentos prevê o uso instrumental da língua estrangeira, mas preconiza o desenvolvimento de competências e habilidades como práticas sociais contextualizadas, visando à formação integral do aluno como um profissional-cidadão. A perspectiva dos professores, por sua vez, aponta para uma preocupação que o ensino de Inglês sirva como ferramenta de melhoria de vida do aluno a partir do uso instrumental da língua como forma de acesso a informações e qualificação profissional. Tal constatação releva que a articulação entre as recomendações documentais e a perspectiva dos professores não vai além do que se refere ao ensino instrumental de língua, já que os docentes não evidenciam, no relato de suas práticas, o ensino de língua como prática social, conforme inscrito nos textos legais.

     

     

     

  • ARIVALDO LEANDRO DA SILVA MONTE
  • MEMÓRIA E ORALIDADE NA FICÇÃO DE MIA COUTO: CADA HOMEM É UMA RAÇA

  • Data: 13/04/2012
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  • Nesse trabalho será realizada uma análise de quatro contos de Mia Couto (2005) do livro Cada homem é uma raça: “O embondeiro que sonhava pássaros”; “A princesa russa”; “O pescador cego” e “A lenda da noiva e do forasteiro”. O Estudo, sob a perspectiva da memória e da oralidade, terá como foco a observação da transformação dos componentes da realidade sociocultural e histórica, de Moçambique, em elementos de ficção literária.  Esse percurso elucidará, em parte, a unidade orgânica que constitui a obra e que gira em torno dos elementos da tradição, da memória e da oralidade. Nosso estudo verificou a importância desses componentes culturais para a harmonia institucional da sociedade, e o quanto velam pela tradição, pelo conhecimento transmitido de geração a geração através da oralidade. Este ponto é um importante marcador de diferenças. Pois as sociedades escritas dão menos importância ao que é transmitido oralmente, deixando o que é tradição para segundo plano. Trata-se de uma compreensão que acabou por provocar o pensamento distorcido a respeito do que é tradição oral, a qual não se resume a lendas, contos de fadas, danças e folclores. Há de se considerar sua memória inscrita em cada símbolo, algo que justifica o ser como indivíduo possuidor de uma história coletiva.

  • ANTONIO PETERSON NOGUEIRA DO VALE
  • Política, Canção e Teatro: o conto “Aqueles Dois” de Caio Fernando Abreu reverberando no cotidiano brasileiro

  • Data: 04/04/2012
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  • Os mergulhos na obra de Caio Fernando Abreu estão predestinados a ter uma profunda análise social e resultar numa luta agônica entre amor, sociedade e política. Esta dissertação, Política, Canção e Teatro: o conto “Aqueles Dois” de Caio Fernando Abreu reverberando no cotidiano brasileiro, mostra que o mergulho dado aqui busca analisar, a partir de uma perspectiva comparativista, os ângulos observados pelo autor ao escrever durante os anos de chumbo no Brasil, a época da Ditadura Militar, a influência dos Beatles e a do músico/poeta Caetano Veloso com o movimento Tropicalismo. Neste trabalho, analisa-se o papel do narrador no desenvolvimento do conto como uma representação de uma sociedade irremediável e de como essa narrativa se acomoda em um fazer teatral. A leitura deste trabalho dissertativo se apóia na análise do conto “Aqueles Dois”, do livro Morangos Mofados, e a influência da música Strawberry Fields Forever, dos Beatles, e as discussões acerca das imagens que se fazem presentes na narrativa como estrutura essencial para o processo da montagem do espetáculo homônimo pela Cia. Luna Lunera, MG, através do mecanismo de tradução, do literário ao cênico, apoiado nas ideias de Patrice Pavis.

  • ALUÍSIO BARROS DE OLIVEIRA
  • ÁFRICA(S), MOÇAMBICANIDADE, MIA COUTO: uma varanda para o Índico

  • Data: 03/04/2012
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  • Sempre vista pelos olhos de fora, desconhecedores das línguas e outras “realidades” que a constitui, a África, notadamente Moçambique, agora se (re) inventa, palimpsesticamente, nas narrativas de seus griots, narradores e/ou contadeiros de estórias. Nossa dissertação pretende, pela análise crítica do romance A varanda do frangipani, demonstrar que o escritor moçambicano Mia Couto tenciona participar do processo de (re) construção de uma nação devastada por guerras e conflitos, baseado na crença de que o papel do escritor “é o de criar os pressupostos de um pensamento mais africano, para que a avaliação do seu lugar e do seu tempo deixe de ser feita a partir de categorias criadas pelos outros” (COUTO, 2005). Inicialmente, demonstraremos como o sistema literário moçambicano se constituiu; em seguida, a inserção da narrativa coutiana ante a tradição imperante e, por fim, pela análise dos elementos constituintes do romance escolhido, o modo como – feitopeça de resistência à reificação, à coisificação do indivíduo no mundo contemporâneo –, a sua escritura se fará presente nesta partilha. Além de Mia Couto, contaremos em nossa empreitada com as lições de Candido, Noa, Hernandez, Adorno, Paz, Fonseca, Secco, dentre outros estudiosos da narrativa e da narrativa africana de língua portuguesa, notadamente a moçambicana.

  • CARLOS ANDRE PINHEIRO
  • ESSA MARCA DE SUOR NUMA CANÇÃO: O PROCESSO DE REDUÇÃO ESTRUTURAL NA POESIA DE ZILA MAMEDE

  • Data: 26/03/2012
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  • Ao longo dos séculos, as relações entre literatura e sociedade foram analisadas a partir de diferentes perspectivas, de modo que os estudiosos ora se voltavam para os aspectos da realidade social, ora destacavam a natureza da obra literária. Acreditamos, contudo, que Antonio Candido alcançou um ponto de equilíbrio ao desenvolver o conceito de redução estrutural ou formalização, isto é, o processo através do qual a realidade social e humana se torna um componente da estrutura literária. Trilhando um caminho de mão dupla, o autor consegue recuperar os dados de ordem social sem perder de vista a materialidade do texto. E são exatamente tais pressupostos teóricos que orientam o desenvolvimento desta tese. O principal objetivo é, portanto, fazer uma análise da poesia de Zila Mamede a partir do seu processo de redução estrutural. Pretende-se, com isso, mostrar que a estrutura da lírica mamediana revela dados significativos da sociedade na qual a autora estava inserida. Consequentemente, acabamos por efetuar o exame da temática social que perpassa a sua obra. Inicialmente, examinamos o modo como Zila Mamede representou a vida cotidiana da sociedade. A partir da organização estrutural dos poemas, percebemos que as cenas interioranas representam um ato resistência contra o perfil fragmentário da sociedade capitalista; é por esse motivo que elas aparecem intimamente vinculadas à ideia de tradição. A relação dicotômica instituída entre o dado regional e o elemento modernizador é reforçada, inclusive, pela organização do espaço, pois enquanto a cidade de concreto aponta para uma ordem social fracionária, o campo tem um feitio harmonioso e acolhedor. Em linhas gerais, a cidade moderna delineada por Zila Mamede é uma espécie de simulacro da sociedade industrial. As imagens campestres, por sua vez, funcionam como antídoto contra as hostilidades características da nova condição urbana. Dessa forma, o campo desempenha a função de reestruturar a personalidade do indivíduo afetado pela experiência reificante das grandes cidades. Os conflitos que transpassam a lírica mamediana são reflexos do processo modernizador da cidade de Natal e da própria instabilidade política do país, que passou por diferentes regimes de governo ao longo dos anos em que a autora exerceu a sua atividade literária.

     

  • NATALIA DE LIMA NOBRE
  • O processamento discursivo e suas bases corpóreas: as estratégias cognitivas de alunos da Educação de Jovens e Adultos na compreensão de narrativas

  • Data: 16/03/2012
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  • Nos últimos anos, as pesquisas em Linguística Cognitiva (LC) têm se debruçado sobre a atividade de compreensão discursiva e postulam que nesse processo ocorre a ativação e integração de estruturas cognitivas estáveis, os esquemas e frames, a cada processamento cognitivo on-line. No entanto o que se percebe nos encaminhamentos pedagógicos e metodológicos da Educação de jovens e Adultos (EJA) é uma negação do desenvolvimento cognitivo de seu alunado. Em outras palavras, nega-se implicitamente que os jovens e adultos com um processo de escolarização tardio e ou defasado utilizem estratégias complexas de construção de sentido (inferências, mesclagens conceptuais etc.). Destarte, a presente pesquisa busca mapear as estratégias cognitivas que alunos da EJA ativam na compreensão/processamento textual de narrativas, sob a perspectiva da LC. Configurando-se como uma pesquisa qualitativa de cunho semi-experimetal, para a geração de dados foram desenvolvidos e aplicados dois protocolos verbais, ou protocolos de leitura, testes que buscam dar uma clara e mensurável percepção da complexidade do processamento cognitivo do discurso. Por meio da descrição e analise do corpus, composto das respostas dos alunos da EJA aos protocolos, foi possível ratificar a hipótese de que o alunado utiliza estratégias cognitivas de construção de sentido complexas, uma vez que o processamento cognitivo do discurso tem base corporificada.

  • CORINA DE SA LEITAO AMORIM
  • O RITUAL SIMBÓLICO DO “Ctrl+C” (COPIAR) E “Ctrl+V” (COLAR) NO ENSINO MÉDIO

  • Data: 16/03/2012
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  • Na contemporaneidade, a tecnologia mantém influência direta na relação que aluno e o professor mantêm com a linguagem. A internet é uma ferramenta poderosa no auxílio do trabalho com a linguagem e, através dela, o conhecimento chega ao aluno de forma fácil e intensa. Por outro lado, essa facilidade potencializou e deixou à vista o que se tem chamado, na Universidade, de a “geração do plágio”.  Esse trabalho parte do princípio de que essa geração apresenta, em seus textos escritos, movimentos simbólicos similares àqueles de “copiar e colar” recorrentes em trabalhos de pesquisa desenvolvidos por alunos do ensino médio.  Tomando essa questão como inicial, esta dissertação tem como objetivo analisar como alunos do 1º ano de uma escola do ensino médio da cidade de Natal (RN) enlaçam, em seus textos, o texto do “outro”, “copiado e colado” da internet. Nesse sentido, busca responder às seguintes questões: de que modo o aluno se apropria do texto-fonte quando copia e cola? Como esses alunos, mesmo se apropriando dos textos-fonte, deixam suas marcas, subjetivando o texto? Quais operações simbólicas e linguísticas podem ser identificadas no processo de apropriação e subjetivação? Que categorias de análise nos permitem olhar analítico e teoricamente para o ritual simbólico do “ctrl+c” (copiar) e “ctrl+v” (colar) no ensino médio?  As investigações mostraram que o texto do aluno é um “corpo híbrido”, cuja escritura é um desenho fiado pela presença do texto alheio, ipsis litteris, e pela presença de elementos linguísticos que parafraseiam o texto de origem. Essa corporeidade textual tem, subjacente a ela, certas operações, a saber: substituição, deslocamento, adição e exclusão de enunciados. Dada a especificidade dos dados e os objetivos do trabalho, esse estudo se alinha aos métodos da pesquisa qualitativa (SILVERMAN, 2009) e se insere na área de conhecimento da Linguística Aplicada que se caracteriza especialmente por investigar problemas, fenômenos em que a linguagem em uma situação real é tomada como central (BRUMFIT, 1995). Teoricamente, nosso trabalho segue a perspectiva dos estudos sobre a paráfrase (FUCHS, 1982, 1994a, 1994b; DAUNAY, 1997, 1999, 2002a, 2002b), dos estudos desenvolvidos no campo da Crítica Genética (GRÉSILLON, 1987, 1994, 1992, 2008) e aqueles desenvolvidos por Eduardo Calil (2004) sobre os “manuscritos escolares”.

  • EMANUELLE PEREIRA DE LIMA DINIZ
  • PROCESSOS COGNITIVOS QUE OPERAM NA CONSTRUÇÃO DA REFERÊNCIA: uma análise das produções textuais elaboradas na EaD/UFRN

  • Data: 16/03/2012
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  • Sob os pressupostos teóricos da Linguística Cognitiva contemporânea, mais especificamente, da Teoria da Integração Conceptual, analisamos os processos cognitivos que operam na construção da referência no texto. Para tanto, escolhemos como corpus as produções textuais escritas de graduandos da Secretaria de Educação a Distância/UFRN dispostas nas seções de respostas das atividades avaliativas presenciais e em atividades desenvolvidas no ambiente virtual moodle. Essas atividades e textos foram produzidos na disciplina de Leitura, Interpretação e Produção Textual, ministrada nos cursos de Química, Física, Matemática, Biologia e Geografia, que monitoramos durante o período de 2008.1 a 2010.1. Através das produções discursivas, ratificamos o pressuposto cognitivista de que as expressões relacionadas às referências indicadas funcionam como guias de sentido, pois no momento em que os alunos constroem uma compreensão a partir da leitura dos textos, eles ativam, acionam vários domínios de conhecimento. Desse modo, os processos cognitivos têm um papel fundamental na construção da referência, pois ela se estabelece por meio da interação entre práticas socioculturais, esquemas cognitivos, capacidades corporais e linguagem.
  • EMILIANA SOUZA SOARES
  • A (NÃO) ASSUNÇÃO DA RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA NO GÊNERO ACADÊMICO ARTIGO CIENTÍFICO PRODUZIDO POR ALUNOS DO CURSO DE LETRAS

  • Data: 08/03/2012
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  • Esta pesquisa insere-se nos estudos da Análise Textual dos Discursos (doravante ATD), elaborada pelo linguista J-M Adam e desenvolvida, atualmente, por estudiosos no contexto da Linguística do Texto brasileira. A ATD constitui uma perspectiva teórica e descritiva do campo da Linguística Textual que se preocupa com um posicionamento teórico e metodológico situado no quadro mais amplo da Análise do Discurso. Neste estudo, investigamos no nível enunciativo do texto: a responsabilidade enunciativa em 14 exemplares do gênero acadêmico artigo científico, publicados na Revista Ao Pé da Letra e escritos por estudantes universitários do curso de Letras. A pesquisa é orientada a partir dos estudos sobre responsabilidade enunciativa de Adam (2008, 2010), de Rabatel (2009), de Rodrigues (2010), de Guentchéva (1994), perspectiva da heterogeneidade discursiva de Authier-Revuz (2004), das abordagens de gêneros desenvolvidas por Bakhtin (1992), por Bazerman (2005), por Marcuschi (2005). Foi estabelecido como objetivo geral: (1) Analisar a ocorrência da (não) assunção da responsabilidade enunciativa no gênero acadêmico artigo científico. A análise seguiu o paradigma qualitativo de base interpretativista. As conclusões revelam, portanto, que os excertos do gênero discursivo usado para apresentar a análise têm uma natureza própria de utilização de recurso ao discurso de diversas fontes do saber que muitas vezes podem ser (não) assumidas pelo enunciador.

     


  • MARIA EDILEUDA DO REGO SARMENTO
  • ANÁLISE DE NECESSIDADES DE INGLÊS PARA FINS ESPECÍFICOS EM UM CURSO DE GRADUAÇÃO EM TURISMO.

  • Data: 06/03/2012
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  • Este estudo apresenta os resultados de uma pesquisa desenvolvida na área de Inglês para Fins Específicos (IFE) com o objetivo de identificar (1) as necessidades de aprendizagem dos alunos de um  curso de Turismo, seus desejos  e carências,  numa universidade federal, quanto ao uso de inglês; (2) as necessidades da situação atual dos professores e do coordenador do referido curso quanto ao idioma; (3) as  necessidades da situação-alvo dos profissionais (egressos) e  empresas com relação a essa língua. Esta pesquisa é um estudo de caso (STAKE, 1998; YIN, 2009) e foram utilizados, para levantamento dos dados, como instrumentos de coleta: questionários, entrevistas semiestruturadas, além de documento sobre o curso de Turismo. Para tanto, foram adotados como aporte teórico  os construtos do English for Specific Purposes (ESP) – Inglês para Fins Específicos (IFE)—também conhecido no Brasil como Inglês Instrumental, cuja fundamentação baseia-se nos trabalhos de Hutchinson e Waters (1987), Robinson (1991), Dudley-Evans e St. John (1998), Celani, Deyes, Holmes, Scott (2006), dentre outros, visto que este trabalho é voltado para uma área específica, o turismo. Os resultados demonstram que os alunos  opinaram pela habilidade em leitura e  priorizaram a oralidade em sala de aula. Enquanto que os profissionais relataram que esta última é uma ferramenta indispensável para sua entrada no mercado de trabalho; mesmo assim, sentem-se despreparados, necessitando frequentar escolas de língua. O depoimento dos dirigentes de empresas também aponta para essa deficiência. Por último, a situação atual dos professores denota que, embora defendam o uso da língua inglesa em sala de aula, isso não acontece, porque os alunos preferem a língua materna. Também ficou evidenciada a inexistência de análise de necessidades. Por fim, a coordenadora informou que há certa indefinição quanto à metodologia, aos conteúdos e às habilidades lingüísticas trabalhadas, além da falta de interação entre os professores de inglês. Conclui-se, portanto, que é relevante realizar uma análise de necessidades para que se possa redesenhar um curso que atenda  às diferentes necessidades contextuais: de alunos, professores, coordenação, representada pelas necessidades institucionais,  profissionais e  o mercado de trabalho.

  • GUIANEZZA MESCHERICHIA DE GOIS SARAIVA MEIRA
  • DISCURSO DE MUDANÇA E FEMINISMO: ESTUDO CRÍTICO DA CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA FEMININA NAS CARTAS DO LEITOR DA REVISTA CLAUDIA

  • Data: 28/02/2012
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  • A discussão envolvendo identidade tornou-se significativa nos últimos anos, devido, em especial, à fragmentação do indivíduo moderno, não mais percebido como uma unidade. Entendida como um conjunto de características próprias de um sujeito, a identidade sofre forte abalo em suas bases e uma vez que o sujeito se torna problemático, a identidade não é mais um elemento fixo e estável. Baseada nessa premissa, o objetivo desta dissertação é analisar as mudanças sociais e culturais no cenário do feminismo brasileiro, usando cartas do leitor publicadas na revista brasileira Claudia, considerando a construção de uma identidade feminina, e sua relação com as diversas práticas sociais no contexto da globalização e, também, a influência do processo da modernidade tardia, apontada por Giddens (2002). A abordagem teórica da investigação é orientada pelos pressupostos da Análise Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH, 2006), especificamente a perspectiva transdisciplinar. Metodologicamente, o trabalho contempla o paradigma qualitativo-interpretativista, inscrito na Linguística Aplicada contemporânea (MOITA-LOPES, 2006). O corpus constitui-se de quinze cartas do leitor veiculadas na revista em questão. Para alcançarmos nosso objetivo, foram selecionadas três cartas para representar cada década, de 1960 até 2010.  Os dados evidenciam que as mudanças sociais, políticas e econômicas, permitiram às mulheres assumirem papéis diferentes aos impostos pela sociedade patriarcal, rompendo assim com as velhas certezas e produzindo novas formas de posicionamento. Nessa instância, a pesquisa nos permite inferir que, na modernidade tardia, a mulher constrói sua identidade pessoal relacionando-a a vida em sociedade, que por sua vez, envolve crenças, normas, valores, imagens e representações em sua relação com diferentes grupos de identificação e/ou pertencimento.



  • EDLENA DA SILVA PINHEIRO
  • MEMÓRIAS DA PRISÃO: LITERATURA E LIBERDADE um estudo sobre Graciliano Ramos e Antonio Gramsci

  • Data: 27/02/2012
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  • Este trabalho estabelece comparações entre as Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, e os relatos de Antonio Gramsci nos Cadernos do cárcere, numa perspectiva de que os dois estão unidos pelo mesmo ideal político do início do século XX e representam a expressão intelectual frente à repressão. Ambos foram vítimas do autoritarismo do governo e registram o período carcerário em diferentes formas memorialísticas. Partimos do ponto de vista que esses escritores se aproximam também por contextos nacionais muito semelhantes de discrepâncias econômicas entre regiões; aproximam-se ainda pelo respeito que tinham pelo texto literário e pela certeza de que a alienação da inteligência somente seria superada através da reconstrução das bases nacionais por meio do conhecimento, da educação e, sobretudo, da arte. Observamos também esses momentos de tensão, contextualizando na literatura italiana autores memorialistas anteriores ou contemporâneos que possivelmente tenham interferido no fazer literário do escritor brasileiro, como Silvio Pellico e Primo Levi.

  • JOÃO BATISTA DA COSTA JÚNIOR
  • A INTERFACE ENTRE EDUCAÇÃO E MERCADO: UMA ANÁLISE CRÍTICA DAS MUDANÇAS SOCIOCULTURAIS NO CONTEXTO EDUCACIONAL

  • Data: 27/02/2012
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  • No contexto atual da modernidade tardia, as mudanças socioculturais instauram novas práticas sociais que corroboram mudanças discursivas em movimentos dialéticos, contribuindo para que a ordem de discursos educacionais seja cada vez mais “contaminada” pelos discursos e valores típicos de mercado revestido por ideologias, lutas hegemônicas e relações de poder. Nesse sentido, esta pesquisa, ancorada no aporte teórico-analítico da Análise Crítica do Discurso (ACD), em sua vertente transdisciplinar (FAIRCLOUGH, 2006; ORMUNDO, 2010; PEDROSA, 2010; RAMALHO E RESENDE, 2011), tem como objetivo discutir como as mudanças socioculturais, via o momento discursivo, no contexto da educação privada, dialogam com a proposta mercadológica da política econômica neoliberal. A pesquisa se constituiu metodologicamente numa abordagem de natureza qualitativo-interpretativista (CHIZZOTTI, 1991; BOGDAN e BIKLEN, 1994; MINAYO, 1994), assentando-se nos pressupostos da Linguística Aplicada contemporânea (SIGNORINI, 1998; MOITA-LOPES, 2006; MENEZES, SILVA, GOMES, 2009). O corpus analisado concentrou-se numa compilação de anúncios publicitários usados nas campanhas publicitárias de instituições privadas de ensino bem como de agência de fomento ao crédito estudantil em Natal/RN, desde a educação básica a cursos de idiomas, no período de outubro a dezembro de 2010. Os dados evidenciam que a educação, no contexto da globalização da modernidade tardia, configura-se como uma agência mercadológica e que a nova face do discurso educacional das instituições privadas de ensino está imbricada a uma representação social de educação associada a campo de luta e disputa hegemônica. Portanto, a pesquisa autoriza a inferir que, com a propagação de políticas públicas educacionais referendadas no ideário hegemônico da economia neoliberal e nos pressupostos ideológicos dos agentes financeiros internacionais (Banco Mundial, FMI dentre outros), a educação tornou-se arena de disputa, um poderoso produto rentável para o mercado da indústria cultural, midiática e mercantilista, intensificando a constituição de uma sociedade na qual tudo é medido economicamente.


  • PAULO HENRIQUE DA SILVA GREGORIO

  • DO TEATRO ELISABETANO AO SERTÃO DO SÉCULO XIX: A PRESENÇA DE
    SHAKESPEARE EM INOCÊNCIA

  • Data: 24/02/2012
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  • A produção teatral shakespeariana é resultado do talento do dramaturgo, somado ao material fornecido pela época em que despontou – a Era Elisabetana. A maioria de suas obras traz à tona temas e elementos que as têm tornado sempre atuais, despertando, de modo contínuo, o interesse de leitores e espectadores, e também servindo de inspiração para outros escritores criarem suas próprias obras. Partindo dessas ideias, neste trabalho, pretende-se trazer à tona questões referentes à presença de Shakespeare em um romance brasileiro do século XIX, Inocência, de Visconde de Taunay. Nessa obra, Taunay faz referência ao dramaturgo por meio de epígrafes extraídas de Romeu e Julieta, Rei Lear e Henrique V, a partir das quais buscamos observar como o romance dialoga com os referidos dramas shakespearianos. Para realizar tal estudo, recorremos aos pressupostos teóricos da intertextualidade, principalmente aqueles desenvolvidos por estudiosos como Mikhail Bakhtin, Gerard Genette e Antoine Compagnon, cujas ideias sobre o diálogo entre obras servem de respaldo para a análise das relações entre o romance de Taunay e as peças de Shakespeare.


  • MARIA DE LOURDES DE AQUINO
  • A linguagem da reflexão de uma professora de língua inglesa: um estudo de caso sob a perspectiva do Sistema de Avaliatividade

  • Data: 06/02/2012
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  • A linguagem da reflexão de uma professora de língua inglesa: um estudo de caso sob a perspectiva do Sistema de Avaliatividade

2011
Descrição
  • MILTON GUILHERME RAMOS
  • Representações discursivas de ficar e namorar em textos de vestibulandos e pré-vestibulandos

  • Data: 15/12/2011
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  • Esta tese de doutorado investiga como vestibulandos e pré-vestibulandos constroem as representações discursivas de Ficar e Namorar na produção textual e suas implicações para a ATD e o ensino e a aprendizagem da produção de texto em aulas de língua portuguesa, com base na linguística de texto, perspectivada pela Análise Textual dos Discursos (ADAM, 2008) e complementada pela Semântica de Frames (FILLMORE, 2006; FELTES, 2008). Partindo de uma abordagem qualitativa e quantitativa (VIANNA et al., 2008), esta pesquisa tem como corpus de análise 168 textos empíricos produzidos por vestibulandos do PSV/2005 da UFRN, Natal, RN, e por estudantes do Ano do ensino médio da Escola Estadual Juscelino Kubitschek (EEJK), Assu, RN (2008). A análise dos dados revela a construção de representações discursivas de Ficar e Namorar diferentes, por meio da designação dos referentes, da predicação, da aspectualização, das circunstâncias espaçotemporais e do uso de metáforas, ressaltando a influência do conhecimento enciclopédico e da cultura, além da presença de componentes cognitivos relativos à produção textual. Os dados ainda apontam para a necessidade de uma prática docente que possibilite a interação entre os alunos, a discussão sobre temas da atualidade, além do contato com gêneros textuais diversos e, sobretudo, o trabalho com a produção de texto em sala de aula, de forma a possibilitar aos aprendizes da língua o domínio das estratégias de produção de texto e, por conseguinte, a (re)significação de suas representações discursivas, visando atender aos novos contextos de interação sociocomunicativa.

     

     

      

     

  • MARTA APARECIDA GARCIA GONCALVES
  • A política da literatura e suas faces na palavra muda  de Manoel de Barros

  • Data: 09/12/2011
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  • O trabalho de tese aqui proposto possui como foco de investigação a produção literária do poeta brasileiro Manoel Wenceslau Leite de Barros, Manoel de Barros, (1916 - Cuiabá-MT) articulando-a com a reflexão sobre o conceito de política da escrita proposto pelo filósofo argelino-francês Jacques Rancière (1940 – Algiers - Argélia). A hipótese que se apresenta é a de que na escrita poética de Manoel de Barros são perceptíveis as “marcas do sensível” nas experiências democráticas. Sua produção engloba aquilo que se pode denominar de uma micrologia poética, uma reconfiguração da partilha, no sentido de que elabora práticas de igualdade, práticas de redistribuição e circulação de vozes, instauradoras da constituição estética de comunidades diferenciadas, consideradas alternativas, em face ao modelo canônico da literatura enquanto sistema.  Ao funcionar como formas de subversão, estas produzem espaços ou margens de emancipação do ente: leitor e escritor, desencadeando novas perspectivas éticas e estéticas. Dessa forma, o objetivo que se traceja é o de compreender como se configura a proposta de uma política da escrita na obra de Manoel de Barros e o modo como essa escrita se posiciona em relação a uma política das artes. Para tanto, utilizaremos como aporte basilar o pensamento de Jacques Rancière que se notabilizou, nos últimos anos, por empreender uma reflexão sistemática e lúcida a respeito das relações existentes entre estética e política na sociedade presente, aliado ao que se circunscreve como modos e formas de pensar elaboradas pelo próprio texto poético de Manoel de Barros e de maneira descontínua em suas entrevistas-críticas, publicadas em jornais e revistas e apresentadas em vídeos, assim como não descuraremos também das contribuições teóricas e reflexões advindas do pensamento contemporâneo.

  • LEODÉCIO MARTINS VARELA
  • INTERAÇÃO EM SALA DE AULA DE LÍNGUA INGLESA: o feedback como estratégia do desempenho assistido.

  • Data: 06/12/2011
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  • O presente trabalho procura caracterizar as práticas e efeitos do feedback de um professor na interação oral com os seus alunos em sala de aula de Língua Inglesa em uma escola de Ensino Fundamental II, 6º Ano, em Assú, (RN). Para tanto, tomamos como base as pesquisas de Vygotsky (1975) e Bruner (1976) que afirmam que a aprendizagem é construída por meio da interação entre um parceiro mais experiente (professor, pais, amigos) e o aluno que exerce um papel ativo – reconstrutor do conhecimento, bem como os estudos de Ur (2006) e Brookhart (2008), entre outros pesquisadores em Linguística Aplicada que defendem que o feedback precisa ser de tipo avaliativo formativo, uma vez que tem a ver com a autonomia e o avanço da aprendizagem do aluno. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa e base interpretativista, cuja relevância reside no fato de que o ambiente natural (sala de aula) é fonte direta dos dados gerados nesta pesquisa por meio de observações/anotações de campo e de transcrições de cinco aulas de inglês gravadas em áudio. Os resultados desse estudo apontam para as seguintes constatações: o professor parece ainda seguir padrões de interação de sala de aula que atendem ao processo IRA (Iniciação, Resposta e Avaliação) nos moldes behavioristas: 1) Ele fala mais e determina os turnos de fala; 2) o professor faz mais perguntas, bem como dirige as atividades na maior parte do tempo; 3) o feedback do professor assume os tipos: feedback pergunta, feedback modelo, feedback resposta repetida, feedback elogio,  feedback depreciação, feedback avaliação positiva/negativa e feedback sarcasmo, cujas funções parece ser avaliar desempenhos dos alunos com base em acertos e erros. Isso implica dizer que o feedback, dessa forma, parece não ajudar o aluno a avançar na aquisição do conhecimento pelo seu valor avaliativo normativo. Assim sendo, cabe ao professor fornecer feedback avaliativo formativo que tem a ver com o avanço da aprendizagem-linguagem-conhecimento. 

  • FRANCISCO ALAN DA SILVA
  • ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA: UMA PROPOSTA DE ENSINO INTEGRADA COM O USO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO COM VISTAS AO DESNENVOLVIMENTO DA AUTONOMIA DOS APRENDIZES

  • Data: 06/12/2011
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  • Este trabalho trata de um estudo sobre o ensino-aprendizagem de língua inglesa baseado em uma Noção Expandida da Zona de Desenvolvimento Proximal (NEZDP) que tem seu viés voltado para a conscientização dos processos metacognitivos como forma de alcançar a autonomia na aprendizagem. Faz parte desse conjunto teórico, também, uma nova perspectiva pedagógica baseada na simbiose entre os estudos de Bruner (2002) e Freire (2009), e na teoria da metacognição. Com base no contexto sociocultural atual, permeado pelas Tecnologias da Informação e da Comunicação, a integração professor-aluno no processo de ensino-aprendizagem com o suporte da internet, foram utilizadas como meio de operacionalizar a proposta emergente dessa perspectiva teórica. A análise foi desenvolvida por meio da Pesquisa-ação Integral e Sistêmica (PAIS). Os resultados obtidos ao final deste trabalho corroboraram a nossa hipótese de que a ampliação do conjunto de conhecimentos espontâneos dos aprendizes, juntamente com a integração professor-aluno, pode facilitar a aprendizagem de conceitos científicos, estimulando a metacognição e, consequentemente, a promoção da autonomia.

     

  • FRANCISCA DAS CHAGAS NOBRE DE LIMA
  • O PROGRAMA NACIONAL BIBLIOTECA DA ESCOLA E AS VOZES DOS PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA DO ENSINO MÉDIO

  • Data: 02/12/2011
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  • Esta pesquisa que ora apresentamos traz resultados oriundos dos estudos desenvolvidos em nossa pesquisa de mestrado, junto ao Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem – PPgEL, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, sob a orientação da Professora Dra. Maria da Penha Casado Alves.  Nesse sentido, abordamos questões concernentes ao Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) no que diz respeito aos aspectos referentes ao seu histórico, a sua implementação nas escolas públicas brasileiras, os seus eixos norteadores e a sua inserção pelo Ministério da Educação, enquanto política direcionada para a formação de leitores. Além disso, nos reportamos a constituição das vozes dos professores de Língua Portuguesa do Ensino da Escola Estadual Berilo Wanderley da rede pública de ensino do Rio Grande do Norte, localizada em Natal/RN, a partir das quais foi possível compreendermos quais são as concepções teórico-metodológicas que norteiam as suas práticas educativas com essa linguagem e os desafios enfrentados por eles no processo de formação de leitores proficientes em um mundo constituído por múltiplas linguagens, que exige múltiplos letramentos. No que se refere à metodologia, a pesquisa está situado no campo da Linguística Aplicada e é de natureza sócio-histórica, fundamentada, especialmente, em Freitas (2003) e Rojo (2006). As abordagens nela propostas estão embasadas no questionário como construtor de dados, por meio do qual foi possível compreendermos melhor como têm se constituído as práticas docentes dos sujeitos pesquisados em relação ao uso das obras disponibilizadas por esse programa. Os aportes sobre os quais ancoramos as discussões e análises são os desenvolvidos por Bakhtin (2009, 2010 a, b e c) sobre linguagem, Ramos (2009a), Vergueiro e Ramos (2009) acerca de quadrinhos e ensino, Geraldi (2007) em relação às contrapalavras trazidas pelo leitor para a prática da leitura em diferentes situações comunicativas, entre outros.

  • LIÉDJA LIRA DA SILVA CUNHA
  • AUTORIA E ESCRITA: Uma reflexão acerca do autorar em memórias de leituras de alunos de 9º ano do Ensino Fundamental

  • Data: 24/11/2011
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  • O presente trabalho traz a discussão acerca da questão da autoria em redações escolares de alunos de 9º ano do Ensino Fundamental. É um trabalho fruto de uma pesquisa de Mestrado, na área da Linguística Aplicada, do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A questão da autoria tem ganhado espaço cada vez mais relevante nas pesquisas acadêmicas, pois o ato de autorar, tendo em vista a quantidade de discursos que circulam socialmente, torna-se cada dia mais questionável. As perguntas acerca da autoria tornam-se ainda mais relevantes quando tratam do processo da construção da autoria em ambiente escolar, haja vista que as redações escolares, muitas vezes, não passam de um conjunto de dizeres alheios desconexos. Entendemos autoria como relacionada a um posicionamento do sujeito que ao assumir responsabilidade, no sentido bakhtiniano, por seu texto, deixa nele seus pontos de vista, ideologias, crenças e valores, a partir de apropriação e reestruturação do discurso alheio. Essa relação constante entre o sujeito com os dizeres dos outros o torna cada vez mais apto a se constituir-se socialmente. Esta investigação é de caráter interpretativista e tem como corpus de análise dez produções escritas do gênero discursivo memórias de leituras. Adotamos um conceito de linguagem a partir de concepções bakhitinianas e entendemos o texto numa visão Geraldiana.

     

  • ALYANNE DE FREITAS CHACON
  • O DISCURSO AUTOBIOGRÁFICO NOS RELATOS DE VIAGEM DE NÍSIA FLORESTA

  • Data: 07/11/2011
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  • Em pleno século XIX, Nísia Floresta Brasileira Augusta escreveu sobre duas viagens empreendidas pela Europa. Alguns anos depois, essa norte-rio-grandense trouxe ao conhecimento do público seus relatos de viagem: Itinéraire d’un Voyage en Allemagne (1857) e Trois ans en Italie, Suivis d’un Voyage en Grèce (1864/1872). Apesar das particularidades que envolvem cada um desses relatos, um aspecto está fortemente presente neles: as marcas autobiográficas. O nosso trabalho tem como principal objetivo investigar como se manifesta esse discurso autobiográfico. A partir da Análise do Discurso, levantamos alguns posicionamentos acerca de algumas obras literárias, como o fato de, certas vezes, elas conterem mais de um gênero. O que acontece nos relatos de viagem de Nísia Floresta é semelhante, pois além de narrarem a passagem de Nísia por esses lugares, podemos encontrar características pertencentes à escritura fragmentária, autobiográfica e ao epistolar. Diante dos pressupostos apontados por Philippe Lejeune, pudemos confirmar que essas narrativas de Nísia fazem parte da escritura autobiográfica. Sob a ótica de algumas teorias, percorremos pontos interessantes que envolvem essas narrativas e, com isso, viajamos juntamente com Nísia Floresta pela Alemanha e posteriormente, pela Itália e Grécia, conhecendo, assim, não apenas um pouco mais sobre esses lugares, como também muitas confidências sobre essa escritora potiguar, que abriu seu coração ao público.

     

     

  • CIRO SOARES DOS SANTOS
  • Deus e o diabo na poesia de Gregório de Matos

  • Data: 07/10/2011
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  • A presença da Bíblia na poesia de “O boca do inferno” é fato inquestionável para quem detenha uma memória literária das composições consideradas sagradas pela percepção religiosa. A dissertação Deus e o diabo na poesia de Gregório de Matos, para responder à questão de como o poeta baiano se apropria do legado bíblico, desenvolve o tema da busca gregoriana pelas Escrituras para fazer paródia ao elaborar poesia. Para efetivar tal trabalho, o estudo recorre principalmente à fortuna crítico-teórica construída na ensaística por Haroldo de Campos ao abordar a obra gregoriana e os textos bíblicos enquanto legados literários de alto valor. Além disso, este trabalho busca as constatações sobre a arte-cultura barroca, apresentadas por Helmut Hatzfeld e por José Antonio Maravall, e a teoria antropofágica da formação cultural brasileira, estabelecida por Oswald de Andrade, a fim de dar sustentação às observações registradas quando da abordagem da poesia gregoriana. A antropofagia bíblica ritualizada por Gregório de Matos como trabalho precedente à ironia paródica recuperável em seus textos é aspecto de sua obra responsável por torná-la una: narrativas da Bíblia hebraica, a poesia do Eclesiastes, passagens dos Evangelhos ecoam na obra do poeta barroco brasileiro.

  • JOSÉ MARIANO TAVARES JÚNIOR
  • A performance do suicidio em "Ariel" de Sylvia Plath

  • Data: 29/09/2011
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  • Morrer é uma Arte: Autoficção e Performatividade em Ariel dfe Sylvia Plath

  • RICARDO YAMASHITA SANTOS
  • Construções metafóricas de vida e morte: cognição, cultura e linguagem.

  • Data: 16/09/2011
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  • Nesta pesquisa, buscamos evidenciar os aspectos cognitivos e culturais subjacentes às metáforas presentes em um corpus literário. Partimos da premissa de que nosso entendimento acerca do mundo é construído sociocognitivamente, sendo a metáfora um elemento-chave dessa construção. Desse modo, pretendemos, sob o olhar teórico da Teoria Cognitiva da Metáfora, constatar, a partir da análise do poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, que as metáforas de VIDA e MORTE, inferíveis no corpus em questão, formam Padrões Discursivos, denominados por nós como Blocos Construcionais. Tais metáforas estão no nível conceptual de nossa linguagem, formuladas através de Modelos Cognitivos Idealizados, e evidenciam as inter-relações entre linguagem, cultura e cognição. Percebemos uma rede de integração que envolve as chamadas metáforas primárias, formuladas a partir de esquemas e domínios conceptuais, e as metáforas congruentes, que envolvem a noção de frame.

     

  • KLEBIA SELIANE PEREIRA DE SOUZA
  • formação docente e Gêneros discursivos: o dizer, o saber e o fazer

  • Data: 15/09/2011
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  • Esta dissertação de mestrado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tem como objetivo apresentar uma análise acerca da formação inicial docente, o saber a respeito dos gêneros discursivos e sua utilização em sala de aula de profissionais polivalentes da educação básica. Assim, analisou-se, a partir dos discursos dos professores de quarto e quinto ano do ensino fundamental, se a formação inicial oferece subsídios às aulas de língua portuguesa, ou seja, se no processo de formação docente emergem conceitos de gêneros discursivos, quais conceitos aparecem e como esse conhecimento os auxilia em sala de aula. Para tanto, levou-se em consideração estudos realizados sobre a formação inicial docente, sobre a diversidade de saberes que compõem o saber docente e também a respeito dos gêneros discursivos segundo Bakhtin, concepção abordada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Esta pesquisa se configura como qualitativa de base interpretativista e teve como instrumentos de coleta de dados um questionário estruturado com questões abertas e observação de sala de aula com gravação em áudio. Como resultados desta investigação, é possível destacar que a formação inicial tem deixado lacunas no que se refere ao ensino de língua portuguesa sobre os gêneros do discurso; que não há apenas um tipo de saber que constitui os saberes docentes e, por esse motivo, trabalhar com os saberes ditos disciplinares, especificamente o saber sobre os gêneros do discurso, é enfatizar um dentre muitos outros saberes.


  • MARIA DO DESTERRO DAS NEVES SOUZA
  • MAMÓRIAS SOCIAL E ORALIDADE EM  TERRA SONÂMBULA

  • Data: 31/08/2011
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  • MAMÓRIAS SOCIAL E ORALIDADE EM  TERRA SONÂMBULA

  • FLAVIA ANGELICA DE AMORIM ANDRADE
  • Conectores sequenciadores em artigos de opinião escritos por vestibulandos: uma questão de marcação linguística com implicações para o ensino.

  • Data: 22/08/2011
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  • Conectores sequenciadores em artigos de opinião escritos por vestibulandos: uma questão de marcação linguística com implicações para o ensino.

  • FRANCISCO FRED LUCAS LINHARES
  • Processos de constituição de subjetividades em práticas discursivas institucionalizadas: entre a disciplina, a performatividade e a biopolítica

  • Data: 04/08/2011
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  • Esta é uma pesquisa de natureza qualitativa de abordagem sócio-histórica, com procedimentos etnográficos. Tem como temática práticas a constituição de subjetividades em relações interdiscursivas entre os discursos propalados pela Medicina Legal com práticas discursivas de futuros(as) profissionais da educação. Em decorrência desse objeto de investigação, estabelecemos como questão central: em que medida práticas discursivas produzidas pela Medicina Legal produzem sentidos em enunciados de alunos e alunas do curso de Pedagogia da UFRN, de forma a constituir subjetividades pautadas pelo transtorno, pela anormalidade e pela doença? Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é analisar práticas discursivas institucionalizadas que constituem subjetividades de gênero e sexualidade pautadas por efeitos de sentidos que traduzem  as sexualidades dissidentes como transtorno,  perversão e  anormalidade. Como ferramentas teórico-analíticas atualizamos, principalmente, algumas reflexões de Michel Foucault concernentes à temática do biopoder e da disciplina, algumas teorizações advindas dos estudos Queer e noções da Análise do Discurso de linha francesa, como o discurso, memória discursiva e interdiscurso. Os resultados desta pesquisa demonstram que as subjetividades são constituídas em um processo que alia dizeres de práticas médicas, científicas, ao dizer de nossos(as) colaboradores(as), em uma relação interdiscursiva. Assim, as subjetividades se constituem pautadas pela anormalidade, pelo transtorno, pela medicalização das condutas e dos desejos. Ainda, percebemos o atravessamento de condutas biopolíticas e disciplinarizadoras nesse processo de constituição de subjetividades, por meio de sanções e possíveis prejuízos que esses indivíduos anormais causam à sociedade, justificadas tanto pelos discursos da Medicina Legal, quanto dos(as) colaboradores(as) da pesquisa. 

  • MANUELLE DE OLIVEIRA INACIO
  • Os focos de resistência face ao poder disciplinar: afetos e sociabilidades nos discursos de uma apenada

     

  • Data: 22/07/2011
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  • A dissertação tem como temática a construção de subjetividades uma mulher que se encontra em regime carcerário na cidade de Natal/RN. Como questões norteadoras da pesquisa, perguntamos: Como se traduzem, na materialidade linguístico-discursiva, focos de resistência de uma apenada face aos dispositivos disciplinares reguladores de suas condutas, em específico condutas afetivas e sexuais no presídio? Como se entrelaçam as relações de poder e a constituição subjetividades da presidiária diante de práticas discursivas institucionalizadas? Objetiva-se: analisar na narrativa de uma apenada focos de resistência ao poder disciplinar na medida em que se envolve em relacionamentos afetivos e sexuais na instituição penal; investigar e problematizar formas de subjetivação  de uma apenada mediante os efeitos de poder que transitam no Complexo Penal Dr. João Chaves; e examinar de que maneira a presidiária, inserida em um regime de normalização, se utiliza de estratégias discursivas a partir das suas práticas sócio-afetivas para constituir suas subjetividades. A pesquisa se inscreve na área de estudos da Linguística Aplicada, é de natureza qualitativa de abordagem sócio-histórica, com procedimentos etnográficos. Nesse tipo de pesquisa, busca-se apreender o sujeito na sua singularidade, mas com sua inserção relacionada ao contexto histórico-social (FREITAS, 2003). Como aporte teórico, articularemos conceitos foucaultianos como relações de poder, normalização e focos de resistência (FOUCAULT, 2007) a fim de averiguarmos como as condutas propostas pelas práticas discursivas que circulam na instituição penal em questão agem sobre o corpo e sobre a própria vida da apenada. Os resultados desta dissertação demonstram que as subjetividades da apenada são produzidas pelas experiências que são constituídas por meio de focos de resistência face à coerção prisional. Isto é, a presidiária busca estratégias sócio-afetivas por meio de contatos inter-pessoais possibilitados pela visita social negando uma suposta posição de subalternidade ante as possíveis práticas de controle da instituição. Seus discursos estão na contramão de uma eternização do arbitrário (BOURDIEU, 2003), uma vez que seus posicionamentos apontam para uma desessencialização de verdades afetivo-sexuais estereotipadas.

     

  • JULIANNY DE LIMA DANTAS SIMIÃO
  • A tirinha cômica em questão: as atividades de leitura no livro didático de Língua Portuguesa

  • Data: 27/06/2011
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  • É possível perceber na contemporaneidade uma problematização cada vez mais constante quanto à validade e eficácia das práticas de ensino da leitura instauradas atualmente no Ensino Básico. As inteligibilidades geradas a partir de tantas vozes, e construídas na fronteira entre muitas consciências, contribuem para que se possa compreender e, de certa forma, amenizar compreensões distorcidas ou já ultrapassadas sobre o ensino da leitura e seus objetivos no ambiente escolar.  Ao compreender o dinamismo dessas práticas, que necessitam sempre ser modificadas em razão de novas demandas sociais, reconhecemos a validade de trabalhar com a perspectiva de leitura em sua dimensão histórica, social e dialógica (BAKHTIN, 1981, 2003). O livro didático de língua portuguesa (LDP), por sua vez, sendo uma das bases fundamentais da leitura na escola, torna justificada e necessária uma ativa produção de conhecimentos sobre as concepções teórico-metodológicas que embasam o trabalho com a leitura e ainda sobre a forma como esse trabalho é efetivamente encaminhado. Nosso objetivo nesta dissertação é, justamente, analisar atividades de leitura em quatro livros didáticos de Língua Portuguesa (Manuais do Professor), destinados ao 6º ano do Ensino Fundamental, tendo como recorte as atividades propostas a partir de um gênero discursivo específico, neste caso, a tira cômica. Por meio desta pesquisa, procuramos recuperar e elencar os objetivos que norteiam a elaboração das atividades de leitura nos LDP e, em seguida, verificar o cumprimento, ou não, desses objetivos no encaminhamento das atividades. Por fim, buscamos descrever como as práticas de leitura que envolvem a tirinha no livro didático podem legitimar ou preterir a leitura como espaço de construção e circulação de sentidos entre sujeitos situados sócio-historicamente.  Para que pudéssemos delinear melhor nosso objeto de pesquisa, optamos pela pesquisa documental de natureza qualitativa e levamos em consideração trabalhos como os de Belmiro (2006) e Mendonça (2006), entre outros, bem como estudos específicos sobre a natureza e constituição da linguagem (Bakhtin 1981, 2003).

  • JUAREZ NOGUEIRA LINS
  • CIDADE E IDENTIDADE: DISCURSIVIDADES IMAGÉTICO-ESPACIAIS E A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE ESPACIAL DO RECIFE, VENEZA BRASILEIRA.

  • Data: 22/06/2011
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  • CIDADE E IDENTIDADE: DISCURSIVIDADES IMAGÉTICO-ESPACIAIS E A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE ESPACIAL DO RECIFE, VENEZA BRASILEIRA.

  • SUENYRA NOBREGA SOARES
  • CRENÇAS DE PROFESSORES DO MUNICÍPIO DE CAICÓ – RN SOBRE O ENSINO DE GRAMÁTICA NOS ANOS INICIAIS DO NÍVEL FUNDAMENTAL

  • Data: 10/06/2011
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  • Este trabalho tem como objetivo analisar as crenças de professores das séries iniciais do nível fundamental da cidade de Caicó-RN sobre o ensino de gramática. A partir da aplicação de um questionário, analisam-se as crenças manifestadas no discurso de 20 docentes da rede municipal de ensino do referido município. As questões formuladas visaram investigar as crenças dos informantes sobre o que é ensinar gramática e que dificuldades encontram para realizar o ensino dos conteúdos gramaticais, considerando aspectos teóricos e práticos, entre eles: a construção da concepção sobre ensino de gramática, a participação em projetos de formação continuada na especificidade de ensino de língua, a influência dessa formação sobre o seu fazer pedagógico, e a realização do planejamento de ensino de conteúdos gramaticais. Para fundamentar a reflexão, buscou-se apoio em autores como Abrahão; Barcelos (2006); Antunes (2009; 2008); Neves (2004a; 2004b; 2007; 2010) Silva (2004; 2007), Travaglia (2001; 2004); entre outros, a partir dos quais são abordados os conceitos de língua, linguagem e gramática, relacionando-os ao desenvolvimento da competência linguística/comunicativa no ensino de língua portuguesa. Os dados analisados revelam que a influência das crenças sobre o ensino de gramática no fazer pedagógico do professor se relaciona com sua formação acadêmica, desde a escolha do referencial teórico adotado pelos professores das disciplinas relacionadas ao tema até a metodologia utilizada para trabalhar os conteúdos, considerando as experiências pessoais concretizadas ao longo de sua vida. Além disso, percebeu-se que existe uma forte convergência entre crenças, conhecimentos e experiências práticas. O trabalho conclui-se com uma reflexão sobre as implicações que uma postura reflexiva pode ter no atual panorama de ensino de língua, em geral, e de gramática, em particular.

  • DANIELLE BEZERRA DE PAULA
  • A construção do posicionamento valorativo no cronotopo do PSV 2008 da UFRN

  • Data: 09/06/2011
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    Situada na Linguística Aplicada (CELANI, 1998; MOITA LOPES, 2004, 2006, 2009), esta pesquisa documental se inscreve em uma abordagem qualitativo-interpretativista de perspectiva sócio-histórica (FREITAS, 2002, 2007; ROJO, 2006). O objetivo geral consiste em analisar a construção de posicionamentos axiológicos de sujeitos-enunciadores de 10 cartas argumentativas produzidas em contexto avaliativo, precisamente no Processo Seletivo Vestibular de 2008 da UFRN, aqui denominado cronotopo do PSV-2008. Para isso, os objetivos específicos que orientam esta pesquisa são: analisar os modos de assimilação do discurso alheio ao dizer do vestibulando; identificar posicionamentos axiológicos decorrentes das formas do processo interlocutivo observadas; e construir uma visão de sujeito-enunciador com base nas escolhas valorativas do enunciador e no tempo-espaço que constituem as relações entre enunciador e interlocutor. Quanto ao aporte teórico, a investigação se fundamenta, principalmente, nas noções bakhtinianas de cronotopo – categoria advinda da teoria do romance e problematizada a partir de Amorim (2004) em articulação com as reflexões teóricas de Geraldi (2006, 1997), Britto (2006) e Antunes (2005, 2006) sobre o processo de escrita –, relações dialógicas, responsividade e vozes sociais (BAKHTIN, 1990, 2003, 2008; BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2006) as quais são atravessadas pela concepção dialógica da linguagem. Organizamos a análise em duas partes, uma relativa à construção do posicionamento responsivo-axiológico – “Apelo à orientação argumentativa da prova”, “Para manter um distanciamento axiológico”, “O dissenso” – e outra relacionada à visão cronotópica do sujeito-enunciador – “A crença na dignidade humana ou a réplica presumida”. Identificamos dois debates dialógicos, um travado com a prova de redação, outro com um dos interlocutores apontados na proposta. Os sujeitos carregaram seus enunciados de um tom de indignação, criticando o que expressou o interlocutor. Os vestibulandos recorreram à formação de um cenário de esperança, credulidade, respeito, ética, natureza digna do ser humano. Os sujeitos – acreditando ou não – podem ter sido impelidos a se posicionar dessa maneira porque o cronotopo em que eles estão condicionam em certa medida o que e o como dizer.

     


     

  • OLIVIA ROCHA FREITAS
  • A MELANCOLIA NAS CRÔNICAS DE MARIA JUDITE DE CARVALHO.

  • Data: 08/06/2011
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  • MARIA JUDITE DE CARVALHO INICIOU SUA PRODUÇÃO LITERÁRIA EM 1949 NOS PERÓDICOS DA CAPITAL LUSITANA E ATÉ O SEU FALECIMENTO, QUE SE DEU EM 1998, PUBLICOU MAIS DE MIL TEXTOS, QUE EM SUA MAIORIA, NUNCA FORAM EXTRAÍDOS DE SEU SUPORTE ORIGINAL, O JORNAL, TORNANDO-OS DESCONHECIDOS DO PÚBLICO ATUAL. COM INTUITO DE RESGATAR PARTE DESSE PRECIOSO MATERIAL LITERÁRIO ESCOLHI COMO CORPUS DESSA PESQUISA AS CRÔNICAS PUBLICADAS NO DIÁRIO DE LISBOA, PERIÓDICO ONDE A ESCRITORIA EXIBIU O MAIOR NÚMERO DE TEXTOS, NA SEÇÃO RECTÂNGULOS DA VIDA QUE CONTOU COM 395 (TREZENTOS E NOVENTA E CINCO) CRÔNICAS DURANTE CINCO ANOS CONSECUTIVOS (1968-1972). ANALISANDO ESSES TEXTOS PERCEBI QUE A ESCRITORA INSERIA EM SUA NARRATIVA AS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NO SÉCULO XX, EM PORTUGAL, CAPTURANDO O MOMENTO DE RUPTURAS COM ALGUNS MODELOS TRADICIONAIS E INTRODUZINDO NOVOS PARADIGMAS IMPOSTOS PELA MODERNIDADE. O QUE OCORRE, NESSE PERÍODO, É UMA ALTERAÇÃO EXTREMAMENTE RÁPIDA E PROFUNDA DE VALORES E COSTUMES COM OS QUAIS A SOCIEDADE PORTUGUESA SE DEPARA E VIVENCIA COM CERTA INTRANQUILIDADE. DIANTE DESSE CENÁRIO INSTÁVEL, MARIA JUDITE EXPRESSA, ATRAVÉS DE SUA NARRATIVA CRÍTICA E IRÔNICA, O RETRATO DO POVO PORTUGUÊS E DE SEU COMPORTAMENTO REPLETO DE ANGÚSTIAS E TRISTEZAS QUE SE REVELAM ATRAVÉS DA MELANCOLIA. APÓS UMA LEITURA EXAUSTIVA DE SEUS TEXTOS VERIFIQUEI QUE ESTE ERA O ELEMENTO NORTEADOR DA ESCRITA JUDITIANA. ELA É APRESENTADA NAS CRÔNICAS SOB DIVERSOS ASPECTOS QUE FORAM PRIVILEGIADOS DURANTE OS CINCO ANOS DE PUBLICAÇÕES SENDO ELES A SOLIDÃO, O ABANDONO, A MORTE, O ISOLAMENTO DOS INDIVÍDUOS QUE SE SENTIAM CADA VEZ MAIS IMPOTENTES DIANTE DAS TRANSFORMAÇÕES VIVENCIADAS E COMO CONSEQUÊNCIA DESSE ESTADO APRESENTAM-SE MELANCÓLICOS O TEMPO TODO. ESSA, PORTANTO, É A FOTOGRAFIA DE MARIA JUDITE DE CARVALHO SOBRE A SOCIEDADE PORTUGUESA NARRADA EM SUA CRÔNICAS COMO PUDE VERIFICAR NESSA PESQUISA.

  • MARCOS NONATO DE OLIVEIRA
  • EXPERIÊNCIAS E CRENÇAS SOBRE O ENSINO-APRENDIZAGEM DE ESCRITA POR ALUNOS DE JORNALISMO

  • Data: 27/05/2011
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  • EXPERIÊNCIAS E CRENÇAS SOBRE O ENSINO-APRENDIZAGEM DE ESCRITA POR ALUNOS DE JORNALISMO

  • ROCHELE KALINI DE MELO RIBEIRO
  • O TRÁGICO EM LAVOURA ARCAICA

  • Data: 12/05/2011
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  • O escritor paulista Raduan Nassar, lança em 1975, o seu primeiro romance intitulado Lavoura arcaica. Em sua narrativa de estréia, o escritor paulista nos traz à história de um adolescente, André, que tenta desconstruir a lavoura de seu pai, Iohána. Através de seus sermões, o patriarca pregava o comedimento, a disciplina e a obediência as leis impostas por ele, construindo assim, um mundo de ilusões, em que o amor servia de máscara para hipocrisia. Nessa relação de tensão, pai e filho, representações míticas de Apolo e Dioniso, travam um embate discursivo sobre a negação e a afirmação da existência. Desse modo, considerando a relação de luta e completude entre o impulso apolíneo e dionisíaco existentes no romance nassariano, a proposta desta pesquisa é apresentar uma leitura do trágico em Lavoura arcaica a partir da perspectiva nietzscheana sobre o gênero trágico. Para tanto, recorremos ao conceito desenvolvido por Nietzsche em sua obra, partindo de seu livro de estréia O nascimento da tragédia (2007a), A visão dionisíaca do mundo (2005 a) e Ecce homo (2008 b).

  • AILTON DANTAS DE LIMA
  • VOZES EM DIÁLOGO NA ESCOLA: uma análise de posicionamentos sobre a disciplina Língua Portuguesa no ensino médio integrado à educação profissional do IFRN

  • Data: 13/04/2011
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  • Esta pesquisa toma como viés temático a disciplina Língua Portuguesa no contexto do ensino médio integrado à educação profissional, implantado no ano de 2005, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte. No âmbito geral, objetiva analisar as vozes reveladas em posicionamentos sobre a disciplina Língua Portuguesa nesse contexto. Neste estudo, o uso do adjetivo integrado é compreendido como revelador de uma formação escolar não assentada em perspectivas dicotômicas, sobretudo naquelas que evidenciam uma separação entre o conhecimento e o exercício profissional. Buscou-se aporte teórico nos debates da área de educação, sobre formação integrada, na visão de contemporaneidade de Bauman e na concepção bakhtiniana de linguagem. O corpus compõe-se de empiria de natureza quantitativa e qualitativa, obtida via aplicação de questionários com alunos e professores, além da análise documental dos PCNEM e das OCEM, no que se refere à disciplina Língua Portuguesa. O direcionamento metodológico é guiado pelo paradigma qualitativo inserido em uma perspectiva sócio-histórica e elegeu como categoria de análise o conceito de vozes sociais.  Os resultados indicam que a disciplina Língua Portuguesa, na perspectiva de integração com o mundo do trabalho, adquire, em maior ou menor grau, nos dizeres dos documentos oficiais e nos posicionamentos de alunos e professores do ensino médio integrado à educação profissional do IFRN, um perfil cuja essência, longe de assumir características de um ensino instrumental redutor, requer uma concepção de linguagem que esteja em sintonia com o mundo do trabalho da sociedade contemporânea, uma sociedade cada vez mais aberta à pluralidade de opiniões e à ambivalência de sentidos.

     


  • MICHELLE VASCONCELOS OLIVEIRA DO NASCIMENTO
  • OS DESDOBRAMENTOS DO FEMININO NA POESIA DE FLORBELA ESPANCA

  • Data: 08/04/2011
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  • Este trabalho tem como objetivo a análise dos desdobramentos das imagens femininas na poesia de Florbela Espanca (1894- 1930) dos três livros publicados pela poetisa Livro de Mágoas (1919), Livro de “Sóror Saudade” (1923) e Charneca em Flor (1931, póstuma). Para tal exame, vamos realizar um breve estudo acerca das teorias dos arquétipos míticos presentes na literatura e dos componentes trágicos nietzschianos, a partir do qual mostraremos como as imagens do mito femininas, associadas aos componentes míticos da razão e desrazão, se desdobram na poesia florbeliana, revelando, assim, o eu-lírico da mulher que se desenvolve no decorrer dos três livros, e define-se na imagem da poetisa, livre das convenções morais e ditames sociais do início do século XX.

  • KALINA NARO GUIMARAES
  • Sobre auras e parentescos: imagens da poesia de Maria Lúcia Dal Farra
    

  • Data: 07/04/2011
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    Povoada de coisas de mulher, de memória familiar e de auras, a lírica de Maria Lúcia Dal Farra, que compreende o Livro de Auras (1994) e o Livro de Possuídos (2002), desponta como um espaço profundo de integração do universo. A reconciliação operada por essa poesia combina uma estrutura lingüística específica com um olhar que, percebendo a semelhança que rendilha o mundo, retira dessa experiência sentidos fundamentais. Como fruto da convivência com essa poesia, esse trabalho busca, pois, discutir a composição formal e subjetiva que figuram o universo poético do Livro de Auras, cujo tempo, habitável e enraizante, contraria a contemporaneidade, com seu ritmo predominantemente voraz, incansável na tarefa de produzir o efêmero, o fragmentário, a ruína dos sentidos e da experiência. Seguindo a tradição adorniana, nosso trabalho mergulha no espaço poemático para, de dentro de sua singularidade estrutural e espiritual, intuir sua relação com a sociedade. Nos quatro capítulos que compõem esse estudo, lemos os poemas considerando essa duplicidade temporal, necessária à qualquer formação lírica. Uma atitude meditativa cujo tom é de sabedoria; um tempo cíclico que ordena espaços de enraizamento; a presença da memória, como instrumento enraizador; a imagem como mecanismo de aproximação e de semelhança, figurando linguisticamente a visão que transmite o parentesco entre as coisas e os seres; um olhar que esquadrinha o mundo, na busca do sentido e da convergência insuspeitos; são alguns dos elementos articulados pelo projeto poético dal-farreano e que esse trabalho procurou, reflexivamente, penetrar.



  • JOAO MARIA PAIVA PALHANO
  • Coerção e Ruptura estilísticas na poesia potiguar: a construção do ethos inventivo do poeta Jorge Fernandes

  • Data: 01/04/2011
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  • No cenário poético norte-rio-grandense, a publicação do Livro de Poemas de Jorge Fernandes, em 1927, assinala, no imaginário da comunidade potiguar leitora, produtora e crítica de poesia, o início da circulação social de um ethos inventivo vinculado ao poeta Jorge Fernandes de Oliveira (1887-1953). Tomando como referência o evento aludido, a pesquisa investiga a construção desse ethos a partir do contraponto entre as escolhas estilísticas individuais do poeta e as escolhas estilísticas dominantes na produção lírica local dos anos 20 do século XX. O corpus constitui-se de textos poéticos (tanto do poeta em foco quanto de outros poetas tidos, à época, como ícones da poesia norte-rio-grandense) e de textos representativos da crítica literária local (tanto produzidos nos anos 20 quanto em outras décadas do século passado).  A sustentação da análise ancora-se na teoria enunciativa de Mikhail Bakhtin (sobretudo no que se refere a estilo) e na teoria enunciativa de Dominique Maingueneau (sobretudo no que se refere a ethos). Nesse percurso investigativo, a pesquisa delineia um inventário das escolhas estilísticas individuais dominantes de Jorge Fernandes de Oliveira e os motivos de essas escolhas sinalizarem o ethos inventivo associado ao poeta.

  • FRANCISCO MAGNO SILVA DE ARAUJO
  • O ATENEU E A NOSTALGIA DA FORMA

  • Data: 30/03/2011
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  • No amplo e controverso panorama cultural do século XIX (precisamente entre 8 de abril e 18 de maio de 1888), a Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro lançou em série um dos romances mais complexos da Literatura Brasileira (que entre nós poderia, antes mesmo de Guimarães Rosa, repetir o aforismo joyceano de romance que “acabaria” com outros romances”, ou melhor, que problematiza em si a própria técnica da ficção moderna): O Ateneu, de Raul d’Ávila Pompéia. A trajetória de Sérgio é simples, simples cujos labirintos nos requerem, outrossim, adentrá-los primeiro com a fé cega das paixões em busca do velo de ouro atrás de corredores que aos poucos se revelam signos da projeção universal de uma grande alegoria. Sob o disfarce da verossimilhança, logo se nos revela essa mesma vida já como ficção, projetada agora no espelho universal onde ganha cena e se fragmenta em uma espécie de comunicação metamórfica entre a realidade e a fábula; Sérgio e o Outro; o tempo narrativo e as fontes arquetípicas desta “crônica de saudades”.

     

     


     

     

     

  • FRANCISCO AFRANIO CAMARA PEREIRA
  • Por dentro da cidade – solidão e marginalidade em Rubem Fonseca

  • Data: 29/03/2011
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  • A ficção do escritor Rubem Fonseca, desde a sua estreia em 1963, com o livro de contos Os prisioneiros, vem despertando crescente interesse nos seus leitores e na crítica especializada. A tese de doutorado intitulada Por dentro da cidade – solidão e marginalidade em Rubem Fonseca se volta para a sua contística, tida por muitos como a expressão mais pungente da literatura do escritor. Escolhido um corpus de variados contos do autor, e ainda tendo por base ideias de estudiosos da narrativa literária, entre eles Antonio Candido (1980; 1987; 2006), Alfredo Bosi (1999; 2006) e ainda Walter Benjamin, (2000a; 2000b), a tese discute a literatura brasileira contemporânea, mais especificamente a ficção fonsequiana, que expõe de modo intenso a condição humana moderna nas grandes cidades: os nossos dramas, inquietudes, desejos e solidão.

     


     

  • EDONIO ALVES DO NASCIMENTO
  • A ESFERA COMO METÁFORA

    Representações do futebol no campo da literatura

    (leituras do tema no conto de ficção)

  • Data: 28/03/2011
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  • O futebol, entendido como um fenômeno esportivo de prática e abrangência quase universais, pode também ser visto como um jogo cujo funcionamento contorna o universo cultural dos povos que o praticam. Muito mais do que um simples esporte, portanto, esse jogo é um fenômeno cultural por excelência, portador de uma dimensão comunicacional e estética cuja ocorrência já foi flagrada por vários campos do saber científico e cultural. Sendo assim, é enquanto jogo e enquanto fenômeno de cultura, que pretendemos enfocar o futebol aqui como objeto de estudo. O nosso intuito é investigar esse esporte no Brasil tomando a Literatura e o Jornalismo como instâncias privilegiadas de sua representação no âmbito da Comunicação Social. Sendo assim, a idéia central desta pesquisa é mostrar quando e como o futebol tornou-se tema recorrente na literatura brasileira, partindo inicialmente da sua abordagem jornalística até chegarmos a uma visão geral da representação estética do jogo tendo a Literatura como foco principal de atenção e tomando o gênero do conto de ficção como fato material de sua representação. Com essa abordagem, pretendemos elaborar uma visão de conjunto, panorâmica, da produção literária sobre futebol no nosso País e, ao mesmo tempo, particularizar essa visão em alguns autores representativos dela, a exemplo dos escritores-jornalistas Mário Filho (o historiador, o ensaísta, o modernizador da crônica específica do tema); José Lins do Rego (o literato apaixonado pelo jogo); Nelson Rodrigues (o esteta que elevou esse esporte à condição de arte através da crônica); Lima Barreto (quem ao lado de Antonio de Alcântara Machado pioneiramente o formalizou no âmbito da ficção) e os contistas do tema propriamente ditos. Ao final, pretendemos inferir os resultados das avaliações e análises críticas das obras e autores elencados, que examinamos num sentido panorâmico, mas, também verticalizado (e que foram enfocados sob um prisma sócio-histórico e crítico-estético) dentro da suposição de que parece haver uma homologia entre a maneira como a prática do futebol entre nós vai historicamente ganhando características próprias, a ponto de formarmos uma escola brasileira de jogar futebol, e a maneira como os nossos escritores-jornalistas vão tratando o tema, o que incidiria também na criação de uma “maneira brasileira” de narrar literariamente o futebol. A comprovação dessa hipótese operacional de trabalho junto com a elaboração e a necessidade historiográfica, decorrente dela, da criação de um “Guia de leitura do tema do futebol no conto ficcional brasileiro” encerram a perspectiva focal do presente estudo. 

     

     


  • FLAVIO CESAR OLIVEIRA DA ROSA
  • O discurso de outrem em retextualização

  • Data: 18/03/2011
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  • Este trabalho investiga recursos que locutores utilizam para introduzir diferentes vozes com que estruturam o discurso em retextualizações de uma obra literária. Nele, são apresentadas ocorrências que revelam diferentes recursos usados, configurando a heterogeneidade discursiva, reconhecíveis através de diversas marcas como as aspas, o itálico etc. O material de análise, ou seja, o corpus desta pesquisa, é composto por 65 redações elaboradas em sala de aula, a partir da leitura de uma obra literária – Ciumento de carteirinha, de Moacyr Scliar – produzidas por alunos do 8º ano do ensino médio, constituindo-se, assim, como uma atividade de retextualização. Os dados revelaram que o recurso mais usado pelos alunos foi o discurso indireto, havendo, ainda, o uso de outros recursos como o discurso indireto livre e as modalizações, em número menor de redações. É necessário destacar que a conotação autonímica se revelou através do uso de aspas, além do uso de parênteses. Portanto, esse uso parece justificar-se devido à necessidade de esclarecer fragmentos que poderiam suscitar dúvidas ao leitor, visto que o protocolo de solicitação da retextualização estabelecia um texto com trinta linhas, o que certamente limitaria as possibilidades de expansão do texto.

     

  • CATIA MICHELI DOS SANTOS
  • O PORTFÓLIO NA FORMAÇÃO INICIAL DO PROFESSOR REFLEXIVO DE INGLÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA: UMA ANÁLISE SISTÊMICO-FUNCIONAL

  • Data: 21/02/2011
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  • Esta pesquisa trata da inserção do portfólio como recurso para o desenvolvimento da ação reflexiva na formação inicial de professores de Inglês como Língua Estrangeira (ILE). Seu objetivo é caracterizar - sob a perspectiva da metafunção ideacional da Gramática Sistêmico-Funcional (GSF) de Halliday (1994) - marcas linguísticas que evidenciam o processo reflexivo em narrativas de aprendizagem coletadas em portfólios. Dentro das possibilidades de análise oferecidas pela GSF, o sistema de transitividade foi escolhido, na intenção de observar e estudar as escolhas léxico-gramaticais feitas pelos participantes ao produzirem suas narrativas de aprendizagem. Para realizar a análise foram utilizados procedimentos relacionados à Linguística de Corpus, com o auxílio da ferramenta computacional WordSmith Tools em sua versão 5.0 (Scott, 1999). Os resultados indicam que professores em pré-serviço, quando solicitados a refletirem sobre atividades realizadas em sala de aula, utilizam em suas narrativas uma maioria significativa de processos mentais sobre os processos materiais, comumente encontrados em narrativas de diferentes naturezas. Neste ínterim, a utilização do portfólio na formação de professores de ILE, pode ser considerada como uma ferramenta desencadeadora da reflexão, que possibilita ao futuro professor o efetivo acompanhamento de todo seu processo de aprendizagem.

  • ROSIANE DE SOUSA MARIANO AGUIAR
  • DAS CINZAS AOS MAFUÁS: infância e morte na lírica de Manuel Bandeira

  • Data: 21/02/2011
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  • O presente trabalho estuda o lirismo da infância e da morte em Manuel Bandeira, a partir da relação entre experiência, linguagem e sentido, com o propósito de configurar um novo olhar, sobre esse temário, que serve de fio condutor e estrutura sua Estrela da vida inteira (1966). Para tanto, faz-se necessário apresentar a noção de lírica, discutida por Theodor Adorno, na conferência Lírica e sociedade (1958), para favorecer a compreensão de que o poeta, como é o caso de Bandeira, envolve sua arte pela dimensão negativa frente a uma situação de fetichização das coisas, a fim de apreender experiências que constituem a substância da vida e a essência da poesia. A essa perspectiva de lírica, agregam-se os conceitos de infância e de morte, explorados por Giorgio Agamben, nos livros Infância e história (2005) e A linguagem e a morte (2006), sendo amplamente favoráveis para o entendimento da poética da infância, em Manuel Bandeira, como um tipo de discurso que recupera a ideia de experiência na atualidade, por assinalar o limite entre uma experiência muda e uma experiência da língua; do mesmo modo, a morte traz implicações referentes à negatividade, como uma brecha pela qual o autor perscruta o sentido de sua lírica e o “desentranha” das incrustações provenientes do mundo reificado, por estar em defesa da linguagem não contaminada pelos cerceamentos que refreiam a preservação da criatura e o dado originário das coisas. Nisso, culmina, no fechamento da tese, a conclusão de ser a negatividade a via que explicita, na obra bandeiriana, a cultura brasileira não como uma totalidade positivada numa etnia, classe ou nação, mas como uma linguagem que reconstrói, liricamente, o colorido mosaico que é o Brasil.

  • BRUNA QUARTAROLO VARGAS
  • REPRESENTAÇÕES DE PROFESSORES DE LÍNGUA INGLESA DE NATAL-RN: Um estudo sistêmico-funcional

  • Data: 11/02/2011
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    O estudo das representações sobre o ensino e a aprendizagem de línguas é um campo de investigação crescente na linguística aplicada brasileira pois nos permite compreender as representações dos professores e como estes concebem o ensino. Com isso, é possível traçar planos e medidas para mudar a realidade da educação para melhor. Este trabalho visa identificar, interpretar e discutir algumas representações de professores de inglês como língua estrangeira em variados contextos escolares de Natal-RN, a respeito de: si mesmos, sua profissão e o ensino no contexto onde atuam. A base teórico-metodológica foi a Lingüística Sistêmico-Funcional de Halliday (1994; Halliday & Mathiessen, 2004; Eggins, 1994, entre outros). Buscamos levantar as representações construídas pela linguagem, principalmente por meio da metafunção ideacional, pois é a partir do uso da linguagem que nos expressamos sobre o mundo externo (eventos, qualidades, coisas, etc.) e o mundo interno (pensamentos, crenças, sentimentos, etc.). O corpus desta pesquisa é formado por 21 narrativas docentes, geradas a partir de um questionário aplicado aos professores participantes, que foram divididos em dois grupos: Grupo 1 (professores de escolas públicas) e Grupo 2 (professores de escolas particulares e cursos de línguas). A maioria dos professores pareceu estar satisfeita com a escolha da profissão. Muitos veem o ofício como um desafio e uma possibilidade de transmitir conhecimento. Todos afirmaram que o professor de inglês é um profissional; no entanto, a pouca valorização profissional foi um tema recorrente. Em relação ao ensino na escola onde lecionam, os professores dos contextos particulares pareceram mais satisfeitos que os professores de escolas públicas. Diante das respostas desta pesquisa, acreditamos que este estudo teve relevância para apontar o que pensam alguns professores de língua inglesa de Natal-RN. Os resultados indicados aqui poderão vir a ser utilizados como argumentos para discussão em grupo em cursos de formação continuada de professores de língua inglesa, com o objetivo de enfatizar a constante necessidade deste tipo de formação profissional.

  • BEATRIZ ALVES PAULO

  • REPRESENTAÇÕES DISCENTES SOBRE A AFETIVIDADE NAS AULAS DE INGLÊS DE UMA ESCOLA TÉCNICA
  • Data: 04/02/2011
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  • Essa pesquisa surgiu da prática pedagógica da pesquisadora em uma escola técnica, na cidade de Natal/RN e tem por objetivo verificar como a afetividade é percebida pelos alunos nas aulas de inglês, pois, a princípio, pode-se ter a ideia de um ensino tecnicista, cujo foco é o processo de aquisição de habilidades, nos cursos técnicos. Como neste trabalho cognição e afetividade são considerados elementos indissociáveis, procuramos identificar as marcas linguísticas que expressam as representações construídas pelos alunos sobre a afetividade nessas aulas. Utilizamos a metafunção ideacional de Halliday (1994), realizada pelo sistema de transitividade para ilustrar como as orações são utilizadas para realizar as representações e a metafunção interpessoal, que trata das relações entre professor e aluno. Procuramos identificar os processos (HALLIDAY, 1994)  mais utilizados pelos 68 alunos participantes da pesquisa, de modo a estabelecer o lugar da afetividade em suas representações. Utilizamos narrativas de aprendizagem (BARCELLOS, 2009), submetidas ao programa computacional WordsmithTools (SCOTT, 2009), cujos resultados apontam os itens lexicais  mais  frequentes.  As escolhas lexicais parecem sugerir que a afetividade é percebida como elemento integrante das aulas de inglês dessa escola. Há representações de aulas interativas, nas quais as necessidades dos alunos são consideradas.  Essas representações são construídas no relacionamento do professor com os alunos, realizadas gramaticalmente pelo adjunto de polaridade negativa ‘não’, adjunto de intensidade ‘muito’, e do grupo nominal ‘o/a professor(a)’ junto a um operador verbal.  Os processos relacionais (ser e estar) e mentais (gostar) foram os mais utilizados em seus textos, e observamos que a afetividade e a disponibilidade em ajudar são elementos de articulação de primeira ordem para eles. O sistema de Avaliatividade (MARTIN; WHITE, 2005) foi utilizado para analisar as escolhas relacionadas às atitudes de julgamento e ao afeto feitas pelos alunos, que apontaram apreciação por aulas interativas e participativas, mas ainda há posturas autoritárias nas aulas.

2010
Descrição
  • FERNANDO ALVES PEREIRA
  • O aspecto polifônico d'Os Lusíadas

  • Data: 10/12/2010
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  • Estudo sobre o aspecto polifônico d’Os Lusíadas. Poema épico escrito em Língua Portuguesa por Luís de Camões, cujo tema central é a aventura da viagem de Vasco da Gama no descobrimento de novas rotas marítimas para as Índias, narrando, secundariamente, as batalhas históricas travadas no percurso da formação e consolidação do Império Português. O objeto do estudo são os diversos discursos que compõem a narração do poema, examinando a possível relação de influência estilística entre a poesia épica camoniana e a prosa romanesca que se desenvolve na modernidade, a partir de D. Quixote, consagrando-se nos romances polifônicos de Dostoiévski. O estudo enfoca a singularidade de Camões na elaboração de uma narrativa estruturalmente épica, mas que ao mesmo tempo engloba vários discursos desviantes (excursos). Discursos esses que revelam a multiplanaridade e a plurivocalização (características da prosa romanesca) sem, contudo, prejudicar o encadeamento lógico-formal da epopeia, resultando no acabamento monológico canônico do gênero épico. Este aspecto caracteriza Os Lusíadas como uma obra monológica, mas que deixa transparecer traços de dialogismo e de plurilinguismo essenciais ao fenômeno polifônico. Outro aspecto relevante da poética camoniana, ressaltado no presente estudo, é o procedimento relativo à expressividade das personagens. As personagens-narradoras do poema são, na maioria, criações discursivas ou retóricas, as quais assumem, no discurso, características humanas ou mitológicas. Artifício que permite ao poeta apresentar uma visão multifacetária dos fatos narrados. A análise dos discursos apoia-se inteiramente na teoria polifônica de Mikhail Bakhtin, citando, acessoriamente, pontos de vista de outros teóricos, à medida que se julgam compatíveis com a teoria adotada.

     


  • RONIE RODRIGUES DA SILVA
  • CARTOGRAFIAS MITO-POÉTICAS DO IMAGINÁRIO NELIDIANO: DAS VISÕES DO MUNDO ARCAICO AO CONTEMPORÂNEO NO ROMANCE FUNDADOR

  • Data: 07/12/2010
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  • Esta tese trata de como se desenvolve na obra da escritora contemporânea Nélida Piñon uma espécie de pensamento cartográfico, presente desde o seu primeiro romance, Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, publicado em 1961. Para interpretarmos o universo literário nelidiano, formulamos o nosso trabalho estabelecendo um confronto com o texto do mito iluminado pelas reflexões de Eliade (2007; 2007b; 2008) e Meletínski (2002); e com o discurso filosófico pós-estruturalista, representado principalmente pelas contribuições de Deleuze e Guattari (1995; 1996; 1997) a respeito de uma geografia do nomadismo; e de Foucault (1996; 2006) sobre a ordem do discurso, o nascimento da literatura e o ser da linguagem. Examinadas pela leitura crítica e comparativista desta pesquisa, as cartografias mito-poéticas de Piñon são apresentadas ao leitor associando-se a uma geografia dos sentimentos e ao que Maffesoli (2001) denomina “desejo de errância” e da perdição, particularmente nas obras Tebas do Meu Coração, A República dos Sonhos, O Presumível Coração da América e Fundador. Esse último romance, publicado em 1969, portanto anterior aos outros textos mencionados, servirá como corpus principal de nossa análise, que objetiva demonstrar como a narrativa de Piñon se relaciona a uma linhagem literária estruturada a partir das ações de um determinado tipo de personagem conhecido como inaugurador de cidades ou herói civilizador e cultural. Na reedição desse arquétipo de personagem, a autora instaura o elemento da sedução, num jogo que se estabelece entre os sujeitos masculino e feminino e que traz à tona questões relacionadas ao erotismo, à transgressão e ao sagrado, abordadas em nosso discurso pelas considerações de Baudrillard (2008) e Bataille (1987). Para explicitarmos a constituição desses pontos, realizaremos uma viagem das visões do mundo arcaico ao contemporâneo pelas páginas de Fundador, apontando de que maneira a escritora brasileira retoma as imagens do mito cosmogônico, do mito do eterno retorno e do paraíso terreal, que se inscrevem como fundamento do seu texto literário.

  • NELSON FERREIRA DE SOUSA JUNIOR
  • Processos de construção do sentido na esquizofrenia: uma perspectiva cognitiva da linguagem

  • Data: 03/12/2010
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  • Tendo como ponto de partida os Estudos da Linguagem, pode-se perceber que os sentidos gerados e utilizados nas produções discursivas são construídos e negociados de maneira complexa, envolvendo estereótipos, esquemas que evidenciam a integração linguagem-cognição-cultura. O que ocorreria caso alguém tivesse uma alteração na percepção desse ambiente? Assim, esta dissertação teve como objetivo a compreensão de processos de construção do sentido na fala de pessoas diagnosticadas como esquizofrênicas em situação de internação, isto é, indivíduos que têm um afetamento, de certa forma, na percepção de seu entorno social. Visando tal foco, gerou-se um corpus da fala de três pacientes com esquizofrenia, internos do Hospital Psiquiátrico Professor Severino Lopes, sob uma abordagem metodológica qualitativa de pesquisa, utilizando-se de instrumentos de análise provenientes da Linguística Cognitiva, mais especificamente da Teoria dos Espaços Mentais. Vislumbra-se, portanto, a compreensão de aspectos relacionados aos processos de construção do sentido na fala de pessoas com esquizofrenia. Por fim, entendendo que a desestruturação mental ocasionada pela afetação esquizofrênica acarreta numa mudança nos modos de percepção da realidade pelo indivíduo, pode-se inferir a implicação desses fatores para com a Lgg e, subsequentemente, a interferência de tais questões sobre o sentido na fala de pacientes diagnosticados com esquizofrenia.

  • DALVA TEIXEIRA DA SILVA PENHA
  • AUTORIA NO GÊNERO RESENHA ACADÊMICO

  • Data: 30/11/2010
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    O presente trabalho investiga marcas de autoria em resenhas acadêmicas de graduandos, bem como os posicionamentos discursivos do sujeito-autor. Para tanto, analisamos as vozes presentes no texto, ou seja, as manifestações do discurso do eu e do(s) outro(s), procurando explicitar as formas de inserção do sujeito/autor da resenha. Orienta essa análise a concepção de que o autor se constitui sujeito do seu dizer, posicionando-se em relação ao discurso do(s) outro(s) com o qual trava diálogo. O nosso corpus constitui-se de dez (10) resenhas acadêmicas produzidas por estudantes do Curso de Letras, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, do Campus Avançado Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia – CAMEAM. Os dados apontam para a percepção de que o sujeito se constitui autor do seu texto quando dá voz ao outro, manifestando seu ponto de vista, destacando o discurso do outro e/ou distanciando-se do texto. Desse modo, constata-se que o gênero resenha acadêmica pode ser considerado como texto emoldurador de um texto fonte, ou seja, como um texto que comenta, critica, confirma esse texto que é objeto de sua análise. O aporte teórico que orienta a pesquisa advém da concepção dialógica de linguagem, de gêneros discursivos e de autoria de Volochinov/Bakhtin (1997, 2003). Para a discussão e a análise do gênero discursivo resenha acadêmica, reporta-se às contribuições de MOTTA-ROTH; MEURER (2002).

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  • IZABEL CRISTINA DA COSTA BEZERRA OLIVEIRA
  • A DUPLA POÉTICA DO SILÊNCIO: Uma análise de Fogo morto e Cartilha do silêncio.

  • Data: 23/11/2010
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  • Esta pesquisa apresenta uma leitura sobre a poética do silêncio no perfil e nas ações das personagens de Fogo morto, do romancista paraibano José Lins do Rego e Cartilha do silêncio, do escritor sergipano Francisco José Costa Dantas. Como ponto de partida, pretende-se demonstrar, por meio de análise, como a tradicional questão do patriarcalismo instalado no meio rural do Nordeste brasileiro vive o seu momento de ascensão e decadência em espaços sociais distintos nas narrativas. Investiga-se como o homem vive as tensões ocasionadas pelas mudanças sócio-políticas que vão paulatinamente sendo implantadas em seu meio devido ao processo de transição da vida tradicional para a vida moderna. Nessa perspectiva, esta leitura promove uma reflexão crítica sobre o espaço social dos engenhos e fazendas no momento de sua ascensão e decadência, bem como as várias relações do universo feminino com o masculino. As análises indicam que todas as mudanças ocorridas tanto no espaço social quanto familiar descortinam um mundo de variantes silenciosas e o presente estudo toma como fundamentação teórica o conceito de silêncio construído a partir das reflexões de Eni Puccinelli Orlandi (2002), Lourival Barros de Holanda (1990), Luiz Costa Lima (1974) e Marisa Simons (1999).

  • CASSIA DE FATIMA MATOS DOS SANTOS
  • Vaga-lume na treva: a poesia de João Lins Caldas

  • Data: 22/11/2010
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  • Esta pesquisa situa e analisa a poesia de João Lins Caldas (1888-1967) no contexto da literatura brasileira, visando traçar e compreender as principais linhas que a compõem. Para isso, toma como corpus os poemas reunidos em Poeira do céu e outros poemas (2009). O estudo caracteriza-se por um viés biográfico, historiográfico e crítico, à medida que objetiva delinear um perfil biográfico do poeta, organizar os seus manuscritos e realizar uma análise de sua poesia. Assim sendo, estabelecem-se relações com a poesia brasileira de alguns autores, desde o período parnasiano-simbolista ao modernismo no século XX. As análises fundamentam-se, por um lado, nos estudos de Candido (2006; 2002; 1985), em que discute o processo de formação da literatura brasileira e os procedimentos de análise de poesia, no conceito de poesia-resistência apontado por Bosi (2000; 2002) e na noção de matéria brasileira identificada por Schwarz (1987, 1997, 1999). Por outro, o enfoque da melancolia, sob a perspectiva teórica de vários autores como Aristóteles (1998), Benjamin (1984), Ginzburg (1997) e Scliar (2003), contribui para a compreensão de uma das principais temáticas presentes na lírica do poeta. O estudo de sua poética indica que ela se caracteriza pela melancolia e pela resistência, cuja expressão formal se dá por meio de uma linguagem dissonante: sintaxe arrevesada e invertida, cortes de sentido, imagens paradoxais, provocando estranhamento no leitor. O resultado é um estilo que, além de dialogar com o melhor da produção poética moderna, revela sua peculiaridade por meio dessa forma invertida em que se entrelaçam temas fortes, como a morte, o amor, a dor, o desencanto, a perda, a memória, a natureza, Deus, aspectos da historicidade brasileira, dentre outros, configurando-se, portanto, em uma lírica multifacetada.

  • MARIA DO PERPETUO SOCORRO GUTERRES DE SOUZA
  • Outras verdades, muito extraordinárias, do Grande Sertão.

  • Data: 09/11/2010
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    Este trabalho de dissertação examina a simbologia do trato diabólico no romance Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, em relação ao pacto fáustico, de Goethe, e assim tenta apreender como na linguagem rosiana estão dispostas as estratégias que põem em suspense a efetividade do acordo demoníaco e possibilitam, com intensividade poética, diversas interpretações, sobretudo no que diz respeito às angústias da condição humana. Para tanto, a pesquisa respalda-se na Simbologia Mítica, na Crítica Literária e em aspectos da Metafísica, além da análise de clássicos ensaios literários, na abordagem da estrutura da obra-prima de Rosa. Busca-se demonstrar que a incorporação da lenda de Fausto em Grande sertão reflete o mesmo desejo de felicidade que não se realiza por completo e, destarte, instiga a discussão sobre os limites à satisfação do ser humano. Desse modo, observa-se que a épica narrativa do ex-jagunço Riobaldo ao doutor da cidade especula sobre o homem humano, na aprendizagem contínua de sua travessia.

  • MARCEL LUCIO MATIAS RIBEIRO
  • Impressões de viagem: considerações sobre a obra periférica de Graciliano Ramos

  • Data: 08/11/2010
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  • Neste trabalho, estuda-se a obra periférica de Graciliano Ramos. O objetivo é detectar a importância desta na constituição da obra de Graciliano como um todo. No primeiro capítulo, a narrativa Viagem (1954) é analisada sob a perspectiva formal e conteudística: aborda-se o gênero narrativa de viagem e são estabelecidas comparações entre escritos de autores que dialogam com o referido texto de Graciliano Ramos. No segundo capítulo, examina-se a produção de Graciliano que, geralmente, não é observada pela crítica literária tradicional: crônicas, contos e narrativas infanto-juvenis. Constatou-se que, dentre outros aspectos, Viagem e os demais escritos periféricos do autor estão atrelados às suas narrativas canônicas, inserindo-se, de maneira coerente, ao desenvolvimento (da ficção à confissão, conforme assinalado por Antonio Candido) ocorrido na obra de Graciliano Ramos.

  • JORGE NORMANDO DOS SANTOS FILGUEIRA
  • O poema e a canção em As coisas, de Arnaldo Antunes: imagens da primeiridade

  • Data: 29/10/2010
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  • Esta dissertação pretende analisar um corpus contendo seis textos híbridos, os quais denominamos poema-canção/poema-cantado devida a dupla presença em dois sistemas semióticos diferentes. Um deles, a literatura ou, mais especificamente, a poesia, tem como suporte o livro As coisas de Arnaldo Antunes e o outro, a canção, está nos discos de carreira do mesmo autor. Nosso trabalho lança um olhar sobre esse corpus, tentando observar um aspecto recorrente tanto no nosso recorte escolhido, quanto no livro e quiçá na obra literária e musical de Arnaldo Antunes, que é a presença da primeiridade, categoria desenvolvida por Charles Sanders Peirce. Além da observação desse aspecto semiótico, faremos uma discussão sobre a canção popular, suas raízes e sua relação com a poesia e, por consequência, com a Literatura. A teoria semiótica será ancorada em duas frentes: no que diz respeito ao estudo da primeiridade, trabalharemos com as teorias do próprio Peirce, mas buscando apoio em teóricos como Lúcia Santaella, Winfried Nöth, Júlio Plaza e Décio Pignatari; Pelo outro caminho, quando partirmos para a análise das canções, utilizaremos a teoria de Luiz Tatit, que foi baseada na semiótica de Algirdas Julien Greimas. Tatit traça um método de análise, onde é possível analisar uma canção explorando os recursos tanto do texto quanto da melodia, possibilitando uma compreensão maior para os estudos dos poemas-canções e suas variações. Como suporte para a discussão sobre música utilizaremos como auxílio as teorias de José Miguel Wisnik, Claude Lévi-Strauss, Roland Barthes e Jean Fisette.

  • GISONALDO ARCANJO DE SOUSA
  • VOU ESTAR FAZENDO ... UM ESTUDO FUNCIONALISTA DE UMA (NOVA) FORMA PERIFRÁSTICA DE FUTURO.

  • Data: 15/10/2010
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  • O trabalho em evidência analisa o uso das formas perifrásticas gerundivas – FPG – (ir+estar+gerúndio) no discurso (gênero aula) dos professores de Natal, Caicó e Serra Negra do Norte, cidades potiguares. Para isso, optou-se por constituir um corpus uma vez que os dados encontrados em outros corpora (VALPB, D&G) foram inexpressivos para a pesquisa. O estudo procura elucidar as razões que levam o falante a utilizar uma forma de futuro estruturalmente mais longa em detrimento de outra mais curta; investiga como se dá a manifestação da gramaticalização e da marcação – princípios funcionalistas propostos por Givon. Além de Givón (1979, 1984, 1990, 1995 e 2001), outros autores serviram de luz: Cunha (1986); Bechara (2006); Cunha e Cintra (2007); Perini (2006); Neves (2000, 2006) Silva (2005); Furtado da Cunha e Tavares (2007); Gibbon (2000); Torres (2009), entre outros. Após o estudo, emergiram os resultados que apontam o surgimento de uma nova forma de expressão de futuro com tendência a gramaticalizar-se.

  • TANIA BRISANTI FERREIRA
  • Linguagem, cognição e mundo: o Livro do Desassossego e a construção discursiva da realidade.

  • Data: 06/10/2010
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  • Analisamos neste estudo os processos de construção de sentido no Livro do Desassossego do semi-heterônimo Bernardo Soares – Fernando Pessoa. Partimos dos embasamentos teóricos advindos de uma interface entre a Linguística Cognitiva e a Linguística Textual para observarmos como determinados mecanismos linguísticos conferem a construção de uma realidade que nos fala de um tempo, de um ser e de sua concepção de linguagem e escrita. Centramo-nos na descrição e explanação dos processos de categorização e referenciação licenciados, por exemplo, por metáforas e metonímias. Para a construção da interface teórica pretendida, utilizamos categorias analíticas propostas e desenvolvidas no âmbito da Teoria Sociocognitiva da Linguagem, Teoria da Metáfora Conceptual e Teoria dos Espaços Mentais. Munidos com tal arcabouço teórico, evidenciamos a dinâmica da língua no que diz respeito aos seus aspectos sociais, culturais e históricos em acoplamento aos aspectos cognitivos que lhe subjazem. Buscamos, assim, fomentar as discussões em torno do funcionamento da linguagem considerando, prioritariamente, os processos criativos que nos permitem organizar e dar forma às nossas experiências, bem como propiciar uma aproximação entre Linguística, Literatura e Filosofia com vistas às relações entre a estrutura da língua, a atividade cognitiva e a organização sociocultural.

     

     


  • CARLOS ROBERTO RODRIGUES BARATA JÚNIOR
  • O eterno espanto: uma leitura estética em Mário Quintana

  • Data: 04/10/2010
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  • Este trabalho tem por objetivo ler o fenômeno do Sublime como principal preocupação estética na obra do poeta brasileiro Mario Quintana. A pesquisa fundamentou-se na abordagem dialógica pela qual Mario Quintana observava a vida e a poesia. A compreensão assumida é a de que tal preocupação estética é uma resposta à modernidade, que cerceia o homem pós-guerra. Imerso em sua preocupação estética, Mario Quintana arquiteta, através de sua poesia, um meio de retornar a humanidade ao homem. Nesta intentona de ruptura, Mario Quintana retorna à tradição através do espanto ao lado riso.

  • RUDSON EDSON GOMES DE SOUZA
  • O PAPEL DA LEITURA NAS AULAS DE INGLÊS: UMA ANÁLISE SEGUNDO A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO DE ESCOLAS PÚBLICAS ESTADUAIS DE NATAL

  • Data: 27/09/2010
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  • Esta dissertação tem como objetivo investigar o papel da habilidade de leitura em

    Inglês em escolas públicas estaduais de ensino médio de Natal, identificando o valor

    social do processo de aprendizagem desse idioma para alunos de língua

    estrangeira. Nós pesquisamos as percepções dos professores sobre as habilidades

    e competências que devem permear suas práticas educativas, através de seus

    conhecimentos sobre as teorias da aquisição da linguagem e os documentos oficiais

    que são os parâmetros para o ensino de uma língua estrangeira. Levamos em

    consideração outros fatores que influenciam a escolha das metas e os objetivos a

    serem trabalhados, tais como: intensidade da carga de trabalho dos professores, o

    número de turmas e alunos por turma para cada professor, materiais e tecnologias

    disponíveis, entre outros fatores que desempenharão um papel importante na

    escolha das metodologias adequadas. Questionários foram utilizados para a

    construção de entrevistas com os professores de Inglês. Os dados indicaram que a

    habilidade de leitura não parece ter um tratamento especial no ensino da língua

    estrangeira, devido a fatores que prejudicam este processo e, portanto, que os

    professores não percebem os reais objetivos do ensino de Inglês para alunos de

    escolas públicas estaduais em Natal. Como consequência, ele não permite a

    formação de aprendizes autônomos capazes de lutar por uma transformação social.

  • GILMARA FREIRE AZEVEDO
  • DO DIZER TEÓRICO ÀS TRANSPOSIÇÕES DIDÁTICAS : o que se diz e o que se faz com o ensino de língua escrita no PROJOVEM

  • Data: 17/09/2010
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  • O trabalho que ora apresento traz resultados oriundos dos estudos desenvolvidos na pesquisa de mestrado, junto ao Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem – PPgEL, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, sob a orientação da Professora Doutora Maria da Penha Casado Alves. Abordo nesta pesquisa questões concernentes às concepções de linguagem e ensino de língua escrita apresentadas pelo Programa Nacional de Inclusão de Jovens – PROJOVEM. No que se refere à metodologia, a pesquisa está situado no campo da Lingüística Aplicada, é de natureza qualitativa e documental e se constrói por meio da análise de dois documentos que constituem o seu corpus, a saber: Manual de Orientações Gerais e os Guias de Estudo. Busco nesses documentos conhecer as orientações teórico-metodológicas apontadas pelo Manual, documento que é destinado aos professores e verificar como essas orientações se presentificam nos Guias de Estudo, documentos destinado aos alunos. O aporte sobre o qual ancoro as discussões e análises aponta para teóricos como Bakhtin (1992; 2003), por seus postulados sobre o entendimento da linguagem numa perspectiva dialógica, de sujeito situado historicamente e de compreensão responsiva ativa, Faraco (2001 e 2008) e Suassuna (2006) pelas discussões sobre como se concebe o ensino de Língua Portuguesa e Geraldi (1997; 2005 e 2006) e Antunes (2003), pelas orientações e discussões referentes às abordagens sobre o ensino de língua escrita. As análises feitas apontam que embora o programa proponha uma ruptura com o ensino tradicional, por considerá-lo excludente, não consegue transpor essa concepção para os Guias de Estudo. Resultado disso: um material didático que reitera e reproduz atividades calcadas numa concepção de ensino descritivo e/ou prescritivo. No que concerne às proposições para produções textuais, por exemplo, constato que esta se dá de forma artificial, inexpressiva e está desvinculada de qualquer contexto comunicativo e, por vezes, do contexto do próprio tópico no qual estão inseridas.

  • MARIA ELIANE SOUZA DA SILVA
  • O DEVIR - CLARICE NA ESCRITURA DA LITRATURA INFANTIL

  • Data: 31/08/2010
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  •  A obra de Clarice Lispector traz no seu bojo indagações sobre a escrita e o leitor a que se destina, adulto ou infantil. Trata-se, neste último caso, de um escrever sobre a infância, mas, sobretudo, dar lugar a um pensar a infância, problematizar o seu espaço, que é também o espaço da escrita. Clarice permite-nos como adultos impormo-nos perguntas a respeito desse outro, que é a criança, quanto o desconhecemos e o exilamos na infância, como o lugar próprio de sua manifestação. Diremos, assim, que na escritura da autora abrem-se vias para se estabelecer um estilo da infância em que a criança é o pequeno filósofo, segundo as palavras do estudioso Mathew Lipman.

  • ALDINIDA DE MEDEIROS SOUZA
  • Inês de Castro no romance português contemporâneo

  • Data: 27/08/2010
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  • Inês de Castro é um tema presente na literatura desde o século XIV. O fato histórico de sua morte, em 1355, tornou-se um marco na História portuguesa e, desde então, diversos textos literários, de vários gêneros, têm tratado desse tema, o que fez do casal Pedro e Inês um mito do amor paixão, do amor que ultrapassa as barreiras da morte, assim como Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Abelardo e Heloísa. O mito literário – ou qualquer figura que literatura mitificou  –  é sempre pré-elaborado culturalmente e funciona nos mesmos moldes que tantos outros, isto é, como um elemento da identidade cultural, quer coletiva, quer individualmente, tornando-se, também, um recurso poético. Desse modo, é um arquétipo confirmado pelo tempo e acaba por revelar uma série de teias da psique humana. Inês de Castro tornou-se o mito português do amor eterno: é a "que depois de morta foi rainha". A permanência do mito faz com que a história de amor de Pedro e Inês continue a render textos literários de diversos gêneros. Esta pesquisa debruça-se sobre seis romances históricos contemporâneos, a fim de evidenciar que a forma como esse romance é escrito na contemporaneidade traz uma reelaboração da imagem mítica de Inês, visto que agora não é mais tratada como a Inês vítima, presente n’Os lusíadas e em outros textos de épocas passadas.  Para isso, colaboram as novas relações entre História e Literatura e uma nova postura do romancista em relação aos fatos históricos tomados como referentes do romance. O intento é evidenciar, através do corpus escolhido, que Inês de Castro tem agora diversos perfis, os quais não se viam nos romances históricos tradicionais, da época do Romantismo e Neo-romantismo.  Da autoria de Agustina Bessa-Luís, João Aguiar, António Cândido Franco, Seomara da Veiga Ferreira e Luís Rosa, os seis romances em estudo comprovam a circularidade cultural do mito inesiano, mostrando essa nova personagem Inês de Castro romance histórico contemporâneo.

  • FABIANO DE CARVALHO ARAUJO
  • Verbos intransitivos podem ter complementos obrigatorios? verbos de movimento e ensino de transitividade

  • Data: 26/08/2010
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  • Nesta pesquisa investiga-se o complemento de lugar de verbos cuja entidade identificada como sujeito gramatical se desloca voluntariamente no espaço com o objetivo de verificar se estes complementos são, como ensinados pela Gramática Tradicional, meros adjuntos. Como este propósito os verbos foram classificados de acordo com a natureza morfossintática e semântica dos complementos, o grau de integração dos complementos com os verbos foram analisados, assim como o comportamento das preposições e suas ligações com determinados verbos e papéis semânticos dos complementos e por fim, o papel semântico dos complementos. O referencial teórico é a Lingüística Funcional Norte-Americana.

  • AGEIRTON DOS SANTOS SILVA
  • SAMBA E NEGRITUDE: PRÁTICAS DISCURSIVAS E IDENTITÁRIAS EM SAMBAS DE ENREDO DE TEMÁTICA NEGRA

  • Data: 05/08/2010
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  • O objeto de estudo desta tese é o processo de afirmação, (re) construção e (re/s/) significação de identidades negras nos discursos que atravessam os sambas de enredo de temática africana das escolas de samba do grupo de elite do carnaval carioca no período compreendido entre 1960 e 2007. A questão central que a orienta é a seguinte: Como se dá esse processo discursivo e quais são os possíveis efeitos decorrentes dele? Tem como objetivo compreender, através de gestos de interpretação de tais discursos e dos que atravessam enunciados de entrevistas e de respostas oferecidas a questionários aplicados a espectadores e desfilantes dessas escolas de samba, de que forma a concepção de negritude e a prática do exercício de cidadania dos negros brasileiros, especialmente os do Rio de Janeiro, podem ser afetadas pela produção de sentidos circulante nas práticas discursivas desses sambas. Inscrita teoricamente na área da Linguística Aplicada, a pesquisa articula teorizações advindas dos Estudos Culturais e dos Estudos Étnico-raciais, como também lança mão de alguns pressupostos teórico-metodológicos da Análise de Discurso de orientação francesa. A metodologia é de base qualitativa interpretativista com procedimentos de caráter discursivo.  A análise das entrevistas não revelou, como consequência dos discursos circulantes nos sambas, uma atuação direta dos entrevistados negros na luta pelo exercício de sua cidadania, mas evidenciou movências de sentido no que diz respeito à assunção da negritude.

     

  • MARCIO RODRIGO XAVIER SOBRINHO
  • ATIVIDADES DE CONSTRUÇÃO DE SENTIDO: a cosmovisão no discurso poético de A Poesia em Pânico

  • Data: 29/07/2010
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    Este trabalho se utiliza de conceitos oriundos da abordagem sociocognitiva para evidenciar processos de construção de sentido do livro A Poesia em Pânico, do poeta Murilo Mendes. Os conceitos de referenciação, objetos-de-discurso e esquemas cognitivo-experienciais foram empregados com vista a possibilitar a leitura dos sentidos dos textos que compõem o livro, esmiuçando seus modos de elaboração e efeitos de expressão. Buscou-se traçar paralelos entre a concepção de linguagem proposta pela teoria utilizada e aquela que perpassa os poemas e a prática poética do autor escolhido para estudo, destacando seus pontos em comum. Da mesma forma, utilizou-se da análise dos textos para procurar demonstrar aspectos variados da teoria. Ao mesmo tempo, uma leitura dos principais elementos do dis curso analisado foi construída ao longo do trabalho, buscando uma aproximação entre as áreas da literatura e da linguística.


  • TACIANA DE LIMA BURGOS

  • COMUNICAÇÃO  GRÁFICA  EM  INTERFACES  DE  HIPERMÍDIA  DE  EDUCAÇÃO  A
    DISTÂNCIA  VIA  WEB

  • Data: 23/07/2010
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  • Este estudo tem como objetivo apresentar o Design Virtual de
    Aprendizagem, um modelo de leiaute de hipermídia, concebido para gerar
    usabilidade para os Ambientes Virtuais de Aprendizagem - AVA e ampliar
    a aquisição de letramentos para cursistas e tutores. Inicialmente foi
    construído um referencial teórico abordando conceitos de letramento
    virtual, usabilidade e interatividade, além de descrito os atributos
    de usabilidade da interface de hipermídia. A investigação foi
    desenvolvida por meio da pesquisa netnográfica, com os cursistas do
    Ciclo Intermediário do Programa de Formação Continuada em Mídias na
    Educação, e da avaliação heurística de suas interfaces e do AVA
    E-proinfo. Os resultados indicaram problemas de usabilidade e de
    interatividade relacionados com a aplicação de elementos de hipermídia
    e de navegação do Módulo Informática. Como proposição apresentamos do
    Design Virtual de Aprendizagem aplicado no redesenho desse Módulo com
    o objetivo de oportunizar a construção de ambientes pedagógicos
    acessíveis que ampliem as atividades de ensino-aprendizagem.

  • MACIO ALVES DE MEDEIROS
  • A perenidade dos contos de Perrault no cenário da Literatura brasileira.

  • Data: 12/07/2010
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  • O presente trabalho compreende versões comparativas de nove dos mais conhecidos contos de Perrault publicados em edições integrais, no Brasil, entre 1934 e 2005. Na análise comparativa prioriza-se a identificação de elementos relacionados à oralidade, dentre estes, aqueles relacionados, segundo Ong (1998) e Havelock (1996) a contextos de culturas anteriores ao florescimento da escrita e que, portanto, elaboravam suas próprias estruturas de pensamento e de expressão para interagir tanto na vida prática quanto na criação, transmissão e manutenção de costumes e tradições. Oriundos das narrativas primitivas, os contos de Perrault, traduzidos e/ou adaptados no Brasil, conservam em si o espírito da linguagem narrativa à qual o autor francês dedicou especial atenção ao transpor e recriar, na escrita, estratos narrativos da grande experiência humana nascida no meio popular e que, agora, integra também o espaço da escritura a cada nova versão produzida. As bagagens formulares, como os epítetos, as intervenções do narrador e a própria relação das significações do enredo com as estruturas do imaginário, sempre presentes na Humanidade, demonstram a aproximação entre oralidade e escrita. Com base nas discussões teóricas de Zumthor (1993, 1997, 2000), e pela interação do leitor com o texto, percebe-se que esses elementos relativos à oralidade possibilitam a manifestação de uma performance no espaço da escrita a partir das impressões sinestésicas que cada leitura provoca no leitor e receptor de um texto narrativo que reivindica, automaticamente, a construção de uma obra somente possível a cada momento de interação pelo processo estético da recepção. Mesmo no nível da escrita, cuja intensidade de presença é diminuída em função da ausência de um corpo físico que transmite, que se expande, que opera o texto literalmente pela voz e que alcança os ouvidos e os olhos do ouvinte, a performance gerada se interpõe entre o corpo do leitor que age sobre o texto e ao mesmo tempo recebe as sensações permitidas pela experiência estética. Assim, na experiência da leitura de Contos de Perrault é possível perceber os elementos que remetem ao formato do conto na tradição popular. Mesmo influenciado pela escrita, o leitor pode identificar, nesta obra, as possibilidades determinantes da dinâmica perene na transmissão de seus textos: trata-se do prazer conservado e vindo da prática de ouvir histórias contadas oralmente e do prazer vindo da prática da leitura silenciosa e solitária. Neste processo o leitor deve sair em busca dos sentidos perdidos os quais, aqui, são recuperados com o auxílio dos discursos literário, linguístico, folclórico, antropológico e psicanalítico sobre a superfície do texto narrativo maravilhoso. Ademais, na virtualidade e na emergência de uma performance, esses discursos colaboram para que o leitor recupere as vozes aprisionadas pela escrita.

  • NEDJA LIMA DE LUCENA
  • A relação gramatical objeto direto: implicações para o ensino de língua materna

  • Data: 09/07/2010
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  • Este trabalho tem por objetivo investigar as manifestações discursivas da relação gramatical objeto direto, tomando por base os níveis sintático-semântico e discursivo-pragmático que subjazem à manifestação desse elemento. Para isso, a pesquisa é orientada pelo quadro teórico do funcionalismo, na sua vertente norte-americana e brasileira, de inspiração em Givón (1995, 2001), Hopper e Thompson (1980), Chafe (1979), Furtado da Cunha, Oliveira, Martelotta (2003), entre outros. Do ponto de vista dessa corrente teórica, a pesquisa aplica os princípios de iconicidade, marcação e informatividade, e examina as categorias transitividade, plano discursivo e animacidade. A pesquisa se ancora, ainda, na linguística cognitiva, em especial, no modelo dos protótipos (TAYLOR, 1995) e da gramática das construções (GOLDBERG, 1996, 2002). Essas duas correntes teóricas compartilham a visão de que a língua é um organismo vivo e maleável, sujeito às pressões oriundas dos contextos socioculturais. A gramática, por sua vez, é o resultado de padrões linguísticos criados, mantidos e sistematizados no e para o uso da língua. De acordo com a linguística funcional e a linguística cognitiva, os verbos são armazenados no léxico do falante em molduras, ou enquadres sintático-semânticos, que são mais frequentes no uso interacional da língua. Essas molduras trazem informação sobre que argumentos são obrigatórios e quais são opcionais, bem como que papéis semânticos esses argumentos desempenham na oração. A análise prioriza os tipos semânticos de verbo e sua relação com o argumento codificado sintaticamente como objeto direto, observando, ainda, a natureza aspectual dos verbos. Os objetos diretos são classificados quanto à codificação morfológica (Sintagma Nominal lexical ou Sintagma Nominal pronominal), papel semântico, status informacional e animacidade. O trabalho busca estabelecer uma ponte entre teoria linguística e ensino de língua, na medida em que examina os fenômenos relacionados à estrutura argumental e a maneira como esses fenômenos são tratados no âmbito dos livros didáticos escolares. A fonte dos dados empíricos é o Corpus Discurso & Gramática: a língua falada e escrita na cidade do Natal (FURTADO DA CUNHA, 1998), composto por textos na modalidade falada e seus correspondentes na modalidade escrita, que se configuram em diferentes tipos, a saber: narrativa de experiência pessoal, narrativa recontada, descrição de local, relato de procedimento e relato de opinião. As amostras totalizam um conjunto de quarenta textos produzidos por quatro informantes do último período universitário. O trabalho evidencia que uma mesma estrutura sintática (formada por Sujeito – Verbo – Objeto) corresponde a diferentes estruturas semântico-pragmáticas, relacionadas a determinados fins comunicativos, seja o verbo de evento, processo ou estado.  Essas estruturas argumentais não são aleatórias, mas estão relacionadas à experiência, isto é, ao modo como os seres humanos apreendem o mundo e falam sobre ele.

  • RENY GOMES MALDONADO
  • El mito, el paisaje y el hombre en la literatura ando-boliviana

  • Data: 05/07/2010
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  • La presente investigación parte de un estudio con respecto a la literatura boliviana, un país cuya tradición cultural transciende entre la realidad y el mito, con una naturaleza exótica, heredera de personajes extraordinarios de un tiempo remoto, con vestigios arqueológicos que nos muestran su esplendor y grandeza, haciéndola particular entre otras literaturas de hispanoamérica o del mundo. Para contextualizar el estudio de la literatura de esta nación, rica en literatura fantástica, comprendiendo sus rasgos en la literatura actual, se ha buscado rescatar en la historia de sus primeros habitantes, los kollas, la referencia cultural que ellos heredaron y repasaron, en el proceso de aculturación entre indígenas y españoles. Intenta rescatar un estudio sobre el pasado andino, abordando los fundamentos del componente mítico en la literatura, abordando el paisaje y la naturaleza  como los que ilustran, caracterizan y dan vida a los personajes míticos y a la problemática social del hombre andino. De la narrativa actual se ha elegido el escritor Raúl Botelho Gosálvez, novelista sobresaliente de su generación, autor de novelas como Altiplano, obra calificada por críticos extranjeros, como una de las seis mejores de su género en hispanoamérica. Con este autor, especialmente se ha buscado hacer un estudio de algunas obras verificando y comprobando su estilo y forma excepcional como escribe su narrativa. En fin como apasionada por las  letras bolivianas, traspaso y contagio el tema a través de la literatura.

  • ALBERY LUCIO DA SILVA
  • Com quantas ave-marias se faz uma santa? relicário de vozes sobre a Santa Menina

  • Data: 02/07/2010
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  • Esta dissertação tem como objetivo analisar como se sustentam os relatos orais sobre um mito religioso presente na cidade de Florânia, estado do Rio Grande do Norte. Nesse rincão sertanejo, o culto religioso à Santa Menina é marcado discursivamente através de um universo multifacetado que se sustenta através das vozes dos narradores sobre a história do achado de um corpo de uma menina, encontrado sob misteriosas circunstâncias e que, sacralizada pela população, é conhecida como Santa Menina. Uma história que, notadamente, teve/tem repercussão e ressonância, participando, efetivamente, da realidade cultural da população. Com isso, buscamos: identificar de que modo a memória, através das vozes dos depoentes, é componente crucial para a construção da história oral; descrever como a sustentação e manutenção dessa memória oral estão intimamente ligadas a uma pragmática do saber narrativo que só pode manifestar-se através de um aparelho lingüístico trinitário, formado pela tríade pronominal “eu”, “tu” e “ele”; verificar os elementos de legitimação mitológica da Santa Menina a partir de uma trindade linguística. Teoricamente, nosso trabalho está alimentado por saberes advindos, da Linguística, da Fenomenologia, dos estudos antropólogicos e da História Oral.

     


  • CONCISIA LOPES DOS SANTOS
  • LUNA CLARA E APOLO ONZE DO ARQUIVO AO REPERTÓRIO: O LIMIAR DE UMA TRANSESCRITURA EM ADRIANA FALCÃO
     
  • Data: 30/06/2010
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  • A palavra arquivo tem origem no vocábulo grego arkhê, o qual pode indicar começo e comando. Tal palavra pode ser usada para representar diferentes ideias. Ao ser considerada como um conjunto, pode reunir as informações existentes sobre um determinado assunto em qualquer área do conhecimento humano. Essas informações, por sua vez, são constantemente modificadas pelo repertório dos usuários desses arquivos. Cada indivíduo, ao usar esse repertório, o faz de uma maneira diferente, pois as possibilidades são variadas. Dentre estas, está a performance, que permite a elaboração de uma transescritura, um modo de escrever que vai além do padrão convencional. Para ser entendida como tal, a escritura precisa realizar uma transgressão, quebrar o canônico. Adriana Falcão transgride, ao consultar o arquivo e reinventá-lo a partir de seu próprio repertório, chegando a realizar uma transescritura no romance Luna Clara e Apolo Onze (2002). Neste, arquivo e repertório estão em constante cruzamento, criando novas relações entre literatura, história, mitologia, língua artes, questões humanas e sociais. O romance é então percebido como uma narrativa que performatiza nomes, lugares, conceitos, ideias, através de uma assinatura que por ser tão plural é única, peculiar, representação da literatura infanto-juvenil do início do século 21.

  • HELENE MEDEIROS PINHEIRO
  • Propaganda e discurso ideológico: um estudo dos slogans de incentivo à leitura

  • Data: 22/06/2010
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  •  

    Entendendo que o Brasil é considerado como um país de “não leitores”, o Governo Federal buscou encontrar soluções para se reverter este quadro de exclusão social por meio de campanhas e projetos e, o slogan foi o meio de propaganda proposto para esse fim. Por serem considerados pouco esclarecedores, entendemos que eles, possivelmente, estavam inseridos em um contexto ideológico, passando, então, a fazerem parte do objeto de estudo em questão e, nesse sentido, o objetivo do trabalho foi investigar como se constrói, no plano discursivo, as relações sociais de ideologia e poder presentes nos slogans verbais dos projetos e campanhas publicitárias de incentivo à leitura. Para tanto, utilizou-se como instrumento de coleta 07 (sete) slogans de projetos e campanhas publicitárias intensificadas nos anos de 1995 a 2006, logo após a criação do PROLER em 1992, onde foi analisado seu funcionamento discursivo e ideológico, buscando identificar nos enunciados propostos seus efeitos de sentido. Recorreu-se para fundamentar a pesquisa a perspectiva da Análise do Discurso da Escola Francesa, filiada a Michel Pêcheux. A fim de pressentir os efeitos de sentido das campanhas foi aplicado um questionário semi-aberto aos professores que lidam diretamente com o ensino de leitura do Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy, situado na cidade de Natal/RN. Foram aplicados 100 questionários, dentre os quais 60 deles utilizados para análise. A pesquisa mostrou por meio das análises que, a maneira de se incentivar as pessoas a lerem esbarra no modelo primário de entendimento sobre a leitura a qual os slogans se utilizaram, fazendo sua mensagem parte de um discurso dominante que, pouco ou nada contribuiu para o aumento do número de leitores no país.   Através das análises dos slogans e da recepção dos sujeitos da pesquisa, conseguimos perceber a heterogeneidade e a ideologia presentes, revelando a todo instante, o entendimento da leitura como uma prática superficial, não trazendo à luz algumas de suas importantes funções dentro de um contexto educacional mais amplo. 

     

     

     

     


     

  • ANA SHIRLEY DE VASCONCELOS OLIVEIRA EVANGELISTA
  • "AVE! MOSSORÓ!": os eventos discursivos sobre o episódio da resistência ao bando de Lampião.

  • Data: 22/06/2010
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    Esta pesquisa tem como objetivo investigar as relações interdiscursivas no processo de construção da linguagem em uso nas esferas poética e jornalística, a fim de perceber como o gênero notícia é constituído em diferentes campos de atividade social, bem como analisar os processos argumentativos que estruturam os discursos escritos sobre o episódio da resistência ao bando de Lampião em Mossoró no ano de 1927. O corpus da pesquisa é constituído pelo noticiário da época veiculado nos jornais impressos Correio do povo e O Nordeste, ambos de Mossoró/RN, assim como, as narrativas presentes nos cordéis de acontecido: Mossoró na resistência ao bando de Lampião; Lampião em Mossoró em 1927 e O ataque de Mossoró ao bando de Lampião, todos de poetas potiguares. A análise dos textos teve como suporte teórico A Análise do Discurso; A Teoria da Argumentação e os estudos sobre Gêneros do Discurso. Focalizamos nossa discussão no (re)enquadre dado à notícia na perspectiva discursiva da memória sócio-histórica construída nos cordéis, a partir de valores ideológicos (político, econômico, religioso, etc) que passam a ser elemento fundamental na constituição da imagem da resistência. Metodologicamente, esta é uma pesquisa de cunho documental, uma vez que faz uso essencialmente do documento escrito. No que tange à natureza dos dados, a pesquisa caracteriza-se de como qualitativa de base interpretativista. As análises revelaram-nos o modo como foi realizada a abordagem do episódio na construção discursiva do texto. Na análise, consideramos as técnicas argumentativas adotadas na defesa da tese, os efeitos de sentido sugeridos e os gêneros abordados, o que nos revelou a maneira como o episódio foi veiculado pelos jornais e pelos cordéis. Assim sendo, a construção discursiva do texto aponta determinados padrões de repetição, visto que o contexto linguístico, caracteriza-se no campo jornalístico e no campo poético por assumi, em primeira instância, uma expressão local.  

     

     

     

  • LIGIA MYCHELLE DE MELO SILVA
  • O retrato de Eros em Florbela Espanca : um estudo sobre a escrita erótica em Charneca em flor.

  • Data: 21/06/2010
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  •  

     

    A poetisa Florbela Espanca (1984-1930) viveu e produziu sua obra literária em um período em que, se por um lado, estavam sendo fomentados os ideais de um movimento inovador e irreverente – liderado por Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro –, por outro lado, o que predominava, em Portugal, era um pensamento conservador e autoritário, apoiado numa ideologia burguês-cristã. Inserida num contexto social em que nada favorecia a expressão dos impulsos sexuais femininos, a poesia de Florbela surge, então, como um discurso inovador, na medida em que “põe em xeque” a organização sexual da sociedade portuguesa em questão. Desse modo, considerando as relações entre o texto poético e o contexto histórico-social, a proposta desta pesquisa é apresentar uma leitura do erótico na obra Charneca em flor (1931) como possibilidade de transgredir as limitações dadas à atividade sexual. Para tanto, recorremos aos conceitos desenvolvidos, principalmente, por Georges Bataille – em O Erotismo (2004) – e por Octavio Paz – em A dupla chama: amor e erotismo (2001) – sobre a temática abordada.

     

     

  • FRANCISCO ISRAEL DE CARVALHO
  • O AUTO DA VIDA E DA MORTE: A ESCRITA BARROCA DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO

  • Data: 28/05/2010
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  • RESUMO

     

     

     

     

    Esta dissertação, intitulada O Auto da Vida e da Morte: A escrita Barroca de João Cabral de Melo Neto tem como objetivo analisar, interpretar, dentro de uma perspectiva barroca, a escrita cabralina no poema/peça Morte e vida severina – Auto de Natal Pernambucano,  tomando como base os suportes teóricos de Eugênio D´Ors, Severo Sarduy, Omar Calabrase, Lezama Lima, Afonso Ávila, Affonso Romano de Sant´Anna e outros teóricos nomeados no corpo do trabalho. No decurso da análise destacamos confluências, relações, similitudes, identificação entre o barroco da contra-reforma e o barroco moderno ou neobarroco. Procuramos sublinhar o barroco que chega ao século XX e a poética cabralina como um elemento da contemporaneidade, atualizando o conceito do barroco do seiscentos, quando é detectado em sua característica mais pura na relação humana  (a vida do homem do nordeste brasileiro) com uma realidade intangível (a morte). O barrroco como síntese cultural de uma época de instabilidade e de transformação, com a força de desmontar uma poética já estabelecida. A luta entre palavras e coisas, linguagem e realidade.  

     

     

     

     

  • EDGLEY FREIRE TAVARES
  • A MASCULINIDADE EM REVISTA: MÍDIA, DISCURSO E MODOS DE SUBJETIVAÇÃO AFETIVO-SEXUAIS

  • Data: 26/05/2010
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  • Esta dissertação tem como objeto de análise a tematização da subjetividade masculina afetiva sexual em textos das revistas Universo Masculino e Men’s Health. O objetivo central é descrever e interpretar o tema da subjetividade masculina nos discursos de afetividade e sexualidade materializados nas práticas discursivas destas revistas. A principal questão norteadora da pesquisa é a problematização do modo como a discursividade destas duas revistas possibilita compreender os efeitos de sentido produzidos sobre o masculino na atualidade. Na perspectiva do trajeto temático, aspecto central no tratamento de corpus na pesquisa em análise do discurso francesa, percorremos, nas matérias das revistas, uma arqueogenealogia do masculino, a partir de um dispositivo de afetividade-sexualidade específico de nossa cultura midiática. Nosso percurso analítico permite concluir que o trajeto temático da subjetividade masculina afetiva sexual produz um trajeto semântico que reafirma ideais hegemônicos e heteronormativos, mais do que propõe novas performances nas vivências subjetivas masculinas. Em seus efeitos de verdade, esta prática discursiva midiática busca ligar certos saberes afetivo sexuais aos modos de vida do sujeito masculino na atualidade, a partir de escolhas temáticas, modalidades enunciativas e estratégias discursivas específicas desta mídia masculina.

  • ARIANE APARECIDA DE OLIVEIRA
  • A prática de correção textual por professor de Língua Portuguesa do Ensino Médio.

  • Data: 21/05/2010
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  • Este trabalho de pesquisa analisa as práticas de correção de textos no Ensino Médio. Partimos de discussões com professoras de Língua Portuguesa do 1º, 2º e 3º anos de uma escola pertencente à rede estadual de ensino, localizada no município de Assú-RN. O estudo tem como fundamentação teórica os postulados propostos por Cruz (2007), Dellagnelo (1998), Oliveira (2005), Pécora (1999), Ruiz (2001), Serafini (1989), dentre outros. A metodologia é de natureza qualitativa e interpretativista, tendo sido os dados constituídos a partir das gravações dos relatos de profissionais docentes, bem como de 92 textos coletados entre julho e agosto de 2008. Os dados apontam que a correção configura-se como um trabalho interventivo, que objetiva ajudar ao aluno a melhorar sua produção escrita. As docentes corrigem de forma mista, isto é, no texto aparecem correções ortográficas, lexicais, etc., porém a predominância da correção é com relação as ideias, aos conteúdos do texto. Nesse sentido, as professoras valorizam e priorizam as ideias discutidas pelos alunos, reconhecendo-as como organizadoras dos aspectos semânticos e sequenciais do texto. Todos os demais aspectos (estruturais, gramaticais) são importantes, porém, no geral, na prática de correção em estudo, as ideias ocupam lugar central. As marcas de correção aparecem em forma de pequenos bilhetes, o que faz com que elas valorizem também todas as etapas da escrita do texto. 

  • SMALLY GALVAO MOREIRA
  • Das margens do espelho: um estudo dos reflexos da morte em primeiras estórias, de João Guimarães Rosa

  • Data: 29/04/2010
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  • Das margens do espelho: um estudo dos reflexos da morte em primeiras estórias, de João Guimarães Rosa

  • PABLO MORENO PAIVA CAPISTRANO
  • Na trilha do Poético: um caso de angústia de influência

  • Data: 22/04/2010
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  • Na trilha do Poético: um caso de angústia de influência

  • FRANCISCA MARIA DE SOUZA RAMOS LOPES
  • A CONSTITUIÇÃO DISCURSIVA DE IDENTIDADES ETNICORRACIAIS DE DOCENTES NEGRO/AS: SILENCIAMENTOS, BATALHAS TRAVADAS E HISTÓRIAS RESSIGNIFICADAS

  • Data: 20/04/2010
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  • A CONSTITUIÇÃO DISCURSIVA DE IDENTIDADES ETNICO-RACIAIS DE DOCENTES NEGRO/AS: DAS BATALHAS TRAVADAS AS HISTORIAS RESSIGNIFICADAS

  • CARMEN BRUNELLI DE MOURA
  • PRÁTICAS DISCURSIVAS DE REGULAMENTAÇÃO E LIBERDADE NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL: a constituição de subjetividades de professores na Revista Nova Escola

  • Data: 09/04/2010
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  • Esta tese toma como objeto de estudo a constituição discursiva de subjetividades do professor em práticas que permeiam seções da Revista Nova Escola entre os anos 2000 e 2005. Problematiza-se como se constituem as subjetividades do professor para o século XXI em face dos discursos de verdade que atravessam seções da Revista, cujos efeitos instauram um programa de desenvolvimento profissional autônomo no âmbito de uma perspectiva da governamentalidade neoliberal? Dessa inquietação, indaga-se: Como as subjetividades do professor do século XXI são discursivamente produzidas em seções da Revista Nova Escola nestes cinco anos de governamentalidade? Em que medida os discursos que perpassam os documentos oficiais em relação ao desenvolvimento profissional se refletem nos repertórios lingüísticos-discursivos utilizados pela Revista? Como os experts, instituídos e/ou convocados pela Revista, procuram equipar discursivamente as subjetividades do professor para o século XXI? Para tanto, objetiva-se examinar estratégias linguísticas utilizadas na produção dessas subjetividades em seções da Revista, que, confessadamente, ensinam um outro modo de ser professor; analisar as práticas discursivas que compõem e demarcam o desenvolvimento profissional autônomo proposto em seções deste periódico; descrever tecnologias, utilizadas pelos experts, para equipar e conduzir o professor a um auto-governo. A pesquisa inscreve-se teoricamenteno campo da Linguística Aplicada, dos Estudos Culturais e das contribuições teóricas de Michel Foucault e metodologicamente em uma perspectiva interpretativista discursiva. Os resultados evidenciam que as subjetividades do professor são produzidas por várias tecnologias do eu, atravessadas por discursos oficiais e ratificadas pelas práticas discursivas dos experts da Revista. Esta discursividade, sem conotação repressora ou autoritária, abre espaço para práticas de liberdade e governo de si em processos de subjetivação do professor em direção ao século XXI.

     

     

     

     

     

     

     

     

  • FABÍOLA BARRETO GONÇALVES
  • "Tudo" em Natal: definitude, implicaturas e contribuições para o ensino de lingua materna

  • Data: 09/04/2010
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  • A maioria dos falantes tem uma falsa impressão de que a língua é uma entidade estanque, ou seja, de que, ao longo do tempo, ela não sofre alterações. Entretanto, em seu processo evolutivo, é comum encontrarmos na língua novas funções linguísticas para itens lexicais ordinários . Um exemplo disso é o que vamos apresentar neste trabalho, que toma como objeto de análise o item TUDO, o qual, nas gramáticas normativas, tem sido classificado apenas como pronome indefinido. No entanto, podemos encontrá-lo desempenhando outros papéis, dependendo dos elementos aos quais está ligado no discurso , sobretudo na modalidade oral , podendo ser , inclusive , classificado como definido como: definido, fórico, dêitico, inferidor, entre outros. Os dados empíricos analisados provêm do Corpus Discurso & Gramática: a língua falada e escrita na cidade do Natal (FURTADO DA CUNHA, 1998). Nosso estudo tem por base os postulados da Linguística Funcional sob a perspectiva norte-americana, a qual defende uma linguística baseada no uso, ou seja, nas situações intercomunicativas (GIVÓN, 1995, 2001), concebendo a língua como um instrumento de interação social , utilizada, principalmente , para satisfazer às necessidades comunicativas. Nosso objetivo é mostrar que TUDO sofreu gramaticalização, vindo a adquirir várias funções gramaticais a partir de seu uso como pronome indefinido; e discutir necessidades comunicativas que possam ter motivado as alterações funcionais sofridas pelo item em questão no decorrer desse processo de mudança. Neste trabalho , propomos também uma atividade com esse item a fim de ser realizada em sala de aula. Através dela, desejamos fomentar uma discussão e contribuir para a conscientização dos professores de língua portuguesa dos níveis fundamental e médio a respeito da estrutura maleável e dinâmica da língua e de seu processo emergente e inacabado (HOPPER, 1991), pois a prática do ensino de língua portuguesa em sala de aula tem sido calcada no conteúdo da gramática normativa. Todavia, o educador deve promover uma reflexão para que os alunos tenham uma melhor formação, construindo e reconstruindo conceitos que norteiem sua ação e o uso da língua.

     

  • NOELMA RAFAEL
  • Variação, mudança e ensino: o caso dos pronomes possessivos DA GENTE e NOSSO(A)(S) em uma abordagem sociofuncionalista.

  • Data: 09/04/2010
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    Neste trabalho, analisamos o fenômeno de variação e mudança envolvendo os pronomes possessivos da gente e nosso(a)(s) à luz dos referenciais teóricos do funcionalismo linguístico norte-americano e da sociolinguística variacionista. Inicialmente, apresentamos o fenômeno sob enfoque, ressaltando o fato de que poucos estudos o tomaram como objeto, lacuna para cujo preenchimento intentamos contribuir. No capítulo seguinte, demos destaque a conceitos e princípios do funcionalismo e da sociolinguística que nos serviram como fundamento para a análise dos dados. No terceiro capítulo, nos dedicamos a apresentar o que as gramáticas normativas informam a respeito de nosso objeto de estudo, além de sintetizarmos alguns trabalhos a respeito da variação e da mudança envolvendo os pronomes pessoais nós e a gente. A seguir, passamos à análise dos dados. Utilizamos dados provenientes do Corpus Discurso & Gramática – a língua falada e escrita na cidade do Natal (FURTADO DA CUNHA, 1998). Neste capítulo, apresentamos resultados para os grupos de fatores sociais e linguísticos que controlamos. Com base nesses resultados, detalhamos os contextos preferenciais de emprego dos pronomes da gente e nosso(a)(s) e verificamos que as motivações sociais valorização atribuída às formas e marcação de identidade estão subjacentes às restrições exercidas sobre seu uso por grupos de fatores sociais, além de obter indícios de mudança em andamento em tempo aparente (a partir do grupo de fatores idade) e de possíveis especializações de uso de cada forma, o que nos auxiliou a averiguar os rumos do processo de gramaticalização dos pronomes em questão na comunidade de Natal. No sexto capítulo, fizemos algumas considerações a respeito do ensino de gramática e propusemos atividades que podem ser feitas em sala de aula envolvendo os pronomes possessivos da gente e nosso(a)(s), considerando a questão da variação e da mudança.


  • CRISTIANE MARIA PRAXEDES DE SOUZA
  • Um estudo no contexto da produção textual de um 9° ano do ensino fundamental

  • Data: 08/04/2010
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  • Esta pesquisa se insere no âmbito da Linguística de Texto e tem por objetivo identificar, descrever, analisar e interpretar as ocorrências da anáfora pronominal e da repetição, expondo a quantidade e o percentual dos respectivos fenômenos no corpus investigado; assim como focalizar o funcionamento coesivo desses fenômenos na construção da trama textual, em termos de continuidade e de progressão temática. Para tanto, utilizamos procedimentos etnográficos para construirmos o nosso corpus investigativo, constituído, principalmente, por textos produzidos por alunos de um 9º ano de uma escola de ensino fundamental da rede estadual, na cidade de Santa Cruz/RN. A pesquisa foi orientada a partir dos estudos sobre anáfora pronominal, realizados por Milner (1982), Koch e Marcuschi (1998),  Marcuschi (2000; 2005 e 2008),  Koch (2002),  Antunes (2005) e Adam (2008), e por estudos sobre a repetição apresentados por Hallyday e Hassan (1976), Beaugrande e Dressler (1997),  Marcuschi (1992) e Antunes (2005). Como suporte teórico, também foram utilizados os conceitos de coesão definidos por Hallyday e Hassan (1976), Beaugrande e Dressler (1997), Marcuschi (2008) e Koch (2003). Nas análises dos textos, constatamos que a incidência da anáfora pronominal e da repetição foi significativa porque foram os recursos mais utilizados pelos alunos para promover a articulação coesiva dos textos. Verificamos que em textos narrativos ou argumentativos a anáfora pronominal promoveu a manutenção e a progressão temática esperadas. Quanto à repetição, observamos que a manutenção e progressão temática estavam condicionadas ao conhecimento do tema em foco. Ainda verificamos que a recorrência excessiva desses fenômenos em um mesmo texto, apesar de promoverem a articulação coesiva, pode prejudicar o seu grau de informatividade.

     

     

     

     

  • CELIA MARIA MEDEIROS BARBOSA DA SILVA
  • A aula de português no ensino médio: o ensino que se deseja, o ensino que se faz

  • Data: 06/04/2010
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  • Situado no âmbito de uma problemática voltada para o ensino e a aprendizagem da língua portuguesa, este estudo tem por objetivo investigar o modo como a disciplina Língua Portuguesa é trabalhada no Ensino Médio. De modo específico, propomo-nos, nesse contexto de ensino, analisar as orientações dos documentos oficiais para a prática docente, examinar de que forma a proposta dos PCNEM é abordada no livro didático, identificar o tratamento dado às questões de língua, analisar como o professor utiliza o livro didático e verificar as relações entre a abordagem oficial e a prática pedagógica. A análise leva em conta os vários discursos relativos ao letramento escolar, consideradas as várias instâncias político-educacionais e didático-pedagógicas­ que instituem o ensino da língua materna – onde localizamos “o ensino que se deseja”. No que dizem professor e alunos em suas atividades e a respeito delas – a dimensão do “ensino que se faz” –, pressupomos encontrarem-se indícios dos princípios – ou concepções – que orientam aquilo que eles entendem por língua, ensino e aprendizagem. Tais indícios são considerados na inter-relação dos lugares enunciativos em que se promove esse letramento: as políticas públicas voltadas para a educação – com foco nas questões de língua - as pesquisas acadêmicas sobre tais questões, a formação e a capacitação docentes, e as próprias práticas escolares, na complexidade de suas intersubjetividades discursivas. Os princípios – ou concepções – são perseguidos naquilo que é dito (ou não) sobre o que se faz (ou não) na sala de aula, no trato com a língua portuguesa. O corpus se constitui de textos orais e escritos produzidos em aulas de português do Ensino Médio, numa escola pública da cidade do Natal. Situada no âmbito da Linguística Aplicada, a pesquisa é conduzida numa perspectiva qualitativa e interpretativista, seguindo-se procedimentos da etnografia da comunicação e aportes da Linguística Funcional. Nas constatações, são observadas concepções de língua, entre outras, além de representações e crenças em que se diluem aspectos teóricos e práticos, papéis profissionais, expectativas e incertezas.

  • CLAUDIO EVERTON MARTINS DA SILVA
  • E RIMBAUD SE FEZ RIMBAUDS

  • Data: 29/03/2010
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  • Rimbaud, dos 16 aos 20 anos, promoveu o novo de ideias e formas da poesia, abdicando a tradição em busca do desconhecido, do novo verbo poético no qual “Eu é um outro” e contém o múltiplo Rimbauds. De acordo com essa perspectiva, procuramos circunscrever, na primeira parte deste trabalho, um perfil desse Rimbauds, abordando: seu “Adeus” à poesia em forma de silêncio; “Eu é um outro” –  em que discutimos também o estilo, as inovações e características; a questão – projeto poético?; e, por fim, os mimetismos literários de seus primeiros poemas, em que  analisamos as sequencias descritivas de “O adormecido do vale”.   Na segunda parte, direcionamos o olhar mais atento para a sua poética, em especial suas duas prosas máximas “Uma estadia no inferno” e “Iluminações”. Daquela, tecemos considerações acerca de suas prosas, das narrativas precedentes às sete prosas centrais; destas, minuciamos a “Noite do inferno” e exemplificamos duas grandes características de Rimbaud: a indecidibilidade e incompossibilidade. De “Iluminações” destacamos a(s) Cidade(s) sob a ótica do não-lugar. Trabalhamos ainda outro conceito, da forma como se apresenta, atravessando sete vezes as Prosas, o conceito de Oriente: como se apresentam em cada livro, o que significa e de onde Rimbaud buscou essas representações.

     

     

     

     

  • ELIS BETANIA GUEDES DA COSTA
  • MECANISMOS DE COESÃO REFERENCIAL NA PRODUÇÃO ESCRITA DE ALUNOS CONCLUINTES DO ENSINO FUNDAMENTAL

  • Data: 26/02/2010
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    RESUMO

     

     

    Este trabalho tem por objetivo identificar, descrever, analisar e interpretar os mecanismos de referenciação mais recorrentes nas produções de texto dos alunos concluintes do Ensino Fundamental. Para tanto, acompanhamos 46 aulas de Língua Portuguesa, em uma turma de 9° ano do Ensino Fundamental de uma escola estadual situada na cidade de Cruzeta, RN. Nesse período, coletamos as redações que constituem o nosso corpus. A pesquisa segue uma abordagem etnográfica e teve como suporte teórico, estudos realizados sobre os mecanismos de referenciação, em especial, a repetição lexical e a anáfora. De forma geral, fundamentamo-nos em estudos sobre os mecanismos coesivos a partir de autores como Adam (2008), Beaugrande e Dressler (1997), Koch (1999, 2004, 2005, 2008), Marcuschi (1983, 1992, 2005, 2006), Bessa Neto (1991) e Neves (2006). No corpus, foram identificadas ocorrências de repetições lexicais (literal, com variação e estrutural), assim como anáforas, sendo mais frequentes as pronominais. De forma geral, constatamos que a maioria dos alunos apresenta dificuldades em utilizar esses mecanismos de referenciação como estratégia de progressão textual.

     

     

  • LEO DE SOUSA FERREIRA
  • MERCADORES DE SENTIDOS: A COMUNICAÇÃO DE VENDEDORES AMBULANTES COM ESTRANGEIROS POR MEIO DA ENTERCOMPREENSÃO MULTILINGUE

  • Data: 26/02/2010
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  • MERCADORES DE SENTIDOS: A COMUNICAÇÃO DE VENDEDORES AMBULANTES COM ESTRANGEIROS POR MEIO DA ENTERCOMPREENSÃO MULTILINGUE

2009
Descrição
  • IARA MARIA C MEDEIROS DOS SANTOS
  • O ARBUATO DOS ANJOS

  • Data: 21/12/2009
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  • A presente dissertação de mestrado, intitulada O ARBUSTO DOS ANJOS, apresentada ao Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem, do CCHLA/UFRN, para obtenção do título de Mestra em Estudos da Linguagem, objetiva realizar uma leitura da obra anjosiana Eu (1912), de modo a identificar, no teor dialético de seus versos, uma atitude crítica do poeta frente à realidade instituída, assumindo, para tanto, dimensões utópicas que o fazem vislumbrar outras possibilidades de existência. Como fundamentação teórica, apóia-se em Nietzsche, em cujos textos de A Vontade de Poder (1884-1888) toma de empréstimo uma concepção de niilismo díspar do fatalismo e da resignação, porque voltada para uma negação das verdades instituídas; também baseia-se no pensamento de Benjamin, em suas Teses sobre o conceito de história (1940), de onde é possível enxergar, no desvio revolucionário pelo passado, uma oportunidade de construir um futuro diferente do agora. O estudo analisa alguns poemas de Augusto dos Anjos, tomando-os como realidade criadora que mantém pontos de contato com a realidade imediata do poeta. Apoiando-se no método de análise de Antonio Candido (2004), esta dissertação privilegia o estudo de cinco sonetos constituintes do Eu, a saber: “O Lázaro da Pátria”, “Ricordanza della mia Gioventú”, “A Árvore da Serra”, “Debaixo do Tamarindo” e “Vozes da Morte”. Identifica na sua abordagem lírica rasgadora de normas e aglutinadora de sonhos, o fundamento paradoxal que sustenta o niilismo utópico de Augusto dos Anjos, no qual protagoniza a voz dos oprimidos, digna de ser recordada no espaço sempre emblemático do texto literário.

     

  • ADDSON ARAUJO COSTA
  • Helena de Machado de Assis: imagens literárias e a retórica da morte da nação inconclusa

  • Data: 30/11/2009
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  • Helena de Machado de Assis: imagens literárias e a retórica da morte da nação inconclusa

  • CHRISTIELEN DIAS DA SILVA
  • A dialética do amor em Pigmaleão de G.B. Shaw

  • Data: 25/11/2009
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  • A dialética do amor em Pigmaleão de G.B. Shaw

  • CLAUDIA SIMONE SILVA DE SOUSA
  • O Evangelho por escrever: uma leitura do desassossego nos fragmentos de Bernardo Soares

  • Data: 20/11/2009
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  • O Evangelho por escrever: uma leitura do desassossego nos fragmentos de Bernardo Soares

  • NOURAIDE FERNANDES ROCHA DE QUEIROZ
  • Imagens mí(s)ticas do gato na poesia moderna e pós-moderna

  • Data: 13/11/2009
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  • Imagens mí(s)ticas do gato na poesia moderna e pós-moderna

  • MARIA DE FATIMA SILVA DOS SANTOS
  • A sala de aula de língua portuguesa: um estudo de caso no ensino fundamental
  • Data: 16/10/2009
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  • A sala de aula de língua portuguesa: um estudo de caso no ensino fundamental
  • MARIA GUADALUPE SEGUNDA
  • O Chiste em Tutaméia
  • Data: 08/10/2009
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  • Esta dissertação tem como objeto de estudo a análise do chiste em Tutaméia, de João Guimarães Rosa, a partir dos 04 (quatro) prefácios e 10 (dez) contos selecionados da obra. Apresenta como principal referência a teoria psicanalítica sobre o chiste e o inconsciente, de Sigmund Freud e Jacques Lacan. Ao lado do chiste como fio condutor do estudo, é abordada a questão da narrativa como uma estética fundamentada na multiplicidade de vozes do narrador, na oralidade dos folhetos de cordel, intermediada p⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪A LINGUAGEM Memorando número 107/2009. Natal, 13 de novembro de 2009. Ilma. Prof⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪⨪ISTÓRIAS MEMÓRIA E ORALIDADE NO ROMANCEIRO DE DONA MILITANA, para efeito da concessão do título de Mestre em Estudos da Linguagetídoto contra as dores e pesares da travessia humana, encontrando-se a serviço de uma maior liberdade e prazer de criação. Palavras-chave: chiste.riso.inconsciente.narrativa.oralidade
  • ROBEILZA DE OLIVEIRA LIMA
  • O fragmento em Tutaméia e no livro sobre Nada

  • Data: 28/09/2009
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  • O fragmento em Tutaméia e no livro sobre Nada

  • JOANA LEOPOLDINA DE MELO OLIVEIRA
  • Os espaços poéticos de um cronista contador

  • Data: 09/09/2009
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  • RESUMO O presente trabalho trata do cronista Rubem Braga e suas crônicas publicadas no jornal O Estado de São Paulo (Suplemento Caderno 2), nos anos de 1988 a 1990. A análise das 84 crônicas publicadas nesse período no jornal aborda o estudo dos espaços poéticos fundamentado, principalmente, no livro A poética do Espaço, de Gaston Bachelard. Destacam-se ainda as características do narrador presente nas crônicas analisadas, tendo em vista que este se assemelha a um contador de histórias tradicional, mesmo fazendo parte de um gênero que pertence a um veículo moderno: o jornal. O cronista contador desloca-se no tempo e no espaço transmitindo para os leitores experiências vividas e também viaja dentro de si, descobrindo lugares que estavam guardados na memória.

  • ALBANIZA ALVES DOS SANTOS
  • Grande sertão: veredas e Don Quijote de la Mamcha - Melancólicos em trânsito

  • Data: 18/08/2009
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  • Esta dissertação aborda a leitura e interpretação das obras Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa e Del Ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha, de Miguel de Cervantes Y Saavedra, focalizando certos aspectos ligados   às ações dos cavaleiros andantes Riobaldo, o jagunço de Rosa e don Quijote, o Caballero de Cervantes, as quais tiveram decisiva influência em seu estado de espírito melancólico. No embasamento teórico deste trabalho, valemo-nos da noção de melancolia, sistematizada por Kristeva e Freud, bem como os estudos da melancolia e da alegoria à luz do pensamento de  Walter Benjamin. Este estudo concentra-se, sobretudo, no aspecto que denominamos de alegoria da circularidade, a qual permeia os dois romances, enquanto expressão de coisas inacabadas que sugere a idéia de movimentos de espiralamento. Percebeu-se que o retorno é consagrado em ambas as obras, a dizer diferente o igual, dito que consagra a diferença e fecha as portas para a repetição literal de sentido. Em tal compreensão esse movimento não pode ser concebido como metáfora do mesmo, pois sugere a travessia permanentemente infinda e tortuosa, o seu estatuto de repetição não se funda no encontro das duas pontas do novelo, porque gira no interior daquilo que repete como diferença e libertação.

  • EDILBERTO CLEUTOM DOS SANTOS
  • “UMA HISTÓRIA DE VIDA E UMA VIDA DE HISTÓRIAS Memória e Oralidade no Romanceiro de Dona Militana”
  • Data: 10/08/2009
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  • “UMA HISTÓRIA DE VIDA E UMA VIDA DE HISTÓRIAS Memória e Oralidade no Romanceiro de Dona Militana” Edilberto Cleutom dos Santos RESUMO O presente estudo visa a estabelecer relações quanto ao significado sociocultural do fenômeno emergente de Dona Militana para a cultura potiguar. Para isso tomamos suas lembranças dos romances como peças de um contexto social, relacionados ao tempo e ao espaço, influenciando a vida material e moral do seu grupo social. Ressaltamos, com isso, o fenômeno da memória individual em sua relação com a memória coletiva. Propomos, nesse sentido, supor que a retenção e a permanência desses romances na memória da romanceira revelam uma dinâmica de seu grupo social para a constituição de sua identidade. Nesse sentido, servimo-nos como referencial teórico dos estudos de Maurice Halbwachs, no que tangem às discussões relativas à memória coletiva em paralelo aos estudos de Paul Zunthor, quando tratamos das funções da oralidade para a formação da identidade. Para a execução do trabalho, é de fundamental importância, naturalmente, o relato de vida da própria Dona Militana em confronto com os simbolismos culturais presentes nos romances, em vista de flagrarmos as (co)incidências que demarquem seus vínculos de identidade com o universo cultural em que se insere. Em função disso, tomamos como objeto de análise desde os depoimentos apresentados em entrevistas, até os romances em seus aspectos poéticos, lingüísticos e mitológicos, passando inclusive pelos significados que a performance da romanceira revela. Objetivamos, portanto, a uma compreensão dialógica da relação entre a memória individual (o caso de Dona Militana), com a memória coletiva, calcada sobre a concepção hipotética de que subjaz à aparente singularidade desse fenômeno – até certo ponto um fato isolado – uma razão intrínseca e complexa que se revela como a ponta de um iceberg, em que confluem motivações históricas inconscientes de uma formação cultural.
  • MARIA KASSIMATI MILANEZ
  • A interpretação dos sintagmas nominais por alunos universitários de inglês instrumental
  • Data: 07/07/2009
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  • RESUMO MILANEZ, Maria Kassimati. A interpretação dos sintagmas nominais com adjetivos atributivos por alunos de Inglês Instrumental. 2009. 158 f. Dissertação (Mestrado) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2009. Este trabalho tem como objetivo analisar a interpretação do significado sintático e semântico realizada por alunos universitários de Inglês Instrumental nos sintagmas nominais (SNs) com adjetivos atributivos na língua inglesa em um texto da prova de final de semestre. O corpus é constituído por 30 provas de duas turmas de uma instituição de nível superior, da área biomédica, do segundo semestre de 2006, do nível básico e avançado. O texto da prova é composto por 24 SNs de conteúdo lexical diferente, num total de 27 SNs presentes no texto, totalizando 810 ocorrências analisadas. Usamos como pressupostos teóricos as gramáticas tradicional (QUIRK et al, 1985) e funcionalista (CELSE-MURCIA et al, 1998; TUCKER, 1998), em seus aspectos semânticos, a Semântica (FRAWLEY, 1992) e a Lingüística Cognitiva (TAYLOR, 2003). Concluímos que as maiores dificuldades deveram-se à falta de vocabulário, ao uso inadequado de estratégias da Língua Materna no lugar de se usar as estratégias descendentes de leitura para suprir esta falta. Observamos também que, mesmo quando se conhecia o vocabulário do SN, muitas vezes houve dificuldades em se perceber a relação semântica e/ou sintática entre os modificadores e o núcleo do SN acarretando inadequações de interpretação. Sugerimos melhorias para o ensino da leitura de textos em língua inglesa nas universidades com base nos resultados obtidos, como um estudo mais detalhado das várias estruturas morfossintáticas dos SNs com modificadores antepostos e suas conseqüências semânticas; uma abordagem conjunta dos aspectos morfológico, sintático e semântico dos SNs com adjetivos atributivos na língua inglesa e o uso das estratégias descendentes juntamente com as ascendentes ao se ler um SN na língua inglesa. Palavras-chave:Inglês Instrumental, interpretação, sintagma nominal, adjetivos atributivos, morfossintaxe, semântica, estratégias de leitura.
  • JOSE ZILMAR ALVES DA COSTA
  • UM SER DE LÁ DO SERTÃO E A CONSTRUÇÃO DA (S) SUA(S) IDENTUDADE(S) NO DISCURSO CANCIONISTA NORDESTINO
  • Data: 26/06/2009
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  • Este trabalho foi formulado com o intuito de estudar o uso da palavra em uma esfera especifica da comunicação humana – o mundo da música. A partir de uma seleção das composições de Luiz Gonzaga (1912 - 1989) e parceiros, a pesquisa vai em busca da(s) identidade(s) do migrante do sertão nordestino, numa análise discursiva feita sob um arcabouço teórico fortemente amparado pelas reflexões de Mikhail Bakhtin e tendo como fio condutor o tema da migração discutido por Zygmunt Bauman. Deste modo, a presente pesquisa debruça-se sobre um tipo especial de texto, o qual, grosso modo, se conhece por “letra de música”. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e interpretativista.
  • ROSANGELA MARIA BESSA VIDAL
  • As cnstruções com adverbiais em -mente: análise funcionalista e implicações para o ensino de língua materna
  • Data: 19/06/2009
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  • A presente pesquisa tem por objetivo investigar as construções com adverbiais em –mente , sob o enfoque do funcionalismo lingüístico contemporâneo, tal como proposto por Givón, Hopper, Thompson, Traugott, Furtado da Cunha, bem como sob a noção cognitivista da linguagem através do suporte da gramática de construção nos moldes de Goldberg e a teoria dos protótipos. A abordagem cognitivo-funcional aqui adotada considera a mudança como fenômeno próprio e inerente às línguas, além de entender o fenômeno lingüístico como resultante do uso efetivo da língua. Outro aspecto a considerar para a realização desta pesquisa é o fato de a formação adjetivo + –mente ser um mecanismo de constituição de palavras bastante produtivo, o que gera interesse na descrição lingüística. De forma particular, o objetivo norteador é examinar as construções com adverbiais em –mente no contexto da língua em uso, na forma oral e escrita, buscando apreender as múltiplas manifestações de sentido forjadas no uso. Para este fim, lançamos mão de dados provenientes do Corpus Discurso & Gramática (Natal). Nos dados encontram-se advérbios terminados em –mente que assumem a significação de modo, como previsto nos moldes tradicionais, mas também outras significações, como por exemplo o modalizador em suas diferentes manifestações. Os resultados alcançados demonstram que esse advérbio é uma marca lingüística que carrega em sua constituição o caráter multissêmico e o multifuncional, o que interfere sobremaneira na ordenação dessa categoria, assumindo posição ora pré-verbal, ora pós-verbal. Outro aspecto observado refere-se ao relacionamento do advérbio com o verbo, com destaque para a compatibilidade ou a restrição entre eles, opção que se vincula ao aspecto semântico. Os dados em análise legitimam o uso de diferentes construções com advérbio terminado em –mente em diversos gêneros textuais, quais sejam a narrativa de experiência pessoal, narrativa recontada, descrição de local, relato de procedimento e relato de opinião, tanto na língua oral, quanto na escrita. Palavras-Chaves: Funcionalismo; gramática de construção; cognição; protótipos; advérbio; ensino de língua portuguesa.
  • LEILA MARIA DE ARAUJO TABOSA
  • O BARROCO HISPANO-AMERICANO: PRIMERO SUENO OU SOR JUANA INÉS DE LA CRUZ
  • Data: 03/06/2009
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  • O BARROCO HISPANO-AMERICANO: PRIMERO SUENO OU SOR JUANA INÉS DE LA CRUZ
  • FLAVIA ELIZABETH DE OLIVIERA GOMES
  • Oralidade e escrita: a presença do discurso reportado em entrevistas jornalisticas
  • Data: 05/05/2009
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  • Oralidade e escrita: a presença do discurso reportado em entrevistas jornalisticas
  • ROSANGELA ALVES DOS SANTOS BERNARDINO
  • A REFORMULAÇÃO PARAFRÁSTICA NA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DE TRABALHOS DE CONCLUSÃO DO CURSO DE LETRAS
  • Data: 27/04/2009
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  • RESUMO Neste trabalho, estudamos os tipos de paráfrases utilizados por alunos do curso de Letras, quando da reformulação de um texto-fonte, na seção de fundamentação teórica de monografias produzidas como texto de conclusão de curso (TCC), com o intuito maior de entendermos como acontece o processo de reformulação textual na produção do gênero monográfico. A partir da orientação teórica utilizada (Fuchs, 1982; 1994; Charaudeau e Maingueneau, 2006; Fávero et al, 2007; Hilgert, 1997, 2002, 2006; dentre outros), trabalhamos com a noção de paráfrase enquanto atividade de reformulação discursiva, considerando como fundamentos básicos a situação de comunicação e os sujeitos, ou o contexto mais amplo. E, de um modo mais específico, consideramos que a paráfrase opera alterações no plano formal, no plano semântico e no plano funcional. Além disso, procuramos articular a prática do parafraseamento ao gênero de discurso na qual aparece e às próprias implicações contextuais envolvidas na produção do gênero em questão, estando, para tanto, baseados fundamentalmente em postulados de Bakhtin (2003) e de Maingueneau (1998; 2001). Para a análise do corpus constituído de 19 monografias, utilizamos as três categorias definidas por Hilgert (2002; 2006), a expansão, a condensação, e o paralelismo, como forma de identificar, descrever e caracterizar os tipos de paráfrases utilizados pelos alunos produtores de monografias na retomada do texto de Travaglia (1996), acerca das concepções de linguagem. Os resultados encontrados evidenciam que o uso do paralelismo parafrástico (com percentual de 69,45% em relação a apenas 18,41% da condensação e 12,13% da expansão) foi o mais recorrente nas reformulações realizadas pelos alunos produtores, sendo sua manifestação caracterizada predominantemente pela repetição léxico-sintática de fragmentos do texto-fonte. Concluímos que a alta incidência do paralelismo parafrástico é uma indicação de que o aluno ainda não domina os modos de produção e circulação dos gêneros discursivos proferidos na esfera acadêmicocientífica. PALAVRAS-CHAVE: Paráfrase, reformulação, texto-fonte, monografia.
  • EDVALDO BALDUINO BISPO
  • Estratégias de relativação no português brasileiro e implicações para o ensino: o caso das cortadoras
  • Data: 16/04/2009
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  • RESUMO Este trabalho consiste num tratamento cognitivo-funcional das estratégias de relativização do Português Brasileiro (PB), a saber: relativas padrão (com e sem preposição) e relativas não-padrão (cortadora e copiadora), com ênfase nas cortadoras. Tomando como material de análise os corpora Discurso & Gramática: a língua falada e escrita na cidade do Natal e a língua falada e escrita na cidade do Rio de Janeiro, fazemos um levantamento das recorrências ao uso das estratégias de construção relativa em textos orais e escritos produzidos por falantes de três níveis distintos de escolarização, em situação específica de entrevista. Partindo de pressupostos teóricos da abordagem cognitivo-funcional, comparamos o uso das relativas cortadora e padrão em ambiente preposicionado, e utilizamo-nos de alguns princípios e categorias analíticas do funcionalismo de forma a elucidar como a recorrência à primeira estratégia em detrimento da segunda atende a necessidades de natureza sociointeracional e cognitiva. Além disso, analisamos diversos trabalhos que investigaram as estratégias de relativização no PB tanto sincrônica como diacronicamente, o que nos levou a constatar que a cortadora está se fixando como a estratégia preferida em ambientes preposicionados, revelando, assim, um processo de gramaticalização em andamento. Em virtude disso, propomos que essa estratégia seja considerada/tratada, no ambiente escolar, não como um desvio à norma padrão, mas como uma forma de organização da oração relativa tão genuína quanto as demais, motivo pelo qual dedicamos um capítulo às possíveis contribuições desta pesquisa ao processo de ensino-aprendizagem da língua materna e apresentamos proposta de aplicação em sala de aula. Dessa forma, podemos acrescentar à pesquisa em linguística aplicada não apenas subsídios teóricos que fundamentarão a formação e atuação docente como também sugestões para a melhoria de sua prática pedagógica.
  • MARIA JOSE DE OLIVEIRA
  • Conectores adversativos na fala do natalense: uma análise funcionalista com implicações para o ensino
  • Data: 26/03/2009
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  • RESUMO O trabalho em tela analisa o comportamento dos conectores adversativos na fala do usuário natalense, com vistas a sugerir implicações para o ensino de gramática nas escolas de ensino Fundamental e Médio. É uma investigação que se assenta no paradigma funcionalista, especificamente nas idéias defendidas por Givón. Para tanto, utilizam-se dados de situações de fala do corpus Discurso & Gramática – a língua falada e escrita da cidade do Natal (FURTADO DA CUNHA, 1998). A amostra abrange um total de quarenta entrevistas, das quais se recortam as ocorrências cujos registros assinalam a existência de construções adversativas presentes em narrativas de experiência pessoal e nos relatos de opinião, modalidade de língua oral, do mencionado banco de dados. O trabalho revisita autores da gramática, Cunha (1986); Bechara (2006); Perini (2006), entre outros; autores que contemplam abordagens referentes ao uso de conectores de oposição como: Barreto (1999); Tavares (2003); Longhin (2003); Silva (2005); Rocha (2006); Neves (2000; 2006). Os resultados da análise panorâmica revelam como conectores de adversidade em uso pelo natalense, por ordem de recorrência, mas, e, aí, agora, só que, no entanto, e já. Analisados os resultados, comparam-se os mesmos com o tratamento apresentado pela gramática tradicional, analisam-se os quatro conectores mais recorrentes, aplicam-se os princípios da iconicidade e da marcação em construções adversativas e elege-se o protótipo da categoria. Em seção destinada à análise diferenciada do item agora, analisa-se o perfil estrutural das construções que envolvem o item, o perfil semântico, tempos, modos e aspectos dos verbos que se envolvem nas construções em referência, trajetória de gramaticalização e comparação com o protótipo da categoria, o mas.. Por fim, sugerem-se implicações de todo o estudo para o ensino de língua portuguesa, nas séries do ensino fundamental e médio. Palavras-chave: Conectores adversativos. Funcionalismo. Ensino.
  • ROBERTO GABRIEL GUILHERME DE LIMA
  • "Sou dessas mulheres que só dizem sim". As mulheres descritas na poesia de Chico Buarque de Holanda.
  • Data: 20/03/2009
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  • "Sou dessas mulheres que só dizem sim". As mulheres descritas na poesia de Chico Buarque de Holanda.
  • EDIVANIA DUARTE RODRIGUES
  • Estratégias argumentativas na construção do discurso ideológico: um estudo da produção didatico-pedagógica do MEB.
  • Data: 04/03/2009
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  • RESUMO Esta pesquisa estuda o processo argumentativo desenvolvido pelo Movimento de Educação de Base, tendo como corpus a cartilha “Viver é lutar” e os roteiros de aulas da Emissora de Educação Rural de Natal. Tem como objetivos revelar as estratégias argumentativas na produção discursiva do MEB, atentando para os efeitos de sentido sugeridos pelas suas condições de produção e as posições ideológicas defendidas, além de verificar como a cartilha e as aulas radiofônicas dialogavam na argumentação de suas teses. Para tanto, o estudo é orientado pelos pressupostos da Análise do Discurso, pela Teoria da Argumentação, pelas concepções de Educação Popular, bem como a concepção dialógica de linguagem, recorrendo a Bakhtin (1995). A pesquisa adota o caráter documental, de natureza qualitativa com base interpretativista, cuja análise dos dados permitiu constatar que o discurso do material didático-pedagógico do MEB foi produzido num contexto sócio-histórico-ideológico em que a educação foi vista como um instrumento de libertação social, sendo capaz de transformar o indivíduo e a estrutura desigual do Brasil. Os resultados revelam que a cartilha e as aulas assumem uma posição marcadamente a favor das classes populares, estruturada por técnicas argumentativas que pretendiam convencer e persuadir o auditório. Ainda demonstraram que tal argumentação baseou-se, inicialmente, no convencimento dos jovens e adultos para, em seguida, imprimir uma persuasão nos aprendizes, no que se refere a agir sobre a realidade para transformá-la, segundo seus desejos de justiça social. Palavras-chave: MEB, Cartilha “Viver é Lutar”, Aulas radiofônicas, Argumentação, Dialogismo.
2008
Descrição
  • ANA MARIA DE CARVALHO
  • Inscrição discursiva da subjetividade homoafetiva na g magazine
  • Data: 18/12/2008
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  • Inscrição discursiva da subjetividade homoafetiva na g magazine
  • LUCIANA DE FREITAS BERNARDO
  • Imagens da morte: um estudo do gênero policial-fantástico em Poe, Wilde e Chistie
  • Data: 15/12/2008
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  • Imagens da morte: um estudo do gênero policial-fantástico em Poe, Wilde e Chistie
  • JOÃO BATISTA DE MORAIS NETO
  • CAETANO VELOSO E O LUGAR MESTIÇO DA CANÇÃO
  • Data: 28/11/2008
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  • Este trabalho procura mostrar como a figura intelectual de Caetano Veloso é importante no cenário da cultura brasileira, apresentando uma análise de algumas canções de sua produção musical, desde o momento heróico do Tropicalismo até composições mais recentes. Também busca chamar a atenção para o que o cancionista reflete em seus ensaios a respeito de temas imprescindíveis à interpretação do Brasil, no que diz respeito à constituição de sua identidade cultural. O pensamento mestiço de Caetano Veloso é investigado em seu projeto de canções, a fim de evidenciar sua intervenção no mundo da cultura, possibilitando uma discussão que reflete as relações significativas entre literatura e música, além de propiciar um diálogo evidente com outros discursos estéticos. Palavras-chave: canção. Literatura. Cultura. Identidade. Mestiçagem. Tropicalismo
  • NUBIACIRA FERNANDES DE OLIVEIRA
  • ABORDAGEM COGNITIVA DA CONSTRUÇÃO DEVERBAL X-DOR: CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DO PORTUGUÊS.
  • Data: 28/11/2008
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  • ABORDAGEM COGNITIVA DA CONSTRUÇÃO DEVERBAL X-DOR: CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DO PORTUGUÊS.
  • ELIZABETE DE LEMOS VIDAL
  • Memórias de rios e de lagos na construção romanesca: leitura de narrativas da Amazônia paraense.
  • Data: 19/11/2008
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  • Memórias de rios e de lagos na construção romanesca: leitura de narrativas da Amazônia paraense.
  • JOSE ROMERITO SILVA
  • "Motivações semântico-cognitivas e discursivo-pragmáticas nos processos de intensificação"
  • Data: 14/11/2008
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  • "Motivações semântico-cognitivas e discursivo-pragmáticas nos processos de intensificação"
  • JOSE ROMERITO SILVA
  • "Motivações semântico-cognitivas e discursivo-pragmáticas nos processos de intensificação"
  • Data: 14/11/2008
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  • "Motivações semântico-cognitivas e discursivo-pragmáticas nos processos de intensificação"
  • ANA MARIA DE OLIVEIRA PAZ
  • "Registro de ordens e ocorrências: uma prática de letramento no trabalho da enfermagem hospitalar "
  • Data: 06/11/2008
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  • RESUMO A produção de registros constitui uma prática da enfermagem hospitalar, tendo sua efetivação instituída e orientada por lei. Dentre as práticas de escrita da área, o registro de ordens e ocorrências é concebido como o resumo do plantão, dos problemas e das ocorrências mais importantes, apresentando-se como documento e instrumento de comunicação utilizado por profissionais a cada turno de trabalho. Seu principal propósito consiste em disponibilizar informações que possibilitem não apenas a continuidade das atividades, mas também a sequencialidade da assistência oferecida aos pacientes. Considerando a complexidade dessa prática de letramento, este estudo, que se desenvolve no cenário de uma instituição pública hospitalar, tem como objetivo compreender e descrever o processo de efetivação e uso dos referidos registros, com vistas a explicar sua implementação no domínio da enfermagem. A discussão se situa no campo da Linguística Aplicada contemporânea e sua relevância reside nas conexões que estabelece entre as abordagens linguísticas e as questões de linguagem inerentes à esfera institucional do trabalho. Em termos teóricos, fundamenta-se nas postulações dos estudos de letramento, elegendo como categorias de análise os elementos: participantes, domínio, artefatos e atividades, estabelecidos por Hamilton (2000), ao discorrer sobre eventos e práticas de letramento. Metodologicamente, a abordagem proposta segue orientações da pesquisa etnográfica na medida em que resulta da imersão do pesquisador no universo investigado com a utilização de conjunto de técnicas do olhar e do perguntar para depreender como agem e o que dizem os sujeitos em relação à elaboração dos registros em estudo. O corpus da pesquisa compreende 100 registros de ordens e ocorrências, observações de campo, 04 sessões reflexivas e entrevistas dirigidas realizadas com 36 profissionais de enfermagem. A análise dos dados evidencia a importância documental e interacional dessa prática ao mesmo tempo em que revela dificuldades de natureza informacional, composicional e normativa em termos de aspectos legais e linguísticos. Nesse sentido, conclui-se que essas questões merecem ser discutidas por meio de processo de intervenção, especialmente em eventos de formação continuada, na perspectiva de que os profissionais de enfermagem possam aprimorar procedimentos no tocante à tarefa de elaboração dos registros de ordens e ocorrências. Palavras-chave: Práticas de letramento no trabalho. Registros de enfermagem. Etnografia. Linguística Aplicada.
  • FRANCISCO WELSON LIMA DA SILVA
  • A HORA E O NEVOEIRO (DISCURSO ÉPICO, VONTADE DE POTÊNCIA E MAL-ESTAR DA MODERNIDADE EM ''MENSAGEM'' , DE FERNANDO PESSOA)
  • Data: 31/10/2008
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  • A HORA E O NEVOEIRO (DISCURSO ÉPICO, VONTADE DE POTÊNCIA E MAL-ESTAR DA MODERNIDADE EM ''MENSAGEM'' , DE FERNANDO PESSOA)
  • FRANCISCO WELSON LIMA DA SILVA
  • A HORA E O NEVOEIRO (DISCURSO ÉPICO, VONTADE DE POTÊNCIA E MAL-ESTAR DA MODERNIDADE EM ''MENSAGEM'' , DE FERNANDO PESSOA)
  • Data: 31/10/2008
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  • A HORA E O NEVOEIRO (DISCURSO ÉPICO, VONTADE DE POTÊNCIA E MAL-ESTAR DA MODERNIDADE EM ''MENSAGEM'' , DE FERNANDO PESSOA)
  • ARANDI ROBSON MARTINS CAMARA
  • RESISTÊNCIA E PERFORMANCE NA ARTE DE JOÃO COTA
  • Data: 24/10/2008
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  • RESISTÊNCIA E PERFORMANCE NA ARTE DE JOÃO COTA
  • PEDRO GERMANO MORAES CARDOSO LEAL
  • O ESPELHO DOS HIERÓGLIFOS: DA RUINA DAS LETRAS EGÍPCIAS À SUA REINVENÇÃO QUIMÉTRICA ENTRE OS SÉC. XV E XVIII.
  • Data: 22/10/2008
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  • O ESPELHO DOS HIERÓGLIFOS: DA RUINA DAS LETRAS EGÍPCIAS À SUA REINVENÇÃO QUIMÉTRICA ENTRE OS SÉC. XV E XVIII.
  • AURICELIA DE MACEDO
  • O USO DO VERBO CHEGAR NA PERÍFRASE VERBAL [CHEGAR (E)+V2]: INDÍCIOS SINCRÔNICOS DE GRAMATICALIZAÇÃO E CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DE GRAMÁTICA
  • Data: 13/10/2008
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  • O USO DO VERBO CHEGAR NA PERÍFRASE VERBAL [CHEGAR (E)+V2]: INDÍCIOS SINCRÔNICOS DE GRAMATICALIZAÇÃO E CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DE GRAMÁTICA
  • CID AUGUSTO DA ESCOSSIA ROSADO
  • IDEOLOGIA E PODER NA CONSTRUÇÃO DO DISCURSO POLIFÔNICO DA IMPRENSA EM RELAÇÃO À SECA NO NORDESTE.
  • Data: 13/10/2008
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  • IDEOLOGIA E PODER NA CONSTRUÇÃO DO DISCURSO POLIFÔNICO DA IMPRENSA EM RELAÇÃO À SECA NO NORDESTE.
  • MARIA DAS VITORIAS NUNES SILVA LOURENCO
  • A ARGUMENTAÇÃO NA PETIÇÃO INICIAL
  • Data: 10/10/2008
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  • aguardando o trabalho.
  • JOSE MILSON DOS SANTOS
  • O gênero crônica na sala de aula do ensino médio
  • Data: 29/09/2008
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  • O gênero crônica na sala de aula do ensino médio
  • KALINA ALESSANDRA RODRIGUES DE PAIVA ANDRADE
  • Olhar em terra de cego: a visualidade em Ensino sobre a Cegueira
  • Data: 29/09/2008
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  • Olhar em terra de cego: a visualidade em Ensino sobre a Cegueira
  • JOSE LUIZ FERREIRA
  • Gilberto Freyre e Câmara Cascudo: entre a tradição, o midrenismo e o regional
  • Data: 23/09/2008
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  • Gilberto Freyre e Câmara Cascudo: entre a tradição, o midrenismo e o regional
  • MARIA SUELY DA COSTA
  • Produção em revista: representação do moderno e do regional na experiência potiguar - anos 1920
  • Data: 22/09/2008
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  • Produção em revista: representação do moderno e do regional na experiência potiguar - anos 1920.
  • ELDIO PINTO DA SILVA
  • As filhas do arco-íris, deEulicio Farias de Lacerda: mitos, lendas e contos populares como elementos estruturantes do romance
  • Data: 12/09/2008
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  • As filhas do arco-íris, deEulicio Farias de Lacerda: mitos, lendas e contos populares como elementos estruturantes do romance
  • EDILSON DOS SANTOS SILVA
  • Estratégias de negação variantes no portugues e no ingles falado:a gramatica na sala de aula
  • Data: 05/09/2008
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  • Estratégias de negação variantes no portugues e no ingles falado:a gramatica na sala de aula
  • EDILSON DOS SANTOS SILVA
  • Estratégias de negação variantes no portugues e no ingles falado:a gramatica na sala de aula
  • Data: 05/09/2008
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  • Estratégias de negação variantes no portugues e no ingles falado:a gramatica na sala de aula
  • WAGNER DA MATTA PEREIRA
  • UM OLHO TORTO NA LITERATURA DE GRACILIANO RAMOS
  • Data: 01/07/2008
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  • UM OLHO TORTO NA LITERATURA DE GRACILIANO RAMOS
  • ADRIANA ASSIS DE AQUINO
  • Shelley e Vinícios de Moraes: um exercício de desleitura
  • Data: 30/06/2008
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  • Esse trabalho busca através de uma perspectiva comparativista e usando a metodologia de Harold Bloom (1930-), oferecer uma “desleitura” de três poemas de Vinícius de Moraes (1913-1980), a saber Poética (1950), Operário em construção (1955), Poética II (1960) frente a Percy Bysshe Shelley (1792-1822) e seu poema A Song: “Men of England” (1818), sugerindo que o poeta brasileiro travou uma verdadeira “luta agônica” com a sua tríade poética, sendo Operário em Construção a principal arma do combate. Defende-se aqui que cada poema de Vinícius representa uma etapa do que Bloom chama de “angústia da influência”. A “desleitura” proposta consiste em confrontar os temas e as imagens dos poemas, argumentando que Shelley e Vinícius assemelham-se ao abordar a exploração e conscientização operária nos moldes postulados pelo marxismo dialético e que, sugestivamente, Vinícius não só foi inspirado por Shelley, como “corrigiu” as fraquezas ideológicas do poeta inglês. Apresenta-se também a possibilidade da relação dos poemas em questão com o mito da caverna de Platão (428-7 a 348-7 a.C.), poeta cujo conceito de justiça e construção moral da polis contidos em A República também parecem servir de inspiração a Shelley e Vinícius. Desse modo, considerando o processo de “desleitura”, os cinco poemas formam um “romance familiar” que é um dos níveis de relacionamento de poemas, caracterizando, segundo Harold Bloom, o fenômeno da melancolia da criatividade. Palavras-chave: Revisionismo Dialético. Melancolia da criatividade. Belo. Ideologia.
  • ROBERTA DUARTE DE ARAUJO
  • MARCAS DA ESCRITA ORALIZADA EM SAGARANA
  • Data: 30/06/2008
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  • Este trabalho tem como objeto de estudo os contos de Sagarana, primeiro livro de Guimarães Rosa, publicado em 1946, que marcaria definitivamente a literatura brasileira, uma vez que nos deparamos com a construção de uma nova linguagem, em que a Língua Portuguesa surge recriada através da associação de uma linguagem culta ao falar sertanejo, sempre com uma sensibilidade que funde num conjunto inédito: arcaísmos, neologismos, expressões regionais e a linguagem literária propriamente dita. Dentre os nove contos que compõem a obra, selecionaremos os seguintes, para serem analisados: “ O Burrinho Pedrês ” , ‘ Traços Biográficos de Lalino Salãthiel ou A volta do marido pródigo ’ , “ São Marcos ” e “ A hora e vez de Augusto Matraga ” . Entre as hipóteses que organizam e fundamentam o fio condutor deste trabalho, abordaremos a estética das narrativas, o processo criador e a oralidade, ou seja, como Rosa traduz esse mundo da oralidade, recuperando a fala arcaizante na construção de sua narrativa escrita. Utilizaremos no desenvolvimento das questões propostas e desenvolvidas nesta pesquisa, o raio de abrangência vinculado ao suporte teórico da Paul Zumthor, Câmara Cascudo, Sílvio Romero, Antonio Candido e Alfredo Bosi, entre outros. Veremos, portanto, no decorrer das narrativas, como são empregadas as expressões populares que lhe dão origem. Serão destacadas, nesse processo, citações que demonstram a presença dos costumes do povo, traduzidos por intermédio de quadrinhas, cantigas, lendas, mitos, anedotas e provérbios. Dessa forma, veremos que as manifestações da cultura popular falarão por si, e o pensamento rosiano se fará conhecer através da arte da linguagem utilizada para o leitor do texto. Veremos a vivência do povo transmudada para a arte.
  • RENATA ARCHANJO
  • VOZES SOCIAIS E DIMENSÃO ÉTICA DA LINGUISTÍCA APLICADA: A CONSTRUÇÃO DISCURSIVA DA ÁREA NOS CBLAs

  • Data: 27/06/2008
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  • VOZES SOCIAIS E DIMENSÃO ÉTICA DA LINGUISTÍCA APLICADA: A CONSTRUÇÃO DISCURSIVA DA ÁREA NOS CBLAs

  • SAMUEL ANDERSON DE OLIVEIRA LIMA
  • A poesia Ibero-Americana de josé de Anchieta
  • Data: 26/06/2008
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  • O poeta José de Anchieta, através de suas poesias, contribuiu para a formação da literatura em solo brasileiro. Com isso, ele proporcionou um encontro entre os dois mundos – o Novo e o Velho, a América e a Europa – representados na união entre os pares antagônicos que são constantes na poética anchietana, como o sagrado e o profano, a morte e a vida, o simples e o erudito. Sua poética traduz, portanto, as marcas da antropofagia cultural, em que o índio e o branco são um só; o pagão e o cristão, juntos, caminham para o centro de suas ideologias concebidas pela catequese e pelo popular. Nesse amálgama entre as culturas, ele cria um novo código cultural-lingüístico-literário, formando uma nova identidade para a terra brasileira, abrindo as portas para o barroco. Seus poemas estão em quatro línguas: português, tupi, latim e espanhol. E desse conjunto, nossa dissertação analisa o corpus em língua espanhola, que em solo americano deixa de ser espanhola e se torna ibero-americana. Como fontes de estudo crítico-teórico, nos baseamos, a título de exemplo, nas obras de Haroldo de Campos, Severo Sarduy, Eugênio D’Ors, Lezama Lima, Oswald de Andrade, Alfredo Bosi, Massaud Moisés. Assim, esta dissertação mostra por meio da poesia ibero-americana de José de Anchieta a marca do início de nossa literatura bem como do barroco americano e, além disso, conjuga sua poesia dentro do espaço dos Clássicos uma vez que se comunica com estes desde o processo de sua produção. Nessa intercomunicação, José de Anchieta promove uma abertura para a consciência poética que faz parte dos grandes poetas da Literatura Universal. Ele une o Brasil, com suas matas virgens, com seu primitivismo, ao Mundo, com sua censura desmedida ante a visão do Paraíso. Palavras-chave: Poesia. Barroco. Antropofagia. José de Anchieta. Literatura.
  • ANTONIO FERNANDES DE MEDEIROS JUNIOR
  • JOSÉ PAULO PAES, HUMANISTA.
  • Data: 23/06/2008
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  • Esta pesquisa examina a vasta obra do paulista José Paulo Paes da Silva (1926-1998). A primeira parte discorre a respeito da atividade profissional do autor. Contextualiza a relevância dos papéis de “editorário”, de tradutor e de ensaísta, que cumpriu regularmente. A segunda está reservada à leitura crítica de sua poesia epigramática. A bibliografia extensa resultante do trabalho intelectual do escritor está registrada no final do volume. Trata-se, portanto, de um estudo acerca da fisionomia literária de uma figura importante presente no cenário cultural brasileiro da segunda metade do século XX. PALAVRAS-CHAVE José Paulo Paes – Humanismo – Tradução – Literatura Brasileira – Poesia Epigramática
  • AIDA CARLA RANGEL DE SOUSA
  • A INTERCULTURALIDADE NO CINEMA: UM ESTUDO DA LEGENDAGEM E DA DUBLAGEM BRASILEIRAS EM UM FILME FRANCÊS COMTEMPORÂNEO
  • Data: 13/06/2008
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  • RESUMO Este é um estudo de caso, no qual realizamos uma análise descritiva e interpretativista da versão original do filme francês O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001), em contraste com as versões de legendagem e de dublagem brasileiras, com o intuito de explicitar a interação entre as culturas francesa e brasileira. Partimos dos pressupostos de que (i) o ato tradutório interfere na percepção intercultural e (ii) a especificidade de cada modalidade de tradução resulta em implicações distintas para a percepção. Por privilegiar a equivalência extralingüística na operação tradutória, adotamos a teoria interpretativa da tradução (Seleskovicth; Lederer, 2001; Deslile, 1980) como quadro teórico geral. Na metodologia, Srpová (1991, 1995, 2004) nos fornece três recursos analíticos, quais sejam: a operação tradutória em quatro etapas, a tipologia das traduções – que se trata de uma reformulação dos procedimentos lingüísticos propostos por Vinay e Dalbernet (1958) – e a percepção contrastiva. A partir de um corpus constituído de quarenta e seis fragmentos do filme, identificamos os elementos culturais pertencentes ao etno-universo francês representado no filme e os classificamos conforme duas tipologias: uma de natureza teórica, cujas noções tomamos emprestadas, sobretudo, da Etnografia da Comunicação; a outra, correspondente a cinco eixos temáticos, definidos pela natureza do próprio corpus. Os resultados indicam que ambas as traduções brasileiras tendem a conservar essas especificidades por empréstimo lexical e tradução literal. Foi constatada, também, a importância da associação dos procedimentos lingüísticos utilizados com o contexto visual, para uma melhor compreensão do sentido das especificidades culturais francesas, conforme o etno-universo de partida. De maneira geral, a percepção desses elementos culturais parece, efetivamente, ser orientada pelas modalidades de tradução adotadas na pesquisa. Palavras-chave: cinema, dublagem, legendagem, percepção intercultural, tradução interpretativa.
  • AIDA CARLA RANGEL DE SOUSA
  • A INTERCULTURALIDADE NO CINEMA: UM ESTUDO DA LEGENDAGEM E DA DUBLAGEM BRASILEIRAS EM UM FILME FRANCÊS COMTEMPORÂNEO
  • Data: 13/06/2008
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  • RESUMO Este é um estudo de caso, no qual realizamos uma análise descritiva e interpretativista da versão original do filme francês O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001), em contraste com as versões de legendagem e de dublagem brasileiras, com o intuito de explicitar a interação entre as culturas francesa e brasileira. Partimos dos pressupostos de que (i) o ato tradutório interfere na percepção intercultural e (ii) a especificidade de cada modalidade de tradução resulta em implicações distintas para a percepção. Por privilegiar a equivalência extralingüística na operação tradutória, adotamos a teoria interpretativa da tradução (Seleskovicth; Lederer, 2001; Deslile, 1980) como quadro teórico geral. Na metodologia, Srpová (1991, 1995, 2004) nos fornece três recursos analíticos, quais sejam: a operação tradutória em quatro etapas, a tipologia das traduções – que se trata de uma reformulação dos procedimentos lingüísticos propostos por Vinay e Dalbernet (1958) – e a percepção contrastiva. A partir de um corpus constituído de quarenta e seis fragmentos do filme, identificamos os elementos culturais pertencentes ao etno-universo francês representado no filme e os classificamos conforme duas tipologias: uma de natureza teórica, cujas noções tomamos emprestadas, sobretudo, da Etnografia da Comunicação; a outra, correspondente a cinco eixos temáticos, definidos pela natureza do próprio corpus. Os resultados indicam que ambas as traduções brasileiras tendem a conservar essas especificidades por empréstimo lexical e tradução literal. Foi constatada, também, a importância da associação dos procedimentos lingüísticos utilizados com o contexto visual, para uma melhor compreensão do sentido das especificidades culturais francesas, conforme o etno-universo de partida. De maneira geral, a percepção desses elementos culturais parece, efetivamente, ser orientada pelas modalidades de tradução adotadas na pesquisa. Palavras-chave: cinema, dublagem, legendagem, percepção intercultural, tradução interpretativa.
  • PAULO DE MACEDO CALDAS NETO
  • DO PICADEIRO AO CÉU:O riso no teatro de Adriano Suassuna.
  • Data: 28/04/2008
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  • CALDAS NETO, Paulo de Macedo. Do picadeiro ao céu: o riso no teatro de Ariano Suassuna. Dissertação de Mestrado – Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem, Departamento de Letras – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2008. A análise deste trabalho procura investigar o significado do riso no teatro armorial do escritor paraibano Ariano Suassuna. O estudo parte, primeiramente, de uma argumentação que centra seu conteúdo na teoria dos vários teóricos da questão: Henri Bergson, Vladimir Propp, Jolles, Freud, Bakhtin. São comentadas a essência do riso em Suassuna e as suas relações estéticas, uma vez que são esses elementos responsáveis pela força da obra literária. Na condição de estudioso de Estética e História da Arte, Suassuna põe sempre os métodos do esteticismo em favor da risada, tendo em vista que ela é fonte de improvisação, isto é, pode ter vários sentidos dependendo do que se pretende transmitir ao leitor/espectador. O riso é uma máscara que se modifica a cada nova situação, representando assim a própria condição humana. Por ser o teatro uma arte sujeita à recriação, o riso também o é. E por ser uma grande festa em que outras artes (a dança, a música, o mamulengo e o bumba-meu-boi) estão presentes, unidas para comporem uma linguagem confluente e híbrida, estuda-se o significado da hilaridade durante as celebrações populares, principalmente as que ocorriam na Europa Medieval. Assim, na segunda parte, a base da pesquisa é a teoria do russo Mikhail Bakhtin que ajuda a relacionar o riso de Suassuna com a festa popular, mostrando a linguagem empregada por esta e os folguedos que dão vida à alegria do povo. Na terceira parte, examina-se a importância do riso de Suassuna para a cultura brasileira, fazendo-se uma reflexão sobre seu papel no contexto sociocultural do país. Palavras-chave: Ariano Suassuna, riso, teatro brasileiro, festas populares, Cultura Brasileira.
  • MARIA DO SOCORRO MAIA FERNANDES BARBOSA
  • A heterogeneidade discursiva nas revistas de divulgação cientifica.
  • Data: 24/04/2008
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  • A heterogeneidade discursiva nas revistas de divulgação cientifica.
  • ALZIR OLIVEIRA
  • O LATIM, UMA LINGUA MORTA? UMA METÁFORA EM ANÁLISE. (O OLHAR DA LINGUISTICA APLICADA E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO)
  • Data: 14/04/2008
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  • O foco deste trabalho é o ensino da língua latina. Partindo da constatação de que esse ensino vem enfrentando, desde as últimas quatro décadas, uma situação crescente de crise, que perdura nos dias atuais, refletimos sobre as causas externas e internas do seu declínio, com o objetivo de apontar alguma alternativa para a saída da crise em que se encontra. Assim, nossas questões de pesquisa se preocupam, antes de mais nada, em verificar como o ensino do latim é visto no meio acadêmico, investigando ainda se este ensino tem acompanhado os progressos da reflexão científica sobre o fenômeno da linguagem humana e sobre as novas abordagens do ensino de línguas. Além disso, discutimos acerca da contribuição que o estudo do latim pode oferecer para a formação acadêmica em Letras e procuramos identificar os campos do saber que podem contribuir para um redimensionamento do seu ensino. Em razão dessas questões, estabelecemos como objetivos do trabalho 1) Refletir sobre a situação atual do ensino do latim e sobre as causas do seu declínio; 2) Identificar sua representação social no meio acadêmico discente e docente do Curso de Letras, como forma de contribuir para a definição do papel que lhe cabe na formação docente; 3) Fazer um estudo exploratório de alguns compêndios que apresentam propostas alternativas de didatização do latim, com o intento de verificar sua adequação à nossa realidade e aos objetivos da formação em Letras; 4) Apresentar uma proposta alternativa de ensino do latim que leve em conta as contribuições da Lingüística Aplicada e que, contemplando os aspectos sócio-históricos e culturais da língua, seja capaz de atender as exigências da modernidade e da sua inserção no currículo de Letras. O trabalho está dividido em duas partes. A primeira constitui o quadro teórico. Nela procedemos a um mapeamento introdutório dos estudos sobre o ensino do latim no Brasil, com uma breve incursão no panorama europeu e norte americano. Em seguida, tecemos considerações sobre a concepção do latim como língua morta, apresentando argumentos para uma revisão desta metáfora. Finalizamos com a apresentação dos conceitos de letramento, gênero e cultura, que fundamentam teoricamente a nossa proposta de abordagem do ensino do latim. A segunda parte é destinada à reflexão sobre as práticas de letramento no ensino do latim. Começamos examinando as respostas aos questionários aplicados a alunos e professores, com o intuito de detectar as representações acerca do latim no meio acadêmico de Letras, refletimos sobre o ensino-aprendizagem do latim como uma prática de letramento acadêmico, detendo-nos a seguir na análise de materiais utilizados para a didatização do latim. Por fim, sugerimos uma abordagem do gênero carta familiar em Roma como instrumento de ensino do latim de uma forma contextualizada. Palavras-chave: Língua Latina – ensino- Lingüística Aplicada – letramento - gênero discursivo - cultura
  • BENEDITA VIEIRA DE ANDRADE
  • A modalização como estratégia argumentativa em textos de vestibulandos
  • Data: 08/04/2008
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  • RESUMO Neste trabalho, analisa-se a construção de estratégias argumentativas em textos de vestibulandos. O estudo procurou demonstrar, por meio das ocorrências analisadas no corpus, o emprego de estratégias discursivas para a construção da argumentação, observando as diferentes formas de lexicalização e os efeitos que essas estratégias produziram para a construção do sentido pretendido. Com o objetivo de analisar a modalização a partir de textos construídos por candidatos ao concurso vestibular da UFRN, procurou-se evidenciar relações entre essa categoria e outros recursos utilizados para a orientação argumentativa do texto. Concebida como uma estratégia argumentativa do falante para expressar seu relacionamento com o conteúdo da proposição que enuncia, a modalização é uma das formas de expressão lingüística utilizada para obtenção de efeitos de sentidos pretendidos na construção da argumentação. Para embasar a pesquisa, adotaram-se como pressuposto teórico os postulados que tratam dessa categoria lingüística, inserindo-a numa perspectiva semântico-pragmática e numa perspectiva semântico-discursiva. Para tanto, serviram de base os estudos de Neves (1996; 2006), Koch (2000; 2002), Cervoni (1989), Bronkart (1999), e Castilho; Morais de Castilho (1996) entre outros. Procedeu-se a uma análise contextualizada dos enunciados modalizados, considerando todo o complexo de elementos implicados na construção da argumentação. A pesquisa, que teve caráter estritamente qualitativo, revelou que os candidatos fazem uso da modalização para expressar compromisso ou afastamento em relação ao enunciado que produzem; para obter credibilidade e conferir mais autoridade a seus argumentos, evitando que sejam contestados; para impor seus argumentos como verdadeiros e obter aceitação do interlocutor; para atenuar o conteúdo das proposições e camuflar a fonte de conhecimento; para comentar a enunciação e atribuir o discurso a outro enunciador; para estabelecer uma relação dialógica com o interlocutor. Além de oferecer suporte para novas investigações, a pesquisa também procura contribuir para o ensino de língua materna, enfatizando a necessidade de um enfoque que privilegie o funcionamento da linguagem escrita e sua diversidade de aplicações.
  • FRANCISCO WILDSON CONFESSOR
  • Ai marcador especificidadede SN indefinidos: um estudo funcionalista com implicações para o ensino..
  • Data: 05/04/2008
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  • Este trabalho tem como objetivo geral descrever e analisar o comportamento de AÍ marcador de especificidade de Sintagmas Nominais indefinidos, uma das muitas funções que este item lingüístico desempenha no português brasileiro contemporâneo. Sob a perspectiva teórica da Lingüística Funcional, em sua vertente norte-americana, procuramos esboçar uma possível trajetória de gramaticalização por que AÍ marcador de especificidade passou, a partir de sua função fonte de dêitico espacial até vir a integrar o SN indefinido, e observar a atuação de princípios fundamentais da teoria, como iconicidade e informatividade, sobre o uso desse item. Em seguida, descrevemos o comportamento de AÍ marcador de especificidade no que diz respeito a diversos fatores de ordem lingüística e social: tipo de texto em que a ocorrência foi encontrada; modalidade da língua em que foi produzida; função sintática desempenhada pelo SN especificado por AÍ; existência ou não de material interveniente entre AÍ e o nome nuclear do SN; status informacional do SN adjungido a AÍ; gênero do falante e escolaridade/idade. Procuramos, ainda, verificar a ocorrência de implicaturas conversacionais (GRICE, 1982) nos contextos de uso de AÍ marcador de especificidade, e refletimos acerca do ensino de gramática e da possibilidade e validade de se trabalhar com itens marcadores da especificidade do sintagma nominal nas aulas de língua portuguesa nos níveis fundamental e médio de ensino. Os dados usados nesta pesquisa são provenientes do Corpus Discurso & Gramática – A língua falada e escrita na cidade do Natal (FURTADO DA CUNHA, 1998) e do Corpus Discurso & Gramática – A língua falada e escrita na cidade do Rio de Janeiro (VOTRE; OLIVEIRA, 1995). Palavras-chave: Aí marcador de especificidade, Funcionalismo Lingüístico, ensino de língua portuguesa.
  • ADRIANA VIEIRA DE SENA
  • A melancolia em A asa esquerda do anjo
  • Data: 27/03/2008
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  • O termo melancolia, como foi mostrado em todo o decorrer do nosso trabalho, principalmente no histórico da melancolia, é um termo, por excelência, escorregadio. De várias facetas, a melancolia pode vir a designar desde patologia, passando por inspiração filosófica, para desaguar num modo de ver a vida, como bem nos coloca Denílson Lopes em seu livro Nós os mortos: melancolia e neo – Barroco (1999). A Asa Esquerda do Anjo (LUFT, 2005) é uma obra que já nos acompanha há algum tempo, pois desde a graduação estudamo-la. Em torno da protagonista, chamada de Gisela pela mãe e Guísela pela avó, circula toda a trama desse romance moderno. Tentamos visualizá-la nos três capítulos da dissertação. No primeiro, focalizamos a obra sob o aspecto de uma possível estética da melancolia, tendo por base teórica Marie Claude Lambotte (2000). Depois, elaboramos algumas linhas sobre as perdas da protagonista que do enredo emergem. Por fim, demonstramos Gisela pelo aspecto de múltiplas faces. Sabendo que uma obra literária é infinita em seus significados, cremos que A Asa Esquerda do Anjo (2005) suscita outras nuances. Isto nos dá a certeza que não é um texto acabado, finalizado. Estas nuances poderão ser estudadas, pesquisadas em uma outra oportunidade por nós ou por outros leitores de Luft. A fim de estudar a melancolia em Gisela, fundamentamos nossa dissertação com os estudos de Freud (1980) a respeito do tema. Este faz uma análise comparando a melancolia ao luto, para poder chegar, assim, a um denominador comum, já que o termo é flexível em seus significados. Freud e alguns outros autores no campo, tais como, Bataille (1980); Benjamin (1984); Erickson (2003); Klein (1971); Kristeva (1989); Lino (2004); Peres (2003); Santos (2005), Scliar (2003), pois, nos auxiliaram em nossas pesquisas e direcionaram melhor o nosso olhar sobre a obra. Acreditamos ter alcançado nosso objetivo – estudar a obra A Asa Esquerda do Anjo (LLUFT, 2005) pelo foco da melancolia e suas nuances. Gisela é um personagem inacabado. Em seu discurso ela deixa isto bem nítido. Assim também, não buscamos respostas prontas, com teor de acabamento. O fechar da história está nas mãos do leitor. Mas, à medida que reiniciamos nova leitura, percebemos algo novo, que pode ser extraído da obra, do personagem, da trama. É neste abrir/fechar que a própria Gisela sussurra: Vem, vem, vem.... Ao chamar a todos nós, chama também para um novo caminhar com ela, em suas perturbações subjetivas e sua ausência de respostas. Ao aceitarmos este convite, fica difícil retornarmos pelo mesmo caminho de antes. É necessário, então, junto com este ser de papel, rever nossos passos, para, enfim, redimensionarmos nossa escrita acerca de nós mesmos e (por que não dizer?) do mundo que nos circunda. Palavras-chave: MESTRADO. ENSAIO. LYA LUFT. FREUD. MELANCOLIA. MODERNIDADE.
2007
Descrição
  • MARILIA VARELLA BEZERRA DE FARIA
  • A construção estilística das identidades poéticas da cidade de Natal: um olhar bakhtiniano

  • Data: 21/12/2007
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  • RESUMO Este trabalho tem por objetivo apresentar identidades culturais da cidade de Natal, construídas a partir das representações presentes no discurso de poetas potiguares, no decorrer do século XX. Para tal alcance, tomamos como premissa o fato de que o tecido urbano forma-se em decorrência dos efeitos de sentidos produzidos e dos sujeitos que neles se constituem, o que torna a cidade carregada desses sentidos e plena de significação para as sociedades e para os próprios sujeitos. Também constatamos, neste percurso investigativo, que, como as cidades e suas identidades podem ser interpretadas sob olhares diversos, o discurso poético funciona como uma memória sobre a cidade, reconstituída em meio a um conjunto de práticas sociais determinadas historicamente. A pesquisa ora apresentada situa-se no âmbito da Lingüística Aplicada, área de conhecimento que tem como foco principal a linguagem e que, cada vez mais, amplia suas fronteiras de investigação, revelando seu caráter interdisciplinar. Assim configurado o perfil deste estudo, tomamos como referência teórica o modelo sócio-histórico da linguagem, entendendo-a como prática discursiva (Bakhtin e Círculo). Ainda no campo teórico, estabelecemos uma interconexão com os estudos culturais (Hall, Canclini), considerando que a cultura constrói valores, produzindo diferenças em função de suas condições de produção. Nesse sentido, buscamos, pois, “ouvir” o que dizem os poetas, na tentativa de compreender e interpretar os sentidos produzidos por seus enunciados, visando identificar a formação das identidades da cidade, que emergem em função dos diferentes pontos de vista e das diversas marcas estilísticas que neles se fazem presentes. A análise dos discursos poéticos revelou múltiplas identidades culturais para a cidade: desde uma Natal ingênua e multicor, passando por uma cidade que se constrói a partir da visão de seus personagens, até uma Natal rebelde ou usurpada.

  • LENISE DOS SANTOS SANTIAGO
  • João Cabral de Melo Neto: a estética do avesso
  • Data: 20/12/2007
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  • A peça-poema Morte e vida severina – Auto de natal pernambucano, de João Cabral de Melo Neto, publicada em 1956, será o objeto principal deste estudo, interagindo com as obras O cão sem plumas e O rio pela similaridade temática entre eles. O estudo a respeito destas obras busca uma leitura desvinculada do posicionamento construtivista e metalingüístico que por tradição configura a obra cabralina, não por negar a crítica literária que dá respaldo científico, mas com a pretensão de lançar um novo olhar direcionado para o conceito de barroco, matéria esta que envolve a criação poética a partir da segunda metade do século XX. Portanto, este trabalho apresenta uma proposta de análise da poesia de João Cabral a partir do contexto neobarroco. Considerando, sobretudo, os aspectos similares à temática do barroco, o enfoque recai sobre a influência da literatura ibérica sofrida pelo poeta João Cabral, bem como a temática sobre o conflito existencial explorado no texto Morte e vida severina, e ainda, os extratos de linguagem com significação múltipla que apresentam signos metonímicos e metafóricos. Palavras chaves: Literatura, poesia, modernidade, neobarroco.
  • LUBIA DE MEDEIROS MAIA
  • CITAÇÃO E MODERNIDADE EM  ÁLVARES DE AZEVEDO: DO SUBLIME AO DESSUBLIME.

  • Data: 14/12/2007
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  • CITAÇÃO E MODERNIDADE EM  ÁLVARES DE AZEVEDO: DO SUBLIME AO DESSUBLIME.

2006
Descrição
  • CARMEM DANIELLA SPINOLA DA HORA AVELINO
  • O silenciamento no texto jornalístico e a construção social da realidade
  • Data: 06/03/2006
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  • Este trabalho analisa a utilização do silenciamento pelo jornal “A República” (Natal/RN), hoje sem circulação, durante a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Objetivando desvendar as condições de produção dos textos noticiosos, observou-se o uso do silenciamento como estratégia discursiva, cujas implicações recaíam sobre o modo de agir e pensar da sociedade, à época, influenciando o leitor na construção de sua imagem da realidade. Durante a cobertura do conflito pelo jornal natalense, foi possível observar, ainda, marcas discursivas distintas que representavam a mudança de atitude do Governo Brasileiro, responsável pelo controle do que era noticiado. O país vivia a ditadura do Estado Novo e, face ao desenrolar da guerra, o governo mudava seu discurso, atendendo aos seus interesses políticos, econômicos e sociais em jogo, silenciando temas em nome da unidade e segurança nacional. Admitimos como material de análise textos jornalísticos referentes aos principais fatos ocorridos durante os seis anos em que se deu o conflito mundial e, para tanto, utilizamos como suporte teórico-metodológico a Análise do Discurso. Palavras-chave: Silenciamento; Construção da Realidade; Análise do Discurso; Jornalismo; Segunda Guerra Mundial.
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